Familiares de detentos que estão em greve de fome no Presídio Manoel Neri, em Cruzeiro do Sul, fizeram um protesto nesta quinta-feira (16). Um grupo de ao menos 40 mulheres fechou a entrada do Tribunal de Justiça do município e, após conversar com um juiz, seguiram para a frente do presídio e fecharam as duas entradas do local e a rodovia BR-307.
Com cartazes, o grupo pedia informações sobre o andamento das reivindicações feitas pelos presos que estão em greve de fome desde o último dia 13 de agosto em Cruzeiro do Sul e outras cinco unidades do Acre.
O tenente da Polícia Militar (PM-AC) Silva Lima acompanhou a ocorrência disse que após a conversa com o juiz as mulheres exigiram falar com a direção do presídio. O fechamento no local ocorreu por volta de 11h e durou cerca de 40 minutos. Alunos que seguiam para a aula decidiram descer do ônibus para passar pela barreira e ir a pé para escola.
“Achávamos que após a conversa com o juiz estava tudo resolvido. Quando chegamos na unidade havia um tumulto muio grande de veículos lá. Em outra conversa da PM-AC com as líderes, elas decidiram desbloquear a via. Foram recebidas pela direção da unidade e deixaram o local”, relatou.

Familiares pediam informações sobre a situação dos presos que estão em greve de fome desde o dia 13 de agosto – Foto/Divulgação/Polícia Militar de Cruzeiro do Sul
Conversa com a direção
Ao G1, a diretora do presídio Manoel Neri, Deyse Januário, informou que os familiares se reuniram próximo à guarita da unidade. O grupo formou uma comissão e pediu para conversar com a direção para saber o andamento das reivindicações e se havia a possibilidade de a situação ser resolvida. Os detentos do município permanecem em greve de fome.
“Elas queriam que fossem atendidas as reivindicações dos parentes delas que estão presos, queriam saber se alguma das situações havia sido resolvida. Nada foi cedido, até porque são reivindicações que não dizem respeito diretamente à nossa unidade. Conversamos tranquilamente, explicamos e elas se retiraram”, destacou Deyse.

Grupo foi recebido pela direção do presídio e após a conversa deixou o local – Foto/Airton Rodrigues/Arquivo Pessoal
Reivindicações
Os presos de quatro pavilhões do Presídio Manoel Neri da Silva, em Cruzeiro do Sul, estão em greve de fome desde o dia 13 de agosto. Os detentos da segunda maior cidade do Acre decidiram aderir ao protesto que teve início em unidades prisionais da capital do estado.
Conforme a direção do presídio, nos quatro pavilhões estão 403 presos, integrantes de três organizações criminosas que atuam em Cruzeiro do Sul.
Entre as reivindicações apresentadas estão: o aumento do horário da visita íntima e a revisão dos processos dos que estão com penas vencidas. As reivindicações foram encaminhamos ao Poder Judiciário.
No interior, os detentos também aderiram ao protesto no Presídio Evaristo de Moraes, em Sena Madureira e Moacir Prado, em Tarauacá.
Protesto em Rio Branco
Em Rio Branco, na quarta (15), as mulheres de presos fecharam as principais vias da capital pressionando para que as exigências dos presos fossem atendidas. Em nota, o Iapen informou que iria dialogar com as manifestantes, mas não vai cederia às pressões.
O Iapen-AC informou que o movimento busca regalias e que o sistema penitenciário avalia as reivindicações, mas deve ceder apenas nos casos em que o pedido esteja previso em lei.


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