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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Em 8 anos, Zeca Cruz recebeu R$ 800 milhões em receitas para administrar Boca do Acre

A cifra impressiona, mas não mais do que a realidade suja de uma cidade milionária

A cidade de Boca do Acre vive um paradoxo financeiro. Com receitas municipais em constante crescimento, o município acumulou uma quantia significativa durante os oito anos de gestão do prefeito Zeca Cruz. Em 2023, o total de recursos recebidos pela prefeitura atingiu a marca impressionante de R$ 141.575.307,83, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, apesar das elevadas receitas, os serviços públicos essenciais permanecem deficientes, deixando a população à mercê de ruas esburacadas, problemas de abastecimento de água e a ausência de eventos culturais tradicionais.

No ano de 2023, com uma receita de R$ 141.575.307,83 e despesas de R$ 124.720.386,00, o saldo positivo para o ano seguinte, 2024, foi de R$ 16.854.921,83. Com o orçamento de 2022 já superando em R$ 9 milhões o do ano anterior, há uma tendência de crescimento que projeta para 2024 uma arrecadação próxima de R$ 150 milhões, mantendo o ritmo de aumento de receitas dos últimos anos.

Receita milionária em quase uma década

Durante os oito anos de mandato do prefeito Zeca Cruz, a cidade recebeu, ano a ano, quantias expressivas, que quando somadas, chegam a assustadora cifra de 800 milhões de reais. A seguir, um resumo das receitas acumuladas entre 2017 e 2023:

2017: R$ 58.849.158,13
2018: R$ 71.671.505,87
2019: R$ 75.024.662,74
2020: R$ 77.166.955,73
2021: R$ 101.307.559,88
2022: R$ 132.388.448,10
2023: R$ 141.575.307,83

Ao somar esses valores, chega-se a um total de R$ 657.983.598,28 ao longo dos últimos oito anos. Em 2024, com base no crescimento das receitas, a projeção ultrapassa os R$ 150 milhões, o que totalizaria aproximadamente R$ 807 milhões em uma década.

Apesar do volume financeiro arrecadado, Boca do Acre enfrenta problemas que impactam diretamente a qualidade de vida dos cidadãos. Em diversas áreas da cidade, a população convive com ruas em estado precário e sem manutenção, e reclama do desabastecimento de água potável. Além disso, a ausência do tradicional Festival de Praia nos dois últimos anos foi sentida pela comunidade, pois o evento não só é um ponto alto do calendário cultural, mas também contribui para a economia local ao atrair visitantes e promover o comércio.

Ao invés de progredir com a administração, a cidade aparenta ter regredido. Mesmo com uma receita expressiva ao longo dos anos, o reflexo no dia a dia dos bocacrenses é pouco perceptível.