Estiagem severa, desmatamento e queimadas estão alterando o ciclo natural do mandi, impactando a pesca e a economia local nos rios da Amazônia
A famosa piracema do Mandi, um fenômeno que há anos marca o calendário dos pescadores de Boca do Acre, está ausente em 2024. O fenômeno, que envolve a migração dos peixes para a desova, não se manifestou neste ano, despertando preocupações e incertezas entre as comunidades ribeirinhas que dependem dessa época para garantir o sustento de suas famílias.
Em entrevista ao Jornal Opinião, pescadores locais expressaram surpresa e apreensão com a ausência da piracema. “A gente sempre se preparava para essa época. Era um tempo certo, o rio enchia e os cardumes de Mandi subiam. Este ano, o rio não encheu como deveria, e a piracema não aconteceu”, relata Antônio Souza, pescador com mais de 30 anos de experiência nas águas do Purus. “Nunca vi algo assim. Parece que o rio está doente.”
A falta da piracema tem causas profundas e preocupantes. Em 2024, os rios do Amazonas e da Amazônia enfrentam uma estiagem severa, considerada uma das mais intensas dos últimos anos. Essa seca prolongada é resultado de uma combinação de fatores que inclui desmatamento desenfreado, queimadas frequentes, e mudanças climáticas. Todos esses elementos têm alterado drasticamente o ecossistema local, e o Mandi, peixe que sempre foi abundante nessa época do ano, parece ter sido uma das vítimas desse processo.
A ausência da piracema está sendo sentida também em Sena Madureira, que anualmente celebra a chegada do pequeno peixe de couro, que nesta época do ano é frequente no cardápio do município acreano. Lá os pescadores também expressaram preocupação e apreensão, tentando buscar uma explicação para a não subida dos peixes pelo rio Purus, ao mesmo tempo na esperança de que eles apareçam antes do período chuvoso.


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