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sábado, 15 de agosto de 2026
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Consumo de álcool mata uma pessoa a cada 5 minutos e custa R$ 18 bilhões anuais ao Brasil

Estudo da Fiocruz revela que homens são a maioria das vítimas de problemas de saúde decorrentes do consumo de álcool

O consumo de álcool no Brasil provoca, em média, uma morte a cada cinco minutos, segundo estudo divulgado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na última terça-feira (5). A pesquisa utilizou estimativas de mortes atribuídas ao álcool da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 2019, foram registradas 104,8 mil mortes relacionadas ao álcool no Brasil. Os homens representaram 86% dessas mortes, com quase metade vinculada a doenças cardiovasculares, acidentes e violência. Já as mulheres responderam por 14% das mortes, com mais de 60% dos casos associados a doenças cardiovasculares e diferentes tipos de câncer.

O estudo também estima que o consumo de bebidas alcoólicas custou ao Brasil R$ 18,8 bilhões em 2019, com 78% desse valor (R$ 37 milhões) sendo gastos com os homens e 22% (R$ 10,2 milhões) com as mulheres. Deste total, R$ 1,1 bilhão correspondem a custos federais diretos com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os outros R$ 17,7 bilhões referem-se a custos indiretos, como perda de produtividade devido à mortalidade prematura, licenças e aposentadorias precoces por doenças relacionadas ao álcool, perda de dias de trabalho por internação hospitalar e licenças médicas.

“É importante destacar que o estudo adota uma abordagem conservadora, baseando-se exclusivamente em dados oficiais de fontes públicas, como dados do SUS e pesquisas do IBGE. Não inclui custos dos estados e municípios, nem da rede privada de saúde. Portanto, o custo real do consumo de álcool para a sociedade brasileira é provavelmente ainda maior”, explica Eduardo Nilson, pesquisador responsável pelo estudo.

O custo do SUS com a hospitalização de mulheres por problemas relacionados ao álcool representa 20% do total. Um dos motivos é o menor consumo de álcool entre mulheres. Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), 31% das mulheres relataram ter consumido álcool nos 30 dias anteriores à pesquisa, comparado a 63% dos homens.

Além disso, as mulheres procuram mais serviços de saúde e fazem exames de rotina, sendo tratadas antes de desenvolverem complicações mais graves.

Quanto aos custos de atendimento ambulatorial relacionados ao álcool, a diferença entre os gêneros diminui, com 51,6% dos custos atribuídos aos homens. A maior incidência de atendimento ambulatorial ocorre entre pessoas de 40 a 60 anos, sendo 55% dos custos relacionados às mulheres e 47,1% aos homens.

“Isso confirma que as mulheres buscam atendimento precocemente mais do que os homens, mesmo com uma menor prevalência de consumo de álcool entre elas”, destaca Nilson.

O estudo, intitulado “Estimação dos custos diretos e indiretos atribuíveis ao consumo do álcool no Brasil”, foi realizado pelo pesquisador Eduardo Nilson, do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura da Fiocruz, a pedido das empresas Vital Strategies e ACT Promoção da Saúde.

(Com informações da Agência Brasil)