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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Historiador Antonio Ferreira relembra os 50 anos do Piquiá

Meio século de história: a fundação do Platô do Piquiá e seu impacto em Boca do Acre

Março de 2025 marca o cinquentenário da fundação do Platô do Piquiá, um capítulo importante na história de Boca do Acre. A data remete a um momento de grandes expectativas e desafios, conforme relata o historiador bocacrense Antonio Ferreira. “Março de 2025 não está sendo diferente do março de 1975. Muita chuva”, escreveu Ferreira, destacando que as chuvas torrenciais adiaram a transferência da sede municipal para o Platô do Piquiá, que só ocorreu em 9 de março daquele ano.

A transferência da sede municipal
A cerimônia oficial de inauguração contou com a presença de figuras ilustres, como o então governador do Amazonas, João Walter de Andrade, e uma comitiva composta por autoridades como João Carlos Marques Henrique Neto, governador do Território de Rondônia, o General Rodrigo Octávio Jordão Ramos, ministro do STM, além da Procuradora Regional da República, Dra. Edylceia Tavares de Paula, e do Superintendente da Polícia Federal, Dr. Walmores Victorino Barbosa. O evento ficou registrado no caderno “Viagem Governamental / Operação Piquiá”, documento oficial do Governo do Estado em 1975.

Avenida Jacinto Ale, mais conhecida como Rua do Banco do Brasil, há 44 anos.

O objetivo: escapar das enchentes
A fundação do Platô do Piquiá foi uma resposta às frequentes enchentes que assolavam Boca do Acre. O local escolhido para abrigar a nova sede municipal era uma fazenda pertencente a José Português, posteriormente adquirida pelo governo do estado. A região recebeu esse nome devido à presença da árvore Piquiá, produtora do fruto Pequi.

Um bairro, e não uma cidade
Contudo, a expectativa de transformação do Platô do Piquiá em uma nova cidade não se concretizou plenamente. O que era para ser uma nova cidade, acabou se tornando um bairro, uma cidade administrativa. A população ribeirinha da cidade velha, a Boca do Acre, mesmo enfrentando os transtornos das cheias, optou por permanecer em suas localidades, abrindo espaço para a chegada de migrantes do Sul do Brasil, principalmente oriundos do Paraná e de Minas Gerais.

Foto aérea do Platô do Piquiá, nos dias de Hoje.

Da Walterlândia ao Piquiá
Sim, o nome oficial ainda é Walterlândia, em homenagem ao governador do Amazonas, na época, João Walter de Andrade. Mas Walterlândia se tornou Piquiá, pelos motivos acima descritos. No entanto, Google Maps e outros aplicativos de GPS, ainda identificam o Platô do Piquiá como Walterlândia.

Os primeiros habitantes
Os primeiros moradores do Piquiá, antes mesmo de sua fundação oficial, foram Chico Sulau e dona Dorinha, que chegaram em 1965. O casal testemunhou de perto as transformações que levaram o Platô do Piquiá a se tornar parte essencial da história de Boca do Acre.

O legado de 50 anos
Cinco décadas depois, a região segue desempenhando um papel crucial na organização da cidade, mantendo viva sua memória e seu valor histórico para a população bocacrense. O Platô do Piquiá representa um marco de resistência e adaptação, mostrando como a cidade soube lidar com os desafios impostos pela geografia e pelo clima.