Eletroacre é vendida em leilão sem disputa em SP

Os funcionários da Eletrobrás, distribuidora Acre, Rondônia e Roraima, tiveram uma quinta-feira (30) tensa e a partir de agora cada um deles vive um dilema de incerteza nos quadros da empresa. As três distribuidoras foram leiloadas no início da tarde pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

A venda das três distribuidoras trouxe grande preocupação entre seus empregados. Um ato pela manhã, na porta da Eletroacre, organizado pelo Sindicato dos Urbanitários e com a presença da direção da CUT-AC, chamou atenção de empregados, populares, assim como da imprensa local. O sindicalista Marcelo Jucá, 49, funcionário de carreira da Eletroacre e também presidente do Sindicato dos Urbanitários, analisa a venda da empresa com muita preocupação. Segundo ele, com o processo de desestatização, muitos funcionários da empresa se veem desempregados.

Marcelo Jucá analisa que desestatização das distribuidoras irá encarecer ainda mais o serviço de distribuição de energia aos contribuintes. O sindicalista chama atenção ainda para o fim dos projetos sociais com a efetivação da privatização do setor, citando como exemplo o programa Luz para Todos. “Não tenho dúvida que a privatização do setor elétrico será prejudicial ao contribuinte, seja no serviço prestado, na expansão do serviço ou no preço do talão da energia elétrica”.

Leilão

O leilão das três distribuidoras foi realizado sem concorrência em nenhum dos certames das distribuidoras, com a apresentação de apenas uma proposta em cada um deles, segundo publicou a Agência Brasil. A Energisa arrematou duas distribuidoras. O outro vencedor foi o Consórcio Oliveira Energia.

Pelas regras do leilão, foi considerada vencedora a proponente que ofereceu o lance com maior índice de deságio na flexibilização tarifária, que deveria ser acima de zero.

De acordo com a reportagem da Agência Brasil, Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre) foi vendida por índice de deságio de 31, o que significa que a compradora não abriu mão de toda a flexibilização tarifária concedida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nos casos de empréstimos adquiridos antes do edital de licitação, por exemplo, a Energisa receberá 59% do saldo devedor dos empréstimos a pagar. A Energisa também arrematou a Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron) pelo índice 21.

O Consórcio Oliveira Energia comprou a Boa Vista Energia – distribuidora de energia em Roraima – pelo índice de deságio zero.