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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Indígenas protestam na BR-317 por justiça para casal Apurinã atropelado

Manifestação cobra presença da FUNAI e celeridade no processo judicial

Na manhã desta quarta-feira (26), lideranças indígenas das etnias Apurinã e Jamamadi deram início a uma manifestação na BR-317, em Boca do Acre, exigindo justiça pela morte de um casal indígena atropelado no último dia 15 de fevereiro. O protesto começou às 10h, dentro de uma das reservas indígenas que ficam ao longo da BR-317, em território amazonense.

Cumprindo sua palavra, a comunidade indígena se mobilizou para cobrar providências das autoridades e maior comprometimento da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que, segundo os organizadores do ato, está ausente no acompanhamento do caso.

A organização dos povos indígenas Apurinã e Jamamadi de Boca do Acre relatou que está monitorando de perto os desdobramentos do caso junto às comunidades e lamentou a falta de apoio da FUNAI. Durante a manifestação, as lideranças reivindicaram que o órgão federal assuma um papel mais ativo para garantir que os procedimentos legais sejam conduzidos com mais agilidade.

“Não podemos permitir que esse crime caia no esquecimento. A FUNAI tem um compromisso com os povos indígenas e precisa estar presente, acompanhando esse caso de perto”, afirmou um dos líderes do movimento.

O vice-coordenador da Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi de Boca do Acre (OPIAJBAM), Joemisson Fernandes, revelou que, durante o protesto, recebeu uma ligação do promotor de justiça do município. Segundo Fernandes, o promotor garantiu que até sexta-feira, dia 28 de fevereiro, o Ministério Público formalizará a denúncia contra o responsável pelo atropelamento. Apesar dessa sinalização, o movimento indígena reforçou que continuará mobilizado até que o caso tenha uma resolução concreta.

As lideranças alertaram ainda que, caso não haja avanços significativos no processo judicial, a BR-317 poderá ser bloqueada por tempo indeterminado, como forma de pressionar as autoridades a garantir a punição do infrator. “Se a justiça não for feita, tomaremos medidas mais drásticas. A estrada é um ponto estratégico e, se for necessário, faremos um bloqueio total até que tenhamos uma resposta efetiva”, declarou Joemisson Fernandes.

A tragédia deixou cinco crianças órfãs, sendo três delas menores de idade, o que torna a situação ainda mais delicada. Familiares e membros das comunidades indígenas afetadas estão buscando apoio para garantir assistência às crianças, enquanto aguardam uma decisão judicial que responsabilize o autor do crime.

O acidente que ceifou a vida do casal Apurinã ocorreu no dia 15 de fevereiro, em frente ao frigorífico Frigo Raça.