A ditadura brasileira narrada em fotos

Regime militar teve apoio do governo alemão e de importantes empresas, estimulados por Guerra Fria e oportunidades de negócio. Já os exilados brasileiros enfrentaram vida difícil no país europeu.

A ditadura militar sufocou a democracia e se estendeu por 21 anos no Brasil, de 1964 a 1985. O período foi marcado por perseguições, tortura, censura, crescimento e derrocada econômica.

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA | A caçada aos adversários se concentrou nos meses após o golpe de 1964 – entre o final da década de 60 e início dos anos 70. Mais de 5 mil pessoas foram alvo de punições como demissões, cassações e suspensão de direitos políticos. Ao todo, 166 deputados foram cassados. O regime também perseguiu membros em suas fileiras e pelo menos 6.951 militares foram desligados e presos. (Foto: Arquivo Nacional)
ASSASSINATOS E DESAPARECIMENTOS | Assim como a perseguição politica, os assassinatos de opositores promovidos se concentraram em algumas fases da ditadura, mas todos os generais-presidentes foram tolerantes com a prática. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) apontou a responsabilidade do regime militar pela morte de 224 pessoas e pelo desaparecimento de 210. Das 434, apenas 206 sobreviveram ao governo Médici (1969-1974) (Foto: Arquivo Nacional)
TORTURA | No governo Castelo Branco (1964-1967) foram apresentadas 363 denúncias. E na fase Médici (1969-1974) outras mais de 3.500. O relatório “Brasil: Nunca Mais” lista 283 formas de tortura aplicadas pelo regime, como afogamentos, choques elétricos e o pau de arara. Na ditadura, a tortura virou uma prática de Estado. Ao longo de 21 anos, houve mais de 6 mil denúncias. (Foto: Arquivo Nacional)
LUTA ARMADA | Ao dar o golpe, os militares citaram a corrupção e o esquerdismo do governo Jango. A luta armada, às vezes apontada como razão de ser da ditadura, nem foi mencionada. Só em 1966 ocorreram as primeiras ações relevantes de grupos de esquerda, que cometeriam atentados e assaltos com o objetivo de promover uma revolução. Em 1974, todos já haviam sido aniquilados, mas a ditadura duraria mais uma década (Foto: Arquivo Nacional)
ATOS INSTITUCIONAIS | O regime militar recorreu a uma série de decretos chamados atos institucionais (AIs) para manter seu poder. Entre 1964 e 1969 foram promulgados 17. Além de estarem acima até da Constituição, alguns promoveram a cassação de adversários (Al-1) e a extinção dos partidos políticos (Al-2). O mais duro deles, o Al-5, instituiu em 1968 a censura prévia na imprensa e a suspensão do “habeas corpus”. (Foto: Arquivo Nacional)
CENSURA | Boa parte da imprensa apoiou o golpe, mas vários jornais passaram a criticar o regime – alguns mais cedo, outros mais tarde. Com o Al-5, passou a vigorar uma censura prévia em vários meios de comunicação. O regime censurava até más noticias, promovendo uma imagem fictícia da realidade do país. Epidemias, desastres e atentados eram temas vetados. Músicas, filmes e novelas também foram censurados. (Foto: Arquivo Nacional)
COLABORAÇÃO COM OUTRAS DITADURAS | Junto com os regimes da Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai, a ditadura brasileira integrou a Operação Condor, uma aliança para perseguir opositores no Cone Sul. O regime também ajudou a treinar oficiais chilenos em técnicas de tortura. Um dos casos mais notórios de colaboração foi o sequestro em 1978 de dois ativistas uruguaios em Porto Alegre, que foram entregues ao pais vizinho. (Foto: Biblioteca Presidência da República)
MILAGRE ECONÔMICO… | Após três anos de ajustes, os militares promoveram investimentos e oferta de crédito. A fórmula deu resultados. Entre 1967 e 1973, a expansão do PIB brasileiro foi de 10,2% ao ano. O país passou a ser a décima economia do mundo e o crescimento aumentou a popularidade do regime durante a fase mais repressiva da ditadura. Mas o “milagre brasileiro” duraria pouco. (Foto: Arquivo Nacional)
… E A DERROCADA ECONÔMICA | A conta do “milagre” chegou após os dois choques do petróleo e uma série de decisões desastradas para manter a economia aquecida. Ao fim da ditadura, o pais acumulava divida externa 30 vezes maior que a de 1964 e inflação de 225,9% ao ano. Quase 50% da população estava abaixo da linha de pobreza. Os militares pegaram um país com graves problemas econômicos e entregaram um quebrado. (Foto: Biblioteca da Presidência da República)
CORRUPÇÃO | A censura e a falta de transparência favoreceram a corrupção. O período foi marcado por vários casos, como o Coroa-Brastel, Delfin, Lutfalla e a explosão de gastos em obras. Na década de 1970, o regime promoveu e protegeu figuras como Paulo Maluf e Antônio Carlos Magalhães, que já eram suspeitos em casos de corrupção. Também abafou casos, como a compra superfaturada de fragatas do Reno Unido. (Foto: Biblioteca da Presidência da República)
GRANDES OBRAS | A ditadura promoveu obras faraônicas e divulgadas com propaganda ufanista, como Itaipu e a ponte Rio-Niterói. Algumas foram marcadas por desperdícios e erros, como a Transamazônica e as usinas de Angra. Em 1969, o regime criou uma reserva de mercado para as empreiteiras nacionais ao proibir a atuação de estrangeiras. É nessa época que empresas como a Odebrecht passam a dominar as obras no país. (Foto: Arquivo Nacional)
ANISTIA E FALTA DE PUNIÇÕES | Em 1979, seis anos antes do fim da ditadura, foi promulgada a Lei da Anistia, perdoando crimes cometidos por motivação política. Mas ela tinha mão dupla: garantiu também a impunidade para agentes responsáveis por mortes e torturas. No Chile e na Argentina, dezenas de agentes foram condenados por violações de direitos humanos após a volta da democracia. Ninguém foi punido no Brasil. (Foto: Arquivo Nacional)