Bebê de 6 meses é ferido durante briga entre facções

Na noite de sexta-feira, membros de duas facções rivais começaram um discussão dentro do Terminal Urbano de Rio Branco. Durante a confusão, uma criança acabou ferida pelos suspeitos.

De acordo com informações de um dos motoristas de ônibus, após a discussão no Terminal, membros de uma facção entraram no ônibus que faz a linha Sobral, mas ao parar o veículo no semáforo em frente ao Parque da Maternidade, na Avenida Ceará, os integrantes de outra facção se aproximaram e com pedaços de madeira e pedra e apedrejaram o ônibus.

O motorista conta que ainda tentou arrancar com o veículo, mas uma das pedras quebrou a janela e atingiu duas crianças e dois adultos que estavam dentro do coletivo.

Segundo informações da polícia, durante a ação dos criminosos uma criança de seis anos teve um corte na cabeça e um bebê de seis meses foi ferido no braço e precisaram ser socorridas. Os adultos tiveram ferimentos leves.

Ao perceber a ação dos criminosos, o motoristas parou o ônibus em frente ao Estádio José de Melo e acionou o Samu. As crianças foram atendidas e encaminhadas à UPA.

O motorista foi até a Delegacia de Flagrantes e registrou boletim de ocorrência. Nenhuma suspeito foi preso.

Facções criminosas do Acre dividem buscas no Google Trends

Em 2018, os usuários do Google no Acre tanto buscaram informações sobre o Primeiro Comando da Capital, o PCC, quanto acerca do Comando Vermelho. O PCC obteve o maior interesse, com 52% das buscas, e Comando Vermelho veio na sequência com 38%.

O Bonde dos 13, facção nativa, apresentou poucas buscas no Acre -10% do total registrado pelo Google Trends nos últimos doze meses. De outro lado, procura por Bonde dos 13 também foi registrada em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, o que mostra que o interesse por notícias e dados da organização se expande pelo País.

As facções criminosas no Brasil se dividem em nacionais, regionais e locais. As facções nacionais PCC, CV e FDN mantêm rotas de importação e exportação e abastecem as facções regionais e locais com armas e drogas- no caso do Acre o grupo mais notório, segundo o noticiário, é o Bonde dos 13.

Os números do Trends 2018 confirmam a previsão da pesquisadora Camila Nunes Dias de que a hegemonia da facção paulista, o PCC, nas prisões se refletiria nas ruas, afinal imagem é tudo – e isso se reflete no midiatismo da ocorrência. Só no Acre, são mais de 1,4 mil quilômetros de fronteira com Bolívia e Peru, países produtores de cocaína.

“Antes, quem matava e quem morria no Acre eram conhecidos. Eram brigas de bar, bebedeira, traição, crimes de ímpeto. Agora, não mais. São mais casos de execução, com requinte de crueldade. É facção criminosa matando facção rival. É lamentável o que está ocorrendo”, relatou, em 2018, o promotor Rodrigo Curti em entrevista à BBC. Um ano depois dessa declaração, a situação não é muito diferente -as execuções pouco diminuíram.

A boa notícia -se é que há uma -é que, de acordo com levantamento do portal FacçãoPCC1533 as buscas no Acre são irrelevantes no contexto nacional, o que dá a entender que há pouco acreano interessado nas carnificinas ou na vida dessas organizações macabras.

“Os estados do Acre, Maranhão, Piauí, Rondônia, Roraima, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Tocantins, devido à baixa taxa de acesso à rede, não tiveram relevância na pontuação, por isso
ficaram de fora da listagem”, informa Rícard Wagner Rizzi, autor do artigo “Google Trends 2108 e a facção PCC 1533”.

MPAC denuncia e 49 pessoas vão a julgamento por compor facções

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), representado pelos promotores de Justiça Bernardo Albano e Ildon Maximiano, participou nesta segunda-feira (23), na 4ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco, da audiência de instrução e julgamento de 49 réus acusados de integrar de 3 facções criminosas atuantes no estado.

Eles foram presos em abril de 2017, durante a segunda fase da Operação Êxodos, deflagrada pela Polícia Civil, e denunciadas pelo MPAC, por meio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Os envolvidos foram denunciados pelo crime de integrar, promover ou financiar organização criminosa, que prevê ainda aumento de pena pelo uso de armas de fogo e cooptação de menores para as facções.

“Ao longo da investigação foram identificados diversos mandantes de outros crimes, como homicídios, roubos e tráfico de drogas, e as provas desses crimes foram compartilhadas com outras investigações, a pedido do Gaeco, para que a Justiça faça a devida responsabilização desses casos”, destacou o promotor de Justiça Bernardo Albano.

O promotor de Justiça Ildon Maximiano ressaltou que no processo há perfis de facções criminosas diferentes e existe uma interconexão entre elas. “A partir da investigação sobre uma, se chegou a outras, ainda que exista rivalidade entre algumas delas”.

De acordo com o promotor, a audiência é fundamental, uma vez que, diante da escalada de violência dos últimos anos, cabe ao Estado uma resposta, seja na repressão ou em outros mecanismos. “Neste caso estamos tratando da repressão e queremos que ela seja firme, de modo a impedir que essas pessoas possam voltar ao convívio social sem a devida punição”.

Após o término da audiência, que encerrou às 19h30m da noite desta segunda, as partes terão prazo para apresentação de alegações finais e posteriormente o caso será sentenciado.

Por causa de guerra entre facções, TRE vai pedir tropas federais nas eleições de outubro

A presidente do Tribunal Regional Eleitoral, TRE/AC, desembargadora Regina Ferrari, deve enviar ao TSE, nos próximos dias, ofício solicitando o envio de tropas federais para reforçar a segurança nas eleições de outubro próximo.

Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal, reportagens relativas á guerra entre facções criminosas no estado estão sendo levantadas para justificar o pedido, e convencer a corte superior sobre a necessidade do envio das tropas, como ocorreu em 2016.

Naquele ano, a Suprema corte eleitoral enviou tropas federais para oito cidades do estado, incluindo Rio Branco.

Guerra entre facções deixa 5 mortos e 10 feridos em 24 horas

A guerra entre facções criminosas deixou cinco pessoas mortas e 10 feridas entre a manhã de sábado (7) e este domingo (8). Após uma série de ataques em Rio Branco, a Segurança Pública reforçou o policiamento com cerca de 150 policiais nas ruas. Os dados foram repassados ao G1 pelo secretário de Segurança Pública, Vanderlei Thomas.

“Temos informações que 10 pessoas foram encaminhadas com ferimentos ao Pronto-Socorro. Trabalhamos inclusive que, embora trate de ataques de organizações, dentro dos feridos há pessoas que não têm nenhuma ligação com as organizações criminosas, ou seja, estavam em ambientes em que houve ataques dessas organizações e, infelizmente, foram vitimadas”, falou Thomas.

Apenas no período da tarde e início da noite deste sábado, sete pessoas ficaram feridas nos bairros Tancredo Neves, Oscar Passos – uma pessoa morreu no local do crime e duas encaminhadas em estado grave para o hospital – e Cidade do Povo. As vítimas da ação no Oscar Passos são Cleiton Oliveira da Silva Júnior, de 24 anos, e Ygor Werik de Lima Cavalcante, de 16 anos, que chegou a ser socorrido, mas morreu horas depois.

Três pessoas da mesma família foram atingidas a tiros por volta de 23h30 de sexta-feira (6). A ocorrência foi registrada na Rua Francisco Bacurau, na Cidade do Povo, no Segundo Distrito de Rio Branco. Uma das vítimas, o pedreiro e serralheiro Pedro Batista de Lima, de 50 anos, chegou a ser encaminhado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Um adolescente identificado como José de Oliveira Silva, de 16 anos, foi executado com mais de 20 tiros na manhã deste sábado. O crime ocorrreu no Ramal São João Batista, BR-364 km 14, bairro Liberdade.

Uma mulher foi assassinada na manhã deste domingo (8), no bairro Recanto dos Buritis, região do Segundo Distrito de Rio Branco. A polícia informou que a ocorrência ainda está em andamento, mas adiantou que as equipes foram chamadas após moradores ouvirem três disparos e encontrarem a mulher caída na rua.

Reforço

Diante da situação, o secretário disse que convocou 150 policiais, das polícias Militar e Civil, para reforçar o policiamento ordinário nas ruas da capital acreana. Ele afirmou que acompanhou a situação com o comandante da PM-AC, coronel Marcos Kinpara.

“Tomamos uma decisão que acompanharemos e reforçar as ações diárias até que a gente consiga fazer um combate das organizações criminosas na altura que seja necessária para que a gente possa conseguir o retorno da sensação de segurança, que é o nosso grande objetivo”, complementou.

O secretário acrescentou que foram apreendidas armas, tanto na capital como no interior do Acre, e identificadas pessoas envolvidas nas mortes. Thomas falou também sobre os motivos que levaram as organizações a praticar diversos ataques.

“Essas organizações recebem comando. Nossa Inteligência está monitorando e, inclusive, evitando confrontos maiores. Estamos acompanhando as organizações criminosas, efetuadas prisões, transferência dentro do sistema penitenciário para a segurança máxima. Estamos trabalhando diuturnamente e não vamos dar trégua à criminalidade. A população pode ficar tranquila que no que depender das forças de segurança vamos fazer o combate à altura”, concluiu.

Pelo menos 42 mortes violentas foram registradas em fevereiro

Os números de mortes violentas em todo o Estado do Acre, onde a maioria é oriunda da guerra entre as facções Comando Vermelho e Bonde dos 13, registrou neste mês de fevereiro 42 óbitos, dois a menos que o mês de janeiro, cujo o número de mortes chegou a 44. Os dados são de levantamentos feitos por veículos de comunicação.

A secretaria de Segurança ainda não disponibilizou o número oficial de mortes até o momento. No ano passado, em todo o período de 2016, mais de 350 mortes violentas foram registradas em todo o Estado, sendo a capital Rio Branco a localidade onde mais se mata.

Autoridades da Segurança Pública afirmam sem se identificar que o número de mortes só não foi maior que janeiro devido o mês de fevereiro ter apenas 28 dias. “Seria possível que o número de mortes violentas ultrapasse o mês de janeiro”, disse uma fonte ao ac24horas.

Para chegar ao número 42,  Amaury Lima da Silva, 29, e Antônio Lucas de Souza, 21, foram executados a tiros na noite de terça-feira, 28. Eles eram moradores do bairro da Várzea, em Cruzeiro do Sul, um dos mais violentos do município. Os dois primos conversavam na varanda da casa de um deles quando dois desconhecidos apareceram e efetuaram quatro tiros.

Para o delegado Alexnaldo Batista, as investigações apontam para uma execução entre membros de grupos rivais.

Os corpos de Amaury e Antônio foram tiveram que ser transportado de barco antes de serem levados pelo veículo da polícia ao Instituto Médico Legal (IML).

Segundo o delegado Alexnaldo, houve dificuldade em ouvir testemunhas do crime. No local, pelo visto, impera a chamada lei do silêncio.

Facções deflagram ataques no interior: ônibus é incendiado em Vila Campinas

Não somente na capital como o interior vem sofrendo com ataques a ônibus no Acre. O único ônibus que faz o transporte coletivo em Vila Campinas foi incendiado na noite desta terça-feira, 13. Segundo informações, o ataque repercute a retaliação de criminosos à morte de companheiros em Rio Branco.

O ônibus incendiado faz diariamente a linha entre Campinas e Rio Branco transportando as pessoas que necessitam desse meio de locomoção. Muitos o utilização para chegar aos postos de trabalho nas fazendas da região de Vila Campinas. A polícia ainda não se sabe quais os motivos que levaram ao incêndio do ônibus. “Falta de policiamento em um lugar tão pequeno como esse só poderia dar nisso”, criticou a moradora de Vila Campinas, Nayane Justo.

As empresas de ônibus de Rio Branco somam mais de R$1 milhão em prejuízo com os cinco ônibus incendiados em diferentes bairros de Rio Branco. Pela manhã, uma reunião emergência ocorreu entre os empresários e organismos de segurança para avaliar a situação. Não existe seguro que cubra destruição provocada por vandalismo.

Depois de incendiados, os ônibus são serrados e suas peças ficam à disposição do ferro-velho. “Mas aqui ninguém compra. Estou com um ônibus queimado no ano passado esperando ser vendido até agora”, disse um diretor do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Rio Branco (Sindcol).

Outras informações de tentativa de incêndio a carros da Polícia Militar em Senador Guiomard e Bujari. Nada havia sido confirmado pela polícia até o meio-dia desta quarta-feira, 15.

Prefeitura de Rio Branco já gastou R$ 175 mil em 4 meses de guerra entre facções

Com a série de execuções que tomou conta de Rio Branco, estourou o orçamento da prefeitura para doação de caixões e jazigos para famílias carentes. Em 90% dos casos de homicídios, resultado das brigas entre facções, os custos funerários foram pagos pela prefeitura.

De outubro de 2016 aos primeiros dias de fevereiro desse ano, foram pagos 92 funerais para pessoas mortas nos confrontos. Cada atendimento custou ao município R$ 1,9 mil.

Só com urnas e jazigos foram gastos nesses quatro meses R$ 175 mil, e esse valor, não foi maior porque existe um convênio da prefeitura com as funerárias. Além dos caixões, o município ainda paga ao cemitério Morada da Paz, a manutenção mensal dos jazigos que chega a R$ 140 mil.

Na verdade os gastos do município começaram em abril do ano passado, quando começaram os ataques a prédios públicos. O morador de Rio Branco começou a ver um outro tipo de violência: a briga entre facções por espaço.

No mês de outubro a matança entre os grupos rivais se intensificou. As imagens de jovens degolados e esquartejados ganharam as redes sociais. Nesse mês, a média era de duas pessoas assassinadas por dia. A polícia nem procurou os culpados, tudo entra na lista de acerto de contas.

Em dezembro, o número de execuções cresceu assustadoramente. Foram 41 assassinatos. Em apenas um final de semana, foram seis execuções em diferentes bairros da Capital.

Famílias de baixa renda podem conseguir com a prefeitura a urna o jazigo no cemitério. Tudo pago pela administração pública. Além dos casos de pessoas mortas pela briga de facções a prefeitura ainda atende famílias carentes que perdem seus entes queridos em hospitais ou acidentes.