Bancários arrancam proposta de aumento real da Fenaban

Após uma maratona de negociação com a Fenaban – um total de dez encontros, o Comando Nacional dos Bancários arrancou na noite do último sábado uma proposta de reajuste de 5% (aumento real de 1,18% sobre uma inflação do INPC projetada em 3,78%) nos salários e demais verbas (aumento real de 1,18%) este ano e 1% de ganho real (acima da inflação) em 2019. A proposta ainda mantém todas as conquistas da categoria sistematizadas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Após a apresentação da proposta da Fenaban, as negociações específicas do Banco do Brasil e da Caixa também avançaram na noite do último sábado (25). O BB apresentou proposta que garante todos os direitos e a Caixa propôs manter o Saúde Caixa e a PLR Social.

“Mesmo diante da conjuntura política e econômica difícil, com a resistência e a mobilização da categoria arrancamos uma proposta que garante a manutenção dos direitos conquistados, e que estão sistematizados na Convenção Coletiva, valendo tanto para bancos públicos como privados. Além disso, como sempre a unidade nacional garantiu aumento real de salários e de todas as verbas salariais por dois anos. Foram a mobilização e a unidade que forçaram os bancos a recuarem de sua tentativa de retirar direitos e, sobretudo, discriminar as mulheres bancárias, que são a metade da categoria”, avalia Cleiton dos Santos, presidente da Fetec-CUT/CN e integrante do Comando Nacional.

Assembleias

O Comando Nacional orienta a aceitação da proposta da Fenaban, Banco do Brasil e Caixa nas assembleias desta quarta-feira (29) em todo o país.

Outros avanços

Ainda foram garantidos avanços e, caso a proposta seja aprovada, os bancários terão direito a parcelar em até três vezes o adiantamento de férias que atualmente é descontado integralmente no mês posterior ao descanso.

A proposta também garante a manutenção dos direitos da CCT para os hipersuficientes. Esses trabalhadores, cerca de 91 mil na categoria que ganham mais de R$ 11.291,60, estariam expostos a negociar diretamente com os patrões e poderiam perder até a PLR, de acordo com a lei trabalhista de pós-golpe.

A oferta indica, ainda, a realização do terceiro Censo da Diversidade, levantamentos já realizados nos anos de 2009 e 2014, fundamentais para traçar o perfil da categoria e ajudar na promoção da igualdade de oportunidades.

Acima da média

Levantamento feito pelo Dieese, que levou em conta 2.896 acordos entre janeiro e junho, mostra que 78% deles tiveram aumento real, e a média foi de 0,94%. A força da categoria, na mesa de negociação com os bancos e nas mobilizações em todo o país, garantiu proposta de reajuste de 5% com aumento real de 1,18%.

Nova proposta mantém todos os direitos da categoria

• Volta a PLR integral para bancárias em licença-maternidade e afastados por doença ou acidente.

• Garante o parcelamento do adiantamento de férias em três vezes, a pedido do empregado.

• Mantém todos os direitos da CCT ao hipersuficiente (quem ganha mais de R$ 11.291,60).

• Mantém o direito ao adiantamento emergencial para quem tem recurso ao INSS por 120 dias (cláusula 65 da CCT).

• Realização do terceiro Censo da Diversidade, levantamento fundamental sobre o perfil da categoria para a promoção da igualdade de oportunidades.

• Está mantida a proibição da divulgação de ranking individual, prevista na cláusula 37ª da CCT, conquistada pela categoria como forma de reduzir a pressão por metas.

• Bancário demitido não precisará mais requerer o pagamento da PLR proporcional se tiver conta corrente ativa no banco; os demais terão prazo para solicitar o pagamento.

• Mantém o salário substituto (cláusula 5ª).

• Cláusula do vale-transporte volta a ser a conquista da categoria de 4% de desconto sobre o salário base.

• Os bancários e bancárias terão até 30 dias para apresentar o recibo para reembolso do auxílio-creche; os bancos queriam que esse prazo fosse menor, de 10 dias.

• Volta a cláusula que previa adicional de insalubridade e periculosidade (cláusula 10ª).

• Horário de almoço poderá ser flexibilizado de 15 minutos para 30 minutos na jornada de seis horas (exceto para teleatendimento e telemarketing).

• Mantém o vale-cultura (cláusula 69), como queriam os trabalhadores, para que o direito esteja garantido caso o governo retome o programa.

Fenaban não apresenta proposta, mas negociações prosseguem

Após a sétima rodada de negociação da campanha salarial dos bancários, ocorrida nesta sexta-feira (17), em São Paulo, segue o impasse entre patrões e empregados.

Com a proposta apresentada pela Fenaban, na semana passada, contemplando apenas a infração do período (set 2017/agos 2018) estimada 3,7%, o Comando Nacional dos Bancários abriu as negociações com os negociadores patronais informando que a proposta apresentada durante a última reunião não agradou a categoria, tanto que foi rejeitada em todas as assembleias.

Diante da cobrança do Comando Nacional dos Bancários, ficou acertado que as negociações continuarão na terça-feira 21 e só serão encerradas quando houver uma proposta de acordo ou se chegarem a um impasse, para, em qualquer dos casos, ser submetido à decisão das assembleias da categoria em todo o país.

Cleiton dos Santos deixou claro que qualquer proposta apresentada a categoria terá que contemplar os empregados dos bancos públicos, não somente do setor privado.

Sem grandes avanços nas negociações, o Comando convoca semana nacional de luta a partir da segunda-feira dia 20, para pressionar os banqueiros a apresentarem uma proposta global que contemple as reivindicações da categoria no encontro do próximo dia 21/8.

Fenaban apresenta proposta, mas não agrada aos bancários

Na quinta rodada de negociação entre Fenaban e Comando Nacional dos Bancários, a entidade patronal frustrou os representantes dos trabalhadores com uma proposta que contempla apenas a reposição da inflação, medida pelo INPC, para salários, pisos e demais verbas, como PLR, VA, VR e auxílio-creche/babá.

O presidente da Federação Centro Norte dos Bancários, Cleiton dos Santos, explica que a proposta apresenta nesta terça-feira (7) pelos bancos, setor mais lucrativo do país, não contempla as reivindicações dos trabalhadores, assim não descartado uma greve caso as partes não se chegue a um acordo.

O dirigente explicou ainda que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não trouxe respostas a outras reivindicações importantes da categoria, como manutenção dos empregos e a não adoção das novas formas de contratação previstas na reforma trabalhista, além de saúde bancária.

Proposta

Pela proposta da Fenaban, o acordo seria de quatro anos, com reposição da inflação a cada data base da categoria (1º de setembro). Para este ano, o reajuste seria de 3,90% (projeção do INPC entre 1º de setembro de 2017 e 31 de agosto de 2018). O Comando adiantou que acordo de quatro anos só com garantia de empregos.

Assembléias

Nesta quarta-feira (8) ocorrem em todo país assembléias para avaliação da proposta. O Comando Nacional dos Bancários orienta pela sua rejeição. Uma nova rodada de negociação entre as partes está agenda para o dia 17 de agosto, em São Paulo.

Bancários e Fenaban definem calendário de negociação

A segunda rodada de negociação da Campanha 2018, realizada na quinta-feira 12, definiu o calendário das próximas mesas. A terceira rodada será dia 19 de julho e debaterá saúde e condições de trabalho, as próximas serão em 25 de julho, sobre emprego, e no dia 1º de agosto serão discutidas as cláusulas econômicas.

Apesar de estabelecido o calendário de negociações, a Fenaban não assinou o pré-acordo para garantir a validade da CCT após 31 de agosto. Um dos pontos nocivos da reforma trabalhista de Temer (lei 13.467/2017) foi o fim da ultratividade, princípio que garantia a validade de um acordo coletivo até a assinatura de outro.

“Esperamos que a Fenaban realmente traga propostas concretas nestas negociações, porque a categoria já entregou a sua pauta no mês de junho, com bastante antecedencia. Após as três negociações esperamos já ter uma proposta final”, ressalta Ivone Silva, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A Fenaban se comprometeu a assinar um pré-acordo de ultratividade caso as negociações não avancem

Em 2017, os cinco maiores bancos [Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa] lucraram, juntos, R$ 77,4 bilhões, um crescimento de 33,5% em relação ao resultado que tiveram em 2016. E só nos primeiros três meses deste ano, os mesmos cinco já atingiram R$ 20,3 bilhões em lucro, aumento de 18,7% em relação ao mesmo período de 2017.

Reivindicações

Nesta campanha salarial os bancários reivindicam reajuste da inflação mais aumento real de 5% para salários e demais verbas, defesa dos empregos – com a proibição das demissões em massa –, das homologações realizadas nos sindicatos (para garantir que os bancários recebam tudo que lhes é devido em caso de demissão), a manutenção da mesa única de negociações entre bancos públicos e privados, e a defesa dos bancos públicos, que estão sendo desmontados e preparados para a privatização, também serão pontos centrais na Campanha 2018.