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terça-feira, 23 de junho de 2026
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Assassinatos de mulheres são responsáveis pelo quinto maior número de mortes violentas no estado do Acre

Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela alto índice de feminicídio no estado do Acre

Segundo o estudo “Cartografia da Violência na Amazônia” realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de homicídios de mulheres no Acre é de 5,3 assassinatos por 100 mil habitantes. Esse número preocupa os pesquisadores, que afirmam ser difícil explicar o alto índice de violência letal contra mulheres na região, especialmente quando comparado ao restante do país.

De acordo com o Observatório Criminal do Ministério Público do Acre, que atualiza mensalmente os dados, oito das 175 mortes violentas intencionais (MVIs) em outubro foram consideradas feminicídios, ou seja, a mulher foi morta por ser mulher. Esse número representa 4,6% do total de MVIs, colocando o feminicídio como a quinta maior causa de assassinatos no estado.

A pesquisa também revela que, além dos conflitos de facções, o feminicídio perde apenas para motivos fúteis, crimes sem causa definida e intervenções policiais. Esse cenário se repete nos meses anteriores, onde o percentual de feminicídio em relação ao total de MVIs se mantém alto.

Os responsáveis pela pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública questionam o motivo pelo qual as mulheres na Amazônia sofrem mais violência do que as demais brasileiras, seja por feminicídios ou por outras formas de violência. Uma das possíveis explicações está ligada ao processo colonizador da região, que foi majoritariamente masculino e marcado pela exploração da mulher.

Além disso, a expansão do narcotráfico na região Amazônica e os desafios enfrentados em áreas de fronteira também contribuíram para a alteração das dinâmicas de gênero. O estudo ressalta que, mesmo com o aumento da população carcerária feminina no século XXI, as desigualdades de gênero e a lógica patriarcal ainda permeiam a sociedade.

Diante desse cenário, as mulheres na Amazônia continuam sendo vistas como propriedades de homens ligados às facções criminosas, sujeitas a punições extremas caso não atendam às expectativas de gênero. A pesquisa conclui que é necessário um trabalho contínuo para combater essas desigualdades e garantir a segurança e a dignidade das mulheres na região.