Jornalista Vinicius Dônola promove contação de história

O jornalista e escritor Vinícius Dônola promoveu nesta quarta-feira, 5, uma contação de histórias a duas turmas do 3º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Bacurau, na Vila Betel.   A contação foi baseada no livro ‘Histórias do Pequeno CO2’, lançado em Rio Branco no final de 2013 e com previsão de relançamento em 2019.

Vinicius Dônola conta que a inspiração para escrever Histórias do Pequeno CO2 surgiu após uma viagem de trabalho a Xapuri. Pelo caminho, o jornalista ia observando o grande número de castanheiras morrendo nas pastagens, o que gerou intensa comoção e vontade de escrever sobre o tema. Descobriu, nessa viagem, que é a abelha mangangá a responsável por garantir as gerações seguintes de castanhais. Essa abelha – contou Dônola- às crianças, sofre com a derrubada das árvores que vivem no entorno das castanheiras, usadas por ela chegar ao topo e promover a polinização.  “A mangangá precisa de outras árvores para chegar até a copa da castanheira”, contou o jornalista.

O “CO2” é um menino molécula que vive na casca de uma castanheira, tem muito medo de ser transformado em fumaça e ser mandado para uma prisão que envolve o planeta Terra. A contação da história do Pequeno CO2 teve intensa participação dos pequenos estudantes, que fizeram perguntas e intervenções que deixaram Vinicius Dônola impressionado. O jovem Rafael, por exemplo, quis saber se a mangangá come as castanhas no chão. Vinicius explicou que elas precisam voar até a copa se alimentar e polinizar as flores da castanheira.

O secretário Márcio Batista avaliou o evento como essencial para fortalecer o ludismo através da literatura. “Alimenta o interesse pela leitura a partir da presença do escritor e jornalista”, observou o secretário.

Vinicius Dônola se diz “apaixonado” pelo Acre e que segue se inspirando no universo cultural do Estado para compor suas obras. Ele estará na abertura do Prêmio Jorge Said de Comunicação, que acontece nesta sexta-feira, 7, às 20h no buffet Afa Jardim.

Participaram do evento o secretário de Educação de Rio Branco, Marcio Batista, gestores da Secretaria Municipal de Educação (Seme) e a diretora da Escola Francisco Bacurau, Rosângela Fonseca.

Resgate da história: Unesco vai ajudar na remoção de escombros do Museu Nacional

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, começa a receber amanhã (10) tapumes em seu entorno para que sejam iniciadas as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura.

Há uma semana, o prédio foi atingido por um incêndio de grandes proporções que destruiu a maior parte de seu acervo de 20 milhões de itens. Neste domingo (9), o acesso aos jardins do palácio já estava fechado para a imprensa.

A vice-diretora do Museu Nacional Cristiana Serejo confirmou à Agência Brasil que, na próxima terça-feira (11), começam a chegar no Rio técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que vão auxiliar nos trabalhos. De acordo com Roberto Leher, o reitor da UFRJ, instituição a qual o Museu é vinculado, a Unesco ofereceu especialistas que já trabalharam em tsunamis e outros desastres para ajudar na remoção dos escombros.

Com a colocação dos tapumes, começam as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura e permitir mais buscas nos escombros na tentativa de localizar peças do acervo que tenham escapado do fogo. Uma equipe de especialistas, sob o comando de arqueólogos do museu realizará esse trabalho, com apoio de engenheiros contratados para garantir a segurança nos escombros.

De acordo com Cristiana, o grupo de especialistas é formado também por museólogos do Instituto Brasileiros de Museus (Ibram) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e já está trabalhando no interior do prédio.

Ela explicou que os trabalhos ocorrem em duas frentes: uma estrutural e uma de resgate do acervo. A expectativa é de que no decorrer dessa semana, sejam liberados R$ 10 milhões do Ministério da Educação para ações emergenciais na segurança do prédio. A UFRJ já está fazendo um termo de referência, com a relação dos serviços mais necessários nessa etapa emergencial.

Segundo Cristiana Serejo, o museu vai aceitar também doações de outras instituições. Contatos com essa finalidade já estão sendo feitos pela direção do museu. “O Museu Nacional está tentando se organizar”, afirmou a vice-diretora.

Na manhã deste domingo, um cursinho pré-vestibular da cidade promoveu um aulão nas imediações do museu sobre a história e as memórias da instituição, fundada em 1818. Aos alunos foi pedido que levassem fotos e lembranças do museu. A aula foi aberta para todos que estavam visitando a Quinta da Boa Vista, neste domingo

Durante a aula, professores contaram a história do prédio onde funcionava o museu, como foi sua criação e como se formou seu acervo. Em seguida houve um debate crítico sobre como estão a educação e a cultura no Brasil.

“Cada peça do museu tinha sua história e ela provocava histórias diferentes. Quem foi lá e viu uma múmia, um dinossauro, tem uma história diferente para contar, porque é uma relação pessoal das pessoas com aquele acervo”, disse à Agência Brasil o professor de história do cursinho, Tadeu Lemos

O estudante Luís Henrique Gomes da Costa compareceu ao aulão. Ele contou que visitou o Museu Nacional pela última vez quando era criança. “Gostaria de ter entrado aí mais vezes”, lamentou. Ele se lembra com saudade da parte egípcia do museu, que tinha as múmias; do meteorito na entrada e de alguns fósseis.

A professora do curso Fernanda Lacombe ressaltou a necessidade de não deixar cair no esquecimento a história e a memória do Museu Nacional. Segundo ela, as aulas continuarão a ser dadas não mais durante as visitas ao museu, mas em outros locais: “É uma forma de resistência também, porque o museu queimou, perdeu-se muita coisa, mas a gente continua vindo e deixando claro o que significou a perda dele para os alunos”.

Tião Viana lembra história de luta de Wilson Pinheiro

“O compadre Wilson só conscientiza nós para nunca sairmos das nossas colocações de seringa naquela época, porque vivíamos daquilo. Ele também era seringueiro e não queria que nós viéssemos para as periferias das cidades, pois poderíamos perder até a própria família”, esse é o depoimento de Otávio Nogueira sobre o líder Wilson Pinheiro, seu compadre.

Em Brasileia, nesta sexta-feira, 20, o governador Tião Viana homenageou a história de luta deste líder com a entrega do novo Memorial Wilson Pinheiro. O espaço que tinha ainda as marcas do assassinato de Wilson, passou por duas enchentes e foi revitalizado pelo governo do Estado. Hoje é um espaço de memória e faz parta da sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia.

A solenidade de inauguração contou com a presença de diversos amigos e companheiros de Wilson, estando esses senhores e senhoras claramente emocionados em lembrar os últimos minutos do líder, relatados pela filha Iamar Pinheiro e o médico Tufi Saad Filho.

“Wilson e todos os seus companheiros simbolizavam a busca da paz. Ele foi covardemente assassinado, mas sua luta inspirou e gerações foram capazes de construir um Acre melhor, onde todos possam estar mais próximos e pensar em uma grande união em direção ao futuro. Nosso projeto de governo defende a vida”, declarou o Tião Viana.

O governador falou ainda da importância que é o novo espaço para que a juventude conheça a história acreana. “Quando a gente olha a história com a devida serenidade em busca de entender cada detalhe, se torna capaz de olhar para o futuro e fazer o melhor. Aqui é a memória de um povo que dizia não à violência, dizia assim as relações humanas as relações de comunidade, queria um desenvolvimento correto”, disse.

Iamar, em nome de toda a família, agradeceu o empenho do governador Tião Viana em garantir a reconstrução do espaço. “A memória do WIlson está viva em mim todos os dias, mas outros que estão chegando agora e precisam conhecer a história do Acre e do Brasil poderão ver aqui neste espaço. Hoje, fico tão feliz, de ver o governador Tião Viana, com todo o seu carinho pelo Acre, estando aqui para inaugurar uma história que tem que continuar viva, a história dos trabalhadores”, declarou.

“O espaço está sendo entregue como um local de memória acreana, o governo do Estado devolve assim para a população. O Memorial Wilson Pinheiro tem a relevância de ser o espaço berço de todo essa resistência dos trabalhadores da floresta”, afirmou Karla Martins, presidente da Fundação Elias Mansour, órgão responsável pela revitalização, junto com a Secretaria de Obras do Estado e apoio do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird). A obra foi orçada em mais de R$ 156 mil.

A prefeita de Brasileia, Fernanda Hassem, também agradeceu a entrega do memorial, lembrando que é “preciso trazer todos os jovens aqui. Precisamos entender que este espaço é de todos nós, contém a história da nossa cidade e nosso povo”. No local, terá uma exposição permanente com relatos e objetos pessoais, além de também estar junto da sede do sindicato.

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História de Wilson

Wilson Pinheiro foi líder do “Mutirão contra jagunçada”, episódio em que centenas de trabalhadores marcharam contra bandidos que ameaçavam os posseiros da região. Fundou também o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia e foi membro da Comissão Municipal Provisória do Partido dos Trabalhadores na cidade.

Foi assassinado na sede do sindicato – que posteriormente virou o Memorial Wilson Pinheiro – em 21 de julho de 1980, a mando de latifundiários da região. Inspirou várias outras lideranças trabalhadoras, como Chico Mendes, que começou a luta sindical com Wilson.

Inspirou também o ex-presidente Lula, que se fez presente em seu velório e declarou a famosa frase “está na hora da onça beber água”, que causou sua prisão em plena Ditadura Militar.

Mas seu compadre Otávio, hoje com 86 anos, resume melhor o que foi este líder: “Ele queria lutar para que educação e saúde chegassem lá na nossa colocação, lá onde vivíamos. Junto, em mutirão, ele nos ensinava a abrir ramal e acreditar na terra, porque foi Deus que a fez para nós tirarmos o que precisamos. Nunca sair da terra, o Wilson pedia até pelo amor de Deus”.

Você faz parte desta história

É construída a diversas mãos a história da FIEAC. Nenhuma instituição atravessa três décadas, com o vigor e a vitalidade crescentes na mesma proporção se não fossem o entusiasmo e a disposição daqueles que a apoiam. E este apoio não está restrito somente aos colaboradores, que são muitos e preciosos, nem aos diretores e empresários aos quais a instituição tem o compromisso de amparar. A Federação das Indústrias do Estado do Acre encontrou na população acreana um berço esplêndido. Nasceu, no dia 7 de julho de 1988, pela vontade e persistência de pessoas que enxergaram o valor que uma entidade cuja missão é contribuir para o desenvolvimento de um estado poderia agregar a um setor ainda embrionário.

Pode-se enxergar na aceitação da comunidade o sucesso alcançado pela instituição. Quer seja atendendo aos chamamentos, participando e aproveitando todas as oportunidades de se elevar o debate acerca da potencialização da indústria local e, consequentemente, de todo o setor produtivo, quer seja interagindo conosco na era das redes sociais, a população acreana tem demonstrado que todo o esforço realizado em direção à prosperidade da nossa economia não tem sido em vão. Isso é fundamental para a longevidade das atividades e da própria vida útil desta importante instituição.

São 30 anos de intensos debates e de luta para melhorar o ambiente de negócios, gerando assim mais empregos e renda; propondo medidas e aperfeiçoamento de leis que estimulem a competitividade das nossas empresas; realizando capacitações empresariais; qualificando mão-de-obra para a indústria com ações de educação profissional, como a Caravana do Desenvolvimento – que já formou milhares de pessoas em diversos municípios; elaborando projetos com vistas à atração de investimentos, capital e políticas públicas, como o Arco do Desenvolvimento; implantando o Condomínio Sindical, a fim de otimizar a gestão dos 10 sindicatos filiados à instituição; estimulando a inovação e incentivando a exportação, por meio do Centro Internacional de Negócios, dentre inúmeras outras atuações em que obtivemos grandes resultados.

Para que todas essas atividades fossem bem-sucedidas, como de fato são, a sociedade acreana precisava apostar junto conosco. Do contrário, a FIEAC seria apenas uma voz solitária ecoando em uma terra árida, sem retorno. Sem frutificar. No entanto, ocorreu justamente o contrário. A instituição foi recebida de braços abertos e é reconhecida como entidade líder na representatividade do setor empresarial acreano. Isso só foi possível porque aqueles a quem defendemos e a comunidade em geral acreditaram na lisura de nossos objetivos, que, de igual modo, correspondem aos seus – o desenvolvimento sustentável do Acre alinhavado pelo fortalecimento da economia.

Para a concretização deste sonho, ainda há um longo caminho pela frente. Mais longe já estivemos, é fato, mas é preciso ir além, sempre com a certeza de que a semente plantada em uma terra boa e fértil como é o Acre renderá bons frutos. Até aqui, já tivemos boas colheitas e o futuro é promissor. Que venham mais 30 anos de muito trabalho e união, pois estamos todos de parabéns!


* Presidente da FIEAC em exercício

Gilda é boa de remo

Gilda Oliveira Feitosa, de 40 anos, mora a menos de dez metros do trabalho, na beira do barranco do rio Acre, no bairro Cidade Nova. A catraia dela é o ganha-pão. Cedo, por volta das 4h, acorda, faz o café, despede-se dos três filhos e do marido e se acomoda na popa da canoa à espera dos passageiros: uma dezena de trabalhadores braçais da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos a caminho da sede, na baixada da Sobral.

Cada um vai pagar R$ 1,25. Com quatro dúzias de remadas, Gilda une, em três minutos, um extremo ao outro da cidade, num ofício que começou ainda na década de 1920, quando pontes e transportes terrestres sequer eram pensados pelos administradores da época.

Se os servidores da Secretaria de Serviços Urbanos, os passageiros de Gilda, optassem pelo ônibus coletivo, teriam de ir para o centro da capital e pegar outro ônibus até a Sobral, num percurso que duraria no mínimo uma hora.

– Por isso, eu me sinto útil sendo catraieira. Não tive muito estudo, mas Deus me deu a oportunidade de uma profissão que contribui para que as pessoas vão e voltam para suas casas. Isso é importante, não é?

E não é só isso: Gilda gaba-se de ter ajudado muitos enfermos a chegar à Unidade de Pronto Atendimento da Sobral. Crianças com febre, mulheres com enxaquecas e até homens feridos a faca, em brigas de bebedeiras já se utilizaram do barco dela.

Há três meses, a catraia foi roubada. Numa madrugada de nevoeiro, antes mesmo da trabalhadora se levantar, foi-se a sua primeira embarcação.

– Fiquei muito triste, mas não me desanimei. Estou juntando tudo que é moeda pra mandar fazer uma catraia nova. É bola – ou melhor – remada pra frente.

O novo barco vai custar R$ 1,7 mil. As pranchas, ela já tem. Conseguiu com a ajuda do esposo, Aldecir Freitas da Silva, de 38 anos, nas corridas pela cidade como mototaxista-viração.

Por enquanto, as peças de madeira estão sendo usadas pra finalidade igualmente nobre: servem de assentos para os cultos evangélicos que Gilda ministra quando não está trabalhando na canoa improvisada. Sua igreja evangélica, a Água Viva, tem sede em Porto Acre. Mas ela criou um núcleo da denominação em sua casa.

– Aqui a gente ora e aqui a gente ajuda gente a ser gente do bem com a obra do Senhor.

Mas se aborrece numa coisa:

– Gostaria que a prefeitura fizesse a contenção do barranco que o esgoto quebrou. Eles estiveram aí, mas não fizeram nada ainda e o barranco está caindo.

– E para aproveitar que estou sendo entrevistada, peço a vocês, meninos da ‘reportage’, que digam ao prefeito que estamos com saudades da Catraiada.

Gilda não é fraca não. No remo, já ganhou três edições da que tão popular Regata de Catraias, que não existe mais.

– Ganhei 600 contos numa, e na outra, nem me lembro mais quanto. Quanto foi mesmo, menino? Tenho até troféu, olha.

E diga aí, qual o segredo de remar tão bem?

– Foram nas águas do rio Acre, no São Luís do Remanso. Aprendi lá. No seringal, eu era mais feliz. Mas aqui tá bom, por enquanto.

O seringal onde nasceu fica em Capixaba, a 80 quilômetros de Rio Branco, às margens do Acre.

E Gilda, assim como muitos outros profissionais do remo, encontra na voz de Da Costa, um ícone da música popular acreana, a sua maior homenagem. O refrão é assim: Catraieiro, rema, me leva pro lado de lá, menino segura o remo, não deixa a catraia virar, que eu não sei nadar.

Mas ela garante: – Comigo, o remo não cai n’água nunca, nem meus passageiros. Marrapaz!