Embrapa e Funai firmam cooperação para trabalhos em Terras Indígenas do Juruá

As parcerias institucionais têm contribuído para fortalecer a agricultura e outras atividades produtivas em territórios indígenas acreanos. Para ampliar essas ações, a Embrapa Acre (Rio Branco) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio da Coordenação Regional do Juruá (CR/Juruá), sediada em Cruzeiro do Sul, firmaram Acordo de Cooperação Técnica para execução de atividades conjuntas de pesquisa e transferência de tecnologias em cinco Terras Indígenas (TI) da região. O Plano de Trabalho, assinado em setembro (17), tem vigência para três anos e pode ser prorrogado pelo mesmo período.

A cooperação prevê ações para melhoria da produção agrícola, uso sustentável de recursos naturais e geração de renda, entre outras demandas das Terras Indígenas Poyanawa, Kaxinawá de Nova Olinda, Rio Gregório, Nukini, Jaminawa-Arara do Igarapé Preto e Kampa do Rio Amônea. Além disso, poderá contemplar atividades pontuais e emergenciais de outros povos indígenas nos municípios sob a responsabilidade da Funai no Juruá (Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Jordão, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Valter e Marechal Thaumaturgo). A identificação dessas necessidades terá início em 2019.

Eufran Amaral, chefe-geral da Embrapa Acre, ressalta que a parceria é resultado de um longo processo de negociação, baseado no atendimento de aspectos legais, procedimentos normativos e interesses convergentes e considera a assinatura do Acordo uma conquista para as duas instituições. “As Terras Indígenas são territórios complexos, com inúmeras possibilidades de atuação para a pesquisa. Podemos contribuir com tecnologias sociais para fortalecer diferentes atividades produtivas nas comunidades”.

No Juruá o trabalho abrange 29 Terras Indígenas, onde vivem 70% da população indígena do estado. De acordo com o coordenador regional do órgão, Luiz Valdenir Souza, somar esforços com outras instituições é uma forma eficiente de otimizar recursos, fortalecer as ações e ampliar a capacidade de trabalho. “Embora esse processo envolva uma série de exigências, de ambas as partes, é possível construir parcerias sólidas e duradouras. A cooperação com instituições de pesquisa pode contribuir para a implementação de atividades essenciais para as populações indígenas, relacionadas à segurança alimentar, uso adequado dos solos e dos recursos florestais, além de gerar subsídios para fomentar a política indigenista”, destaca.

Funai divulga imagens de índio isolado na Amazônia

A Fundação Nacional do Índio (Funai) divulgou imagens inéditas de um índio que vive isolado na Amazônia. A Funai observa o índio há 22 anos, planejando ações de vigilância do território onde vive e garantindo sua proteção contra ameaças externas.

Conhecido como o “índio do buraco”, ele é o último sobrevivente de sua etnia. De acordo com a Funai, na década de 80, a colonização desordenada, a instalação de fazendas e a exploração ilegal de madeira em Rondônia provocaram sucessivos ataques aos povos indígenas isolados, num constante processo de expulsão de suas terras e de morte.

Segundo a Funai, após o último ataque de fazendeiros ocorrido no final de 1995, o grupo do índio isolado que provavelmente já era pequeno (a partir de relatos, a equipe local acreditava serem seis pessoas) tornou-se uma pessoa só. Os culpados jamais foram punidos. Em junho de 1996, o órgão teve o conhecimento da existência e da traumática história deste povo, a partir da localização de acampamento e outros vestígios de sua presença.

Quando há a presença confirmada ou possível de povos indígenas isolados fora de limites de terras indígenas, a fundação se utiliza do dispositivo legal de Restrição de Uso (interdição de área), visando a integridade física desses povos em situação de isolamento, enquanto se realizam outras ações de proteção e tramitam processos de demarcação de terra indígena.

A atual delimitação da Terra Indígena (TI) Tanaru, onde vive o índio isolado, foi estabelecida em 2015, por meio de portaria que prorrogou a interdição de área por mais 10 anos. A área demarcada tem 8.070 hectares. As primeiras interdições de área ocorreram na década de 1990, logo após a confirmação da existência do indígena no local.

A partir da confirmação da presença do índio isolado, em 1996, a Funai realizou algumas tentativas de contato, mas logo recuou ao perceber que não era da vontade dele. A última tentativa ocorreu em 2005. Deste então, os servidores que o acompanham deixam apenas algumas ferramentas e sementes para plantio em locais que ele passa frequentemente. Por volta de 2012, o órgão registrou algumas roças de milho, batata, cará, banana e mamão plantadas pelo indígena, que vive basicamente desses alimentos e da caça.

Nos últimos 10 anos, a Funai realizou 57 incursões de monitoramento do indígena e cerca de 40 viagens para ações de vigilância e proteção da TI Tanaru.

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Índio da Terra Indígena Tanaru vive isolado na Amazônia – Foto/Acervo/Funai