Resolução da crise de água depende do Legislativo e do governo federal

Construída às margens do Rio Acre, a estrutura da Estação de Tratamento de Água 2 está comprometida após o solo ceder mais de um metro

O Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) suspendeu as operações da Estação de Tratamento de Água 2, que corre o risco de desabar porque o solo já não sustenta mais o peso da estrutura.

A ETA 2 possui vazão de mil litros por segundo e responde pela distribuição de 62% da capital. Desde a última segunda-feira (1), mais de 226 mil pessoas estão desabastecidas.

Mesmo com a gravidade da situação, ainda não há previsão de normalizar o fornecimento, embora reparos paliativos estejam em execução.

Sistema da ETA 2 está parada desde o dia 1 de abril, sem previsão de normalidade (Foto: PMRB)

Em março, Rio Branco registrou a terceira maior alagação da história, com 17,68 metros. O processo de erosão se intensificou após o nível do Rio Acre baixar mais de 13 metros de forma rápida, em menos de 20 dias.

Como o sistema é construído às margens do manancial, o terreno cedeu mais de um metro.

O incidente provocou rachadura em uma passarela e comprometeu o acesso à torre de comando por onde passam os cabos elétricos dos motores das bombas de sucção.

O desarenador também foi danificado e perdeu mais de 10% da capacidade de captação.

Esse instrumento é fundamental para a remoção eficiente de sedimentos como areia e pedra, além de melhorar a qualidade da água, reduzir desgaste de equipamentos e economizar custos operacionais.

 
 
 
 
 
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O problema é antigo

A região onde funcionam as estações de tratamento passou por pelo menos três situações de emergência causadas pela movimentação de terra. A primeira ocorreu em 2020.

No ano seguinte, o governo do Estado investiu R$ 3,1 milhões para a reconstrução da ETA 2, com nova subestação, transformadores e quadros de comando. No entanto, o problema se repetiu menos de três anos depois.

Em 2023, o Saerb alertou as autoridades sobre um possível colapso no abastecimento que seria capaz de deixar mais de metade da cidade sem água – mesma situação de agora.

No mês de outubro, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), chegou a pedir um empréstimo de R$ 340 milhões à Câmara Municipal para atender a essa e outras demandas.

Na época, o episódio gerou polêmica nas redes sociais e os vereadores aprovaram apenas R$ 140 milhões.

Esse dinheiro é destinado à execução do Asfalta Rio Branco nas 10 regionais da cidade, com serviços de pavimentação de ruas e de reparos em calçadas e na rede de drenagem a partir deste mês.

Contudo, o valor ainda é R$ 10 milhões a menos do que o solicitado.

Resolução imediata da crise não deve partir da Câmara

A liberação de recursos para outras áreas está travada na Câmara desde o início do ano.

Dessa forma, Bocalom não garantiu os investimentos de R$ 70 milhões para os programas 1001 Dignidades e Rio Branco Mais Segura, que previam a construção de casas populares e a ampliação do sistema de monitoramento e vigilância – respectivamente, e nem os R$ 120 milhões para a reestruturação de unidades do Saerb.

Líder do prefeito no Legislativo, o vereador João Marcos Luz diz que não há previsão imediata da pauta entrar na ordem do dia para votação.

“O projeto não foi aprovado no ano passado, mas ainda tenho esperança de que esse ano a gente consiga alinhar para aprovar os recursos”.

Agora, o Saerb estuda decretar estado de emergência na ETA 2 para recuperar o sistema.

“O que estamos fazendo aqui é paliativo. Precisamos mudar para outro lugar e já estamos articulando recursos para que isso ocorra”, disse o presidente Enoque Pereira.

Até lá, o abastecimento de água deve seguir de forma intermitente.