Como a pressão pré-vestibular afeta estudantes, fisicamente e psicologicamente

Neste domingo (24) estudantes de todo o país estarão concentrados na primeira fase da Fuvest. O termo “vestibular” faz referência a “vestíbulo”, o mesmo que a entrada de um edifício. A prova vestibular, portanto, é a prova “de entrada” para a universidade – e ironicamente, no Brasil, o vestibular é muito mais uma porta de saída. Isso porque a maioria dos estudantes que presta vestibular para uma faculdade ou universidade pública não conquista a vaga – há menos vagas do que concorrentes na maioria dos cursos.

É, portanto, um desafio cujas chances estão contra o estudante. E a expectativa, a autocobrança e a pressão social envolvidas nessa questão frequentemente têm efeitos psicológicos e físicos que afetam o desempenho do aluno na prova.

AS DIMENSÕES FÍSICAS DA ANSIEDADE


Há uma série de dilemas relacionados à vida do vestibulando que se somam na construção de um estado de estresse, de acordo com especialistas.

O ensino médio brasileiro e parte do fundamental têm a grade curricular e o conteúdo voltados para a preparação para o vestibular. Estudantes dedicam, portanto, anos de suas vidas escolares se preparando para o dia da prova – e a importância que isso atribui ao teste gera uma expectativa que pode levar à ansiedade.

Há também o momento hormonal e social turbulento pelo qual passa o indivíduo na adolescência, somado à necessidade de escolher uma profissão e, portanto, os rumos de sua vida adulta, em muitos casos, aos 17 anos.

Junte isso ao medo da reprovação e o resultado é um adolescente confuso, inseguro sobre suas escolhas e, como consequência, possivelmente ansioso não apenas na hora do vestibular, mas também nos meses que o antecedem.

Um estudo publicado em 2003 por pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina entrevistou cerca de 400 vestibulandos e identificou que mais da metade deles sente, nos meses anteriores à prova, dificuldade frequente de concentração. Pelo menos um terço reporta também inquietação, dores de cabeça e musculares.

São sintomas de estresse e ansiedade, o último um estado emocional que aparece como reação a uma situação percebida de perigo e provoca problemas físicos no corpo. Como efeitos mais comuns, pode gerar confusão mental, dificuldade de memorização e concentração, tremores, taquicardia e suor excessivo, por exemplo.

Os estudantes apontaram como principais geradores de ansiedade o medo da reprovação, a quantidade de conteúdo para estudar e o número reduzido de vagas públicas no ensino superior.

Condições específicas adicionam outros fatores que podem causar problemas psicológicos. Um estudo de 2010 de pesquisadoras da Universidade Gama Filho e da Universidade Salgado de Oliveira, no Rio, demonstrou que meninas são mais suscetíveis à ansiedade pré-vestibular do que os meninos. O estudo não investigou as razões por trás dessa diferença.

No caso específico de estudantes de escola pública, uma outra consequência de um sistema educacional e mercadológico que tem foco no vestibular é a queda na autoestima.

“Eles não têm segurança no ensino que recebem. Grande parte não estuda o conteúdo que precisa, não tem professores de várias disciplinas ao longo do ano e sofre com a desorganização curricular da escola. É natural que desacreditem na própria capacidade de chegar ao ensino superior”, disse Mozart Neves Ramos, então membro do Conselho de Governança do Todos Pela Educação e do Conselho Nacional de Educação, em uma entrevista ao portal IG em 2013.

NA HORA DA PROVA


Uma crise de ansiedade na hora da prova é uma situação ainda mais difícil de ser controlada, já que ela pode se retroalimentar – com medo de que a ansiedade o atrapalhe, o estudante fica ainda mais ansioso. Especialistas são unânimes na tese de que os efeitos da ansiedade afetam o desempenho do estudante.

Nos cursinhos pré-vestibulares, professores reiteram a necessidade de relaxar na véspera, por exemplo, e dão dicas de respiração e meditação para ajudar os alunos a controlarem a ansiedade e o nervosismo – e impedir que eles impeçam que o estudante demonstre o conhecimento que adquiriu na hora H.

As principais recomendações de especialistas sugerem atividade física em quantidades moderadas, uma maneira eficiente de diminuir a ansiedade.

Também indicam que o estudante defina estratégias prévias para resolver as questões da prova, se alimente de maneira equilibrada e saudável e diminua o ritmo dos estudos nos dias que antecedem o exame.

nexojornal

FOTO: CEFET-MG/DIVULGAÇÃO