Internos da Casa de acolhida Souza Araújo prometem fechar a BR-364 em protesto por falta de recursos

Sem receber do Governo do Estado há oito meses a diocese de Rio Branco afirma não ter mais condições de sustentar a casa de acolhida Souza Araújo, local onde reside os portadores de hanseníase. Temendo um possível fechamento da unidade, os internos prometem fechar a BR-364 para cobrar uma solução do governo.

Em vídeo, os internos afirmam quem irão realizar um protesto no próximo dia 18 para pressionar o governo e relatam as dificuldades que tem enfrentado.

“Vamos fechar dia 18, já está todo mundo avisado. A Souza Araújo está prestes a fechar e não queremos isso porque é dever do governo nos assumir, e agora estão querendo tirar a responsabilidade”, comenta um dos internos.

Em outro trecho do vídeo, eles relatam que a Casa de acolhida está em falta de diversos insumos necessários para o acompanhamento dos doentes. Segundo os internos, está faltando gases, ataduras e até remédios.

“Eu como portador de hanseníase, quero dizer para o seu governador que nós também somos gente, que ele olhe por nós, porque quando foi para tirar nós de dentro das casas, que a polícia tirava e jogava aqui eles não pensaram, agora querem fazer isso conosco”, relata outro interno.

Atendendo pessoas com hanseníase no Acre há vários anos, a casa de apoio Souza Araújo, mais conhecida como colônia Souza Araújo, corre o risco de fechar as portas por causa da falta de repasse do governo do estado.

Os doentes afirmam ainda que a única coisa que ainda estão recebendo alimentação porque a diocese está garantindo, porém o estoque dura até 31 deste mês. Em fevereiro o jornal opinião alertou para a possibilidade de fechamento da Casa de acolhida na ocasião a assessoria de comunicação da instituição relatou as dificuldades.

Administração é feita pela diocese de Rio Branco

Há 50 anos, a administração do local é feita pela Diocese de Rio Branco. Segundo a assessoria de comunicação da Diocese o valor do repasse feito pelo governo é R$ 220 mil mensais, com os pagamentos atrasados há oito meses a dívida ultrapassa R$ 1 milhão.

“O último repasse foi feito no mês de julho do ano passado, desde de agosto não vem repasse nenhum para o Souza Araújo, isso significa dizer que estamos de agosto até agora fevereiro sem receber o recurso para manutenção do Souza Araújo’’, disse o padre Jairo Coelho.

O recurso repassado pelo governo é utilizado para manter o funcionamento da casa de acolhimento nas mais diversas atividades, desde de alimentação, remédios, transportes e para pagar os funcionários.

Segundo a Diocese, a Casa de Acolhida tem 90 funcionários, os trabalhadores foram pagos até o mês de dezembro, mas para tal, a Diocese teve que deixar de pagar fornecedores.

“Fornecedores estão sem receber, vamos ter que suspender alguns serviços, por exemplo, a questão de carros para transportar pacientes, vamos ter parar por falta de combustível”, afirmou à época padre Jairo.

De acordo com a Diocese, foram feitas algumas tentativas para solucionar o problema, tanto com a gestão passada quanto com o atual governo. “Já tentamos todo tipo de diálogo com o governo passado e com o atual, a reposta é sempre que vão verificar. Esse problema de saúde pública, nós estamos dando nossa contribuição administrando e a contra partida, o espaço utilizado é nosso”, disse o padre.

Resposta do governo

O governo do Acre através da assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde informou que deverá ser efetuado o pagamento referente ao mês agosto no valor de R$ 220 mil.

“A Sesacre já tem o recurso disponível para pagamento e aguarda o parecer da CGE para a realização da transferência. A previsão é que até sexta-feira o pagamento seja realizado”, informou.