Macri é recebido no Palácio do Planalto por Bolsonaro

É a primeira visita oficial de um chefe de Estado depois da posse

O presidente argentino, Mauricio Macri, chegou por volta das 10h30, ao Palácio do Planalto onde se encontra com presidente Jair Bolsonaro. É a primeira visita oficial de um chefe de Estado desde a posse de Bolsonaro, no dia 1º de janeiro.

A cerimônia oficial de chegada de Macri contou com a revista às tropas e a subida da rampa do Palácio do Planalto, onde foi recepcionado por Bolsonaro. Depois dos cumprimentos para as fotos no Salão Nobre, houve a apresentação das delegações.

Bolsonaro e Macri têm um encontro privado na sala de audiências no terceiro andar. Em seguida, haverá reunião ampliada com os ministros e outras autoridades dos dois países. O último compromisso no Planalto é uma declaração à imprensa.

Em seguida, os presidentes seguem para o Palácio Itamaraty, onde será oferecido um almoço a Macri por Bolsonaro.

Mais cedo, Bolsonaro disse no Twitter que a reunião com o presidente argentino é uma “grande oportunidade” de estreitar as relações com o país vizinho.

“Hoje, às 10h30, receberei o presidente da Argentina, Mauricio Macri. É a primeira visita oficial de um chefe de Estado ao Brasil desde a minha posse. Uma grande oportunidade de reforçar os laços de amizade com essa nação-irmã!”, disse Bolsonaro na rede social.

Negociações para acordos bilaterais, além de medidas de flexibilização do Mercosul (bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, uma vez que a Venezuela está suspensa momentaneamente) e a crise na Venezuela estarão na pauta da conversa entre os presidentes.

Os acordos deverão ser negociados nas áreas de comércio, combate ao crime organizado e corrupção, indústria de defesa, desenvolvimento espacial, energia nuclear e dinamização do comércio bilateral.

Macri admite que Argentina precisa de apoio externo e recorre ao FMI

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, vai recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de apoio externo para equilibrar a situação financeira do país.

Em pronunciamento nesta terça-feira (8), em rede de televisão, Macri disse que as políticas econômicas adotadas em dois anos e cinco meses de governo são o único caminho possível para sair da situação de “estancamento” que herdou da antecessora Cristina Kirchner.

Macri admitiu que a Argentina é um dos países “que mais dependem de financiamento externo” e que foi afetada pelas recentes mudanças no cenário internacional, com os aumentos do preço do barril de petróleo e da taxa de juros norte-americana e a valorização do dólar norte-americano frente a outras moedas.

Na sexta-feira (4) o Banco Central argentino elevou as taxas de juros de referência de 33,25% para 40%, para atrair de volta os investidores e conter a disparada de dólar. Na Argentina, qualquer aumento no valor do dólar costuma ter impacto sobre a inflação, que continua alta (cerca de 25% ao ano).

Em entrevista coletiva, após o pronunciamento de Macri, o ministro da Economia, Nicolas Dujovne, disse que já conversou com a diretora executiva do FMI, Christine Lagarde, sobre a possibilidade de um “empréstimo preventivo”, a taxas mais baixas que as do mercado. Economistas independentes estimam que o valor deve ficar em torno de US$ 20 bilhões, mas o governo ainda não falou de cifras, nem sobre quais seriam as condições.

Dujovne afirmou apenas que manterá a política gradualista de cortar o alto déficit público, que equivale a 6% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). O governo considera politicamente inviável adotar medidas drásticas para recuperar a economia, mesmo após a grande crise de 2001.

Desde que o país começou a se recuperar, no governo de Nestor Kirchner (2003-2007), até a chegada de Macri ao poder, a Argentina tem assumido postura contrária às políticas de ajuste impostas pelo FMI como condição para concessão de empréstimos a países em dificuldades.

“O FMI hoje não é o mesmo de antes”, disse Dujovne, ao lembrar que vários países desenvolvidos recorreram ao fundo para superar crises, sobretudo nos anos de 2008 e 2009. “O fundo aprendeu com as lições do passado e, de fato, Christine Lagarde, apoiou o programa gradualista da Argentina”,destacou Dujovne. De acordo com o ministro, o empréstimo garantirá que o governo continue tendo fundos para financiar programas sociais e crédito a pequenos produtores.

Falta liderança, diz economista

“Recorrer ao FMI é um sinal de que falta liderança no país, mostra que a Argentina é vulnerável e precisa de apoio externo para acabar com os excessos nos gastos públicos”, disse o economista Guillermo Nielsen, em entrevista. Ex-secretário de Finanças nos governos de Eduardo Duhalde ( 2002-2003) e Nestor Kirchner, Nielsen foi o responsável pela renegociação da divida externa argentina, apos a moratória de 2001.

Ele negociou os dois últimos acordos com o FMI, em 2003 e 2005. Desde então, a Argentina pagou toda a dívida com o fundo para não ter de adotar as receitas econômicas da instituição, que muitos argentinos consideram responsável oela crise de 2001. Sem acesso aos mercados internacionais, a Argentina pôde se financiar durante uma década com as exportações, aproveitando o auge nos preços das commodities (produtos primários com cotação internacional).

O economista Alan Ciblis, da Universidade de General Sarmiento, por sua vez, apontou como um dos principais problemas da economia o fato de que, com Macri, o país voltou aos mercados internacionais, mas passou a se endividar muito. Em entrevista, Ciblis enfatizou que a dívida equivale a 60% do PIB, e a maioria é em dólares.