Técnicas de enfermagem negam deboche feito a paciente com tendências suicidas

A paciente se pronunciou sobre o ocorrido, dizendo que foi tratada de forma muito errônea pelas mulheres, que estavam constantemente debochando da situação.

Rosa Maria de Oliveira e Socorro Pinto, foram afastadas de seus postos no Pronto-Socorro de Rio Branco, após a veiculação de um vídeo nas redes sociais, em que ambas faziam comentários sobre uma paciente internado pela tentativa de suicídio.

Em entrevista para a Rede Gazeta na quarta-feira, 23, as envolvidas negaram a falas preconceituosas que aparecem no vídeo. Socorro foi ainda mais enfática, dizendo que em nenhum momento houveram agressões contra a paciente.

“Nós nem sabíamos que ela estava internada por suicídio. Uma senhora chegou e falou que o único neto que ela tinha estava querendo se matar, então, eu falei que eu tinha um filho que também estava querendo se matar e comentei com ele para ir ao cemitério pedi para jogar logo terra em cima de dele. E a minha colega contou a história do tio dela para a mulher que estava muito abalada. Aí a mulher que gravou o vídeo foi até a gente e disse que estava filmando. E eu falei que não tinha feito nada de mal para ela, mas, apenas dando conselho para mulher da mesa”, conta Socorro.

Já a sua colega de trabalho, Rosa Maria, disse que suas falas foram colocadas fora de contexto. “Quando eu era adolescente, meu pai tinha um irmão que tentou suicídio, ele simplesmente se trancou em um local e lá ele estava tentando se matar e os vizinhos chamaram meu pai que disse a ele, se você quiser se matar, se mate logo ou então abra essa porta que estou aqui. Então, ele abriu a porta e abraçou meu pai que levou meu tio para casa e conversou com ele. Foi apenas uma história que eu estava contando”, alega Maria.

Apesar da versão dada por ela, o que se pode observar através do vídeo é que as falas foram todas ditas de maneira agressiva, com ar de deboche, e fazendo ataques diretos às pessoas com problemas de cunho mental, como “ a pessoa que se mata vai pro inferno”, entre outras frases com embasamento religioso.

A paciente se pronunciou sobre o ocorrido, dizendo que foi tratada de forma muito errônea pelas mulheres, que estavam constantemente debochando da situação. Além disso, destacou como eram mal preparadas para atender situações como aquela.

“Eu fui informada que o hospital de saúde mental estava em reforma e que precisava ser atendida na observação adulta e assim foi feito. Eu pedi uma medicação para dormir porque os sintomas se intensificam naquele momento, então eu precisava dormir para preservar minha vida. Fui informada que não havia outra medicação, que teria que guardar o celular e dormir (…) Deixaram claro que não pode ficar com acompanhante, sendo que vários estavam, mesmo minha acompanhante alegando que eu poderia cometer suicídio, elas não deixaram”, disse a paciente.

No final, deixou um desabafo e crítica aos profissionais da saúde, que, apesar das campanhas de Setembro Amarelo, não têm o cuidado necessário com esse público hospitalar. “As pessoas não têm respeito pela gente”, completou ela.

O Ministério Público do Acre já está trabalhando na abertura de uma investigação para analisar mais a fundo a situação.