Entenda a provável falha interna que derrubou o Facebook

DNS e BPG são protocolos que levam o conteúdo de sites a usuários e são apontados como estopins para o apagão da rede social, Instagram e WhatsApp

Os serviços do Facebook ficaram fora do ar globalmente por horas na segunda-feira (4). A pane afetou Facebook, WhatsApp e Instagram, começando por volta do meio-dia (horário de Brasília) e normalizando apenas no começo da noite.

A empresa não divulgou as causas oficiais do problema, e se limitou a emitir um comunicado oficial genérico. Mas especialistas em tecnologia apontaram que o estopim para o apagão provavelmente foram DNS e BGP, protocolos digitais que fazem com que os sites sejam exibidos para os usuários.

Neste texto, explica o que são esses protocolos e qual foi o impacto do apagão do Facebook.

Enviando o site para você


Todo site que você acessa tem pelo menos dois tipos de identidade: a real e a nominal.

A identidade nominal é aquela que você digita na barra de endereços do navegador, como, por exemplo “www.facebook.com”. A identidade real é como o site é identificado em seus servidores – no caso do Facebook, “69.63.176.13” e “69.63.181.15” são alguns deles.

O serviço de DNS (sigla em inglês para Sistema de Nomes de Domínio) é o protocolo que faz a ponte entre essas duas identidades, levando o site desejado até você. Para que essa trajetória aconteça, é necessário que os dados passem por um caminho em meio ao emaranhado de conexões na internet.

É aí que entra em cena o BGP (sigla para Protocolo de Entrada da Fronteira), uma espécie de GPS da internet. É ele que mostra qual é o caminho mais rápido para que o conteúdo seja entregue a você.

Nessa metáfora, a internet é uma série de cidades (os sites e plataformas) conectadas por grandes rodovias, pequenas estradas e pontes. O BGP vai determinar se é mais rápido chegar ao Facebook pela rodovia ou se, pelo trânsito intenso, é preferível optar pela estrada de terra menos movimentada.

No entanto, se há um problema de configuração, o GPS do protocolo fica confuso e acaba dizendo para o seu navegador que o melhor caminho para chegar na cidade desejada é dirigir em linha reta até um penhasco ou até o mar. Com isso, a ponte entre as duas identidades do site e o seu dispositivo ficam impedidas.

O posicionamento do Facebook


O Facebook emitiu um comunicado oficial na manhã de terça-feira (5). Embora não tenha apontado o DNS e o BGP como causas do problema, a empresa afirmou que uma falha interna gerou o apagão.

“Essa interrupção no tráfego de rede desencadeou um efeito cascata na maneira como nossos data centers se comunicam, interrompendo nossos serviços”, diz a nota.

“Agora, nossos serviços estão novamente online e estamos trabalhando ativamente para retornar totalmente às operações regulares. Queremos deixar claro neste momento que acreditamos que a causa raiz da interrupção foi uma falha na mudança de configuração. Também não temos evidências de que dados dos usuários tenham sido comprometidos como resultado desse tempo de inatividade”, completa a empresa.

O impacto do apagão


Com a pane, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, perdeu US$ 6 bilhões.

O empresário caiu uma posição no ranking de bilionários mantido em tempo real pela revista Forbes, passando a ocupar o sexto lugar entre as pessoas mais ricas do mundo com patrimônio agora avaliado em US$ 116,8 bilhões. À frente de Zuckerberg, aparecem Larry Ellison (Oracle), Bill Gates (Microsoft), Bernard Arnault (LVMH), Jeff Bezos (Amazon) e Elon Musk (Testla), o líder do ranking que detém uma fortuna de US$ 201,2 bilhões.

A paralisação nos serviços pertencentes ao Facebook foi a segunda crise enfrentada pela empresa em poucas semanas. Desde 14 de setembro, uma série de reportagens publicadas pelo jornal americano The Wall Street Journal abalou a reputação do Facebook ao mostrar que a empresa resistiu a adotar medidas para combater a desinformação entre 2018 e 2020 por temer que mudanças no algoritmo levassem à diminuição dos lucros.

A rede sofreu novo revés no domingo (3), quando a ex-funcionária Frances Haugen, que cuidava de projetos relacionados a eleições, disse em uma entrevista à emissora americana CBS News que foi responsável pela entrega de documentos que subsidiaram as reportagens. Ela, que presta depoimento no Senado dos EUA na terça-feira (5), disse que o Facebook escolhe “lucro em vez de segurança”.

Desde a publicação das denúncias, os papéis do Facebook se desvalorizaram 15% na bolsa de Nova York. A pane nos serviços acentuou as perdas ao longo de segunda-feira (4) e os papéis fecharam em queda de 4,9%.

O Facebook acumulou perdas de cerca de US$ 545 mil por hora em receita de publicidade apenas nos Estados Unidos durante a interrupção dos serviços, de acordo com estimativas da empresa de medição de anúncios Standard Media Index.

Pequenos empresários, que dependem do Facebook, do Instagram e do WhatsApp para trabalhar relataram os efeitos da pane.

“Hoje não tive venda. É como tirar a empresa da tomada”, disse ao jornal Folha de S.Paulo Murilo Ferraz, dono de uma loja virtual de produtos para animais de estimação.

“Hoje vai ser um dia perdido de vendas. Não fazemos iFood e Rappi e não temos loja física, então usamos o WhatsApp. Paramos de vender, e não estamos nem com o Instagram para poder direcionar os clientes para outro canal“, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo Ilana Pelosof, dona de uma confeitaria em São Paulo.

nexojornal

Moraes amplia multa ao Facebook e intima presidente da empresa no Brasil por não bloquear bolsonaristas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ampliou nesta sexta-feira (31) de R$ 20 mil para R$ 100 mil a multa diária aplicada ao Facebook por descumprimento da determinação de bloquear fora do país perfis de bolsonaristas que são alvos do inquérito das fake news.

Reconhecendo-se o descumprimento voluntário da determinação judicial, e ainda havendo interesse legítimo e necessário para seu cumprimento, dada a continuidade das condutas investigadas neste inquérito, elevo a multa diária”, afirmou o ministro.

A partir desta sexta, com a decisão de Moraes, a multa diária por descumprimento será de R$ 1,2 milhão —no total, 12 contas foram alvos do bloqueio.

No documento, o relator do inquérito das fake news informou ainda a existência de uma multa acumulada no valor de R$ 1,92 milhão em razão de oito dias sem cumprimento da ordem judicial. Nesse caso, considerando-se a multa de R$ 20 mil definida anteriormente.

O valor deverá ser pago em 15 dias, contados a partir da notificação.

O ministro determinou a intimação pessoal do presidente do Facebook no Brasil, Conrado Leister, para que ele recolha a multa pendente e cumpra a determinação quanto ao bloqueio no Brasil e no exterior das contas dos perfis bolsonaristas.

Moraes não descarta a responsabilização penal pessoal do representante do Facebook caso a ordem de bloqueio seja desrespeitada.

“Respeitamos as leis dos países em que atuamos. Estamos recorrendo ao STF contra a decisão de bloqueio global de contas, considerando que a lei brasileira reconhece limites à sua jurisdição e a legitimidade de outras jurisdições”, diz nota da assessoria de imprensa do Facebook.

Nesta quinta-feira (30), como informou o Painel, o Facebook decidiu que não cumprir a determinação de Alexandre de Moraes de tirar do ar internacionalmente os perfis de bolsonaristas que são alvos do inquérito das fake news no momento. A empresa recorrerá ao plenário do STF e, enquanto isso, manterá as contas no ar fora do Brasil.

A empresa acredita que o bloqueio de perfis internacionalmente a partir de uma instância de jurisdição local como o STF poderia criar um precedente danoso ao funcionamento da plataforma.

Caso juízes em diversos países do mundo decidissem ordenar a suspensão de conteúdos globalmente devido a contextos locais, o Facebook teria seu espaço de atuação bastante limitado, avaliam.

O Facebook suspendeu os perfis no Brasil desde sexta-feira (24).

Com a decisão, o Facebook adota estratégia diversa do Twitter, que tirou do ar os perfis no mundo todo. O Twitter também afirmou que recorrerá da determinação de Moraes.

Figuras como o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), Sara Giromini (conhecida como Sara Winter), o blogueiro Allan dos Santos e os empresários Luciano Hang (da Havan) e Edgard Corona (das academias Smart Fit), alvos de investigação no âmbito do inquérito das fake news, tiveram suas contas suspensas no Twitter.

folha

Sara, Jefferson, Hang e Allan têm contas suspensas no Twitter e Facebook

Apoiadores bolsonaristas foram suspensos do Twitter e Facebook nesta sexta-feira, 24, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

As contas e páginas do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), dos empresários Luciano Hang e Otávio Fakhoury, da extremista Sara Giromini, do blogueiro Allan dos Santos e de outros aliados do presidente Jair Bolsonaro estão fora do ar no Brasil.

O bloqueio temporário foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito das fake news – que apura notícias falsas, ofensas e ameaças contra autoridades. A medida foi justificada pela necessidade de ‘interromper discursos criminosos de ódio’ e solicitada ainda em maio, quando apoiadores do governo foram alvo de buscas em operação da Polícia Federal.

Segundo a reportagem apurou, Twitter e Facebook cumpriram a determinação, de dois meses atrás, e suspenderam as contas após serem intimados na quarta-feira, 22, pelo próprio Alexandre, sob multa de pena diária de R$20 mil em caso de descumprimento.

Na época, o ministro apontou ‘sérios indícios’ de que o grupo praticou crimes de calúnia, difamação, injúria, associação criminosa e contra a Segurança Nacional.

“Essas tratativas ocorreriam em grupos fechados no aplicativo de mensagens Whatsapp, permitido somente a seus integrantes. O acesso a essas informações é de vital importância para as investigações, notadamente para identificar, de maneira precisa, qual o alcance da atuação desses empresários nessa intrincada estrutura de disseminação de notícias fraudulentas”, apontou Alexandre de Moraes.

As provas colhidas na investigação também citam depoimentos prestados pelos deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joice Hasselmann (PSL-SP), que contaram detalhes sobre o funcionamento do ‘Gabinete do Ódio’ na CPMI das Fake News, no Congresso.

Influenciadores. O blogueiro Allan dos Santos foi identificado pela Polícia Federal como um dos ‘influenciadores’ do esquema de divulgação de ofensas e fake news contra o Supremo.

Segundo os investigadores, foi detectada a existência de um ‘mecanismo coordenado de criação e divulgação’ das mensagens contra ministros. Os perfis de influenciadores utilizavam seus seguidores para criar hashtags que atacassem o STF, para só então reproduzi-las em suas contas. Dessa forma, ficaria seguros de que não foram eles os responsáveis pela criação das hashtags.

A PF identificou indícios que as publicações sejam disseminadas por meio de robôs com o objetivo de atingir número expressivo de leitores – o mecanismo seria financiada por empresários ‘de maneira velada’.

Busca no Twitter entre 7 a 11 de novembro do ano passado identificou publicações que utilizavam termos de ataques contra a corte, como #STFVergonhaNacional e #STFescritóriodocrime, além dos nomes dos ministros e palavras-chaves como Impeachment e Supremo.

Em comum, ao menos onze perfis que seguem uns aos outros nas redes foram identificados, incluindo Allan dos Santos.

Um dos exemplos citados pela PF ocorreu no dia 07 de novembro, quando os ‘influenciadores’ iniciaram ataques dizendo que o STF é ‘uma vergonha’, clamando por impeachment contra os ministros, mas sem utilizar a hashtag #ImpeachmentGilmarMendes.

A hashtag foi criada por seguidores dessas contas, que passaram a responder os perfis ‘influenciadores’ utilizando o termo. Somente no dia 11 de novembro que dez dos onze perfis investigados passaram a utilizar a hashtag para impulsionar o ataque, de forma a alcançar o ‘trend topics’ (assuntos mais comentados) do Twitter.

“Assim, os perfis influenciadores não apareciam como criadores da hashtag que simboliza o ataque”, aponta a PF.

Empresários. O dono da rede de lojas de departamento Havan, Luciano Hang, é suspeito de participar do núcleo financeiro supostamente responsável pelo impulsionamento de vídeos e materiais ‘contendo ofensas e notícias falsas com o objetivo de desestabilizar as instituições democráticas e a independência dos poderes’ e composto por empresários do grupo autodenominado ‘Brasil 200 Empresarial’.

Para a Procuradoria Eleitoral, as investigações em curso no Supremo podem ajudar a identificar os financiadores da suposta ‘rede de propagação de mensagens falsas ou agressivas’ pautada pelo chamado gabinete do ódio – grupo que gerenciou as redes sociais do então candidato Jair Bolsonaro nas eleições e, após a vitória, ganhou sala exclusiva ao lado do gabinete do presidente no Palácio do Planalto.

Roberto Jefferson. A Polícia Federal também identificou ‘sérios indícios’ de práticas de crimes cometidos pelo ex-deputado. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, o parlamentar ‘é um dos responsáveis pela postagens reiteradas em redes sociais contendo graves ofensas’ à Corte.

Um dos casos citados pela PF foi a ocasião em que Jefferson publicou uma foto segurando um fuzil ao afirmar que estaria se preparando para ‘combater o bom combate’. Em uma live, o deputado defendeu a ‘demissão e substituição dos 11 ministros do STF, herança maldita’.

Prisão. A extremista Sara Giromini, que chegou a ser presa na investigação que apura a organização e financiamento de atos antidemocráticos, também em curso no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes, gravou vídeos ameaçando o ministro após ter celular e computadores apreendidos no inquérito das fake news.

Desde que deixou a cadeia, a bolsonarista precisa cumprir uma série de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com os demais investigados por suposta participação em atos antidemocráticos. Além disso, a extremista só pode sair de casa para trabalhar ou estudar e, mesmo nesses casos, precisa manter distância mínima de um quilômetro das sedes do STF e do Congresso Nacional.

A lista de completa de contas bloqueadas no Twitter:

1. @allantercalivre (ALAN LOPES DOS SANTOS);
2. @bernardopkuster (BERNARDO PIRES KUSTER)
3. @edgardcorona (EDGARD GOMES CORONA)
4. @edsonsalomaomc (EDSON PIRES SALOMÃO)
5.@_brasileirinhos (EDUARDO FABRIS PORTELLA)
6. @EnzuhOficial (ENZO LEONARDO SUZI MOMENTI)
7. @luciano_hang (LUCIANO HANG)
8. @stachin_marcelo (MARCELO STACHIN)
9. @bellizia70 (MARCOS DOMINGUEZ BELLIZIA)
10.@oofaka (OTAVIO OSCAR FAKHOURY)
11. @roboconservador (RAFAEL MORENO)
12. @GTabacow (REYNALDO BIANCHI JUNIOR)
13. @rodrgo_ribeiro (RODRIGO BARBOSA RIBEIRO)
14. @_SaraWinter (SARA FERNANDA GIROMINI)
15. @cmtewinston (WINSTON RODRIGUES LIMA)
16. @blogdojefferson (ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO)

A lista de completa de páginas bloqueadas no Facebook:

1. facebook.com/allan.santosbr (ALAN LOPES DOS SANTOS)
2. facebook.com/bernardopkuster (BERNARDO PIRES KUSTER)
3. facebook.com/edsonsalomaomc (EDSON PIRES SALOMÃO)
4. facebook.com/Brasileirinhos-106745044348848/ (EDUARDO FABRIS PORTELLA)
5. facebook.com/enzo.leonardosuzinmomenti (ENZO LEONARDO SUZI MOMENTI)
6. facebook.com/LucianoHangOficial (LUCIANO HANG)
7. facebook.com/marcelostachin.com.br (MARCELO STACHIN)
8. facebook.com/Marcos.D.BELLIZIA (MARCOS DOMINGUEZ BELLIZIA)
9. facebook.com/roboconservador (RAFAEL MORENO)
10. facebook.com/profile.php?id=100011453735517 (RODRIGO BARBOSA RIBEIRO)
11. facebook.com/oficialsarawinter (SARA FERNANDA GIROMINI)
12. facebook.com/comandantewinston (WINSTON RODRIGUES LIMA)

COM A PALAVRA, O EMPRESÁRIO OTÁVIO FAKOURY

Nesta sexta-feira (24), o empresário Otávio Fakhoury foi surpreendido com a suspensão de suas contas em redes sociais. De acordo com o advogado João Manssur, que representa Fakhoury, a medida é desproporcional e contrária ao princípio da liberdade de expressão.

O advogado havia impetrado Habeas Corpus contra ato praticado pelo Ministro Alexandre de Moraes relator do inquérito das “fake news” por suspensão de contas em redes sociais.

O Procurador Geral da República, Augusto Aras, opinou pela concessão da ordem pleiteada para que seja desbloqueado os perfis de Fakhoury das redes sociais.

Porém, hoje (24/07), os perfis em redes sociais de Fakhoury foram bloqueados.

“A medida de bloqueio acarreta verdadeira censura por impedir a manifestação do pensamento de Fakhoury, garantida pelo amplo sistema de liberdade de expressão consagrado pela Constituição Federal. O próprio STF já conferiu entendimento no sentido de que a liberdade de expressão goza de certa posição preferencial. Gritante a violação ao direito de Fakhoury à livre manifestação de seu pensamento com o bloqueio de contas das redes sociais, uma verdadeira censura”, afirma o advogado João Manssur.

estadao

Bolsonaro deve manter assessores do ‘gabinete do ódio’, mesmo após ofensiva do Facebook

Mesmo após ofensiva do Facebook e o avanço das investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news, o presidente Jair Bolsonaro pretende manter em seus postos os principais integrantes do “gabinete do ódio” – como ficou conhecido o grupo de assessores do Palácio do Planalto, comandado pelo vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que estaria por trás de ataques a adversários nas redes sociais. 

Na quarta-feira passada, o Facebook derrubou uma rede de 73 contas e perfis ligados a integrantes do gabinete do presidente, a seus filhos, ao PSL e a aliados, por “comportamento inautêntico coordenado”. A rede social define regras de conduta que devem ser seguidas pelos usuários, como não usar contas falsas, encobrir a finalidade de uma página, falsificar identidade e aumentar artificialmente a popularidade do conteúdo.

Bolsonaro se sentiu pessoalmente atingido pela ação, já que a plataforma identificou ao menos cinco funcionários e ex-auxiliares que disseminavam ataques a adversários políticos, além de conteúdo com desinformação. O relatório do Facebook indicou Tercio Arnaud Thomaz, nome de confiança de Carlos Bolsonaro, como um dos responsáveis por movimentar perfis falsos. Tercio é assessor especial do presidente e integra o “gabinete do ódio” ao lado de José Matheus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz – a existência do “gabinete do ódio” foi revelada pelo Jornal em setembro passado.

Na live semanal da última quinta-feira, um dia depois da ação do Facebook, Bolsonaro saiu em defesa dos auxiliares e criticou a derrubada de páginas e perfis de aliados, sem se referir diretamente à empresa. “A onda agora é para dizer que as páginas da família Bolsonaro e de assessores, que ganham dinheiro público para isso, promovem o ódio. Eu desafio a imprensa a apontar um texto meu de ódio ou dessas pessoas que estão do meu lado”, disse.

Após aliados bolsonaristas serem alvo de mandados de busca e apreensão no inquérito que apura atos antidemocráticos, assessores do presidente foram orientados a moderar suas intervenções nas redes sociais. A avaliação no Planalto é que o presidente vem perdendo seguidores nas redes com o crescimento de seu discurso radical. Segundo interlocutores, o próprio Bolsonaro teria admitido, em conversa com ministros e auxiliares diretos, que essa guerra digital desgastou o governo. No Planalto, a avaliação é a de que o ambiente precisa estar mais sereno.

Chapa

O PT deve solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta semana, que as informações coletadas pelo Facebook sejam usadas nas ações da Corte, que investigam a campanha de Bolsonaro à Presidência em 2018, e pedem a cassação da chapa.

Além das ações no TSE, o Planalto enxerga com preocupação a possibilidade de a ofensiva do Facebook reforçar as provas colhidas no inquérito que apura ameaças, ofensas e fake news disparadas contra integrantes do Supremo. Na semana passada, o PSOL pediu ao relator do inquérito, ministro Alexandre de Moraes, que as contas falsas derrubadas sejam investigadas pela Corte.

Em maio, Moraes apontou indícios de que um grupo de empresários atua de maneira velada, financiando a disseminação de fake news e conteúdo de ódio contra integrantes do Supremo e outras instituições. Na ocasião, o magistrado definiu o gabinete do ódio como “associação criminosa”. / COLABOROU Rafael Moraes Moura

estadao

Facebook liga assessor do Planalto a ataques contra opositores de Bolsonaro

Levantamento do Laboratório Forense Digital do Atlantic Council em parceria com o Facebook aponta ligação direta de Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, com um esquema de contas falsas nas redes sociais banidas pelo Facebook nesta quarta-feira (8).

Ele é apontado como responsável por parte dos ataques a opositores de Bolsonaro, como ao ex-ministro Sergio Moro na sua saída do governo e a integrantes de outros Poderes, e por difundir desinformação em temas como a Covid-19.

Além de Tércio, cinco ex e atuais assessores de legisladores bolsonaristas, entre eles um funcionário do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), foram identificados como conectados à operação de desinformação no Facebook e no Instagram.

Tercio Arnaud Tomaz, assessor de Jair Bolsonaro
Tercio Arnaud Tomaz, assessor de Jair Bolsonaro que foi integrante do gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara; filho do presidente mantém aliados em cargos no Planalto – Reprodução/Facebook

O levantamento teve acesso a nomes e identidades das pessoas que registraram as contas falsas. Muitos dos posts eram feitos no horário de expediente.

Segundo o relatório, eles usavam contas duplicadas e falsas para escapar de punições, criavam personagens fictícios fingindo ser repórteres e administravam páginas simulando ser veículos de mídia.

Também usavam perfis falsos que postavam em grupos não relacionados a política, como se fossem pessoas comuns criticando opositores de Bolsonaro e promovendo o presidente, de acordo com a empresa.

Mais recentemente, as contas atacaram o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso e estavam disseminando a visão de que a epidemia de Covid-19 não era uma ameaça séria.

“Os dados mostram uma rede conectada a Bolsonaro e aliados dele, usando funcionários do governo e de deputados, dedicada a manipular informação e criar narrativas, com ataques a opositores”, diz Luiza
Bandeira, pesquisadora do Digital Forensic Research Lab do Atlantic Council e uma das autoras do levantamento.

Tércio trabalhou no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e hoje ocupa o cargo de assessor especial da Presidência da República. É apontado como líder do chamado “gabinete do ódio”, estrutura do Palácio do Planalto que seria usada para mensagens de difamação.

A existência do gabinete foi revelada pela Folha no dia 19 de setembro do ano passado. O jornal mostrou que o bunker ideológico está instalado numa sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos passos do gabinete presidencial.

A conta no Instagram @bolsonaronewsss, que é anônima, foi registrada por Tércio, segundo os pesquisadores, que tiveram acesso aos dados do Facebook na parceria com a plataforma.

Ela tinha 492 mil seguidores e mais de 11 mil posts antes de ser derrubada. Uma página no Facebook chamada Bolsonaro News compartilhava o mesmo conteúdo.

Segundo o levantamento, Tércio e outros usavam suas contas nas redes sociais para atacar rivais, moldar a narrativa e emplacar uma versão que favorecesse Bolsonaro, sem identificar sua ligação com o governo ou deputados.

Por exemplo, um dia após a saída de Moro do governo, a conta Bolsonaronewsss postou um meme mostrando o ex-ministro apunhalando Bolsonaro pelas costas, com a legenda “o traidor silencioso”, e ligando o ex-juiz ao STF e à Rede Globo.

Em uma postagem do dia em que o ministro do STF Luiz Fux delimitou, por meio de liminar, a interpretação da Constituição sobre a atuação das Forças Armadas, fixando que elas não são um poder
moderador, a conta Bolsonaronewsss publicou imagem de Bolsonaro com a frase: “Uma nação que confia em seus direitos (STF), em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma e prepara sua própria queda”.

“O envolvimento dos assessores na operação pode indicar um potencial uso de recursos públicos, já que muitos dos posts eram publicados durante o horário de expediente”, diz o relatório.

Outro que é apontado pelo levantamento como “um dos principais operadores” da rede de desinformação é um assessor do deputado Eduardo Bolsonaro, Paulo Eduardo Lopes, conhecido como Paulo Chuchu. Ele é o líder do Aliança do Brasil em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, secretário parlamentar de Eduardo e recebe salário de R$ 7.800 mensais.

Paulo Chuchu registrou um site chamado Brazilian Post, que teve suas páginas no Facebook e Instagram removidas. Os sites promoviam a Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro tenta criar, e atacavam rivais dos bolsonaristas e a mídia.

Luiza Bandeira afirma que, em outros países onde o Atlantic Council faz pesquisas, não é comum ter integrantes do governo ou assessores de legisladores diretamente envolvidos em redes de desinformação.

Leonardo Rodrigues de Barros Neto, conhecido como Leonardo Bolsoneas, criou as páginas “Bolsoneas” no Facebook e Instagram, também banidas pela plataforma.

Até abril de 2020, ele era assessor da deputada estadual Alana Passos, do PSL do Rio. Vanessa Navarro, namorada de Leonardo, trabalha no gabinete do deputado Anderson Moraes na Assembleia Legislativa do Rio.

Bolsonaro já enviou vídeos para o site Bolsoneas elogiando Leonardo e cumprimentou Vanessa pelo aniversário dela. A página no Twitter do Bolsoneas também é investigada no inquérito do STF sobre fake news.

Segundo o levantamento, Leonardo Bolsoneas e Vanessa Navarro estavam ligados a pelo menos 13 contas que usavam variações de seus nomes. Elas eram usadas para postar conteúdo pró-Bolsonaro em grupos.

Outro operador do esquema, segundo o levantamento, era ligado ao deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL-SP). Um de seus funcionários, Johnathan William Benetti, usaria contas falsas para disseminar
conteúdo a favor de Bolsonaro e Nishikawa.

Procurado, o Planalto ainda não se pronunciou.

A deputada Alana Passos afirmou que não foi notificada pelo Facebook sobre qualquer irregularidade ou violação de regras nas suas contas. “Quanto a perfis de pessoas que trabalharam no meu gabinete, não posso responder pelo conteúdo publicado. Nenhum funcionário teve a rede bloqueada por qualquer suposta irregularidade.”

O PSL negou vínculo com contas de derrubadas.

“A respeito da informação que trata da suspensão de contas do Facebook de alguns políticos no Brasil, não é verdadeira a informação de que sejam contas relacionadas a assessores do PSL, e sim de assessores parlamentares dos respectivos gabinetes, sob responsabilidade direta
de cada parlamentar, não havendo qualquer relação com o partido.”

“O partido esclarece que os políticos citados, na prática, já se afastaram do PSL há alguns meses com a intenção de criar um outro partido, inclusive, tendo muitos deles sido suspensos por infidelidade
partidária. Ainda, tem sido o próprio PSL um dos principais alvos de fake news proferidos por este grupo”.

O proprietário do perfil Bolsoenéas, Leonardo Rodrigues, afirmou que não descumpriu nenhuma regra do Facebook e que sempre deixou claro que seu perfil tratava de um personagem. Ele também negou controlar contas falsas.

“Eu não tenho nenhum vínculo com a família Bolsonaro. Inclusive, estou desempregado. O dinheiro que tem é de trabalho anterior. O vi duas vezes em eventos públicos. Flávio outras duas vezes e só vi o Carlos de longe. O Carlos nunca respondeu nem um inbox meu”, afirmou Leonardo que diz não ter feito ataques ou publicado notícias falsas em suas redes.

O deputado Coronel Nishikawa afirmou que foi pego de surpresa sobre a ação do Facebook. Ele disse ainda que questionado o seu funcionário negou ter tido contas apagadas ou suspensas.

“Pauto meu mandato com lisura e honestidade, jamais compactuaria com tais práticas de disseminação de ódio ou fake news, até porque fui vítima dessas práticas e sei o quanto isso é danoso. Fico à disposição para qualquer esclarecimento adicional e continuo servindo a população do meu estado de São Paulo referente ao mandato de Deputado Estadual que me foi confiado.”

Carlos e Tercio não retornaram às tentativas de contato por email e telefone.

folha

Gigantes globais estendem ao Brasil boicote a anúncios no Facebook

O boicote de anunciantes às plataformas do Facebook começou ontem nos Estados Unidos, mas não se restringe à maior economia do mundo. Gigantes globais estenderam a suspensão da veiculação de anúncios no Facebook e no Instagram em outros países, incluindo o Brasil – entre elas Coca-Cola, Heineken, Microsoft, Beiersdorf e Volkswagen. Marcas brasileiras, por enquanto, monitoram a situação e começam a se movimentar para entender se vale ou não a pena fazer parte desse movimento.

Incentivado pela organização não governamental Stop Hate for Profit, o protesto se concentra principalmente nas mensagens de ódio racial propagadas na rede social, mas também abrange questionamentos sobre como a empresa lida com informações de origem duvidosa ou notícias falsas. O boicote começou a se desenhar nas últimas semanas e conseguiu angariar mais de 400 marcas, entre negócios de diversos portes. A suspensão começou ontem e deve se estender por julho.

Apesar de o movimento ter se originado nos Estados Unidos, boa parte das multinacionais que se juntaram ao boicote ao Facebook decidiram estender a decisão para outros mercados, incluindo o Brasil. 

A reportagem do Estadão entrou em contato com diferentes marcas globais ontem. Entre as que responderam à reportagem, cinco também bloquearam anúncios no Brasil – Microsoft, Volkswagen, Coca-Cola, Beiersdorf (dona da Nivea) e Heineken –, enquanto a Unilever restringiu a decisão ao território americano.

Entre as marcas brasileiras, a posição ainda é de “esperar para ver”. Algumas empresas consultadas disseram que o boicote se restringe a problemas concentrados nos Estados Unidos, ainda que a disseminação de discurso de ódio associado a notícias falsas em redes sociais no Brasil seja até alvo de uma investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Entre as empresas que estão acompanhando a situação estão o Magazine Luiza e a Natura. A Natura, apurou o Estadão, vai realizar nos próximos dias reunião envolvendo a alta diretoria para tomar uma decisão relacionada à veiculação de anúncios no Facebook. A Vivo e a Via Varejo não comentaram o caso. As demais empresas procuradas – Itaú, Bradesco, Grupo Boticário e Renner – não responderam aos contatos.

Segundo fontes do mercado publicitário, ainda que o movimento dos grandes anunciantes seja importante para chamar a atenção para a falta de curadoria de conteúdo do Facebook, a maior parte da arrecadação das plataformas está concentrada em pequenos negócios. A estimativa é que cerca de 75% dos anúncios online sejam feitos por empresas de pequeno e médio porte. 

Embora o Facebook tenha ferramentas para evitar que anúncios sejam direcionados para certos temas, o modelo atual não consegue garantir de que o cliente vá ficar 100% livre de se associar a conteúdos indesejáveis. De acordo com Márcio Jorge, sócio e diretor de inteligência da Zahg, empresa especializada em publicidade digital, os algoritmos estão treinados para eliminar conteúdos de cunho sexual ou violento, por exemplo, mas não para analisar o detalhe dos posts para detectar fake news. “As plataformas não têm uma solução construída para enfrentar esse problema”, explica Jorge.

Eliminar discurso de ódio é como ‘eliminar agulha no palheiro’, diz rede

Ontem, o Facebook se pronunciou por meio de um artigo escrito por Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais e comunicações da companhia, na revista AdAge. No texto, o executivo afirmou que eliminar completamente discursos de ódio na plataforma é como “encontrar uma agulha em um palheiro” devido ao volume de conteúdo postado. “Tolerância zero não significa zero incidência.” 

Ele defendeu práticas do Facebook, como a contratação de profissionais dedicados à segurança dos serviços – seriam 35 mil pessoas. Disse também que a empresa investe bilhões na área, incluindo o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial.

estadao

Facebook e YouTube têm 48h para retirar do ar vídeos com inverdades sobre livro de educação sexual

Por determinação do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Horbach, o Facebook e o YouTube deverão retirar do ar seis vídeos em que se afirma que o livro “Aparelho Sexual e Cia” foi adotado em programas governamentais enquanto o candidato Fernando Haddad (PT) ocupou o cargo de ministro da Educação (2005-2012). Conforme a decisão, a notícia é sabidamente inverídica, uma vez que o livro não jamais chegou a ser adotado pelo Ministério da Educação (MEC).

Tanto o MEC quanto a editora responsável pelo livro negam que a obra tenha sido utilizada em programa escolar. Segundo ambos, o livro sequer foi indicado nas listas oficiais de material didático. A representação, com pedido liminar e de direito de resposta, foi formalizada pela Coligação O Povo Feliz de Novo e por Fernando Haddad contra a Coligação Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos, e seu candidato ao cargo de presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, entre outros.

Horbach destacou também que é fato notório que o projeto “Escola sem Homofobia” não tenha sido executado pelo Ministério da Educação, do que se conclui que não ensejou a distribuição do material didático a ele relacionado. Além da referência a esse projeto, os conteúdos impugnados citavam que a obra constou do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) e do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

Segundo o relator, a difusão da informação equivocada acerca da distribuição do livro gera desinformação no período eleitoral com prejuízo ao debate político, o que recomenda a remoção dos conteúdos com tal teor. Por essas razões, além da retirada dos vídeos, o ministro também determinou a identificação do número de IP da conexão utilizada no cadastro inicial dos perfis responsáveis pelas postagens acima listadas; dos dados cadastrais dos responsáveis, nos termos do art. 10, § 1º, da Lei nº 12.965/14; bem como registros de acesso à aplicação de internet eventualmente disponíveis (art. 34 da Resolução TSE nº 23.551/2017).

A liminar, contudo, foi deferida apenas em parte, uma vez que os vídeos a serem retirados estão publicados em seis diferentes URLs, em vez dos 36 endereços que constam da petição inicial. Para o relator, os demais vídeos não devem ser investigados porque não citam diretamente o candidato ou seu partido e nem mesmo o Ministério da Educação.

Justiça determina e Facebook retira do ar conteúdo ofensivo

O Facebook Serviços Online do Brasil, por meio dos operadores da empresa americana, excluiu um vídeo que maculava a imagem do deputado Ney Amorim na página do ‘Movimento Brasil Livre – Acre’. A decisão é do desembargador Samoel Evangelista, do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Acre, o TRE/AC, emitida na última terça-feira, 18.

A assessoria jurídica de Ney Amorim entrou com um pedido de liminar para determinar que a empresa retirasse postagem ofensiva contra o candidato ao Senado da República, fazendo ligações mentirosas de seu nome com supostos esquemas de corrupção na Assembleia Legislativa do Estado do Acre.

Em sua decisão, o desembargador Samoel Evangelista afirma que “trata-se de conteúdo ofensivo ao requerente, sendo bastante razoável inferir que a insinuação ali contida, agrida, ainda que subliminarmente, o candidato nela mencionado”.

Evangelista entende que “os limites da garantia da livre manifestação de pensamento estão contidos na Constituição Federal, que dentre outros veda o anonimato (artigo 5º, IV), protege a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito de indenização pelo dano material e moral decorrente de sua violação (artigo 5º, X) e garante o direito de resposta proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral e à imagem (artigo 5º, V)”.

Se o Facebook tivesse descumprindo a decisão de Samoel Evangelista, a pena de multa diária determinada pelo TRE/AC era de R$ 1 mil por dia.

Facebook anuncia medidas para combater contas falsas e desinformação

O Facebook divulgou nesta semana nota com novas medidas para evitar abusos na plataforma relacionados ao debate eleitoral. Ao longo do ano, a empresa já havia anunciado diversas iniciativas para o pleito de outubro relacionadas à propaganda eleitoral paga, a contas “não autênticas” e à disseminação de desinformação, como as chamadas notícias falsas.

Segundo comunicado divulgado pela companhia, foram removidas páginas inicialmente criadas para reunir pessoas com interesses diversos (como esportes e música) e que tiveram seus nomes e propósitos alterados para apoiar um candidato ou tomar partido na disputa eleitoral.

“Removemos essas páginas porque nossas políticas não permitem mudanças de nome de páginas que resultem em conexões falsas ou não intencionais, e que alterem substancialmente o assunto das páginas”, justificou o informe. A empresa, contudo, não divulgou o nome das páginas.

A plataforma também derrubou o que chamou de contas impostoras. Perfis que se faziam passar por candidatos disputando as eleições. Essa violação foi enquadrada no que a companhia chama de “comportamento não autêntico”, conduta que foi usada para remover 186 páginas e 97 perfis ligados ao Movimento Brasil Livre em julho.

Aplicativos e santinhos

No comunicado, o Facebook relatou ter retirado aplicativos que convidavam pessoas a votar pela internet. Esses programas “poderiam levar eleitores a acreditar que tinham efetivamente votado, ferindo nossas políticas que impedem apoio a fraude”, pontuou a nota. Pessoas que usaram esses aplicativos estão sendo notificadas.

A companhia está removendo também fotos nas quais o número não corresponde ao candidato, bem como molduras com números trocados. “Nossas políticas não permitem declarações de intenção ou apoio a fraude, por isso a remoção dessas imagens”, reiterou a empresa no comunicado divulgado.

Verificação de fotos e vídeos

No dia 13 de setembro, em outro comunicado, o Facebook anunciou ter iniciado a verificação de desinformação também em fotos e vídeos. Até então, o monitoramento era focado apenas em textos. A partir deste mês, os sistemas automatizados da plataforma passarão a fiscalizar fotos e vídeos em busca de indícios de problemas, como manipulações.

Essa análise é complementada pela realizada por agências de checagem parcerias do Facebook. No Brasil, realizam este trabalho Lupa, Aos Fatos e Agência France Press. Conteúdos identificados como enganosos por essas agências têm seu alcance reduzido na plataforma.

Suspeito de tráfico que fugiu da polícia e postou ‘Obrigado, Deus’ no Facebook é preso com a namorada no Acre

Max Nascimento foi preso em uma casa no bairro Esperança, em Rio Branco. Suspeito estava foragido desde março, quando trocou tiros com a polícia

Uma ação da Polícia Civil do Acre conseguiu prender o suspeito de tráfico de drogas Maxwel Viana do Nascimento, procurado desde o mês de março. Na época, Nascimento conseguiu escapar de um cerco da polícia e, após a fuga, postou uma mensagem no Facebook para agradecer o ‘livramento’.

A prisão dele ocorreu na manhã desta quarta-feira (20) em uma casa do bairro Esperança, em Rio Branco. Agentes da Delegacia de Repreensão ao Entorpecente (DRE) cumpriram um mandado judicial e conseguiram prender o suspeito e a namorada dele.

Em março, a polícia montou um cerco para prender Nascimento na casa dele, no bairro Conquista. Porém, o rapaz trocou tiros com a polícia e conseguiu fugir. Na postagem, o suspeito diz que Deus está sempre com ele e não adianta o inimigo tentar derrubá-lo. A publicação foi deletada, mas a equipe da (DRE) fez o print.

O coordenador da DRE, delegado Pedro Resende, contou que Nascimento dividia a casa com a namorada, Danila Alves Cordeiro, de 19 anos, que foi presa, e com outro suspeito de tráfico, que está foragido.

“Descobrimos que estava escondido no bairro Esperança, juntamente com outro traficante que foi alvo da operação, que é o Sid. Pela manhã demos cumprimento ao mandado de busca naquele bairro e conseguimos localizar o Max que estava escondido”, explicou.

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Em postagem, Max Viana agradece a Deus e diz que foi livramento após fugir da polícia – Foto/Divulgação/Polícia Civil do Acre

Namorada ajudava na venda de droga

O comparsa de Nascimento, citado pelo delegado, seria o dono da droga apreendida na Operação Elphis, que resultou na apreensão de mais de 80 quilos de maconha. A operação ocorreu no último dia 14 e prendeu 20 pessoas.

“A casa que encontramos o Max é alugada pelo Sid, que é um parceiro dele no tráfico de drogas. Conseguimos arrecadar 85 quilos de drogas na operação Elphis e agora conseguimos encontrar ainda esse resquício de droga que ficou nesse esconderijo que usava. Infelizmente, não conseguimos prender ele, continua sendo investigado e procurado pela polícia”, detalhou.

Sobre a namorada de Nascimento, a polícia afirmou que ela ajudava o suspeito na venda de drogas, já que ele não podia sair do esconderijo.

“O que chama atenção são as mulheres dos traficantes auxiliando sempre os namorados e maridos no tráfico de drogas. No caso do Max, que estava foragido, não podia aparecer muito na rua, então, tinha uma namorada que auxiliava nessa venda”, concluiu.

Facebook remove 2,5 milhões de posts com discurso de ódio em 6 meses

O Facebook retirou do ar 2,5 milhões de publicações que foram identificadas como contendo discurso de ódio no primeiro semestre do ano. A informação foi divulgada no relatório de transparência da plataforma, publicado pela primeira vez na semana passada. O documento traz os resultados das ações de moderação de conteúdo praticadas pela empresa, como o monitoramento e a exclusão de mensagens publicadas.

A avaliação é feita com base em diretrizes estabelecidas pela companhia. Segundo elas, discurso de ódio é considerado “um ataque direto a pessoas com base no que chamamos de características protegidas: raça, etnia, nacionalidade, filiação religiosa, orientação sexual, sexo, gênero, identidade de gênero e doença ou deficiência grave”, além do status migratório. “Ataques” são “discursos violentos ou degradantes, declarações de inferioridade ou incentivo à exclusão e segregação”.

O Facebook também excluiu 3,5 milhões de conteúdos violentos. Estes são definidos nas diretrizes como uma mensagem “que exalte a violência ou celebre a humilhação ou o sofrimento de outras pessoas”. São permitidas publicações com imagens explícitas em alguns casos mas, segundo a empresa, “para ajudar as pessoas a gerar conscientização sobre algumas questões”.

O monitoramento de conteúdo do Facebook identificou e derrubou 21 milhões de conteúdos de nudez ou pornografia. A empresa estima que a cada 10 mil publicações, entre 7 e 9 traziam algum tipo de conteúdo que violava os padrões sobre nudez ou pornogafia.

A moderação também busca contas falsas. De acordo com o relatório, no primeiro semestre foram derrubados 583 milhões de perfis deste tipo. O número representa 26,5% do total de usuários que a plataforma tem (2,2 bilhões, segundo dados de abril). Contudo, não necessariamente as contas já existiam. De acordo com o documento, a maioria dos perfis considerados falsos é excluída minutos após a criação.

Automatização

Um dos pontos exaltados pelo Facebook em seu relatório é a atuação de seus sistemas para identificar os conteúdos violadores de suas regras para exclusão. No caso das publicações com nudez e pornografia, 96% foram marcadas pela tecnologia da plataforma. Nas mensagens com imagens de violência, o índice ficou em 86%. Já nos conteúdos com discurso de ódio, a proporção de mensagens sinalizadas pelo sistema da companhia cai bastante, ficando em 38%.

“Tecnologias como a inteligência artificial, que embora seja promissora, ainda está longe de ser efetiva para a maioria dos conteúdos de baixa qualidade, ja que uma análise do contexto também é muito importante. Por exemplo, a inteligência artificial não é boa o suficiente para determinar se alguém está proclamando ódio ou se está descrevendo uma situação ocorrida consigo mesma para gerar conscientização sobre o assunto”, disse Guy Rosen, vice-presidente de gerenciamento de produto, em texto publicado no site oficial da empresa.