Nos primeiros dois meses de 2024, o estado do Acre já contabilizou mais de 10 mil notificações de dengue, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta semana. O estado, mais uma vez, figura entre os líderes do país em incidência da doença, ocupando o terceiro lugar no ranking, com um índice de transmissão de 582,2 casos por 100 mil habitantes.
Junto ao Acre, outros estados brasileiros também enfrentam uma situação crítica, incluindo o Distrito Federal (2.286,2), Minas Gerais (836,3), Paraná (485,3), Goiás (450,9) e Espírito Santo (368). Todos esses estados já ultrapassaram a marca de 300 casos por 100 mil habitantes, indicando níveis de transmissão equiparáveis a uma pandemia.
A situação de emergência no Acre, declarada desde o início do ano, evidencia-se nos números alarmantes: dos mais de 10 mil casos registrados, 9.510 ocorreram somente em janeiro. Dentre esses, quase 5.000 foram notificados na capital, Rio Branco, e outros 1.457 em Cruzeiro do Sul, consolidando Rio Branco como o epicentro da doença no estado.
Essa não é uma realidade nova para o Acre, que já enfrentou um quadro semelhante em 2023, quando Rio Branco registrou quase 16 mil casos e Cruzeiro do Sul contabilizou 5.600 casos da doença.
O município de Brasileia também figura entre os mais afetados, com 1.295 casos registrados até o momento. Por outro lado, municípios como Porto Walter (1), Bujari (19) e Xapuri (47) apresentam os menores registros de dengue em 2024.
Diante dessa crise de saúde pública, o Acre tomou a iniciativa de iniciar a campanha de vacinação contra a dengue ainda no início de 2024. Recebendo um total de 17.810 doses do Ministério da Saúde na última semana, o estado direcionou sua imunização para crianças de 10 a 11 anos.
A escolha dessa faixa etária foi baseada no índice de hospitalização por dengue nesse grupo, entre 10 e 14 anos, além da limitação das doses disponíveis. Na capital, Rio Branco, as doses estão disponíveis em locais como Crie, Policlínica Barral y Barral e Urap Eduardo Assmar.
Renata Quiles, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Acre, destaca a importância de iniciar a vacinação nas idades de 10 e 11 anos, com o fornecimento das primeiras remessas até a segunda semana de março, seguidas das demais doses para a segunda aplicação posteriormente, conforme o intervalo recomendado de três meses entre as doses.
A vacinação estará disponível em unidades de referência espalhadas pelo estado, visando alcançar o máximo de pessoas e conter a propagação da doença.


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