Governo atinge meta de 60 mil atendimentos no Programa Quero Ler

Dar oportunidade aos jovens e adultos o acesso ao mundo das letras e tirar o Acre do mapa do analfabetismo até o fim de 2018 foi um dos grandes desafios do governador Tião Viana nesta gestão. E essa meta está sendo realizada pela Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE) por meio do Programa Quero Ler.

Lançado no fim de 2015, o programa Quero Ler tem como finalidade alfabetizar, nos 22 municípios acreanos, mais de 60 mil jovens e adultos que, por algum motivo, não tiveram a oportunidade de frequentar um banco de escola.

Até o fim de novembro, as últimas turmas serão encerradas em Rio Branco, e no dia 14 de dezembro o fechamento das turmas em 19 municípios. Em Brasileia e em Acrelândia, não houve procura de alunos para a realização nesta última etapa.

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Com esses atendimentos, a taxa de analfabetismo, que em 2015 estava em torno de 15%, poderá chegar a 4%, o que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), tornará o Acre território livre de analfabetismo.

“Estamos dando um grande passo na educação, que é alfabetizar milhares de pessoas que ainda não sabem ler nem escrever. E e o que estamos fazendo é um exemplo para o restante do país, porque não estamos ensinando apenas a leitura e a escrita, é mais que isso, estamos formando cidadãos pensantes, com senso crítico, capazes de interpretar o mundo a sua volta, em todas as suas nuances”, disse o secretário Marco Brandão.

Cada etapa do Quero Ler tem duração de cinco meses, e os alunos tem três horas/aula por dia, perfazendo um total de 300 horas/aula. A partir daí, o estudante está capacitado para dar continuidade aos estudos e ingressar na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).

“O aluno sai com o domínio da escrita e da leitura, pronto para ingressar na EJA. Um dos principais objetivos do Programa é trabalhar a autoestima dos alunos, além, claro, de erradicar o analfabetismo em nosso Estado”, faz questão de dizer a professora Augusta Rosas, coordenadora geral do Quero Ler.

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“Foi um presente”

A professora Francisca Aragão é uma das principais entusiastas do Quero Ler no município de Tarauacá. Quando recebeu o convite do governador Tião Viana e do secretário Marco Brandão para coordenar o programa, fez questão dizer que estava recebendo um “presente”.

Ela já trabalhou com diversos programas de alfabetização, alguns inclusive em parceria com instituições públicas e privadas. Quando assumiu a Secretaria Municipal de Educação em 1997, o índice de analfabetismo chegava a 68,8% da população adulta. Quando entregou o cargo, em 2002, esse índice foi reduzido para 22,9%.

“Quando o governador Tião Viana anunciou o Programa Quero Ler, de imediato me coloquei à disposição para ajudar e encontrei o professor Francisco “Moço”, que também é um professor de origem rural e apostamos nossas fichas no sucesso desse programa”, disse.

Para a coordenadora, o Quero Ler é uma oportunidade de retribuir a generosidade que recebeu de pessoas quando chegou na cidade de Tarauacá aos dez anos de idade, quando encontrou pessoas que a acolheram e a ajudaram em sua formação.

“O que mais me incomoda é quando chego no Banco e vejo aquelas pessoas idosas pedindo a um e a outro para ver saldo, para fazer um saque e isso acontece diariamente. Então esse despertar para a cidadania representa a liberdade das pessoas porque alfabetizar alguém, dá a ela uma caneta e ela ler e escrever, isso é libertário”, frisou a professora.

Por isso, muito mais do que um compromisso profissional, proporcionar cidadania e dar liberdade através das letras às pessoas, é um compromisso pessoal que ela transmite à toda a equipe que está envolvida na alfabetização de jovens e adultos em Tarauacá.

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“Não vou mais melar meu dedo de tinta”

Dona Vicencia Matias de Almeida, de 77 anos, é moradora do município de Feijó e uma animada e atenta aluna da quarta etapa do Programa. Exemplo de vida, ela incentiva outros alunos a aprender a ler e a escrever.

O grande incentivo de dona Vicencia a procurar o Programa Quero Ler foi a vergonha que passava, segundo ela, toda a vez que ia ao Fórum da cidade. “Quando a gente ia para o Fórum, no meio da sociedade, tacava o dedo lá naquela tinta e eu achava muito feio. Mas essa vergonha eu não passo mais porque já aprendi a fazer o meu nome”, faz questão de dizer.

Sua história não é muito diferente de outras. Assim como tantas experiências, também nasceu em um seringal, o Macau, no município de Tarauacá. Viveu até os 13 anos em uma colocação chamada Areia e ainda morou no seringal São Domingos. Em Feijó, foi trabalhar “na casa dos outros”, como ela mesmo diz, para sustentar os filhos.

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Para ela, o que mais chama a atenção é que hoje dia em todo o lugar é possível estudar, bem diferente do seu tempo de juventude, quando as condições eram precárias e não havia acesso à escola como hoje. “Eu, por exemplo, nunca estudei porque sempre morei na zona rural”, disse.

Alguns fatores são importantes, na sua avaliação, para que a pessoa possa aprender a ler e a escrever. O primeiro é o esforço, a vontade própria de cada um, mas ela destaca que a oportunidade dada pelo governo do Acre é fundamental. “Essa programa foi uma grande vantagem dada pelo governo para quem não sabe ler, porque se não fosse ele a gente não iria aprender”, destaca.

Entre os formandos da turma do Quero Ler de Sena Madureira estava a senhora Maria Dias dos Santos, de 61 anos. Filha de um regatão e casada com um regatão, Maria não teve a oportunidade de estudar quando jovem. Com quatro filhos, todos já formados, ela viu a oportunidade no programa e pensou “Por que não?”. Acabou participando de uma turma em que a professora foi sua própria filha.

“Eu trabalhei 27 anos fazendo salgadinho e hoje tenho todos os filhos formados. E agora com todos os filhos criados, eu entrei no Quero Ler e vou continuar estudando. A experiência foi muito boa. A gente conhece amigos e tudo foi muito bom. Eu amei e a professora ainda foi minha filha, então a coisa ficou melhor”, conta a simpática senhora.

Também formando da turma, Apolinário da Costa, de 75 anos, fez questão de agradecer ao governador pela oportunidade. “Tem gente que diz que papagaio velho não aprende a falar, mas eu aprendi. Meu pai dizia que enquanto houver fé, há esperança. E foi através desse governo que eu aprendi a ler e escrever, que eu aprendi qual assento vai na ‘vovó’ e qual vai no ‘vovô’”, brinca o senhor

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“Eu era cego, mas agora estou enxergando”

A frase já foi dita por outros milhares de alunos do Programa Quero Ler e também repetida por Francisco Brasilino da Cruz, que participa das aulas de alfabetização ofertadas pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação e Esporte (SEE), no município de Acrelândia.

Aos 42 anos, ele nunca teve a oportunidade de freqüentar um banco da escola. Natural de Tarauacá, passou sua infância e juventude nos seringais da região e nas colônias, ajudando o pai no sustento da casa. Há quase 20 anos morando em Acrelândia, sua rotina de trabalho não mudou muito.

Atualmente, ele é vigia do núcleo da SEE no município e, incentivado pelo coordenador, professor Weiga de Menezes, agora freqüenta as aulas em uma das turmas do Programa que funcionam na Escola Marcílio Pontes dos Santos.

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Ele já sabe assinar o nome, o que o deixa muito feliz. “É muito ruim quando a gente chega em um lugar e tem que ficar pedindo aos outros para ler as coisas”, faz questão de dizer. Animado com os estudos, diz que vai dar continuidade e, no ano que vem, pretende se matricular no Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O depoimento do professor Aparecido Cerdeira, durante a aula inaugural da segunda fase do Programa Quero Ler, realizada no auditório da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE), chamou a atenção de todos os presentes. Ele, que alfabetiza doze pessoas no Residencial Cabreúva, região da Baixada da Sobral, em Rio Branco, foi enfático ao afirmar que o Quero Ler mudou sua vida. “Foi um divisor de águas.”

Ele conta que quando entrou como alfabetizador não tinha nenhuma expectativa. “Com o tempo, o Quero Ler não melhorou apenas a vida das pessoas que buscam o conhecimento das letras, mas a minha própria. Por meio do programa, mudei a mente.”

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Cerdeira estuda na Universidade Federal do Acre (Ufac) e faz o curso de Letras/Espanhol. “A partir de agora, dessa experiência de poder lecionar no Quero Ler, quero ser professor, vou fazer uma nova formação pedagógica e atuar nessa área”, fez questão de dizer.

Governo segue com a meta de zerar o analfabetismo no Acre

Por meio do Programa Quero Ler, o governo do Estado segue executando a meta de zerar as taxas de analfabetismo no Acre. Milhares de pessoas alcançadas pelo programa já estão vivendo mudanças de perspectivas de futuro, com a oportunidade de escrever novos capítulos de suas vidas.

O Quero Ler foi criado pelo governador Tião Viana com o objetivo de levar a alfabetização e o ensino a pessoas com idade igual ou superior a quinze anos que não tiveram acesso à educação básica na faixa etária adequada.

Nos primeiros sete meses deste ano, mais de 50 mil pessoas já haviam sido beneficiadas pelo programa no estado. Dados atualizados pela equipe de coordenação também dão conta de que, nesta última etapa em andamento, estão em sala de aula 10.443 estudantes, que devem concluir os estudos em novembro. Assim, a meta desafiadora de alfabetizar 60.282 pessoas está prestes a ser concluída.

Em ação paralela, este ano o governo também teve a iniciativa de lançar um processo de alfabetização complementar para reforço, por meio do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), na modalidade de educação continuada. Para a realização do Quero Ler, o Acre conta com 61 coordenadores e 1.200 alfabetizadores vinculados à Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE).

A taxa de analfabetismo no Acre ainda era de 16,5% antes da implantação do programa. Ao término da quinta fase, o estado será o primeiro da Região Norte a promover a erradicação.

“Meu muito obrigado aos que estão dedicando um tempo de suas vidas para o saber. Muitos tiveram momentos em que a vida tirou oportunidades, por isso esse programa tem o intuito de devolver uma dessas chances perdidas: a de aprender a ler e escrever. Em troca, só pedimos que não desistam”, declarou Tião Viana durante visita a uma das centenas de turmas existentes na capital.

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Investimentos que mudam realidades

Com o a Quero Ler, o Estado investe mais de R$ 40 milhões com o apoio do Banco Mundial, investimentos que mudam a realidade de milhares de acreanos desde a capital até os municípios mais distantes. Seguindo as diretrizes de ensino, que preveem o acompanhamento dos alunos em todas as comunidades em que o Quero Ler chega, o governo aplicou recursos, inclusive, na aquisição de motocicletas para auxiliar esse processo.

Os veículos entregues no início deste ano, por exemplo, permitem que as equipes cheguem aos lugares mais remotos do Acre, garantindo que o processo ocorra corretamente e que o material de subsídio e alimentos cheguem dentro da normalidade.

A exemplo de Mâncio Lima, o programa já certificou mais de dois mil alunos e está prestes a encerrar a formação dos últimos 400 que ainda precisavam da alfabetização. Com o restante do interior do estado também não foi diferente. Este ano o governo também viu a realidade de milhares de moradores de Cruzeiro e Marechal Thaumaturgo mudar.

Relatos como o da cruzeirense Maria Alves retratam bem o que representa uma política pública educacional que devolve a autoestima e, sobretudo, a cidadania. “Eu mudei muito, não sabia de nada e hoje em dia já sei escrever e fazer meu nome. Quando eu ia fazer um trabalho e tinha que colocar meu dedo, dava um desgosto muito grande, mas hoje não sinto mais isso”, declarou Maria, durante sua formatura neste ano.

O fato de o Acre estar a um passo de alcançar a meta de zerar as taxas de analfabetismo representa uma conquista incalculável para o Estado que se soma aos números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgados em 2016, pelo Ministério da Educação, apontando o Acre com o melhor desempenho do ensino fundamental 1 e 2 da Região Norte, empatando em primeiro lugar no ensino médio com o Amazonas.

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Quero Ler celebra terceira etapa com Jornada de Alfabetização

“Minha família é de seringueiros acostumados a trabalhar na floresta cortando seringa, caçando e pescando, alimentando dez filhos e alguns parentes. Os filhos crescem rápido. Nem vi o tempo passar, tive que fazer várias coisas, só não pude estudar.” Este é um trecho da poesia Minha Família, de Marlene Silva, 60 anos, aluna do Programa Quero Ler. O relato simboliza a essência do programa que há três anos era criado no Acre e hoje celebra, em Rio Branco, sua terceira Jornada de Alfabetização.

A jornada, que começou dia 7 deste mês e foi concluída na sexta-feira, 10, na capital, consiste em incentivar, resgatar e mobilizar os estudantes sobre a importância de retomar ou ingressar nos estudos, independentemente da idade.

“Essa mobilização é feita normalmente após o primeiro mês da etapa. Neste momento, a equipe vai resgatar aqueles alunos que porventura tenham desistido das aulas e também fazer a reposição das turmas”, explica o secretário de Alfabetização da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE), Evaldo Viana.

Paralelamente, as equipes gestoras foram às ruas para conscientizar as comunidades sobre a alfabetização por meio do Quero Ler. Além da capital, a mobilização é realizada em todos os municípios onde o programa atua. Em cada localidade as datas são definidas de acordo com a realidade de cada uma.

Sobre o Quero Ler

O Quero Ler é um programa do governo do Estado pensado e criado para recuperar a cidadania de pessoas que, a exemplo de Marlene, em sua maioria seringueiros ou descendentes deles, não puderam estudar e sonham em aprender a ler e escrever.

Terceira etapa

Atualmente o programa está em sua última etapa e estão matriculados 10.443 alunos. Com isso, aproxima-se da meta que é alfabetizar 60 mil pessoas até o fim deste ano. “Até novembro, cumpriremos as metas do plano de governo, que é reduzir o índice de analfabetismo no Estado a 4%, o que, segundo a Unesco, fará com que o Acre seja considerado território livre do analfabetismo”, destaca Viana.

Ao chegar a 60 mil pessoas, o programa não só se consolida como um marco na história do ensino público acreano, como tornará o Acre uma das grandes referências da educação brasileira no quesito alfabetização de jovens, adultos e idosos.

Órgãos internacionais avaliam programa Quero Ler

Durante esta semana, representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e do Banco Mundial estão em visita ao estado para a avaliar a eficiência do programa estadual Quero Ler. Esta é uma visita solicitada pelo governo para mensurar o trabalho realizado para que o Acre declare o fim do analfabetismo.

A especialista em educação do Banco Mundial, Maria Madalena Rodrigues dos Santos, explica que a instituição já vê avanços realizados pelo Quero Ler, que tem parte do seu financiamento realizado com apoio do Banco. “Temos acompanhado o programa desde o começo e percebemos que já houve um avanço muito grande, que as experiências são muito interessantes. Até agora, o que vimos é bastante satisfatório. Vamos aprofundar os conhecimentos sobre o programa porque tudo, mesmo que seja muito bom, sempre tem alguma coisa para melhorar. É isso que a gente espera como resultado dessa avaliação”, afirma.

Nessa primeira visita da Unesco, a Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE) apresentou o funcionamento do projeto, as metodologias aplicadas e como ele está estruturado. A oficial de projetos no setor de educação da organização, Lorena de Souza Carvalho, explica que a Unesco propôs ao Estado um acordo de cooperação técnica para que a avaliação possa se realizar.

“Nesse acordo, a gente vai desenvolver a avaliação do programa. Ontem nós conhecemos o Quero Ler, visitamos algumas escolas, fomos à formação de docentes e vimos algumas salas de aula. Nos reunimos com o secretário de Educação, que explicou como funciona a iniciativa, e vamos desenhar o formato dessa avaliação e do nosso acordo de cooperação para que, em breve, possamos começar a desenvolver a avaliação em si”, disse Lorena.

Para o secretário adjunto de Educação e coordenador do Quero Ler, Evaldo Viana, essa é uma oportunidade de saber, por parte da Unesco, os acertos e as melhorias que precisam ser feitos no programa, para que assim ele possa ser referência não só no Acre, mas em outras partes do mundo, na garantia da oportunidade de aprendizagem das pessoas acima de 15 anos que não puderam estudar na época certa.

“Nós ficamos felizes que e Unesco atendeu ao convite do governo do Acre para avaliar o programa que já referência no estado no combate ao analfabetismo. E a gente acredita muito no programa por conta dos resultados que nós já obtivemos, pelas mudanças que nós temos visto na vida das pessoas”, avaliou Viana.

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Visita vai avaliar eficiência do Quero Ler – Foto/Eduardo Gomes

Trabalho de muitas mãos

O início do programa foi marcado pela colaboração de vários setores governamentais e não governamentais para atrair as pessoas que necessitavam ser alfabetizadas. Ainda segundo Evaldo Viana o grande desafio é que as pessoas não só tenham só tenham acesso aos serviços, mas que aprendam de fato a ler e escrever.

“O Quero Ler chegou às aldeias indígenas, às igrejas, às associações de moradores. Todos participaram e continuam participando da mobilização para garantir que a comunidade tenha acesso ao programa e realmente possa aprender a ler. Nosso segundo desafio é para que as pessoas ingressem na Educação de Jovens e Adultos [EJA], não voltando a ser analfabeto funcional”, relembrou o secretário adjunto.

O programa é executado desde o último ano com um investimento de R$ 42 milhões do governo do Estado, com apoio do Banco Mundial. Já foram alfabetizadas cerca de 51 mil pessoas até o momento, e para a próxima etapa, o governo busca o investimento de mais R$ 15 milhões no EJA, dando continuidade ao aprendizado. O Quero Ler é uma ousadia do governo de Tião Viana para que o Acre se torne o primeiro estado brasileiro a declarar o fim do analfabetismo.