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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Açougues recorrem ao abate clandestino após lacração de frigoríficos


Boca do Acre, cidade de forte tradição pecuária no interior do Amazonas, enfrenta uma crise no abastecimento de carne. Após a Operação Carne Fria, conduzida pelo Ibama e outros órgãos ambientais, os frigoríficos Frizam e Frigo Nosso foram lacrados sob a acusação de comprar gado de fazendas embargadas por irregularidades ambientais, incluindo desmatamento ilegal. Multados em valores milionários, os frigoríficos seguem interditados, aguardando inspeções rigorosas antes de qualquer possibilidade de retomada das operações. Com isso, o impacto se faz sentir diretamente nos açougues locais e, consequentemente, na mesa do consumidor.

Com o lacre dos principais frigoríficos, muitos açougueiros se veem sem alternativas de fornecimento regular de carne. Em entrevista ao Jornal Opinião, um açougueiro, que preferiu não ser identificado, explicou que o mercado informal se tornou uma saída inevitável para garantir o abastecimento. “Para conseguir carne para o povo, estamos precisando recorrer ao abate clandestino. Claro que isso é longe do ideal, porque esses locais não têm as mesmas condições de higiene e segurança”, relata ele, em tom de preocupação. Essa prática, além de arriscada, compromete a qualidade da carne disponível e levanta questões sanitárias, já que esses abatedouros não seguem normas estritas de controle de qualidade.

A escassez no mercado formal gerou uma alta significativa nos preços da carne nos açougues que ainda mantêm a compra de carne regularizada. Antes da operação, o preço do filé era vendido a R$ 43 por quilo; agora, o quilo chega a R$ 58, representando uma inflação de aproximadamente 34,88%.