Latam Brasil pede recuperação judicial nos Estados Unidos

A companhia aérea Latam Brasil a anunciou nesta quinta-feira (9) que pediu recuperação judicial nos Estados Unidos. O grupo Latam já havia solicitado proteção contra falência no país em maio, mas à época deixou de fora as filiais de Argentina, Brasil e Paraguai.

Em seu comunicado, a empresa afirma que “o ambiente externo ainda não dá sinais fortes de recuperação” e que aderir ao Capítulo 11 da lei americana de falências “é a melhor opção para a Latam Airlines Brasil ter acesso às novas fontes de financiamentos”. A norma prevê um processo similar ao da recuperação judicial brasileira.

A Latam Brasil é disputa a liderança do mercado de aviação doméstica no Brasil com a Gol, e é a companhia que mais fazia voos internacionais até o início da pandemia. A filial brasileira é a principal operação do grupo, e representa cerca de metade do seu faturamento.

No acumulado deste ano até maio, a companhia liderou o mercado em número de passageiros pagos transportados, com 32,8% do mercado, ante 30,5% da Gol e 24,17% da Azul. O segmento como um todo, no entanto, sofreu queda de 41,4% no total de passageiros, na comparação com o ano passado.

A empresa vai continuar operando no Brasil, de acordo com o comunicado. A Latam Brasil negocia com sindicatos uma reestruturação de seu quadro de funcionários para cortar custos e um pacote de socorro junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Os débitos listados no pedido inicial de recuperação judicial da holding somam cerca de US$ 18 bilhões (R$ 96,2 bilhões no câmbio atual), o que a empresa disse à época representar 95% de seu passivo total.

Em maio, a Latam Brasil disse à Folha que a decisão de deixar a filial brasileira oficialmente fora da reestruturação do grupo nos EUA foi influenciada pelas negociações com o BNDES.

O presidente da empresa, Jerome Cadier, afirmou à época que a expectativa era de que os recursos do banco chegassem à companhia em julho, mas o negócio não avançou.

Enquanto o setor queima caixa com os aviões parados em meio à pandemia do novo coronavírus, ainda há pontas soltas na negociação do plano de socorro desenhado pelo BNDES.

No segmento, o recurso prometido, de até R$ 2,4 bilhões para todo o segmento, é visto como insuficiente. Dentro do próprio governo, a pasta da infraestrutura concorda que o montante é pouco e que a liberação do dinheiro está demorando, mas a equipe econômica é reticente em liberar mais dinheiro.

A operação argentina, que havia ficado de fora do pedido de recuperação judicial inicial, foi encerrada em junho.

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Ações da Latam derretem com pedido de recuperação judicial nos EUA

As ações da Latam negociadas na Bolsa de Santiago do Chile chegaram a cair 52,5% nesta terça-feira (26), após a companhia entrar com pedido de recuperação judicial nos EUA, incluindo afiliadas no Chile, Peru, Colômbia e Equador. As afiliadas de Argentina, Brasil e Paraguai não foram incluídas no pedido de proteção contra falência.

A Latam informou a decisão na madrugada desta terça, via comunicado ao mercado. Logo na abertura do pré-mercado americano (negociações de ações entre 4h e 9h30 da manhã de Nova York), as ADRs (recibos de ações que são negociados nos Estados Unidos) da companhia despencaram e chegaram a cair 45%, encerrando as negociações em queda de 40%, a US$ 1,55.

Aviões da Latam Brasil estacionados em São Carlos (SP). O grupo entrou com pedido de recuperação judicial nos EUA, sem incluir a afiliada brasileira
Aviões da Latam Brasil estacionados em São Carlos (SP). O grupo entrou com pedido de recuperação judicial nos EUA, sem incluir a afiliada brasileira – Eduardo Knapp/Folhapress

No horário de negociação regular de Nova York, as ADRs da Latam tiveram sua compra e venda suspensa até que a companhia divulgue maiores detalhes sobre o pedido de recuperação judicial aos acionistas.

Na Bolsa de Santiago do Chile, onde a companhia é originalmente listada, as negociações ficaram suspensas até 12h do horário local. Na abertura, caíram 52,5% e as transações foram paralisadas. Por volta das 13h50, no horário de Brasília as ações caem 25%.

Os mecanismos de suspensão das negociações são uma forma das Bolsas protegerem os acionistas e a companhia de movimentos muito bruscos, como quedas abruptas.

No Brasil, as ações do setor aéreo foram impactadas. A Gol recua 2,3% e a Azul, 3,7%.

A Azul anunciou nesta terça o cancelamento de um voo extra que faria aos Estados Unidos na quinta (28), antes da medida que impede a entrada de estrangeiros vindos do Brasil no país entrar em vigor. A medida, porém, foi antecipada para esta quarta (27), o que levou a companhia a cancelar o voo.

O mercado acionário, por outro lado, vive mais um dia de alta. O Ibovespa sobe 0,4%, a 86 mil pontos. O dólar recua 1,5%, a R$ 5,3720.

Em Nova York, Dow Jones sobe 2,6%, S&P 500, 1,6% e Nasdaq, 1%.

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