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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Comunidade no Purus gera própria energia solar


A transição energética justa, inclusiva e popular já é realidade na Vila Limeira, comunidade de 90 pessoas, localizada à margem do Rio Purus, a 853 km de Manaus, no Amazonas. Com a instalação da minirrede de energia solar fotovoltaica, Vila Limeira ficou conhecida na região como um modelo que deu certo e carrega o título de a primeira comunidade do sul do Amazonas com energia 100% solar. Mais do que isso: a comunidade se tornou testemunha do impacto positivo que a energia tem sobre o desenvolvimento econômico e social das pessoas.

Se antes a comunidade tinha apenas três horas diárias de energia a gerador de diesel, atualmente são 24 horas de fornecimento em casa e nas ruas da vila. E muita coisa mudou, a começar pela iluminação noturna constante. A energia trouxe também melhora para a saúde e o estilo de vida no local, com o uso de geladeiras para conservar alimentos nos quais antes se adicionava grandes quantidade de sal (para que durassem mais), e oportunidades de desenvolvimento, como estudar mais e poder cursar faculdade à distância.

“Hoje temos oito pessoas da nossa comunidade cursando faculdade, quatro mulheres e quatro homens. Esses estudantes saíram da nossa escola comunitária”, comemora o professor Aldo Junior Oliveira de Godoy. “Temos água na torneira e podemos tomar banho nas nossas casas. Os mais jovens estão acessando a universidade. Energia é o meio de desenvolvimento”, conta o pastor Gilase Oliveira.

Ele lembra que antes, “a gente gastava 10 litros de diesel para ter eletricidade três horas por noite. Custava R$ 100 cada hora. Por ano, cada família pagava R$ 5 mil, hoje paga R$ 720 por ano, dinheiro que vai para um fundo da comunidade”. Como não há mais custo para gerar a energia, os moradores verificam mensalmente o consumo de suas casas e depositam o valor em um fundo comunitário, que planejam aplicar na manutenção e expansão da própria rede.

O projeto Vila Limeira 100% Solar surgiu de uma iniciativa conjunta da Apavil – Associação dos Moradores da Vila Limeira e do WWF-Brasil, com apoio da Fundação Charles Stewart Mott e autorização do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Em agosto de 2021 a usina solar foi inaugurada.

Na Vila Limeira, todas as casas, a escola, o centro comunitário e a maioria das atividades produtivas acontecem muito próximas. Por isso, optou-se por projetar e implantar uma minirrede off grid, conhecida no Brasil como Microssistema Isolado de Geração e Distribuição de Energia Elétrica (MIGDI). Somando todas as demandas energéticas locais, concluiu-se que uma usina solar de 30kWp seria suficiente para as expectativas comunitárias. O sistema foi projetado com equipamentos e uso de tecnologia no estado da arte, incluindo banco de baterias de lítio, com durabilidade de 15 anos e medidores individuais digitais em todas as unidades consumidoras.
Em 2021, a Vila Limeira tinha 20 famílias, e 80 pessoas. Depois da chegada da energia, chegaram mais cinco famílias. A comunidade começou a ser formada em 1958, quando três irmãos saíram da Paraíba para formar a mão de obra dos seringais amazônicos e povoar a região, política de desenvolvimento do estado brasileiro à época. Hoje, a comunidade é formada pelos descendentes dessas pessoas pioneiras e aquelas que se juntam às novas gerações e entram para a família.

A comunidade extrativista vivia da agricultura praticamente de subsistência até 2021, com produção de mandioca e seus derivados, açaí, castanha e tentou criar gado e plantar cana. Hoje, trabalham para recuperar a área de pasto e canavial em sistema agroflorestal, restaurando com açaí e outras espécies nativas. Para isso, já estão trabalhando com viveiro de mudas para a comunidade e vizinhos.