Com sistema de saúde sobrecarregado, Acre registra mais sete mortes por Covid-19

Com as UTIs do Pronto-Socorro de Rio Branco e do Into Acre com 100% de ocupação, o Acre registrou mais sete mortes e 320 novos casos de contaminados pela Covid-19, de acordo com o boletim da Secretaria de Saúde divulgado nesta segunda-feira, 15.

O número atualizado de infectados pela doença chegou a 62.940, mas esse montante deve subir, tendo em vista que 1.054 exames seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux.

Internados

De acordo com o boletim, 368 pessoas seguem internados em leitos de UTIs, clínicos, pediátricos e obstétricos em todo o estado. Os dados também mostra que mais de 52 mil pessoas receberam alta médica desde o início da pandemia.

Os dados da vacinação contra a Covid-19 no Acre podem ser acessados no Painel de Monitoramento da Vacinação, disponível no endereço eletrônico: http://covid19.ac.gov.br/vacina/inicio. As informações são atualizadas na plataforma do Ministério da Saúde (MS), ficando sujeitas a alterações constantes, em razão das informações inseridas a partir de cada município.

Diante da taxa de ocupação de leitos sobrecarregada no Sistema Único de Saúde, o Estado segue agora trabalhando, com apoio do Governo Federal, com a transferência de pacientes para outras localidades onde há disponibilidade de leitos para tratamento da Covid-19.

O primeiro paciente foi transferido neste domingo, 14, de Rio Branco para Cruzeiro do Sul. A previsão é de que mais 13 pacientes sejam transferidos ainda nesta segunda-feira, 15, para o município.

Outros 6 pacientes também já estão com leitos de UTI regulados pelos SUS para transferência via Força Aérea Brasileira (FAB), para a cidade de Manaus, aguardando também a chegada da aeronave.

Mais 7 notificações de óbitos foram registradas nesta segunda-feira, 15, sendo 5 do sexo masculino e 2 do sexo feminino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 1.129 em todo o estado.

Óbitos do sexo masculino:

R. N. C., de 89 anos, faleceu no seu domicílio, em Rio Branco, no dia 1º de janeiro.

Morador de Rio Branco, A. J. G. M., de 47 anos, faleceu no dia 31 de janeiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), sem data de entrada na unidade de saúde.

Morador de Porto Acre, E. T. P., de 69 anos, deu entrada no dia 23 de fevereiro, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), vindo a óbito no dia 13 de março.

Morador de Cruzeiro do Sul, A. M. S., de 85 anos, deu entrada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), no dia 15 de fevereiro, e faleceu no dia 14 de março.

O quinto óbito entre os homens é de M. L. P. M., de 63 anos. Morador de Rio Branco, deu entrada no dia 7 de fevereiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), e veio a falecer neste domingo, 14 de março.

Óbitos do sexo feminino:

Moradora de Rio Branco, L. L. G., de 91 anos, deu entrada Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), no dia 2 de março, vindo a falecer no dia 14 do referido mês.

M. A. B. N., de 35 anos. Moradora de Rio Branco, deu entrada no dia 14 de março, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sobral, vindo a falecer nesta segunda-feira, dia 15.

Sobre os casos de Covid-19 no estado, acesse:

BOLETIM_AC_COVID_15.03.2021 (1)

Sobre a ocupação de leitos no estado, acesse:

Boletim Assistência 15-03-2021

Suplementos vitamínicos e Ivermectina fazem o setor farmacêutico cresce 15,6% em 2020

No ano de 2020 o mercado farmacêutico mostrou mais uma vez sua força, apresentando um crescimento no faturamento de 15,6% segundos dados divulgados pela IQVIA no início de fevereiro.

Conforme os números apresentados o faturamento das farmácias no ano foi de R﹩139,37 bilhões, em 2019 esse valor foi de R﹩120,54 bilhões. O grande destaque deste crescimento foram as lojas das redes associadas à Febrafar que cresceram no ano 26,1%.

“Os números apresentando pela Febrafar não nos surpreendem pois já tínhamos constantemente crescendo bastante acima do mercado. Mas, uma característica deste ano foi um crescimento maior das farmácias nos bairros. Isso se deve ao fato de que, com o isolamento, as pessoas tiveram que ficar em casa e passaram a consumir mais em farmácias de bairro e não nas das regiões centrais”, explica o presidente da Febrafar, Edison Tamascia.

Em relação ao contínuo crescimento da Febrafar, esse fato já tem resultado direto em sua participação no mercado, sendo que em 2016 essa era de 9,1% e em 2020 chegou a 12,1%. “Vemos que as farmácias das redes associadas à Febrafar, que estão utilizando as ferramentas de gestão disponibilizadas, estão se destacando, pois passam por um processo de maior profissionalização, percebem como é o mercado e crescem acima da média”, explica Tamascia.

Outro destaque da Febrafar é sua capilaridade sendo que atualmente conta com 58 redes que representam 10.544 lojas em 27 estados do Brasil. Estando presente em 2.991 dos 5.570 dos municípios.

Destaque de suplementos

Um ponto de destaque no consumo dentro das farmácias foi o de suplementos. Segundo os dados da IQVIA, a procura na busca por suplementos vitamínicos dispararam, crescendo 47,9% em todo o mercado e 60,9% na Febrafar.

Segundo análise deste dado, durante o ano de 2020, foi e ainda é muito discutido sobre a importância de cuidar ainda mais da imunidade, fazendo com que muitos brasileiros procurem se prevenir visando o aumento nessa categoria de produtos.

Já em relação aos produtos, com certeza, o que mais se destacou foi a Ivermectina (mg comprimido 6.00mg x 4), que teve um crescimento de 2.869,11%. Fato que se deve a associação do medicamento com o tratamento do Covid-19. (Assessoria da Febrafar)

“É o que mais defendo”, diz Gladson Cameli ao assinar Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde

Um dia depois de sair do isolamento domiciliar, o governador Gladson Cameli, que fez da própria residência seu gabinete de trabalho nos últimos dias, assinou na manhã desta terça-feira, 9, o Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde, uma iniciativa dos governadores dos estados para unificar medidas contra a Covid-19 no país.

“A vida de cada pessoa importa, lutarei e defenderei isso sempre. O soldado, apesar do medo, não deixa de ir à guerra, mas ele nunca entra no campo de batalha sozinho. Estamos diante de um cenário em que, se não houver união, não venceremos a batalha”, diz .

O abaixo-assinado, que reúne governadores de 25 estados brasileiros, reforça a proposta de ampla pactuação entre os três poderes e as três esferas da federação, visando abraçar a luta contra a pandemia do coronavírus, conforme proposição apresentada aos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, em reunião realizada no último dia 12 de fevereiro.

No texto, os signatários reiteram o compromisso da celebração de um pacto que contemple as seguintes ações:

  • Expansão da vacinação, com pluralidade de fornecedores, ampliação das compras das vacinas e busca de solidariedade internacional, em face da gravidade da atual crise brasileira;
  • Apoio a medidas preventivas, essenciais para a contenção do vírus, uma vez que as possibilidades de expansão dos leitos hospitalares são limitadas, devido à escassez de insumos e de recursos humanos, e porque ações dessa natureza protegem famílias, salvam vidas e asseguram aos sistemas hospitalares as condições necessárias de funcionamento, a exemplo do incentivo ao uso de máscaras e do desestímulo a aglomerações, que têm sido implementados com sucesso na maioria dos países, em todos os continentes;
  • Apoio aos estados para manutenção e ampliação, o mais brevemente possível, da oferta de leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes contaminados com a Covid-19, fazendo-se necessária, também, a integração de todos os sistemas hospitalares, a fim de utilizar ao máximo a disponibilidade existente, a partir do planejamento e da análise diária da situação de cada unidade federativa;
  • Solicitação de que os trabalhos decorrentes da pactuação proposta contem com o auxílio de um comitê gestor, mediante participação dos três poderes da República e de todos os níveis da federação, bem como da assessoria de uma comissão de especialistas.

Conheça os governadores que assinaram o Pacto:

— 2021.03.08. Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde.Vf

Guedes diz que Bolsonaro ‘por infelicidade’ não deixou claro o problema da saúde e da vacinação

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta sexta-feira (5) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), “por infelicidade”, não deixou claro o problema da saúde e da vacinação. Segundo o ministro, o mandatário acredita que saúde e economia andam juntos.

Guedes concedeu entrevista no início da noite desta sexta, ao lado do deputado Daniel Freitas (PSL-SC), relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que destrava nova rodada do auxílio a informais e cria gatilhos de ajuste fiscal para o futuro.

“Nós não podemos deixar a economia se desorganizar, é muito importante isso. Essa mensagem que o tempo inteiro o presidente tem tentado passar também que, talvez, por infelicidade, não deixou claro o problema da saúde, da vacinação em massa, mas a agonia dele com a economia é a seguinte: se você der o auxílio, chegar lá, a prateleira estiver vazia, todo mundo com dinheiro na mão, a inflação, falta de alimentos… Então temos que manter os sinais vitais da economia funcionando, como fizemos no passado”, afirmou.

Bolsonaro vem criticando publicamente medidas de isolamento social e restrições ao funcionamento do comércio nas cidades.

“Nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas. Respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades, mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”, questionou o presidente nesta quinta-feira (4).

Guedes nega que auxílio emergencial será prorrogado para 2021 - Economia -  Campo Grande News

Em seguida, Bolsonaro publicou um texto em rede social que diz “Atividade essencial é toda aquela necessária para um chefe de família levar o pão para dentro de casa”, em mais uma fala contra o isolamento social.

Nesta sexta, Guedes defendeu a PEC Emergencial e afirmou que a proposta é um “compromisso com a saúde e ao mesmo tempo um compromisso com a responsabilidade fiscal.”

O ministro falou ainda sobre o desempenho do Brasil no ano passado —o PIB (Produto Interno Bruto) recuou 4,1%— e afirmou que, sem vacinação em massa, a economia não se sustenta.

“Então agora é acelerar a vacinação em massa, aprovar as reformas, como disse o deputado Daniel Freitas, relator dessa PEC fiscal, a coisa está relativamente bem encaminhada porque não tem nada novo no Congresso”, disse o ministro.

Na entrevista, Freitas afirmou que ainda conversaria com colegas sobre o texto da PEC Emergencial, aprovado na quinta-feira (4) no Senado, mas afirmou que “o Brasil tem pressa”.

“Nós precisamos fazer o Brasil voltar a crescer, então, a urgência dessa matéria é evidente, nós precisamos dar celeridade nesse processo”, disse. “Qualquer alteração nessa PEC, ela faz o Brasil atrasar. Portanto, nós vamos discutir, vamos conversar, e tentar acelerar o mais rápido possível o andamento dessa PEC.”

Freitas afirmou que pretende entregar a minuta do parecer na próxima segunda (8).

Guedes voltou a dizer que após o auxílio emergencial, será necessário ampliar o programa Bolsa Família a partir da fusão de programas sociais existentes hoje. Em 2020, esse plano foi vetado por Bolsonaro.

“Temos que reforçar os programas sociais que colocam dinheiro no bolso dos mais pobres, e não esse enorme aparelho estatal, daí eu achar que o compromisso com a agenda liberal continua”, disse o ministro.

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino

Profissionais de saúde: a agonia em meio a recordes de mortes

Pelo segundo dia seguido, o país registrou um novo recorde de mortes diárias por covid-19. Foram 1.840 vítimas em 24 horas na quarta-feira (3), segundo o consórcio de veículos de imprensa, e 1.910 na contagem do Ministério da Saúde. Já são mais de 10 milhões de casos confirmados e quase 260 mil óbitos no país.

Num cenário de colapso de hospitais, com pessoas morrendo na fila de UTIs, naquele que é considerado o pior momento do Brasil numa pandemia às vésperas de completar um ano, profissionais da saúde tentam superar a exaustão física e emocional, o estresse, a ansiedade e o medo da doença para evitar que esses números cresçam ainda mais.

Desde o começo da crise sanitária, 551 médicos morreram por covid-19, segundo o Conselho Federal de Medicina. Em janeiro, 47 profissionais de enfermagem perderam a vida, número que significou um aumento de 422% em comparação com o mês anterior. São 567 vítimas no total, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares.

“A situação é gravíssima e para os profissionais. O que mudou nesta segunda onda é que parte deles foi vacinada, mas o estresse com as perdas de vidas sobre seus cuidados se mantém.”- Sérgio Roberto de Lucca, médico da Unicamp, que cita a vacinação prioritária dos profissionais de saúde.

Falta de empatia e violência


Enquanto o Brasil bate recordes de mortes, Jair Bolsonaro se mantém negando a gravidade da pandemia, causando aglomerações, propagandeando remédios ineficazes contra a covid-19, questionando sem base científica o uso de máscaras e o isolamento social e desestimulando a vacinação, que segue lenta, tendo atingido pouco mais de 3% da população.

Na sociedade, há relatos de festas clandestinas, além de muitas pessoas reproduzindo a atitude do presidente da República ao rejeitar o distanciamento e as proteções necessárias para evitar o espalhamento do novo coronavírus que leva ao colapso dos sistemas de saúde.

A situação leva alguns trabalhadores da área a concluir que sua atuação ficou invisível com o tempo. “Eu entendo que a saúde mental de todos foi colocada em teste, mas a empatia com o pessoal da saúde foi diminuindo, foi sendo esquecida, parece que as pessoas não estão mais nem aí mesmo, ninguém lembra da gente. No começo, tinha homenagens. Agora, estamos esquecidos. Parece que ninguém está se lembrando de quem está na linha de frente”, disse ao jornal O Estado de S.Paulo Graziella Xavier de Barros, fisioterapeuta que atua em casos de covid-19 no SUS (Sistema Único de Saúde).

À falta de empatia se somam relatos de agressão aos defensores do distanciamento social, como o que ocorreu na sexta-feira (26) com o médico infectologista José Eduardo Panini. Ele foi espancado por dois conhecidos no Paraná após defender as medidas do governo estadual de restrição à circulação de pessoas e suspensão das atividades não essenciais.

“Ao alertar os riscos a pessoas conhecidas, a resposta que me foi dada foram chutes e socos, enquanto um me segurava o outro me agredia. Enfim, pessoas assim ajudaram a situação a chegar onde está! O desânimo não vem! E junto com eles temos muita coisa boa, progresso, vacinas e tudo que vai fazer sairmos dessa pandemia! E aos trabalhadores da saúde muita força!”, escreveu Panini em seu Instagram na legenda da foto em que mostra o rosto machucado.

Situação precária


Uma plataforma do Conselho Federal de Medicina criada em abril de 2020 para fiscalizar as condições de trabalho em hospitais públicos e privados do país recebeu, em média, uma reclamação a cada duas horas e meia. As denúncias revelaram por que o medo continua presente na vida dos profissionais da saúde.

Ao todo, a plataforma recebeu mais de 2.600 denúncias. A queixa mais recorrente é a da falta de equipamentos de proteção individual, obrigatória para o combate à pandemia. Além disso, 985 denúncias relataram a escassez de material básico para higienização nos hospitais, como sabonete.

Novos levantamentos


Pelo menos dois levantamentos sobre a saúde mental de profissionais da saúde estão em andamento no Brasil, enquanto outros quatro projetos que buscavam avaliar ou melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores que combatem a covid-19 foram encerrados em 2020.

Entre eles, o Projeto Telepsi oferecia teleconsultas psicológicas e psiquiátricas para profissionais do SUS que trabalham na linha de frente. A iniciativa do Ministério da Saúde e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre foi finalizada em setembro de 2020.

Uma das pesquisas que estão em andamento, lançada em 14 de janeiro pela Fiocruz, busca mapear as condições de vida de profissionais da saúde considerados invisíveis. São mais de um 1,5 milhão de trabalhadores de nível técnico/auxiliar que trabalham em hospitais e postos de saúde.

“Essa legião de trabalhadores da saúde está cotidiana e diretamente na linha de frente atendendo a mais de 8 milhões de contaminados pela covid-19 e lidando com mais de 200 mil óbitos em todo o país. Além disso, estão expostos à infecção, sofrem com a morte de colegas, e boa parte está desprotegida de cuidados necessários, sem, de fato, ter voz e meios de expressar a real situação no cotidiano do seu trabalho e de sua vida pessoal, no que se refere à saúde física e mental”, afirmou a coordenadora da pesquisa, Maria Helena Machado, em um comunicado.

Outra pesquisa, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, busca mostrar a influência da covid-19 na saúde mental da população brasileira e dos profissionais de saúde. O levantamento será refeito a cada seis meses para avaliar a adaptação da população à pandemia e quais são os problemas crônicos.

A primeira parte da pesquisa, que teve respostas de mais de 200 mil profissionais de saúde, foi divulgada em janeiro e revelou que o medo foi o sentimento mais comum entre esses trabalhadores.

Auxílio emocional


O trabalho dos profissionais da saúde se resume a cuidar, ajudar e curar, mas pesquisas realizadas no país em 2020 mostram que eles receberam pouco cuidado e ajuda. Em julho, a Associação Paulista de Medicina divulgou um levantamento com quase 2.000 médicos em que 63% dos profissionais descreviam como “apreensivo” o clima no trabalho.

Os problemas mais comuns citados pela categoria foram ansiedade (69,2%), estresse (63,5%), sensação de sobrecarga (50,2%) e exaustão física ou emocional (49%).

“Não é incomum eu sair de um plantão de 24 horas e no meio do caminho pra casa começar a chorar. Ninguém foi preparado emocionalmente pra lidar com o tamanho do sofrimento que a gente tem visto agora, principalmente nos últimos 15 dias”, afirmou Tulio Tonietto, que trabalha no Hospital de Clínicas e no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, ao jornal Sul 21.

“Perder pacientes por falta de recursos e perder colegas de trabalho pode gerar transtorno de estresse pós-traumático e o medo de contaminar um familiar pode gerar transtornos de ansiedade e depressão”, afirmou ao jornal Nexo Sérgio Roberto de Lucca, médico que atua na área de saúde do trabalhador do departamento de saúde coletiva da Unicamp.

Segundo De Lucca, amenizar o sofrimento desses profissionais depende de recursos humanos e de estrutura e equipamentos, mas “do ponto de vista individual o suporte psicológico, ainda que virtual, e a solidariedade dos colegas em acolher estes profissionais é de vital importância”.

nexojornal

FOTO: AMANDA PEROBELLI/REUTERS

Os cenários de um colapso generalizado na saúde do Brasil

Por todo o país, autoridades e especialistas vêm alertando para o colapso dos sistemas de saúde público e privado diante do alastramento descontrolado da covid-19. Há cidades em que esse colapso já é uma realidade Em outras, está na iminência de acontecer.

Na sexta-feira (26), dia em que completou um ano desde que foi tornado público o primeiro caso de infecção no país, 253 mil pessoas morreram pela doença no Brasil. O número de casos de contaminação superou os 10 milhões.

Em 21 de janeiro de 2021, a média móvel de óbitos diários – que leva em conta dados dos últimos sete dias – voltou a ficar acima dos 1.000, sinalizando uma incidência maior de casos devido às aglomerações da virada do ano. Durante o mês de novembro de 2020, por exemplo, essa média móvel nunca ultrapassou a marca dos 600. Os números são das secretarias de saúde dos estados, reunidos pelo site G1.

De acordo com os índices divulgados pelas secretarias estaduais, a maior parte dos estados mostrou crescimento na média móvel registrada na quinta-feira (25) em relação ao dado de duas semanas antes:

  • 12 estados registram alta nas mortes: Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
  • 10 estados (mais o Distrito Federal) tiveram estabilidade: Alagoas, Espírito Santo, Goiânia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rondônia, Sergipe, São Paulo, Tocantins
  • 4 estados apresentaram queda: Amapá, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima

Vale notar que mesmo nos estados que apresentam estabilidade, as taxas de casos e óbitos pressionam o sistema de saúde. Como se verá a seguir, capitais de diversos estados nessa condição também enfrentam hospitais lotados.

A pressão sobre os sistemas de saúde


As consequências da pandemia no sistema de saúde vem se mostrando brutais. De acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), ligada ao Ministério da Saúde, 17 das 27 capitais do país estão com UTIs do SUS (Sistema Único de Saúde) com mais de 80% de ocupação

Na quinta-feira (25), o governador da Bahia, Rui Costa (PT) afirmou que “a saúde vai colapsar e o Brasil entrará no caos em duas semanas”. Em Santa Catarina, o secretário de Saúde, André Motta, abriu um comunicado aos prefeitos com a frase: “estamos entrando em colapso!”.

Ao jornal Nexo, Marcio Sommer Bittencourt, médico do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, afirmou que o termo “colapso” é usado quando ocorre a saturação em diversos hospitais simultaneamente.

“Não tem leito para internar, tem fila de espera para as pessoas internarem e termos que fazer assistência em um ambiente sub-ótimo. Quem devia estar na UTI, fica no pronto-socorro, quem está no pronto-socorro mandamos para casa porque não conseguimos internar. Você tem uma cascata de sobrecarga do sistema em que cada pessoa não está no melhor ambiente para ser cuidada.”- Marcio Sommer Bittencourt, médico do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP.

Segundo o médico, o colapso não aconteceu de uma hora para outra. “Ele é progressivo, porque cada vez mais o paciente mais grave está sendo atendido num ambiente menos ideal e está recebendo cuidado mais tardio. Tudo isso leva a uma piora de complicações, de mortalidade, de tempo de internação e vai consumindo todo o sistema”, afirmou.

É o caso de Porto Velho (RO), em que o índice de ocupação bateu em 100%. A situação calamitosa do estado da região Norte levou o secretário de Saúde, Fernando Máximo, a fazer um apelo desesperado nas redes sociais pedindo que os cidadãos se isolem. “Não temos leito de UTI para sua mãe”, afirmou.

Máximo alertou que também não é mais possível transferir doentes para outros estados, como aconteceu em janeiro com pacientes de Manaus, pois não há vagas em lugar algum no país.

No Rio Grande do Norte, faltam lugares em hospitais públicos e privados. Com isso, doentes de covid-19 têm de permanecer por horas dentro de ambulâncias à espera de um leito.

Enfermeira auxilia paciente com coronavírus em UTI do hospital municipal de Parelheiros, em São Paulo
FOTO: AMANDA PEROBELLI – 3.JUN.2020/REUTERS

Em São Paulo, 72% das instituições privadas têm ocupação de UTI superior a 80%, de acordo com o SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo).

No Rio Grande do Sul, todos os leitos de UTI de hospitais privados estão preenchidos. Na sexta-feira (26), a secretaria de saúde do estado divulgou que a ocupação está em 101,8%.

Para Bittencourt, a situação ainda pode piorar, pois não há limite para o aumento de casos. Como consequência, outros tipos de urgências podem ser preteridas para que se atenda casos de covid. Mesmo assim, o sistema pode não absorver tudo, afirmou o especialista ao Nexo.

“O sistema de saúde normalmente trabalha com pouca reserva porque é um sistema caro, então a gente não tem muito lastro para absorver. Então mesmo abrindo leito de campanha, começa a ter falta de mão de obra, de equipamento, de monitor, de respirador, de medicação para sedar, tem vários gargalos no sistema. Não é só abrir mais uma cama, você precisa de funcionários, treinar funcionários. Então pode piorar, como aconteceu em Manaus, faltou até oxigênio”, afirmou.

As medidas nos estados


Com o agravamento da situação, o termo lockdown voltou a aparecer em pronunciamentos de autoridades. Recentemente, políticos vinham evitando defender a estratégia devido a pressões de associações comerciais e setores empresariais que alegavam prejuízos econômicos. É o argumento também do presidente Jair Bolsonaro, que tem sido o maior crítico dos fechamentos do comércio pelo país.

No Brasil, o termo vem sendo usado para se referir a uma interrupção parcial de atividades e circulação. Na Europa, ele é associado a um conjunto de medidas bem mais duras, que podem incluir o fechamento total do comércio, restrição de contatos entre pessoas que não moram na mesma casa e permissão para circular na rua apenas para atividades essenciais.

Na quinta-feira (25), o governador da Bahia decretou a restrição total de atividades não essenciais entre as 20h de sexta-feira (26) e as 5h de segunda (1). O transporte público funcionará normalmente. A venda de bebidas alcoólicas fica proibida durante o período.

Já no Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) ordenou o fechamento de todos negócios que não sejam essenciais a partir da 0h deste domingo (28). Sete municípios do Entorno do DF decretaram estado de calamidade pública. Na noite de sexta-feira, havia apenas dois leitos de UTI disponíveis em todo o DF, incluindo as redes pública e privada.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) chamou de “toque de restrição” a intenção de restringir até 14 de março a circulação nas ruas do estado entre 23h e 5h, medida que tem como alvo apenas grandes aglomerações. Em todo o estado, quatro regiões (incluindo a Grande São Paulo) regrediram da fase amarela para a laranja, mais restritiva, enquanto duas regiões voltaram da fase laranja para a vermelha, a mais rigorosa.

A cidade de Araraquara, no interior do estado, é um dos raros locais do país a adotar um lockdown que se assemelha ao modelo europeu. Só pode se deslocar pela cidade quem trabalha em serviços essenciais ou for usá-los. Mesmo as atividades essenciais, como supermercados, padarias e farmácias, têm de fechar as portas às 20h. As multas para quem descumprir as regras podem variar de R$ 120 a R$ 6.000.

Para Bittencourt, do Hospital Universitário da USP, a única forma de controlar uma pandemia é frear o alastramento do vírus na comunidade. “Quando há transmissão, o hospital apenas enxuga gelo. Você pode melhorar a vida de quem está internado, mas não há medicação que resolva a transmissão na comunidade”, afirmou. O especialista também defende que o lockdown sozinho “não resolve”. Idealmente, pessoas com o vírus deveriam ser isoladas e seus contatos, rastreados para que também passem por quarentena.

Efeitos da vacinação devem demorar para aparecer. Na sexta-feira (26), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, previu que o país só deve ter uma queda no número de hospitalizações e mortes por covid-19 em maio ou junho. É nessa época que a vacinação chegará à população acima de 60 anos.

6,4 milhões

Número de pessoas no Brasil que já recebeu pelo menos uma dose de vacina contra covid-19 em 26 de fevereiro de 220, segundo dados do consórcio de imprensa.

Países como Israel e Inglaterra testemunharam reduções nos casos e internações por covid-19 apenas depois de imunizar parcelas grandes da população. No Brasil, no fim de fevereiro, 3% da população havia recebido o imunizante, com diversos estados tendo de interromper suas campanhas devido à falta de doses.

As declarações do ministro da Saúde


Na quinta-feira (25), o ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello, afirmou que o Brasil está “enfrentando uma nova etapa dessa pandemia”. “Tem hoje o vírus mutado. Ele nos dá três vezes mais a contaminação”, disse o auxiliar de Bolsonaro. O ministro fazia referência à cepa surgida em Manaus, chamada de P.1 .

No entanto, notas técnicas do próprio ministério afirmam que ainda “não há evidências científicas” que comprovem uma maior transmissibilidade da cepa surgida na capital do Amazonas.

Para o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, a aparição de variantes do novo coronavírus não é justificativa para um aumento de casos. Falando à imprensa, ele lembrou que diversos países vêm realizando um bom trabalho de contenção do vírus, mesmo com as mutações.

Como exemplo, ele citou a Nigéria, país de população equivalente ao Brasil (196 milhões de habitantes contra 210 milhões de brasileiros), mas com um PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas do país) que é menos de um quarto do brasileiro. No entanto, o número de novos casos da doença no país africano é 100 vezes menor que no Brasil: são três novos casos diários por milhão contra 300 no Brasil.

Em seu pronunciamento, Pazuello não mencionou as medidas básicas para a contenção do vírus, como o distanciamento social e o uso de máscaras e álcool gel.

No mesmo dia, Bolsonaro alertou sobre os “efeitos colaterais” do uso de máscaras em crianças, em mais uma declaração sem qualquer evidência científica. Segundo o mandatário, a fonte das suas informações seria um “estudo” de uma universidade alemã. Na verdade, era uma enquete online feita por um site do país europeu.

nexojornal

Voo com 2 milhões de doses de vacinas decola da Índia

Um avião da companhia Emirates, com remessa de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra covid-19 decolou na madrugada de hoje (22) de Mumbai, na Índia, e deve chegar a São Paulo às 6h55 desta terça-feira.

A aeronave deixou a cidade indiana por volta das 10h30 da manhã (horário local), o que equivale a 2h da madrugada de hoje no horário de Brasília. A carga fará escala em Dubai, nos Emirados Árabes, de onde decolará para São Paulo às 22h40 (horário local) – 15h40 de hoje (horário de Brasília).

O voo chegará a São Paulo amanhã de manhã e as vacinas seguirão para o Rio de Janeiro, onde serão levadas para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

As doses foram produzidas pelo Instituto Serum, parceiro da AstraZeneca na Índia e maior produtor mundial de vacinas. Mesmo prontas, as vacinas precisarão passar primeiro por Bio-Manguinhos para que possam ser rotuladas antes de serem distribuídas ao Programa Nacional de Imunizações.

A importação de doses prontas é uma estratégia paralela à produção de vacinas acertada entre a AstraZeneca e a Fiocruz. Para acelerar a disponibilidade de vacinas à população, 2 milhões de doses já foram trazidas da Índia em janeiro e está previsto um total de 10 milhões de doses prontas a serem importadas. Além dos 2 milhões que chegam amanhã ao país, mais 8 milhões estão previstas para os próximos dois meses. 

Enquanto negocia a chegada das doses prontas, a Fiocruz trabalha na produção local das vacinas Oxford/AstraZeneca. Segundo o acordo com a farmacêutica anglo-sueca, a Fiocruz vai produzir 100,4 milhões de doses de vacinas até julho, a partir de um ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado. A primeira remessa desse insumo já chegou ao Bio-Manguinhos e o primeiro milhão de doses produzido na Fiocruz tem entrega prevista para o período de 15 a 19 de março.

De acordo com a fundação, os dois primeiros lotes estarão liberados internamente nos próximos dias. Esses lotes são destinados a testes para o estabelecimento dos parâmetros de produção.

“Com esses resultados, a instituição produzirá os três lotes de validação, cuja documentação será submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esses lotes somarão cerca de 1 milhão de doses e seus resultados serão enviados à Anvisa até meados de março”.

Também está em andamento na Fiocruz o processo de transferência de tecnologia para a produção do IFA no Brasil, o que tornará a fundação autossuficiente na produção das vacinas. A previsão é que as primeiras doses com IFA nacional sejam entregues ao Ministério da Saúde em agosto, e, até o fim de 2021, seja possível entregar 110 milhões de doses, elevando o total produzido no ano pela Fiocruz para 210,4 milhões. (Agência Brasil)

Congresso retira R$ 242 bi de saúde e educação e passa a Estados e gasoduto

Saúde e educação poderão perder R$ 242 bilhões nos próximos 20 anos caso o presidente Jair Bolsonaro não vete parte de um projeto de lei aprovado na noite de quinta-feira pelo Senado. A proposta retira recursos do Fundo Social do Pré-Sal – criado para ser uma espécie de “poupança de longo prazo” para a área social – para expandir a rede de gasodutos do País e para despesas correntes de Estados e municípios. As estimativas, às quais o jornal teve acesso, são do Ministério da Economia.

No período entre 2020 e 2040, o Fundo Social deve arrecadar R$ 500 bilhões com a comercialização do óleo a que a União tem direito. Pelo projeto de lei aprovado, R$ 97 bilhões passam a ser direcionados para o Brasduto e R$ 145 bilhões para os fundos de participação de Estados (FPE) e municípios (FPM), que podem ser usados livremente pelos governadores e prefeitos para bancar qualquer tipo de despesa.

Quando a proposta tramitou na Câmara, os deputados impuseram uma regra segundo a qual Estados e municípios deveriam usar esse dinheiro que abasteceria FPE e FPM em saúde e educação. No entanto, o Senado retirou essa obrigação. Segundo o relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), a vinculação engessaria os orçamentos dos governos regionais.

Uma lei de 2010 estabelece que os valores apurados na venda do petróleo e do gás natural, por meio dos contratos de partilha (modelo em que os custos da extração de petróleo e gás são descontados do valor total da operação) devem ser transferidos exclusivamente para o Fundo Social do Pré-Sal. 

O projeto aprovado na quinta-feira cria uma nova divisão do dinheiro da partilha, que não irá somente para o fundo. Pela proposta, os recursos arrecadados serão distribuídos da seguinte forma: 50% para o Fundo Social; 20% para o Fundo de Expansão dos Gasodutos de Transporte e de Escoamento da Produção (Brasduto); e 30% para o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Desde 2015, quando houve o primeiro ingresso de recurso, até 2019, o Fundo Social do Pré-Sal arrecadou R$ 48,7 bilhões, e para este ano, devem entrar mais R$ 19 bilhões, de acordo com informações da Consultoria de Orçamento da Câmara.

O uso integral desses recursos depende de regulamentação. Até agora, apenas a parcela destinada à educação foi efetivamente paga. Foram R$ 25,6 bilhões desde 2015 e, para este ano, estão previstos R$ 8,8 bilhões, segundo a Consultoria de Orçamento da Câmara. O valor representa cerca de 7,5% do orçamento do Ministério da Educação neste ano. Para se ter uma ideia, a perda estimada pelo Ministério da Economia em 20 anos representa quase 2,5 o orçamento anual da Educação.

Os recursos destinados à educação não entram no teto de gastos. Já as despesas com Estados, municípios e Brasduto ficariam sujeitos a esse limite.

Gasoduto

Com a mudança, as empresas do setor de gás podem obter recursos subsidiados para financiar a expansão do sistema de gasodutos de transporte de gás natural e de suas instalações. Elas só teriam que devolver o dinheiro quando os gasodutos se tornarem economicamente viáveis. O texto não esclarece o que aconteceria caso eles não sejam lucrativos, abrindo possibilidade de que eles sejam dados a fundo perdido.

“Essa proposta do Brasduto prevê um modelo estatal, dirigista e bancado com dinheiro do governo. É basicamente gasoduto grátis. Esse não pode ser o caminho. O caminho é seguir a lógica de mercado e colocar gasodutos onde eles são economicamente viáveis”, criticou o secretário de Desenvolvimento de Infraestrutura, Diogo Mac Cord. Segundo o secretário, os Estados Unidos têm 500 mil quilômetros de gasodutos porque lá o setor opera sob regras de livre mercado, enquanto o Brasil tem cerca de 10 mil quilômetros. 

A proposta vai contra o Novo Mercado de Gás, lançado pelo governo no ano passado e que tramita em regime de urgência na Câmara. Ao contrário do que o governo pretende ao abrir o mercado de gás para novos competidores, o Brasduto cria subsídios para investimentos privados e privilegia empresas que já estão no setor. Por isso, a expectativa é que o governo vete a proposta. A decisão final, no entanto, é do presidente Jair Bolsonaro, mas o Congresso pode derrubar ou não um eventual veto.

Cemig

O projeto de lei também cria um benefício para a distribuidora mineira de energia Cemig, para o qual também há sinalização de veto. Da forma como o texto foi aprovado, haveria um encontro de contas para encerrar uma disputa entre as partes. A União teria que abrir mão de uma receita de até R$ 5 bilhões, enquanto a Cemig renunciaria ao recebimento de R$ 382 milhões. A empresa foi procurada, mas não quis se manifestar.

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Pazuello nomeia amiga sem experiência em saúde ou gestão para chefiar ministério em PE

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, indicou como representante da pasta em Pernambuco uma amiga próxima sem experiência em saúde ou gestão pública.

Em meio à pandemia da Covid-19, Paula Amorim teve a nomeação para o cargo comissionado, no qual ganha cerca de R$ 10 mil, efetivada no dia 15 de junho.

Segundo a assessoria de Pazuello, ele e ela são amigos “há cerca de 30 anos, apresentados por conhecidos em comum”, e a nomeação se baseou na “relação de confiança e amizade” entre ambos.

O ministério afirma que experiência na área de saúde não é um pré-requisito —Pazuello, afinal, é um oficial de intendência do Exército. Paula foi escolhida, diz a assessoria, por sua capacidade de articulação no estado, embora a pasta não tenha informado quais exatamente seriam suas credenciais no campo.

Ela é, segundo informou ao núcleo estadual, administradora de empresas.

Entre alguns dos cerca de cem servidores do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde em Pernambuco, a chegada da nova chefe gerou contrariedade.

Segundo relatos recolhidos pelo Jornal com pessoas que pediram anonimato, a falta de familiaridade de Paula com os assuntos de saúde pública está gerando entraves decisórios.

No dia 16 de julho, a Advocacia-Geral da União procurou o órgão para queixar-se de não ter recebido resposta sobre um ofício enviado em 9 de junho para a área de recursos humanos, pouco antes de Paula assumir.

A nova coordenadora afirmou o jornal, por telefone, que não estava trabalhando antes de ser chamada para o cargo. Ela é econômica sobre sua suposta experiência pregressa. Afirma ter sido no passado “assessora de um governador”, mas não disse qual ou quando.

“Eu fiquei uns 40 dias no ministério, me inteirando”, disse ela, que negou ter havido problemas desde que assumiu. “Não chegou até mim.”

No ministério, a avaliação por ora é a mesma. Eventuais atrasos ou queixas por ora são debitados do momento de transição na coordenação.

O núcleo é responsável pela coordenação de esforços com secretarias municipais e estadual do setor, algo vital no combate à pandemia da Covid-19.

O estado registrou na segunda (27) 546 casos, elevando o número de infecções a 89.678. Sua curva de mortes está em queda, com 45 notificações novas, ante um total de 6.421.

Ela afirma que os coordenadores estaduais são considerados pelo ministro “seus olhos e braços” nas ações de ponta. A ordem é para que “interagíssemos mais com as prefeituras”.

Paula substituiu a enfermeira Kamila Correia, que estava havia quase três anos no cargo e não quis conceder entrevista.

Pazuello começou a mexer nos cargos nos estados apesar de ser interino —ele assumiu em 15 de junho, após a queda do breve Nelson Teich, que passou apenas 28 dias na cadeira.

Outras coordenações regionais, com a do Rio, também têm novos chefes.

Na pasta, o ministro ocupou mais de duas dezenas de postos com militares da ativa e da reserva, o que gerou contestação na área da saúde.

O general tem sofrido pressões diversas, a começar por seus chefes nominais, a cúpula do serviço ativo do Exército. Ainda assim, o presidente Jair Bolsonaro afirma que ele permanecerá interinamente por “um bom tempo” no posto.

adoção de diretrizes polêmicas do governo rende diversas críticas ao general, que até por ser da ativa gera uma identificação automática entre a administração e as Forças Armadas.

Entre elas, além da militarização do ministério, a tentativa de mudar critérios de divulgação de dados da pandemia e a promoção da hidroxicloroquina, remédio sem comprovação clínica comprovada no tratamento da Covid-19.

Devido à sua gestão, o Exército foi acusado pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes de associar-se a “um genocídio”, expressão que gerou uma reação institucional, com representação do Ministério da Defesa contra o magistrado na Procuradoria-Geral da República.

folha

Bolsonaro rebate críticas de militarização na Saúde e diz que Pazuello fica

O presidente Jair Bolsonaro rebateu as críticas contra a militarização do Ministério da Saúde e afirmou que o general Eduardo Pazuello deve seguir à frente da pasta.

“O Pazuello está muito bem lá”, declarou Bolsonaro ao citar o interino em sua live semanal nas redes sociais.

O presidente argumentou ainda que prefeitos e governadores que têm solicitado auxílio ao Ministério da Saúde estão sendo atendidos.

“Acho que está precisando muito mais de um gestor do que um médico na saúde”, acrescentou Bolsonaro, referindo-se às queixas de que o militar não tem formação médica.

A atuação de Pazuello —ministro interino desde o pedido de demissão de Nelson Teich, em maio— e a ocupação de postos-chave da pasta por militares estiveram no centro de uma crise nos últimos dias.

No final de semana passado, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), criticou a militarização do ministério e disse que o Exército estava se associando a um genocídio.

Pazuello comanda a principal pasta responsável por reagir à crise do coronavírus, que no Brasil já soma mais de 2 milhões de infectados e 76 mil mortos.

Na quarta-feira (15), o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou ao UOL que Bolsonaro deveria escolher em agosto um novo nome para o ministério.

“Pazuello assumiu interinamente e está há dois meses na função. Acredito que em mais um mês, em agosto, Bolsonaro vai retornar da quarentena e analisar outros nomes”, disse.

A fala de Gilmar associando o Exército a um genocídio desencadeou dois movimentos.

Porta-voz da cúpula militar, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, publicou uma dura nota e informou que havia representado contra Gilmar na PGR (Procuradoria-Geral da República).

Em outro flanco, integrantes do Exército incomodados com a responsabilização das Forças Armadas renovaram as pressões para que Pazuello seja substituído ou peça remoção para a reserva —como fez o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo.

A aliados, no entanto, o ministro interino sinalizou que não pretende antecipar sua ida para a reserva.

Na live desta quinta, o presidente Jair Bolsonaro confirmou que conversou com Gilmar, como revelou a coluna Mônica Bergamo, após a eclosão da crise e que instruiu Pazuello a informar o magistrado sobre ações da pasta.

Em um sinal de que não pretende antagonizar com Gilmar, Bolsonaro afirmou que “crítica construtiva é bem-vinda” e que, com a nota do Ministério da Defesa, considera o assunto encerrado.

O presidente usou a transmissão para render elogios a Pazuello, a quem chamou de “excepcional”, e negar que exista um excesso de militares na pasta ou mesmo na Esplanada. Bolsonaro está em isolamento no Palácio da Alvorada, após ter sido diagnosticado com o coronavírus.

“[Vamos] falar em Pazuello. Alguns querem a saída dele porque [tem] a militarização. Vocês estão com saudades dos ministros da Dilma, Lula e Fernando Henrique?”, questionou o presidente. “Salles fica. Pazuello fica. Sem problema nenhum”, afirmou, referindo-se também ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que também tem enfrentado críticas nas últimas semanas.

Bolsonaro disse que Pazuello levou consigo 15 militares para auxiliá-lo na pasta. Apesar da fala do presidente, há ao menos 24 militares, na ativa ou na reserva, nomeados para o ministério.

Bolsonaro enumerou ainda um a um todos os seus ministros que também são militares e lembrou que sua chapa presidencial em 2018 era formada por ele —um capitão reformado— e pelo vice-presidente Hamilton Mourão, general da reserva.

“É proibido militar na política? É proibido militar ser ministro? Não”, declarou o presidente.

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Brasil supera 1 milhão de casos de covid-19

O Brasil superou nesta sexta-feira, 19, a marca oficial de 1 milhão de pessoas que já se infectaram com o novo coronavírus. Passados 114 dias desde o primeiro caso, hoje praticamente toda a população brasileira está em risco de exposição ao vírus. A covid-19 já chegou a 85% dos municípios do País (4.742), que respondem por 98% de toda a população, de acordo com levantamento do projeto de transparência de dados Brasil.io.

Desde 26 de fevereiro, o País já somou 1.009.699 contaminações e 48.427 mortes, conforme o levantamento do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O GloboExtraFolha e UOL junto às secretarias estaduais de Saúde. Somente o Estado de São Paulo soma mais de 200 mil casos.

O número, porém, é sabidamente inferior ao real de pessoas que já foram contaminadas no País. Estudo epidemiológico conduzido pela Universidade Federal de Pelotas, que investiga a prevalência do novo coronavírus em cidades brasileiras com testes sorológicos, num modelo parecido com o de uma pesquisa eleitoral, observou a ocorrência de 6 pessoas infectadas para cada uma oficialmente identificada.

O dado é válido para as 133 cidades onde foi feita a pesquisa, pondera o epidemiologista Pedro Hallal, coordenador do estudo e reitor da UFPel, e não deve ser extrapolado para uma estimativa para todo o País. “Mas certamente já estamos na casa dos milhões. Podem ser cinco, seis, nove milhões”, afirma.

A epidemia vem há algumas semanas se interiorizando e já se propaga mais rápido nessas regiões que nas capitais, como revelou o jornal no início de junho. Outro levantamento, feito a pedido da reportagem pelo grupo MonitoraCovid-19, da Fiocruz, mostra que em Estados como São Paulo, Pernambuco e Amazonas, cujas capitais explodiram de casos logo no começo da pandemia, o interior agora já registra mais novos casos por dia dia que as cidades de São Paulo, Recife e Manaus.

Até quarta-feira, de acordo com o monitoramento, 70,51% dos municípios com até 10 mil habitantes já tinham casos de covid-19. Entre aqueles com 10 a 20 mil habitantes, já eram 91%, e praticamente todas as cidades maiores que isso já tinham registro da doença.

“Nós já passamos de um milhão de casos no País, mas em algumas cidades a epidemia está chegando só agora – como no Centro-Oeste”, afirma Diego Xavier, epidemiologista do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz. “Ainda é só o começo e não sabemos onde vai parar. O novo coronavírus demorou para chegar ao interior e eles relaxaram. Agora está muito acelerada”, diz.

O pesquisador alerta para o risco de isso acontecer ao mesmo tempo em que está há um relaxamento das medidas de isolamento, o que deve gerar uma segunda onda de casos nas capitais.

“A saúde funciona em rede, não de forma isolada. Não é porque um município está com poucos casos que pode reabrir. Os pacientes das cidades menores vão procurar atendimento nas maiores. Se a doença subir de novo nas capitais, com a chegada da doença ao interior, os pacientes de lá vão precisar dos hospitais das cidades grandes, e o risco de as redes colapsarem é real”, afirma Xavier.

“O País está em vários momentos da epidemia, dependendo do Estado onde se olha e, mesmo dentro do Estado, cada cidade pode estar de um jeito. Os Estados Unidos cometeram o erro de falar que a curva do país estava caindo porque os casos de Nova York estavam em queda, mas os outros Estados estavam subindo”, complementa Marcia Castro, professora de demografia da chefe do departamento de Saúde Global e População da Universidade Harvard.

Xavier cita a situação do Estado de São Paulo, que iniciou o processo de reabertura no início de junho, mas tem batido recordes de casos e óbitos nos últimos dias. O interior, que respondia por 10,75% dos casos há dois meses, agora já responde por 27% do total.

Cidades como as da região de Barretos, no norte do Estado, tiveram um forte aumento de casos, e o governo decidiu rebaixá-las para a fase um do plano, a mais restritiva. Mas os prefeitos recorreram à Justiça para manter o comércio aberto, e mesmo com o indeferimento do pedido, as pessoas estão indo para as ruas.

“No estágio em que o Brasil está, era para estarmos com as portas fechadas. Mas estamos em reabertura gradual, desafiando o vírus, promovendo o encontro de pessoas infectadas e pessoas suscetíveis”, destaca Hallal.

“O perigo de reabrir quando ainda há uma taxa de ocupação alta nos hospitais é ter esse efeito: pode haver uma nova onda na capital ao mesmo tempo em que a demanda se torna mais alta com os pacientes de outros municípios que dependem da capital para ter acesso a um leito ou a uma UTI. Não vai dar conta. Precisava ter uma gordurinha para absorver esse aumento que vai ocorrer. Municípios que são referência não podem pensar só neles”, afirma Marcia.

Para a epidemiologista Maria Amélia Veras, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, o Brasil chegar a 1 milhão de casos era algo esperado considerando as “características do nosso modo de viver e de lidar com a doença”.

Por modo de viver ela se refere às milhares de habitações que abrigam muitas pessoas, sem condições de manter um isolamento ou até mesmo hábitos de higiene. “São populações que vivem a partir da necessidade de conquistar o pão a cada dia, não têm segurança alimentar, de moradia. É um contingente muito grande submetido a condições que são muito desfavoráveis para o controle de doença de transmissão respiratória, que exige que um coletivo se comporte de uma determinada maneira – não somente as pessoas de modo individual”, afirma.

Mas isso é só uma parte da história. “O Brasil respondeu mal enquanto país ao não ter um entendimento da gravidade do problema, ao não dar uma resposta coordenada adequada”, complementa Maria Amélia. As mensagens contraditórias passadas em um primeiro momento pelo Ministério da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro e depois a guerra do líder máximo do País com governadores e prefeitos só piorou a capacidade do Brasil de responder à crise.

Avanço da epidemia

Olhando em retrospectiva, é fácil ver exatamente o momento em que o Brasil perdeu o controle da doença. A curva de casos no País evoluiu no início da pandemia de modo lento, praticamente na horizontal. Quase todo o País tinha parado, com Estados e municípios decretando quarentena. Foi assim até o fim de abril. Nas semanas seguinte, a curva se inverteu, assumiu um comportamento mais vertical, o que indica a velocidade na transmissão da doença.

A mudança de ritmo ocorreu pouco tempo depois de Luiz Henrique Mandetta, que era um forte defensor de medidas de isolamento social, deixar o cargo de ministro da Saúde, em 16 de abril. Quando ele foi exonerado, após conflitos com o presidente Jair Bolsonaro – que sempre foi contra as medidas de isolamento com a justificativa de que era preciso preservar a economia –, havia cerca de 30 mil casos confirmados no País.

Seu sucessor, Nelson Teich, ficou no cargo por menos de um mês. Em 15 de maio, data de sua saída, já eram 220 mil os contaminados. Sem um titular na Saúde – ocupada desde então de modo interino pelo general Eduardo Pazuello –, sem medidas de controle claras e com o início da reabertura de várias cidades mesmo com os casos ainda em alta, foi necessário pouco mais de um mês para os casos saltarem para 1 milhão.

Além do Brasil, somente os Estados Unidos ultrapassaram essa marca. Lá a evolução foi mais rápida. O primeiro caso foi registrado no dia 21 de janeiro. Eles superaram 1 milhão de casos em 28 de abril e 2 milhões em 10 de junho. Os EUA chegaram a 2,185 milhões nesta sexta, com mais de 118 mil mortos.

Desafio da vigilância epidemiológica

Para os especialistas ouvidos pelo Jornal, não só abrimos no momento errado, quando a curva ainda está na ascendente, como não tomamos as medidas necessárias para evitar novos surtos.

“Praticamos um distanciamento brando que diminuiu a velocidade da pandemia, mas não foi suficiente para derrubar o número de casos. E agora reabrimos, o que vai elevar o número de casos e óbitos. Não fizemos a primeira onda passar e já vamos entrar na segunda”, comenta o biólogo Paulo Inácio Prado, do Instituto de Biociências da USP e membro do Observatório Covid-19 BR.

“O debate público foi tomado por uma polarização que fez o distanciamento parecer um fim em si. Ele é só um meio para passarmos com segurança à fase em que a vigilância desse conta. A analogia seria primeiro combater um grande incêndio para depois passar à fase de controlar pequenos focos”, afirma.

A fase de abertura, dizem os pesquisadores, depende fortemente de um sistema de vigilância com busca ativa de casos suspeitos, isolamento dessas pessoas, testagem e rastreamento de seus contatos. Marcia Castro e Maria Amélia Veras, que também compõem o observatório, defendem que o Brasil tem os instrumentos para fazer isso com toda a rede de atenção básica do País formada pelos agentes comunitários da saúde da família, mas não lançou mão desse recurso.

“A maneira como o governo brasileiro incorporou a rede de serviços que já existia foi muito precária. Os agentes comunitários de saúde podiam estar atuando como o que está sendo chamado aqui em Boston (onde fica a Escola de Saúde de Harvard, nos EUA) de ‘detetives covid’. Essas pessoas foram contratadas para rastrear os contatos de infectados com o coronavírus”, afirma Marcia.

“Mas no Brasil já temos esses agentes. Eles moram nas comunidades, conhecem as pessoas, têm a confiança delas. Só precisariam ter treinamento sobre como lidar com a covid-19, para fazer coleta de sangue, receber equipamento de proteção”, continua.

“Se isso tivesse sido feito, eles poderiam fazer busca ativa de idosos, indicar onde nos municípios há casas com sem acesso à água, o que impede a higiene, onde tem casas com muitos moradores e que não podem fazer isolamento. E, acima de tudo, poderiam estar rastreando os contatos, coisa que não estamos fazendo. No momento em que as cidades estão reabrindo, isso seria importante para ajudar na vigilância de novos casos. Eles teriam condições de detectar o momento em que as pessoas começam a ter os primeiros sintomas”, ensina Marcia.

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Ministro da Saúde diz que Norte e Nordeste já passam por final da pandemia

O ministro da Saúde interino, general Eduardo Pazuello, disse que as capitais das regiões Norte e Nordeste do Brasil já passam por fase final da pandemia. Para ele, elas já passaram pela pior etapa da pandemia. Pazuello afirma que no início, essas regiões foram mais impactadas pelo fato de estarem “mais ligadas ao inverno do hemisfério Norte”.


“Para efeitos da pandemia, nós podemos separar o Brasil em Norte e Nordeste, que é a região que está mais ligada ao inverno do hemisfério Norte, são as datas do hemisfério Norte em termos de inverno, e ao Centro-Sul, Sudoeste, Centro-Oeste, que é o restante do país que está mais ligado ao inverno do hemisfério Sul”, disse.


De acordo com ele, houve grande impacto nessas regiões em uma primeira etapa, com apenas duas exceções fora dessas áreas, sendo o RIo de Janeiro e São Paulo (pelo próprio tamanho e fluxo de pessoas).

O general citou as capitais Manaus (AM), Belém (PA), Fortaleza (CE), São Luís (MA) e Teresina (PI), dizendo que praticamente em todas dessas regiões já houve a passagem da pandemia e já está havendo redução de número de óbitos e percentual de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Posso afiançar aos senhores que é assim que está acontecendo. A epidemia vai se espraiando”, disse. 


Pazuello pontuou que já foi observado um “impacto” nas capitais do norte e nordeste do país e suas regiões metropolitanas. “Agora, temos o recrudescimento (maior intensidade) do interior desses estados. E essa é a terceira etapa, que nós consideramos como o final da passagem da pandemia. A estratégia é usar a estrutura já desdobrada nas capitais e regiões metropolitanas, que hoje começam a ficar ociosas”, disse.


A estratégia principal no momento, segundo ele, é tratar as pessoas que moram nos interior nas capitais e região metropolitana, onde há mais estrutura. De acordo com o ministro, o governo também tem reforçado aquelas cidades do interior que tenha condição de atender mais pacientes.


Conforme o general, após passar por esta etapa no Norte e Nordeste, “com ligação viral que vem do hemisfério Norte”, o foco passará a ser a região Sul. Pazuello pontua que o impacto deverá ser diferente, porque houve uma preparação maior. 

“Houve mais tempo para se preparar. Aprendemos que a primeira ideia do protocolo, de ficar em casa doente e só ir para o hospital quando tiver passando muito mal é uma péssima ideia. O protocolo que está sendo tratado é: ficou doente, procure imediatamente o médico, vá aos postos de triagem. O diagnóstico é clínico, inicialmente”, disse.

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Oxford avança em pesquisa sobre injeção de anticorpos

Cientistas da Universidade de Oxford, responsáveis pelos estudos mais promissores na busca por uma vacina contra a covid-19, estão avançando também em estudos paralelos para um tratamento com anticorpos. Segundo pesquisadores, a terapia deve ser importante para idosos, grupo de risco da covid-19, e pessoas que não respondam bem a uma eventual vacina, ainda em fase de desenvolvimento.

Pascal Soriot, executivo-chefe da AstraZeneca, conglomerado farmacêutico parceiro da universidade britânica, descreveu o tratamento como uma “combinação de dois anticorpos” ou “anticorpos clonados” para tentar reduzir o risco de resistência a um deles. Os cientistas da gigante farmacêutica no Reino Unido e nos Estados Unidos afirmam que os testes estão em “velocidade máxima” e esperam que o tratamento possa entrar em produção no próximo ano.

Tratamentos com anticorpos são diferentes de vacinas. No primeiro caso, a “defesa” do organismo é injetada diretamente no sangue do paciente. Uma injeção de anticorpos, que arma o corpo instantaneamente para neutralizar o vírus, pode ser decisiva nos primeiros estágios da covid-19. Já a vacina estimula o sistema imune a produzir sua própria defesa.

Nos dois casos, seja com vacina ou com a terapia com anticorpos, a intenção é reduzir ou impedir a replicação do vírus no organismo, acelerando a recuperação. Tratamentos semelhantes com anticorpos já se mostraram eficientes contra outras doenças virais, como H1N1. Embora um tratamento eficaz com anticorpos possa ser vital, principalmente para idosos, os executivos reafirmam a vacina como uma prioridade. A razão seriam os custos Terapias com anticorpos são mais caras do que as vacinas.


Nesta semana, a AstraZeneca anunciou acordos internacionais para a produção de 1,7 bilhão de doses da vacina e continua em busca de novos parceiros. Os acordos já firmados são com o Reino Unido, os Estados Unidos, a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (Cepi), a Aliança de Vacinas (Gavi) e o Instituto Serum, da Índia, um dos maiores fabricantes mundiais de vacinas. O instituto indiano está explorando parcerias “paralelas” com a AstraZeneca e pode aumentar o financiamento para o tratamento com anticorpos.

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Ministério da Saúde corrige dados sobre covid-19

O Ministério da Saúde divulgou há pouco que “corrigiu duplicações e atualizou os dados divulgados sobre casos e óbitos por covid-19 no último domingo”. Ontem foram publicados dois boletins: o primeiro apontava 1.382 mortes nas últimas 24 horas e o segundo, 525 mortes.

A confirmação dos números divulgados hoje (8) pelo ministério mostra que apenas o Distrito Federal e o Mato Grosso do Sul mantiveram os números de óbitos do primeiro balanço. Houve correções também nos números de novos casos registrados pelos estados. 

No comunicado de hoje, o ministério destaca, em especial, a mudança dos números em Roraima, que havia anunciado 762 óbitos e, após verificação do Ministério da Saúde, o número foi consolidado em 142. Outra situação corrigida foi em relação ao número de casos confirmados no Ceará, que passou de 62.303 para 64.271 após atualização.

Veja a tabela divulgada pelo Ministério da Saúde:

Tabela do Ministério da Saúde – Ministério da Saúde

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Ministério da Saúde muda balanço e diminui mortos nas últimas 24h

O Ministério da Saúde divulgou na noite desse domingo dados divergentes sobre o número de novos casos e óbitos registrados nas últimas 24 horas. Em um primeiro momento, a pasta anunciou 1.382 mortes por covid-19 no país, mas mais tarde alterou o número para 525, uma diferença de 857.

Houve ainda uma mudança no número de infectados. O primeiro balanço divulgado pelo ministério informava um total de 12.581 novos casos, contra 18.912 casos atuais.

A mudança ocorreu entre as 20h37, quando o balanço diário foi enviado à imprensa, e as 21h50, quando o site oficial foi atualizado.

Em resposta, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) lançou um site oficial com dados completos sobre a pandemia do coronavírus, a partir do boletim oficial que cada estado envia ao Ministério da Saúde diariamente. Diferentemente dos dados entregues pelo governo federal, o portal será atualizado diariamente às 18h.

Inconsistências na comunicação da evolução da pandemia no país marcaram a semana, que começou com atrasos de três horas na divulgação de balanço diário e culminou com a exclusão de dados históricos, consolidados e detalhamentos importantes para o entendimento de como a doença se comporta e para a análise da resposta do governo.

Após diversas críticas de especialistas, pesquisadores e autoridades, a pasta voltou a divulgar hoje o número consolidado das estatísticas, e anunciou que trará uma nova plataforma, ainda em desenvolvimento, com informações referentes ao Brasil, aos estados, às capitais e às regiões metropolitanas — com os respectivos gráficos de evolução diária dos novos registros. Mais mudanças foram anunciadas a fim de apresentar o balanço de forma mais clara à população.

Hoje, a pasta também afirmou que o motivo para a retirada do ar do site oficial dos balanços na sexta-feira foram ataques por grupos de hackers. A confirmação foi feita pela assessoria de imprensa, que acrescentou ter ocorrido um aumento nos padrões de segurança que causou problemas no fluxo de informações no sábado.

Quando o site voltou ao ar, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos registrados no próprio dia, sem números consolidados, detalhamentos e históricos das curvas. Por conta dessa alteração, o balanço referente ao cenário brasileiro deixou de constar no painel da Universidade Johns Hopkins, referência no monitoramento global da pandemia.

Ao longo da pandemia, a divulgação das estatísticas também passou a ser feita cada vez mais tarde, mudando das 15h para as 19h. Na quarta-feira (3), um atraso de 3 horas foi anunciado como resultante de “problemas técnicos”. No dia seguinte, em uma entrevista coletiva sem a presença do ministro interino, Eduardo Pazuello, ninguém do Ministério soube explicar a situação.

Na sexta, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), defendeu a divulgação mais tardia dizendo: “Acabou matéria no Jornal Nacional”.

noticias.uol

Deputado Alan Rick se manifesta contra decisão do TRF-1 que impede

contratação de médicos formados no exterior pelo governo do Acre
“Recebi com bastante tristeza a notícia da decisão do TRF-1. Até porque a legislação brasileira permite a contratação de médicos formados no exterior em situações específicas. É isso o que diz a Lei 12.871/13 – do Programa Mais Médicos. O que está claro é que existe um sistema perverso mais preocupado em defender uma clara reserva de mercado, do que defender a saúde da população”.


A afirmação é do deputado federal Alan Rick (DEM) ao comentar a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília-DF que suspendeu a decisão liminar que concedeu ao Estado do Acre o direito de contratação de médicos formados no exterior sem revalidação. O Estado deve recorrer.
Na decisão, o magistrado destacou que “a denominação de “médico é privativa dos graduados em cursos superiores de Medicina, e o exercício da profissão, dos inscritos no Conselho Regional de Medicina.”


O deputado ressalta que, “tal entendimento está totalmente dissonante da legislação brasileira que permite a contratação em caráter excepcional, exatamente como prevê a Lei 12.871/13. A discrepância fica mais notória diante da pandemia da Covid-19 que vive o Estado atualmente. A contratação desses médicos, portanto, torna-se imprescindível”.


E complementa: “de extrema importância a contratação desses médicos brasileiros formados no exterior, ainda mais sabendo que seriam direcionados aos municípios do interior do Estado no atendimento à população mais carente neste momento da pandemia”, disse o parlamentar.


O Governo do Acre decidiu pela contratação emergencial em virtude do quadro gravíssimo do crescimento dos casos de Covid-19 que já afeta praticamente todos os municípios do interior.


Ao comentar a decisão do TRF-1, o advogado Rodrigo Mesquita, da OAB de Brasília, reforça que a tutela antecedente concedida pela Justiça Federal do Acre foi cautelosa ao estabelecer critérios para a contratação dos médicos no Estado. Portanto, em sua análise, não há motivos para suspender a liminar.


“Me parece que a decisão de 1º grau é suficientemente cautelosa e não dava espaço a qualquer tipo de fragilização da atenção à saúde da população do Acre. Ao contrário, justamente vai ao encontro do mandamento constitucional de acesso a Saúde, provido pelo Estado a todos cidadãos”, disse o advogado.


E acrescentou: “O juiz federal que concedeu a tutela antecedente foi bastante enfático em estabelecer que a inscrição será precária, que haveria um estabelecimento de critérios muito claros e rígidos com relação a duração dessa autorização, quais os serviços a serem executados pelos médicos que teriam a autorização provisória para exercer a medicina, especificamente, em razão e enquanto durar a pandemia da Covid-19”.


Ele finaliza destacando que a decisão do TRF-1 não traz contornos de segurança. “Tentou-se garantir o cumprimento do ordenamento, mas com todas as vênias ao desembargador que proferiu a decisão, vai justamente contra o ordenamento jurídico brasileiro. Veja que essa decisão foi proferida no bojo de um Agravo de Instrumento que sequer apresenta os documentos obrigatórios que são indicados pelo Código de Processo Civil. Esse Agravo sequer deveria ter sido conhecido, deveria ter sido extinto imediatamente ao recebimento. Para além disso, uma decisão insensível com a situação de precariedade da atenção à saúde da população do Acre”.

Vereador Rodrigo Forneck propõe abertura das Uraps para atender pacientes com sintomas leves de Covid-19



Na sessão online da Câmara Municipal de sexta-feira, 22, o vereador Rodrigo Forneck (PT) falou sobre a pandemia na capital acreana. O número de casos e a superlotação no Sistema de Saúde vem preocupando o parlamentar.


No Acre, o número de casos é de 3.343 e 80 mortes registradas, de acordo com o ultimo boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).


“A gente está começando a entender que os números estão virando nomes na estática de morte da pandemia e eu digo isso, porque aqueles números tão distantes que a gente via lá do outro lado do mundo, na Europa, Estados Unidos e na região central do Brasil, começou a chegar no Acre. Agora, está chegando em pessoas que todo mundo conhece, então deixou de virar números e tem virado nome de pessoas que nós conhecemos” disse.


Na capital, a situação tem se agravado, os leitos de UTI’s estão sem vagas, 100% dos leitos de Rio Branco estão ocupados, os 32 leitos do Pronto Socorro e do Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into) estão lotados.


Forneck afirmou que o grande número de infectados e a sobrecarga do Sistema de Saúde tem sido pela falta do isolamento social. “Meus amigos, a população está tentando sobreviver, se todo mundo tivesse a opção de ficar em casa tendo o seu salário na conta tenho certeza que teríamos 100% das pessoas em casa.”


O vereador pediu para que o governo passassem mais informações à população, além de afirmações sobre a execução do seu mandato. Cobrou medidas eficazes nesse momento, que seriam a realização de atendimento a pacientes com sintomas leve da Covid-19 através das Unidades de Recursos Assistenciais Partilhados (URAPs).


Comentou também a respeito da nota divulga na quinta-feira, 21, onde uma médica lamenta em ter que optar por quem vive e quem morre. “Peço perdão a Deus todos os dias por ser obrigada a escolher quem vive e quem morre por falta de respiradores”, falou uma médica, que pediu para não ser identificada, aos Diretores do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), e que atua no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) atendendo todos os casos de coronavírus (Covid-19). Emocionada, a profissional explicou que faltam ventiladores para atender toda a demanda de pacientes.


Forneck prevê medidas para tentar melhorar o sistema de saúde, diminuir o fluxo de pessoas nas UPAs e evitar a circulação sem precisão dentro das unidades, que tenham outros métodos para ajudar a população.

Hotéis pelo Brasil abrigam profissionais da saúde e pacientes na pandemia de coronavírus

No enfrentamento da pandemia de Covid-19, municípios brasileiros estão recorrendo a quartos de hotéis para abrigar profissionais da saúde e até pacientes sem gravidade.

Em Curitiba (PR), a prefeitura anunciou que vai alugar um hotel exclusivo para médicos e pessoal da enfermagem que não podem voltar para casa por estarem em contato com pessoas de risco. Serão 70 vagas.

Segundo a secretária da Saúde, Márcia Huçulak, há situações de profissionais que moram com pais idosos ou têm mulheres grávidas e bebês ou vivem com pessoas que estão em tratamento oncológico.

“Não podemos colocá-los nessa situação de voltar para casa todos os dias. Por mais que tomem os cuidados, há profissionais que precisam se afastar de seus familiares para não correrem o risco de transmitir a doença a eles ou mesmo de serem contaminados”, diz.

A secretária afirma que mesmo profissionais que tiverem quadro de gripe devem ficar afastados.

Huçulak diz que três hotéis foram selecionados e estão sendo sendo vistoriados para ver se preenchem os critérios exigidos pela prefeitura, como ter piso frio lavável.

Homem fica em quarentena em hotel na Grécia depois de voltar da Espanha
Homem fica em quarentena em hotel na Grécia depois de voltar da Espanha – Reuters

Em Santa Maria (RS), a rede de hotéis Dom Rafael firmou uma parceria com o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) para hospedar, sem custos, médicos que estão trabalhando no enfrentamento do Covid-19. Serão 23 apartamentos com capacidade para alojar até 50 profissionais.

Segundo José Rafael D’Império, sócio-gerente da rede, a ideia é que eles fiquem hospedados por um período mínimo de 15 dias. Em um primeiro momento, a oferta será para os profissionais que atuam no pronto-socorro e no centro obstétrico. A ação vai continuar enquanto durar a pandemia.

O governo de Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte, também anunciou nesta segunda (23) que um hotel de Natal vai hospedar servidores da saúde que moram com pessoas de grupo de risco.

O grupo de risco da Covid-19 inclui idosos (acima de 60 anos), gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou que diminuem a imunidade. Para receber os trabalhadores, o Hotel Senac Barreira Roxa será adaptado de acordo com protocolos de órgãos de saúde.

Segundo nota do governo potiguar, a medida, que fica vigente durante o período da pandemia, visa evitar que servidores tenham que se afastar do trabalho e que exponham seus familiares ao risco de infecção.

Em Criciúma (SC), a prefeitura também alugou 25 quartos de um hotel localizado na área central do município.

No Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel (PSC) sancionou o projeto de lei que autoriza o governo a ​requisitar hotéis, motéis, pousadas e demais estabelecimentos privados de hospedagem para o cumprimento de quarentenas, isolamentos e procedimentos médicos não invasivos. Há previsão de indenização futura, a ser calculada posteriormente pelo estado.

“Nós estamos com um hotel sendo preparado para receber turistas que estejam infectados, para eles poderem se recuperar”, disse Witzel.

Hotéis também começam a ser usados para abrigar pacientes estáveis. Em Presidente Prudente (SP) o hotel Portal D’Oeste ofereceu os seus 150 leitos para a prefeitura utilizar no enfrentamento do coronavírus.

Segundo o prefeito Nelson Roberto Bugalho (PSDB), o espaço deverá ser utilizado para atendimento de pacientes com sintomas de dengue, que, normalmente, só necessitam de hidratação.

“Como a dengue é uma doença em que não há contágio como o coronavírus, destinaríamos o hotel para essa finalidade e deixaríamos as unidades de saúde para atendimento da Covid-19 e de outras situações mais urgentes, ou seja, evitaríamos a propagação de possíveis casos positivos”, afirmou Bugalho.

Na Bahia, um hotel desativado em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, vai receber pacientes de longa permanência e alguns que ocupam leitos da rede de saúde estadual.

A medida é para liberar leitos dos hospitais do estado que vão ficar focados no atendimento ao coronavírus.

Segundo o secretário de saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, ainda não há data prevista para o recebimento das pessoas, nem das unidades em que os pacientes transferidos estão internados. O hotel desativado passa por reparos.

“Estamos fazendo adaptações emergenciais. Dentro de poucas semanas vamos trazer pacientes que estão internados nos nossos hospitais, pacientes crônicos de longa permanência [no hospital] que virão aqui para que possamos esvaziar vagas nesses hospitais da rede que serão transformados em centros de referencia para receber pacientes com coronavírus. Não será um hospital do coronavírus, mas será um local que vai receber pacientes de baixa complexidade e longa permanência”, explicou o secretário.

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Ministério da Saúde vai distribuir R$ 424 milhões para estados combaterem novo coronavírus

O Ministério da Saúde vai disponibilizar um total de R$ 424 milhões para todos os estados para o custeio de ações e serviços de média e alta complexidade —como internações hospitalares— relacionadas ao enfrentamento da circulação do novo coronavírus no Brasil.​

A designação dos recursos foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta segunda-feira (16). Os R$ 424 milhões são parte dos R$ 5 bilhões liberados pelo presidente Jair Bolsonaro na última sexta (13) para o combate ao novo coronavírus.

De acordo com portaria desta segunda, o dinheiro será disponibilizado em parcela única aos estados e ao Distrito Federal levando em conta dados populacionais.

“A distribuição dos recursos aos estados e Distrito Federal corresponde a R$ 2,00 (dois reais) per capita, conforme projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para 2020”, diz o texto.

Com isso, São Paulo será o principal destino da verba, num total de R$ 92 milhões, seguido de Minas Gerais, com R$ 42,9 milhões e Rio de Janeiro, com R$ 33,8 milhões. O estado de Roraima, de menor densidade populacional, receberá R$ 1,09 milhão.

Na sexta, Bolsonaro publicou uma Medida Provisória que liberou um total de 4,8 bilhões diretamente ao Ministério da Saúde.

Ainda como medidas de combate ao novo coronavírus, a pasta informou a governadores e secretários estaduais de saúde que vai alugar, imediatamente, 540 leitos de UTI para equipar hospitais.

A previsão é que cada estado receba ao menos dez leitos extras em até dez dias.

Os demais devem ser distribuídos conforme a população de cada estado, afirma o presidente do Conass (conselho nacional de secretários de saúde), Alberto Beltrame.

O montante visa preparar a rede para possível atendimento de casos graves. Em geral, cada leito é composto por cama e equipamentos, como respirador monitor multiparamétrico, bombas de infusão e oxímetros.

A instalação antecipada dos leitos já era um pedido dos estados, que temiam ter que fazer a instalação durante os atendimentos.

“Estamos partindo do princípio de que poderá em breve haver uma demanda maior”, diz o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

De acordo com Beltrame, o total corresponde a uma reserva técnica inicial.

O Ministério da Saúde também já fez um edital para locação de até 2.000 leitos para serem instalados em caso de necessidade.

Questionada, a pasta ainda não informou se os 540 leitos estão dentro desse montante ou serão adicionais.

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Anvisa libera venda de produtos à base de cannabis em farmácias

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (3) a liberação da venda em farmácias de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil. A regulamentação foi aprovada por unanimidade e é temporária, com validade de três anos.

Na mesma reunião da diretoria colegiada do órgão foi rejeitado o cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil. Por 3 votos a 1, proposta foi arquivada pela agência reguladora. Com a decisão, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato da planta.

Venda dos produtos

Sobre a venda em farmácias, a norma passa a valer 90 dias após sua publicação no “Diário Oficial da União”. De acordo com a resolução, os produtos liberados poderão ser para uso oral e nasal, em formato de comprimidos ou líquidos, além de soluções oleosas.

A comercialização ocorrerá apenas em farmácias e drogarias sem manipulação, que venderão os produtos prontos, mediante prescrição médica.

O tipo de prescrição médica necessária vai depender da concentração de tetra-hidrocanabidiol (THC), principal elemento tóxico e psicotrópico da planta Cannabis sativa, ao lado do canabidiol (CBD), que é usado em terapias como analgésico ou relaxante.

O THC altera as funções cerebrais e é a substância que provoca os mais conhecidos efeitos do consumo da maconha, droga ilegal no Brasil. Entretanto, estudos indicam que o THC também pode ser usado como princípio ativo para fins medicinais.

Nas formulações com concentração de THC inferior a 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário tipo B e renovação de receita em até 60 dias.

Já os produtos com concentração de THC superior a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Neste caso, o receituário para prescrição será do tipo A, mais restrito, padrão semelhante ao da morfina.

A embalagem dos produtos deve informar a concentração dos principais canabinoides presentes na formulação, dentre eles o CBD e o THC, mas somente a concentração de THC é levada em conta para a classificação dos rótulos.

Todos devem conter a frase “Venda sob prescrição médica”, seguida de “Só pode ser vendido com retenção de receita” no caso de produtos com menos de 0,2% de THC ou da frase “Uso desse produto pode causar dependência física ou psíquica” no caso de concentrações superiores a 0,2%.

Produto x medicamento

A resolução da Anvisa cria uma nova classe de produto sujeito à vigilância sanitária: “produto à base de cannabis”. Ou seja, durante os três anos de validade, os produtos ainda não serão classificados como medicamentos.

A regulamentação aprovada cita que os produtos à base de cannabis ainda precisam passar por testes técnicos-científicos que assegurem sua eficácia, segurança e possíveis danos, antes de serem elevados ao patamar de medicamentos.

A delimitação do intervalo de três anos para validar a norma foi sugerida pelo diretor Fernando Mendes, sob a justificativa de que ainda não há comprovação da eficácia dos tratamentos a base dos produtos. “Não há qualquer evidência de baixo risco no uso desses produtos”, afirmou ele.

Após esse período, uma nova resolução deverá ser editada.

Os produtos liberados pela Anvisa podem ser ou fabricados no Brasil ou importados.

O regulamento exige que as empresas fabricantes tenham:

  • Certificado de Boas Práticas de Fabricação (emitido pela Anvisa);
  • autorização especial para seu funcionamento;
  • conhecimento da concentração dos principais canabinoides presentes na fórmula do produto;
  • documentação técnica da qualidade dos produtos;
  • condições operacionais para realizar análises de controle de qualidade dos produtos em território brasileiro.

Em nota, a Anvisa disse que os fabricantes que optarem por comprar o insumo no exterior “deverão realizar a importação da matéria-prima semielaborada, e não da planta ou parte dela”.

O comunicado continua: “A proposta de norma remete essa atividade aos atuais regramentos de importação e demais regulamentos relacionados ao controle dos pontos de entrada e saída referentes a qualquer produto entorpecente, psicotrópico ou precursor, independentemente de se tratar de matéria-prima ou produto acabado”.

Além disso, de acordo com a norma, “para viabilizar o monitoramento integral dos lotes de produtos e medicamentos da cannabis importados, foram limitados os pontos de entrada dos produtos em território nacional”.

g1




Primeira vacina contra o vírus ebola é aprovada na União Europeia

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) aprovou, no último dia 11 de novembro, a primeira vacina contra o vírus ebola. O medicamento, batizado de Ervebo, foi desenvolvido pela farmacêutica alemã Merck.

Esta é a primeira vez que um medicamento contra a doença passa pela comissão europeia – o que significa que ele poderá ser armazenado e distribuído. “Essa é uma vacina com enorme potencial”, disse Seth Berkley, membro da EMA, em comunicado. “Ela já foi usada para proteger mais de 250 mil pessoas na República Democrática do Congo e pode muito bem tornar grandes surtos de ebola uma coisa do passado.”

Embora várias outras vacinas contra o ebola estejam em desenvolvimento, a Ervebo é a única que foi testada durante um surto da doença – e se mostrou muito eficaz na prevenção de infecções. O medicamento foi patenteado pela primeira vez em 2003, e foi administrado em caráter emergencial para conter o surto em curso na República Democrática do Congo, onde 2 mil pessoas morreram desde o início de 2018.

Mas esta não foi a primeira vez que o vírus da doença aterrorizou um país africano. Entre 2014 e 2016, quase 12 mil pessoas morreram vítimas da doença – que tem taxa de fatalidade de 50%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Felizmente, o novo medicamento possibilitará que milhares de pessoas sejam protegidas da doença, que é altamente contagiosa. Dentre os que receberão a vacina estão 60 mil profissionais de saúde na República Democrática do Congo e em países vizinhos.

Para David Heymann, epidemiologista da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, essa é uma ótima notícia, mas o trabalho continua. “A mensagem é que a pesquisa não está concluída. Deve continuar ”, ressaltou à revista científica Nature.

“É realmente importante continuar estudando e desenvolvendo as vacinas de segunda e terceira geração.” Segundo ele, aperfeiçoar esse medicamento é essencial para garantir uma imunização mais duradoura aos vacinados e facilitar a estocagem do produto.

revistagalileu

Governo e Hospital de Amor firmam parceria que prevê recursos para hospital

Marcelina Freire

Um importante passo para o tratamento e prevenção do câncer de mama e uterino foi dado na manha desta terça-feira, 19. O governo do estado do Acre firmou parceria para assinatura do termo de convênio com o Hospital de Amor (Unidade de Barretos no Acre). A assinatura do convênio será realizada em abril.

“Tivemos uma reunião hoje com o governador e o secretário de Saúde e firmamos a parceria que será oficializado na primeira semana de abril com a assinatura do termo. A importância desse convênio é que nós vamos poder expandir o serviço e a assistência em todo o estado do Acre”, afirmou o diretor do hospital, João Paulo Silva.

Segundo o diretor, a gestão estadual, se mostrou receptiva quanto as parcerias para o desenvolvimento das ações. “Eles foram muito receptíveis nesta parceria , o governador se colocou a disposição, quer trabalhar em parceria com Barretos para avançar os serviços tanto de prevenção, quanto de tratamento dentro do estado do Acre”, destacou Silva.

O convênio tem duração de cinco anos, nos primeiros 12 meses serão repassados pelo governo o valor de 90 mil reais mensais, a partir do segundo ano o valor passa a ser de 143 mil reais mensais. Além deste recurso, o hospital receberá do Ministério da Saúde, de acordo com a produção local, e também será contemplado com valores oriundos de leilões que acontecem com a finalidade de angariar fundos para as unidades de Barretos pelo Brasil.

“Com isso nós estaremos realizando mamografia, coleta de PCCU (preventivo do câncer de colo do útero), tanto na unidade fixa como nas carretas (unidades móveis) em todo o estado do Acre. Estaremos realizando também pequenas cirurgias como de colo uterino e de mama para retirada do câncer em estágio inicial”, explica João Paulo.

O Hospital de Amor foi inaugurado no final de novembro do ano passado. Desde a inauguração, o responsável pela  unidade vinha tentando junto ao governo da gestão passada, a assinatura do convênio, foram diversas tentativas sem sucesso. Com a promessa de assinatura do termo, Silva afirma que será possível levar atendimento a todos os municípios.

“Esse convênio veio justamente para selar essa parceria do estado com a Fundação Pio XII, para podermos levar toda essa estrutura para todos os municípios do Acre. É um grande momento e um grande ato que vai somar significativamente, a princípio, na vida das mulheres do Acre, porque a intenção é que essa unidade possa avançar no tratamento e rastreamento de outros tipos de neoplasias”. Enfatiza.

Além das duas unidades móveis que devem percorrer todo o estado, o município de Cruzeiro do Sul será completado com um mamógrafo fixo, e uma das carretas que irá realizar procedimentos de rastreamento de câncer de mama e colo uterino, percorrendo todo o vale do Juruá.