Sanções, boicotes e embargos: o que há contra a Rússia

Na terça-feira (8), o presidente americano Joe Biden anunciou um embargo sobre o petróleo russo. Desde a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, a Rússia virou alvo de retaliação por países do Ocidente. Essa retaliação tem ocorrido principalmente na forma de sanções contra governo, empresas e indivíduos russos. Há também um movimento de boicote de empresas que restringiram ou suspenderam voluntariamente suas atividades no país.

O número exato de sanções é incerto, mas já passa da casa do milhar. Segundo o dashboard da Correctiv, uma organização alemã de jornalismo independente, foram 1.274 sanções entre 22 de fevereiro e a manhã de 8 de março de 2022. Já a base de dados Castellum.AI – que monitora medidas de um escopo maior de países – conta mais de 2.700 sanções contra a Rússia no mesmo intervalo.

Neste texto, reúne e resume as medidas que foram tomadas em retaliação à Rússia.

Sanções contra indivíduos


As sanções contra indivíduos respondem pela maior parte das medidas tomadas por governos de países do Ocidente contra a Rússia. Nas duas bases de dados consultadas pelo Nexo, elas representam cerca de 80% de todas as sanções.

Sanções contra indivíduos costumam assumir a forma de congelamento de ativos, revogação de vistos e restrições de viagem. Ou seja, países barram a entrada de pessoas específicas e também impedem que eles coloquem ou tirem dinheiro do país.

Em meio à guerra na Ucrânia, os alvos têm sido, no geral, políticos e grandes empresários russos – os últimos são conhecidos como oligarcas, por suas fortunas e por terem enriquecido rapidamente durante a privatização russa na década de 1990, logo após o colapso da União Soviética. As medidas atingem também o círculo próximo de Vladimir Putin, presidente russo.

Desde o início dos conflitos, diferentes países anunciaram sanções sobre diferentes indivíduos. A União Europeia, o Canadá e a Suíça, por exemplo, sancionaram os 351 membros do parlamento russo que votaram para reconhecer a independência de Donetsk e Luhansk, províncias separatistas pró-Russia no leste ucrianiano. Os EUA, por sua vez, decidiram sancionar apenas líderes do parlamento russo.

Alguns indivíduos membros do governo russo sancionados por países do Ocidente são:

  • Vladimir Putin, presidente russo, que teve ativos congelados na União Europeia, nos EUA, no Reino Unido, na Suíça, no Japão e no Canadá.
  • Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, que também teve ativos congelados nos mesmos países que Putin.
  • Sergei Shoigu, ministro da Defesa da Rússia, que teve ativos congelados e proibição de viagem declarada nos EUA, na União Europeia, na Suíça e no Canadá.
  • Aleksandr Bortnikov, chefe do FSB (Serviço Federal de Segurança) da Rússia, que sofreu as mesmas sanções que Sergei Shoigu.
  • Valery Gerasimov, general e chefe das Forças Armadas russas, que está barrado de entrar nos EUA, no Canadá e no Japão, países onde também teve ativos congelados.

Entre os oligarcas, há sanções contra:

  • Alexei Mordashov, homem mais rico da Rússia (com fortuna avaliada em US$ 19,8 bilhões); acionista principal da Severstal, maior siderúrgica e mineradora do país; e acionista do Rossiya Bank, considerado o banco usado pelo alto escalão do governo russo. Ele foi sancionado pela União Europeia e teve iate apreendido pela polícia italiana.
  • Mikhail Fridman, fundador do Alfa Bank, o maior banco privado da Rússia. Ele também foi sancionado pela União Europeia.
  • Petr Fradkov, chefe do Promsvyazbank, um dos maiores bancos privados russos. Ele teve ativos congelados e viagens barradas por União Europeia, Canadá e Reino Unido.
  • Boris Rotenberg, um dos donos da SMP, empresa do setor de gasodutos. O magnata do gás foi alvo de sanções dos EUA, do Reino Unido e do Canadá.

Sanções financeiras

Além de indivíduos, as sanções também têm como alvo instituições financeiras da Rússia. As medidas virtualmente isolaram o sistema financeiro russo do Ocidente. Isso significa que o volume de dólares e euros entrando no país declinou fortemente, ao mesmo tempo que empresas e investidores retiram moeda estrangeira da Rússia.

Ou seja, a oferta de moeda de dólares e euros na Rússia caiu, levando a uma depreciação aguda do rublo, a moeda local russa. Após a invasão da Ucrânia, a moeda russa perdeu 30% de valor frente ao dólar em dez dias.

O Banco Central da Rússia foi alvo de sanções por EUA, União Europeia, Canadá, Reino Unido e Japão, que basicamente impediram a autoridade monetária de movimentar seus ativos nesses locais. Na prática, isso significa que as reservas internacionais russas no exterior ficaram bloqueadas, impedindo que sejam usadas para tentar estabilizar o rublo.

Além do Banco Central, diversos bancos russos foram alvos de sanção. Entre eles está o Sberbank, que tem controle estatal e é o maior banco do país. A principal medida adotada contra a instituição é a proibição de operações nos EUA, o que ajuda a limitar significativamente a entrada de dólares na Rússia e pressiona ainda mais o rublo. O Sberbank também anunciou em 2 de março sua saída do mercado europeu.

A lista de bancos russos afetados por sanções dos EUA e de países europeus é longa. Além do Sberbank, ela inclui:

  • VTB, segundo maior banco russo, que tem controle estatal
  • Alfa Bank, maior banco privado da Rússia
  • Bank Otkritie, um dos maiores bancos comerciais do país, também privado
  • Rossiya Bank, banco usado pelo alto escalão do governo russo
  • Promsvyazbank, ligado ao oligarca Petr Fradkov
  • VEB, banco de desenvolvimento análogo ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) brasileiro

Há também outras instituições financeiras que foram atingidas que atuam como provedoras de crédito importantes em setores como agricultura e infraestrutura.

As sanções podem ser resumidas a congelamento de ativos no exterior e proibição de transações. Ou seja, os bancos russos não só ficaram barrados de novas transações com empresas e instituições financeiras dos países que impuseram as sanções, como também não conseguem movimentar seu dinheiro nesses lugares. Foi criada uma espécie de isolamento do sistema financeiro russo.

Por fim, alguns desses bancos – como VTB e VEB – foram excluídos do Swift, sistema que facilita pagamentos e transferências entre bancos de diferentes países.

Sanções contra empresas e setores


As sanções internacionais contra a Rússia também atingiram empresas de diferentes setores. Um deles é o de viagens e turismo. Companhias aéreas russas ficaram barradas de voar em vários países da Europa e nos EUA. Companhias aéreas dos países que impuseram as sanções também ficaram proibidas de fazer voos à Rússia.

Nos EUA, as sanções sobre empresas russas são majoritariamente voltadas para barrar acesso ao crédito. Ou seja, determinadas firmas estão impedidas de conseguir empréstimos de bancos no mercado americano. A lista de empresas russas sancionadas pelo governo dos EUA inclui:

  • Gazprom, estatal que é a maior produtora de gás natural da Rússia
  • Gazprom Neft, subsidiária da Gazprom e uma das maiores produtoras e refinadoras de petróleo do país
  • Transneft, estatal russa que é uma das maiores empresas de oleodutos do mundo
  • RusHydro, gigante do setor de hidrelétricas da Rússia
  • Grandes empresas de telecomunicações e transporte

Já o Reino Unido suspendeu operações de empresas russas na bolsa de valores de Londres e baniu navios russos de atracarem em portos britânicos. O governo de Boris Johnson também sancionou empresas importantes do setor bélico russo – como produtoras de tanques, mísseis, navios e aeronaves militares –, impedindo negócios de firmas britânicas com essas empresas.

Na União Europeia, medidas similares foram tomadas para restringir exportações de produtos militares para a Rússia. Exportações de bens como navios e aparelhos de comunicação foram limitadas. Empresas russas foram retiradas das bolsas de valores de países membros do bloco. Grupos russos de comunicação também foram banidos.

Outra medida tomada por países ocidentais foi restringir a exportação de bens de tecnologia de ponta para a Rússia. Isso inclui semicondutores – ou chips eletrônicos –, que estão escassos no mundo todo.

Boicotes


As medidas citadas acima dizem respeito a sanções oficiais impostas por governos contra alvos específicos ligados à Rússia – seja empresas, indivíduos ou órgãos públicos.

Mas há também movimentos de boicotes promovidos voluntariamente por empresas multinacionais, que estão restringindo, suspendendo ou encerrando definitivamente operações na Rússia. Os boicotes acontecem por diferentes motivos: em cumprimento a sanções, por receio de serem afetadas pelos conflitos ou por temor de impactos reputacionais.

Ao todo, mais de 60 multinacionais limitaram de alguma forma seus negócios na Rússia até 8 de março. A lista vem crescendo a cada dia.

Abaixo, resume algumas delas.

Setores com boicotes


PETRÓLEO E GÁS

A Rússia é uma importante produtora e exportadora de petróleo e gás natural. Embora o setor não tenha sido diretamente sancionado pelos países do Ocidente – pelo menos não até 8 de março –, empresas como BP, Shell, ExxonMobil, Equinor e TotalEnergies anunciaram venda de ativos e suspensão de novos investimentos no país. Em alguns casos, a compra de petróleo cru russo também foi paralisada.

MONTADORAS

General Motors, Toyota, Ford e Volkswagen estão entre as grandes empresas do setor automotivo a anunciarem a suspensão da exportação de carros à Rússia e/ou a paralisação de fábricas no país. A lista também inclui Volvo, Jaguar e BMW. A Renault, que tem importante fatia do mercado russo, anunciou a suspensão temporária da produção na fábrica de Moscou por problemas no fornecimento de insumos – a empresa não se pronunciou além disso.

TECNOLOGIA E REDES

Diversas empresas do setor anunciaram diferentes tipos de restrições nas operações na Rússia. A Meta (ex-Facebook), por exemplo, dificultou o acesso na Europa a conteúdo produzido por estatais de mídia russas. O Google proibiu companhias ligadas ao governo russo de anunciarem via publicidade da empresa, e restringiu a operação da ferramenta Google Pay. O Google também desmonetizou canais de estatais russas no YouTube. A Apple, por sua vez, parou de vender seus produtos no país. TikTok, Twitter, Netflix e Spotify também aplicaram restrições.

AVIAÇÃO E TRANSPORTE

Na aviação, Boeing, Airbus e a brasileira Embraer anunciaram a suspensão de novas vendas e prestação de serviços para companhias aéreas russas. Isso significa que serviços de manutenção e suporte técnico deixaram de ser prestados. Empresas de transporte marítimo também restringiram suas operações.

CARTÕES DE CRÉDITO

No sábado (5), Visa e Mastercard – gigantes do mercado de cartões de crédito – anunciaram a suspensão das operações na Rússia, barrando novas transações por cartões emitidos no país. No domingo, a American Express também anunciou medida análoga. A bandeira chinesa UnionPay tem aparecido como alternativa para as operações de compras com cartão.

VAREJO

Grandes empresas de equipamento esportivo, como Adidas, Puma e Nike, suspenderam o funcionamento de suas lojas na Rússia. Ainda na área de vestuários, a Levi Strauss & Co, Zara e marcas de luxo como Gucci, Chanel e Prada paralisaram operações comerciais no país. A Ikea, varejista sueca, também fechou lojas. O grupo francês de alimentos Danone anunciou a suspensão de novos investimentos no país.

CULTURA

Empresas de distribuição de filmes – como Warner Bros, Paramount Sony Pictures e Disney – suspenderam novos lançamentos na Rússia. O filme “Batman”, da Warner, por exemplo, não será exibido no país por ora. Já bandas internacionais como Green Day, The Killers e Iggy Pop cancelaram shows na Rússia. O concurso televisivo europeu de música, o Eurovision, impediu a participação de representantes russos na edição de 2022.

ESPORTES

A Rússia também sofreu represálias no mundo esportivo. A Fifa – entidade máxima do futebol mundial – barrou as equipes russas (nacionais e clubes) de todas as competições internacionais de futebol, impedindo a seleção do país de jogar a Copa do Mundo do Qatar, no fim de 2022. No automobilismo, a Fórmula 1 rompeu contrato com a Rússia, que deixará de receber corridas da modalidade. Já o Comitê Paralímpico Internacional decidiu barrar atletas da Rússia e de Belarus de participarem dos Jogos Paralímpicos de Inverno, que começaram na sexta-feira (4).

Embargos contra a Rússia


As sanções contra a Rússia estão sendo aplicadas em larga escala desde o início da invasão da Ucrânia. Na terça-feira (8), elas assumiram uma nova forma: a de embargo.

O embargo é uma das modalidades de sanções econômicas, e consiste em barrar importações ou exportações de um ou mais produtos específicos. No limite, o embargo pode se aplicar sobre todo o comércio com um país, como feito pelos EUA sobre Cuba desde o início dos anos 1960. Em quase seis décadas, as legislações americanas em torno do bloqueio à ilha foram alteradas em algumas ocasiões, ora apertando, ora afrouxando o embargo, que continua valendo.

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou um embargo americano sobre o petróleo e gás natural russos. Ou seja, o país deixará de comprar produtos energéticos com origem na Rússia. A decisão, por ora, é unilateral.

A União Europeia, por sua vez, anunciou um plano para reduzir a dependência de gás natural russo. A ideia é diminuir em dois terços a importação de gás do país. Não se trata, no entanto, de um embargo, uma vez que as compras continuam acontecendo.

Em resposta às medidas de países do Ocidente, o governo russo ameaçou fechar um gasoduto importante ao abastecimento da Europa. A ameaça ocorre em meio ao inverno europeu, momento de pico de consumo do produto, que é usado na calefação e em usinas termelétricas.

O embargo americano sobre o petróleo e gás russos é um novo capítulo nas retaliações econômicas ao país governado por Putin. Esses produtos são centrais na balança comercial russa. Restrições às receitas desses setores podem ter impactos significativos sobre a economia russa. Para o restante do mundo, a limitação das compras de petróleo russo pode significar um novo impulso no preço internacional do barril, que já está em alta – gerando mais inflação ao redor do planeta.

Entre os produtos de exportação da Rússia que não foram alvo direto de restrições, há os fertilizantes, que não foram barrados, por ora, pelos países do Ocidente. A própria Rússia, no entanto, recomendou suspender exportações na sexta-feira (4).

O Brasil é dependente de fertilizantes importados e tem a Rússia como principal fornecedora. Na segunda (7), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro confirmou que houve um embarque de fertilizantes russos na sexta-feira (4) em direção ao Brasil.

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Com alta dos NFTs, Tesouro dos EUA alerta sobre lavagem de dinheiro por meio da arte

Estudo do órgão aponta que mercado de artes digitais pode trazer novos riscos

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu nesta sexta-feira (4) um conjunto de recomendações para combater o financiamento ilícito no mercado de arte de alto valor e alertou que o mercado emergente de arte digital, como os NFTs (tokens não fungíveis), pode apresentar novos riscos.

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Em um estudo publicado nesta sexta-feira, o Tesouro concluiu que há algumas evidências de risco de lavagem de dinheiro no mercado de arte de alto valor, mas evidências limitadas de risco de financiamento do terrorismo, disse o órgão em comunicado.

A pesquisa mostra que os mais vulneráveis no mercado são empresas que oferecem serviços financeiros que não estão comprometidos com o combate à lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo, alertando que empréstimos baseados em ativos “podem ser usados para disfarçar a fonte original de fundos e fornecer liquidez a criminosos”.

Visitante tira fotos em frente a instalação artística em vídeo, em Hong Kong, que será convertida em NFTs e leiloada online pela Sotheby’s – Tyrone Siu – 30.set.2021/Reuters

Uma autoridade sênior do Tesouro norte-americano disse a repórteres que entre os próximos passos está obter um retorno das partes interessadas, como as do Congresso ou do setor, acrescentando que o Tesouro espera que o estudo incentive as indústrias a adotarem medidas adicionais para dificultar a lavagem de dinheiro por meio do mercado de arte. A autoridade acrescentou que o Tesouro pensará mais sobre se são necessárias medidas regulatórias adicionais neste mercado.

O estudo também disse que dependendo da estrutura e incentivos do mercado, o mercado de arte digital, como os NFTs, pode apresentar novos riscos, uma vez que suas características o tornam vulnerável à lavagem de dinheiro.

Os NFTs são uma forma de criptoativo que ganhou muita popularidade no ano passado. Todos os tipos de objetos digitais —de arte a vídeos, e até tuítes—​ podem ser comprados e vendidos como NFTs. Esses tokens não fungíveis possuem assinaturas digitais únicas que asseguram sua exclusividade.

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EUA anunciam envio de 6 mi de vacinas contra Covid para Brasil e outros países da América Latina

Governo Biden diz que 75% dos imunizantes serão distribuídos pelo consórcio Covax

Os EUA anunciaram nesta quinta-feira (3) que vão enviar, inicialmente, 6 milhões de vacinas contra a Covid-19 para o Brasil e ao menos outros 12 países da América Latina. O compartilhamento será feito via Covax, iniciativa vinculada à OMS para a distribuição de doses a países em desenvolvimento.

O montante é uma fatia das 80 milhões de doses que o presidente americano, Joe Biden, anunciou que vai enviar a outros países nas próximas semanas.

O presidente americano, Joe Biden, fala sobre combate à pandemia na Casa Branca – Carlos Barria – 2.jun.21/Reuters

Em comunicado nesta quinta, Biden divulgou os detalhes da primeira parte do plano de distribuição, com o envio de 25 milhões de vacinas para o exterior. Destas, cerca de 25%, ou 19 milhões de doses, serão distribuídas via Covax, de acordo com a participação de cada país no consórcio: serão cerca de 6 milhões de doses para a América Latina e o Caribe, incluindo Brasil, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Bolívia, El Salvador, entre outros; 7 milhões para o Sul e Sudeste da Ásia, como Índia, Tailândia, Laos e Vietnã; e 5 milhões para a África, em nações que, segundo a Casa Branca, serão selecionadas junto à União Africana.

Os outros 6 milhões de doses para fechar a conta das primeiras 25 milhões serão compartilhados diretamente com países que, ainda de acordo com o comunicado “estão passando por surtos”, como Índia e México. Apesar da situação grave da pandemia no Brasil, a Casa Branca não cita o o país nesta distribuição bilateral —o Brasil tem participação pequena na Covax por decisão do governo Jair Bolsonaro.

“Hoje, estamos fornecendo mais detalhes sobre como alocaremos os primeiros 25 milhões de doses dessas vacinas para preparar o terreno para uma maior cobertura global e lidar com surtos reais e potenciais, altas cargas de doenças e as necessidades dos países mais vulneráveis”, disse Biden em comunicado.

O restante das doses —55 milhões— vão seguir o mesmo padrão desta primeira parte do plano de distribuição: 75% via Covax e 25% de compartilhamento direto com países vizinhos e parceiros.

A Casa Branca está sob pressão internacional para ajudar nações mais pobres e em desenvolvimento no combate à pandemia, e o governo brasileiro –por meio da embaixada em Washington e o Itamaraty– pedia acesso a parte dos imunizantes.

Atrás da China em doações de vacinas, até agora os EUA não tinham decidido para onde iriam as doses, nem apresentado um plano detalhado de distribuição. Autoridades americanas dizem terem sido procuradas “por todas as regiões do mundo”, mas já haviam sinalizado que o Brasil era um dos destinos considerados por Biden.

O governo brasileiro procurou a Casa Branca pela primeira vez em março, somente depois de a imprensa americana noticiar que Biden avaliava doar doses, e após outros países já terem feito o mesmo pedido, como o México.

Em 19 de maio, o embaixador do Brasil nos EUA, Nestor Forster, reuniu-se com a coordenadora da resposta global à pandemia do Departamento de Estado americano, Gayle Smith, ao lado de representantes de outros países do hemisfério ocidental, para debater a distribução das vacinas. Mas nada de concreto foi decidido na ocasião.

Com o negacionismo do governo Jair Bolsonaro, novas variantes e um ritmo bastante lento na vacinação, o Brasil patina no combate à pandemia e é hoje um dos epicentros da crise, com quase 465 mil mortos. Os EUA, por sua vez, são líderes no número de mortos —com cerca de 595 mil vítimas— mas vê os casos, mortes e hospitalizações caírem vertiginosamente, em meio a uma campanha de imunização em massa de sucesso.

A Casa Branca comprou vacinas suficientes para imunizar três vezes toda a população, aplicou ao menos uma dose em 63% dos adultos do país, mas vinha sendo criticada por priorizar a vacinação interna, mesmo com excedentes de doses, enquanto diversos lugares do mundo estão assolados pela crise, como é o caso de Brasil e Índia.

Nos últimos dias, o ritmo de vacinação dos EUA vem caindo —com ceticismo de parte da população sobre a imunização— e Biden e governadores têm anunciado estímulos e planos para tentar chegar a 70% dos adultos vacinados até 4 de julho, quando o presidente diz que o país estará, finalmente, no chamado novo normal.

Durante um pronunciamento no início de maio, Biden anunciou que iria enviar mais 20 milhões de doses de vacina para o exterior até o fim de junho, montante que se somou às 60 milhões de doses da AstraZeneca que ele já havia se comprometido a distribuir a outros países no mesmo período.

O democrata quer liderar a diplomacia da vacina, hoje comandada pela China, que já compartilhou 252 milhões de doses com o exterior, ou seja, 42% do total de sua produção. Para comparação, as 80 milhões de doses prometidas pelos EUA representam 13% da fabricação local. A União Europeia, por sua vez, já exportou 111 milhões de doses, e a Rússia, 27 milhões, segundo o Wall Street Journal.

Biden explicou que as novas doses sairiam do escopo dos três imunizantes já aprovados para uso nos EUA —Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson— enquanto os itens da AstraZeneca ainda precisam do aval da FDA, agência reguladora americana.

A distribuição das vacinas, segundo o presidente e seus auxiliares, será feita baseada em dados de saúde pública, em acordo com parceiros e, principalmente, com o consórcio Covax Facility, iniciativa vinculada à OMS para distribuição de doses a países em desenvolvimento.

Os EUA já haviam acordado em março o empréstimo de 4 milhões de doses da AstraZeneca para México e Canadá, mas o número destinado aos países vizinhos foi considerado simbólico.

No fim de abril, houve o anúncio do compartilhamento dos 60 milhões de doses da AstraZeneca, que estavam paradas nos estoques, sem autorização de uso pela FDA.

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Ex-candidato Ex-candidato dos EUA que se recusava a usar máscara morre após contrair covid-19

O ex-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos Herman Cain, um apoiador do presidente Donald Trump que se recusava a usar máscara durante a pandemia de coronavírus, morreu nesta quinta-feira, 30, após contrair covid-19, como informou seu site e seu perfil no Facebook.

Cain, de 74 anos, soube de seu diagnóstico em 29 de junho, nove dias depois de participar de um comício de Trump na cidade de Tulsa, Oklahoma, onde ele e muitos outros se reuniram sem usar máscaras contra a disseminação do coronavírus.

Ele passou a maior parte do mês de julho em um hospital da região de Atlanta. “Estamos com o coração partido e o mundo ficou mais pobre: ​​Herman Cain foi para ficar com o Senhor”, dizia a declaração em seu site. Cain sofreu complicações respiratórias por causa do vírus.

Muitos apoiadores de Trump rejeitaram o conselho de especialistas em saúde pública e se recusaram a usar máscaras faciais, o que pode impedir a propagação do vírus, tornando essa escolha um tipo de declaração política no país.

Pouco antes de anunciar seu diagnóstico, em 2 de julho, Cain voltou a defender sua posição e manifestar apoio à não exigência de máscaras em um evento de 4 de julho em Monte Rushmore, em Dakota do Sul, que teve a participação de Trump.

“Máscaras não serão obrigatórias para o evento, que contará com a presença do presidente Trump. AS PESSOAS ESTÃO FARTAS”, tuitou o republicano.

Mensagens de condolências chegaram de importantes conservadores, enquanto alguns liberais usaram a ocasião para promover o uso de máscaras. “Herman Cain fará falta, ele foi uma das maiores vozes conservadoras de todos os tempos. Nunca esquecerei seu rosto sorridente”, disse Jenny Beth Martin, co-fundadora do Tea Party Patriots, no Twitter.

Cain, que se considerava um homem do ABC – American Black Conservative – ​​havia acabado de começar a apresentar um novo programa na Newsmax TV e esperava desempenhar um papel na campanha eleitoral de 2020, informou o comunicado.

Ele fez sua fortuna como diretor-executivo da Godfather’s Pizza e liderou algumas pesquisas no início da corrida para a nomeação presidencial republicana de 2012, impulsionada por sua proposta 9-9-9 para um imposto corporativo, de renda e de vendas de 9%.

Durante a campanha presidencial de 2016, ele se tornou um defensor de Trump, que no ano passado planejava nomear Caim para uma cadeira no poderoso Conselho de Governadores do Sistema de Reserva Federal dos EUA, que estabelece taxas de juros de referência.

A indicação em potencial enfrentou resistência imediata, mesmo dentro do Partido Republicano, quando os críticos expressaram preocupação com indicações partidárias de Trump servindo em um conselho tradicionalmente apartidário. 

Economistas e investidores de Wall Street também questionaram as qualificações de Cain para ocupar a vaga e lembraram as múltiplas acusações de abuso sexual e má-conduta que surgiram contra ele durante sua campanha, em 2012. Cain sempre negou as acusações, mas depois de saber que uma das mulheres que alegava ser sua vítima disse que testemunharia contra ele nas audiências de confirmação na Câmara, ele retirou seu nome da indicação./Reuters e EFE  

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EUA ordenam fechamento de consulado chinês, e Pequim prepara retaliação

O governo dos Estados Unidos determinou, nesta quarta-feira (22), o fechamento do consulado da China em Houston, no estado do Texas, em meio à escalada de tensões entre os dois países.

O Departamento de Estado americano disse que a medida é uma resposta a uma série de ações feitas por Pequim que violaram a soberania dos EUA. Segundo o comunicado da pasta, o objetivo é “proteger a propriedade intelectual americana e as informações privadas dos americanos”.

“A República Popular da China se envolve há anos em amplas operações de espionagem ilegal e de operações de influências por todo os Estados Unidos contra autoridades e cidadãos americanos”, disse a porta-voz Morgan Ortagus, durante visita do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Copenhague, na Dinamarca.

Pompeo tem se reunido nesta semana com líderes da União Europeia exatamente para reforçar os laços com o bloco e garantir o apoio da Europa nos conflitos cada vez mais frequentes com a China. A cada novo pronunciamento ou entrevista a jornalistas, o secretário retoma o discurso de oposição a Pequim.

“Os EUA não vão tolerar qualquer violação da nossa soberania nem intimidação do nosso povo por parte da China, como tampouco toleramos as práticas comerciais injustas, o roubo dos empregos americanos e outros comportamentos”, disse Ortagus. ​

“A Convenção de Viena diz que os diplomatas de Estado devem ‘respeitar as leis e as regras do país anfitrião’ e ‘têm o dever de não interferir nos assuntos internos desse Estado'”, acrescentou ela.

“O presidente Trump insiste na justiça e na reciprocidade em nossas relações com a China.”

A China tem 72 horas para cumprir a determinação do governo americano, e os funcionários do consulado devem deixar o prédio até o final da semana. O prazo foi considerado uma “manifestação de pânico” por Hu Xijin, editor do jornal The Global Times, controlado pelo Partido Comunista Chinês.

Na noite desta terça-feira (21), a imprensa de Houston disse que os funcionários do consulado chinês na cidade queimaram documentos no pátio do edifício. Imagens divulgadas por emissoras de TV locais mostraram barris com conteúdo em chamas e pilhas de caixas no local.

Bombeiros foram acionados por vizinhos do prédio, mas não puderam entrar.

Um policial disse à emissora KRPC que há uma ordem de despejo a ser cumprida, na tarde da próxima sexta-feira (24), no prédio do consulado e em um condomínio onde moram vários dos funcionários chineses.

Autoridades de Pequim condenaram o fechamento do consulado, classificado pelos diplomatas como uma “provocação política que viola gravemente o direito internacional”.

“A China condena esta decisão escandalosa e injustificada”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin. Ele pediu que Washington recue da medida e prometeu uma retaliação caso isso não aconteça.

“O fechamento unilateral do consulado geral da China em Houston dentro de um curto período de tempo é uma escalada sem precedentes de suas ações recentes contra a China”, disse Wang.

“Instamos os EUA a revogar imediatamente essa decisão errônea. Se insistir em seguir esse caminho errado, a China reagirá com contramedidas firmes.”

Segundo a agência de notícias Reuters, o regime de Xi Jinping está considerando ordenar o fechamento do consulado americano em Wuhan, cidade onde foi confirmado o primeiro caso da Covid-19.

Para Daniel Russel, o principal diplomata dos EUA na Ásia até o início do governo Trump, a medida dos EUA foi dramática e deve reduzir ainda mais os canais diplomáticos com a China.

“O prazo abrupto de despejo de 72 horas parece calculado para aumentar o estrago”, disse Russel. “E dado que o presidente Trump decidiu concorrer à reeleição [com um discurso] contra a China, parece plausível que esse movimento tenha mais a ver com política do que com propriedade intelectual.”

Já o diplomata David Stilwell, secretário assistente dos EUA no Leste da Ásia e do Pacífico, disse que o fechamento do consulado em Houston foi um “passo prático” para impedir os esforços do Exército chinês de aprimorar suas habilidades de guerra.

“O epicentro de todas essas atividades facilitadas pela China é este consulado em Houston”, disse Stilwell ao jornal The New York Times. “Ele tem um histórico de envolvimento em comportamento subversivo.”

A decisão dos EUA não é inédita. Em 2017, o governo Trump fez o mesmo movimento contra um consulado da Rússia em San Francisco. Na ocasião, o fechamento foi uma retaliação às restrições feitas pelo governo de Vladimir Putin em relação ao número de diplomatas americanos em Moscou.

O fechamento do consulado em Houston, entretanto, tem um peso simbólico importante neste cenário de disputa entre China e EUA.

A unidade, fundada em 1979, foi a primeira a ser estabelecida por Pequim em território americano. Além do Texas, o segundo maior estado do país em extensão territorial, população e participação na economia, a área de cobertura do consulado abrange outros sete estados da região Sul —Oklahoma, Louisiana, Arkansas, Mississippi, Alabama, Geórgia e Flórida— e também Porto Rico.

Com o fechamento, a diplomacia chinesa nos EUA segue representada por outros quatro consulados localizados em Chicago, Los Angeles, Nova York e San Francisco, além da embaixada na capital, Washington. Os americanos, por sua vez, mantêm cinco consulados na China continental —Shenyang, Xangai, Chengdu, Cantão e Wuhan— e um em Hong Kong.

Em comparação, o Brasil possui dez consulados em território americano, além da embaixada.

A pandemia do novo coronavírus acirrou ainda mais a Guerra Fria 2.0 entre China e Estados Unidos.

Nesta terça-feira (21), o Departamento de Justiça dos EUA já tinha acusado dois hackers chineses de roubar informações sobre projetos de vacina contra a Covid-19 e de violar a propriedade intelectual de empresas nos EUA e em outros países.

Os americanos, com Donald Trump à frente, passaram meses insinuando que os chineses haviam liberado o novo coronavírus, acidentalmente ou não, de um laboratório em Wuhan.

Já autoridades de Pequim chegaram a afirmar que uma delegação militar americana havia dispersado o patógeno durante competição esportiva na cidade onde a Covid-19 surgiu.

Hoje os EUA são o país mais afetado pela pandemia, com quase 4 milhões de casos, enquanto a China estacionou e conta pouco mais de 85 mil infecções.

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Disputa por equipamentos médicos opõe EUA e Europa a países emergentes

Caixas de máscaras retiradas de aviões de carga na pista de pouso de aeroportos. Países pagando o triplo do valor de mercado para ganhar licitaçõesAcusações de “pirataria moderna” feitas conta governos que tentam conseguir materiais médicos para suas próprias populações.

Enquanto os Estados Unidos e integrantes da União Europeia competem para comprar equipamentos médicos escassos para combater o coronavírus, outra disparidade preocupante está vindo à tona: os países em desenvolvimento estão perdendo para os mais desenvolvidos na disputa global por máscaras e materiais usados em testes.

Cientistas da África e da América Latina ouviram de fabricantes que seus pedidos de kits de testes não poderão ser atendidos por meses porque a cadeia de fornecimento está sobrecarregada e quase tudo o que eles produzem está indo para os EUA ou para a Europa.

Todos os países denunciam aumentos vertiginosos nos preços de materiais que vão de kits de testes a máscaras.

Somada a novas distorções no mercado privado, a enorme demanda global por máscaras está obrigando alguns países em desenvolvimento a pedir ajuda à Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Etleva Kadilli, encarregada de suprimentos da agência, disse que está tentando comprar 240 milhões de máscaras para ajudar cem países, mas até agora só conseguiu encontrar 28 milhões.

“Há uma guerra sendo travada nos bastidores, e nossa maior preocupação é que os países mais pobres saiam perdendo”, disse Catharina Boehme, executiva-chefe da Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores (que tem sede na Suíça), que colabora com a OMS (Organização Mundial de Saúde) para ajudar países pobres a terem acesso a exames médicos.

Muitos países da África, da América Latina e de partes da Ásia já estão em desvantagem, com sistemas de saúde subfinanciados, frágeis e muitas vezes carentes dos equipamentos necessários. Um estudo recente constatou que alguns países emergentes contam com apenas um leito de UTI por cada milhão de habitantes.

Até agora o mundo em desenvolvimento informou muito menos casos e mortes por coronavírus, mas muitos especialistas receiam que a pandemia seja especialmente devastadora para os países mais pobres.

A realização de testes constitui a primeira defesa contra o vírus e é uma ferramenta importante para evitar que um número tão alto de pacientes acabe hospitalizado. A maioria dos fabricantes quer ajudar, mas a indústria de nicho que produz os equipamentos para testes e os reagentes químicos necessários para processar os testes em laboratório enfrenta uma demanda global enorme.

“Nunca antes houve uma escassez de reagentes químicos”, comentou Doris-Ann Williams, executiva-chefe da Associação Britânica de Diagnósticos In Vitro, que representa produtores e distribuidores dos testes de laboratório usados para detectar o coronavírus. “Se fosse apenas um país com uma epidemia, não haveria problema, mas todos os grandes países do mundo estão querendo a mesma coisa ao mesmo tempo.”

Para os países menos desenvolvidos, disse Boehme, a competição por recursos pode causar uma “catástrofe global”. Isso porque a cadeia de fornecimento, que antes funcionava de maneira lógica, deteriorou rapidamente e virou uma queda de braço.

Os líderes “de todos os países” telefonam pessoalmente aos executivos de empresas manufatureiras, exigindo acesso prioritário aos artigos e equipamentos vitais. Alguns governos chegam a oferecer enviar jatos particulares.

Amilcar Tanuri, no Brasil, não tem como oferecer jatinhos particulares. Ele é o diretor dos laboratórios públicos da UFRJ ( Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Metade dos laboratórios “está parada sem fazer nada” em vez de estar testando os profissionais de saúde, ele explicou, porque os reagentes químicos necessários estão sendo enviados para países mais ricos.

“Se você não tem exames confiáveis, está cego”, disse Tanuri. “Estamos no começo da curva epidêmica. Estou com muito medo de o sistema de saúde pública daqui ficar sobrecarregado em pouquíssimo tempo.”

O Brasil é o país mais fortemente atingido da América Latina, com mais de 18 mil casos confirmados de coronavírus e pelo menos 23 mil exames atrasados. O país é também o ator mais controverso da região em termos da pandemia: o presidente Jair Bolsonaro é cético declarado dos riscos do coronavírus.

Longe do barulho político, contudo, os cientistas brasileiros começaram a tentar aumentar o número de testes realizados assim que foi anunciado o primeiro caso de coronavírus no país.

Em questão de semanas, porém, Tanuri estava tendo que telefonar desesperadamente para firmas particulares em três continentes, num esforço para adquirir os reagentes químicos necessários para processar as 200 amostras de testes que seus laboratórios recebem diariamente –apenas para ouvir que os EUA e a Europa já tinham comprado meses de produção dos reagentes.

“Se comprarmos alguma coisa para chegar em 60 dias, será tarde demais”, ele explicou. “O vírus avança mais rápido do que a gente consegue andar.”

A situação é semelhante em alguns países africanos.

Depois de noticiar sua primeira morte pela Covid-19 em 27 de março, a África do Sul agiu prontamente, decretando um confinamento rígido e anunciando um programa amplo de revistas casa a casa que já levou 47 mil pessoas a ser testadas.

O país possui mais de 200 laboratórios públicos, uma rede impressionante que ultrapassa as de países mais ricos como o Reino Unido e que foi desenvolvida em resposta a epidemias anteriores de HIV e tuberculose.

Como o Brasil, entretanto, a África do Sul depende de fabricantes internacionais para obter os reagentes químicos e outros equipamentos necessários para processar os testes. François Venter, especialista em doenças infecto-contagiosas que está assessorando o governo sul-africano, disse que a dificuldade em obter os reagentes coloca em risco a resposta total do país ao coronavírus.

“Temos a capacidade de realizar testes em grande número, mas estamos com as mãos amarradas porque os materiais usados nos testes, os reagentes, não estão chegando”, ele explicou. “Não somos tão ricos como outros países. Não temos tantos ventiladores. Não temos tantos médicos. Nosso sistema de saúde já estava em situação precária antes do coronavírus.”

“O país está apavorado”, ele acrescentou.

Especialistas dizem que a indústria que produz kits para testes é pequena. Williams, a representante da indústria no Reino Unido, disse que não há escassez de reagentes químicos, mas que a demora ocorre no processo de produção, incluindo as verificações e aprovações necessárias, porque a grande demanda está sobrecarregando o sistema.

“Os fabricantes não querem vender apenas aos países ricos”, disse Paul Molinaro, diretor de fornecimento e logística da OMS. “Eles querem diversificar, mas estão enfrentando uma grande competição de demandas de diferentes governos.”

“Em um ambiente hipercompetitivo, com preços em alta, esses países de baixa e média renda acabam ficando no fim da fila”, ele comentou.

Na semana passada o presidente americano, Donald Trump, evocou a Lei de Produção de Defesa para proibir a exportação de máscaras faciais a outros países e exigir que empresas americanas aumentem a produção de materiais médicos.

Uma companhia americana que produz máscaras, a 3M, respondeu avisando que haverá “consequências humanitárias importantes” se ela deixar de fornecer máscaras à América Latina e ao Canadá.

Esta semana a empresa e a administração Trump chegaram a um acordo que permite à 3M continuar exportando para países em desenvolvimento e ao mesmo tempo forner 166 milhões de máscaras aos Estados Unidos nos próximos meses.

No mês passado a Europa e a China introduziram suas próprias restrições às exportações de testes e equipamentos de proteção.

Mas algumas firmas particulares vêm deixando o lucro de lado para ajudar países em desenvolvimento com sistemas de saúde mais frágeis.

Uma fabricante britânica de testes, a Mologic, recebeu verbas governamentais para desenvolver em parceria com o Senegal um teste de coronavírus a ser feito em casa, que dará o resultado em dez minutos e, se for aprovado, custará menos de US$1(R$ 5,09) para ser produzido. O teste não dependerá de laboratórios, eletricidade ou da aquisição de materiais caros de fornecedores globais.

A Mologic concordou em compartilhar sua tecnologia com o Instituto Pasteur de Dacar, um laboratório de referência senegalês, para ajudar a produzir o kit “ao preço de custo”. A meta é disponibilizar o teste amplamente, mas o objetivo principal é desacelerar a propagação do vírus na África.

Para os países mais pobres, o problema do fornecimento não se limita aos testes.

A Zâmbia está no início de sua curva epidêmica, com apenas uma morte até agora, mas já está tendo dificuldade em adquirir máscaras, além de materiais de testes como cotonetes e reagentes, diz Charles Holmes, membro do conselho de direção do Centro de Pesquisas de Doenças Infecto-contagiosas do país e ex-diretor médico do plano de emergência da administração de Barack Obama para o combate à Aids.

Holmes contou que quando a Zâmbia tentou fazer um pedido de máscaras N95, o intermediário tentou vendê-las por “cinco a dez vezes” o custo normal, apesar de verificações terem revelado que o prazo de validade das máscaras terminara em 2016.

“É difícil para países ou governos ter essas discussões com fabricantes quando países muito mais ricos estão tendo as mesmas discussões”, ele disse. “No caso de muitos desses materiais, o setor privado provavelmente vai atender a quem oferecer um valor mais alto. É assim que os negócios funcionam.”

folha

China autoriza teste em humanos de vacina contra o coronavírus

A China deu o aval para que pesquisadores iniciem testes de segurança em humanos de uma vacina experimental contra o novo coronavírus, em meio à corrida para desenvolver uma imunização contra a Covid-19.

Cientistas da Academia de Ciências Médicas Militares da China, ligada ao exército, receberam a aprovação para iniciar os ensaios clínicos em estágio inicial dessa potencial vacina a partir desta semana, informou na terça-feira (17) o “Diário do Povo”, jornal oficial do Partido Comunista chinês, citado pela agência de notícias Reuters.

Enquanto isso, cientistas norte-americanos realizaram o primeiro teste da vacina contra o coronavírus em humanos. Autoridades de saúde dos Estados Unidos disseram na segunda-feira (16) que voluntários de Seattle, um dos estados mais afetados pela Covid-19 no país, começaram a ser imunizados.

Por meio de comunicado, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) informou que o teste faz parte de um estudo que vai acompanhar 45 voluntários adultos saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, e deve durar ao menos seis semanas.

Segundo a agência France Presse, todo o processo de criação da vacina deve durar entre 1 ano a 18 meses, isso porque serão necessários mais testes. Neste momento, os pesquisadores querem saber qual é o impacto de diferentes doses administradas por injeção e quais são seus efeitos colaterais.

Uma das voluntárias, a norte-americana Jennifer Haller, disse à rede de notícias MSNBC que tem sua temperatura tirada durante várias vezes por dia e que é acompanhada por uma equipe médica constantemente.

“Há grandes chances de que eu esteja envolvida na descoberta da vacina, mas ainda que não seja dessa vez, pelo menos estou contribuindo como parte do processo de descoberta”, disse Haller.

Haller trabalha como gerente de operações em uma pequena empresa de tecnologia e recebeu liberação do trabalho para participar do estudo que ela ficou sabendo a partir de uma postagem no Facebook.

Esforço internacional

A vacina americana foi desenvolvida por cientistas e colabores do NIH, num trabalho conjunto com empresa de biotecnologia Moderna, com sede em Cambridge, Massachusetts. A Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), com sede em Oslo, Noruega, também direcionou fundos para a implementação do medicamento.

“Encontrar uma vacina segura e eficaz para prevenir a infecção de Sars-CoV-2 é uma prioridade para a saúde pública” – Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas.

Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos aprovados para a Covid-19, que infectou mais de 175.000 pessoas em todo o mundo desde que surgiu na cidade chinesa de Wuham (centro), no final de dezembro.

Corrida por uma solução

Laboratórios farmacêuticos e de pesquisa em todo o mundo competem para desenvolver tratamentos e vacinas para o novo coronavírus.

Por exemplo, um tratamento antiviral chamado remdesivir, desenvolvido pela American Gilead Sciences, já está nos estágios finais de testes clínicos na Ásia, e médicos na China relataram que ele demonstrou ser eficaz no combate à doença.

Mas apenas testes aleatórios permitem aos cientistas saber se é realmente eficaz ou se os pacientes se recuperariam sem ele.

Outra empresa americana, a Inovio, que está criando uma vacina baseada em DNA, comunicou que iniciará testes clínicos no próximo mês.

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EUA confirmam segunda infecção por coronavírus; outros 50 casos são suspeitos

Os EUA confirmaram nesta sexta (24) o segundo caso de coronavírus chinês. Trata-se de uma mulher na faixa dos 60 anos que mora em Chicago e voltou de Wuhan, na China (onde a epidemia parece ter começado), em 13 de janeiro.

Ela está hospitalizada para evitar o contágio e seu quadro é estável, disse Allison Arwady, diretora de saúde pública de Chicago, em entrevista a imprensa.

O primeiro caso de coronavírus nos EUA havia sido confirmado na última segunda-feira (21), em Washington. O paciente, que foi hospitalizado com pneumonia na semana passada, também havia viajado recentemente para Wuhan, na China.

Os investigadores testaram amostras do paciente em busca do vírus e os resultados positivos para a infecção foram recebidos no fim de semana. Os funcionários se recusaram a identificar o paciente, que estava bastante doente.

Além dos dois casos confirmados, 11 pessoas avaliadas no país receberam diagnóstico negativo e outros 50 pacientes estão sendo investigados.

Até esta sexta (24), 830 casos e 26 mortes foram confirmados. Além da China, outros nove países também foram afetados: Nepal, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura, EUA e Arábia Saudita. 

As autoridades cancelaram eventos do Ano-Novo chinês para impedir que o vírus se espalhe e isolaram cidades da província de Hubei, área com cerca de 40 milhões de habitantes.

Os serviços de transporte público foram totalmente paralisados, afetando pelo menos 13 cidades da região e entorno. O uso de máscaras em prédios públicos se tornou obrigatório e aqueles que desrespeitarem a medida estão sujeitos a responsabilização legal. 

A China também anunciou nesta sexta o fechamento de trechos da Grande Muralha e de monumentos emblemáticos de Pequim.

Os túmulos da dinastia Ming e a floresta Yinshan Pagoda serão fechados a partir de sábado. O Estádio Nacional de Pequim, conhecido como Ninho de Pássaro, construído para os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, teve suas portas fechadas hoje.

Na quinta (23), a OMS (Organização Mundial da Saúde) disse que ainda era cedo para declarar uma emergência internacional de saúde pública por causa do coronavírus. Apesar disso, a organização ressalta que o caso é grave e que pode piorar, porque ainda não atingiu seu ápice. 

“É uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência global. Pode ainda se torna uma”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS.



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Em meio a tensão no Irã, Bolsonaro vai discutir alta de combustíveis com Guedes e Petrobras

Após uma ação militar dos EUA matar um dos principais líderes iranianos no Iraque, o presidente Jair Bolsonaro disse que vai tratar sobre o impacto da ação com o ministro Paulo Guedes (Economia) e com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. 

Um ataque realizado pelos Estados Unidos contra um aeroporto de Bagdá, capital do Iraque, na madrugada desta sexta (3, noite de quinta no Brasil) matou o principal comandante militar do Irã e o líder de uma milícia local pró-Teerã. 

O presidente Jair Bolsonaro disse que vai discutir o impacto da tensão no Irã nos combustíveis com Paulo Guedes e Petrobras
O presidente Jair Bolsonaro disse que vai discutir o impacto da tensão no Irã nos combustíveis com Paulo Guedes e Petrobras – Mauro Pimentel/AFP

Ao sair do Palácio da Alvorada pela manhã, o presidente disse que havia tentado telefonar para Guedes e Castello Branco, mas que não havia conseguido contato. Ele nega que o governo possa fazer um tabelamento de preços, mas reconhece que se houver grande alta “complica”. 

“Que vai impactar, vai. Agora vamos ver o nosso limite aqui. Se subir, já está alto o combustível, se subir muito, complica”, afirmou. 

O governo americano confirmou em comunicado que foi o responsável pelo bombardeio realizado por um drone e que a ação foi autorizada pessoalmente pelo presidente Donald Trump. 

Do ponto de vista econômico, há uma preocupação sobre a suspensão de abastecimento de petróleo, o que já gera impacto nos preços no mercado internacional. O Iraque, o segundo maior produtor da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), exporta cerca de 3,4 milhões de barris de petróleo bruto por dia.

Bolsonaro não soube detalhar o que poderá ser feito para conter a alta dos preços dos combustíveis, já elevados no Brasil. Ele voltou a reclamar do impacto dos impostos e dos valores do transporte. Disse apenas que para que isso seja alterado é preciso “quebrar o monopólio”. 

“O que eu queria que vocês fizessem é que mostrassem pro povo duas coisas: primeiro que eu não posso tabelar nada. Já fizemos esta política no passado, não deu certo. A questão do combustível, nós temos que quebrar o monopólio. A distribuição é o que ainda mais pesa nos combustíveis, depois o ICMS”, disse.

O presidente não teceu comentários sobre a ação militar comandada pelos EUA que matou o general Qassim Suleimani, 62. Ele disse que se reunirá nesta sexta (3) com o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, para tratar do tema.

Os militares, que formam a principal base de apoio do governo, sempre se mostraram contrários a um alinhamento do Brasil com o governo de Donald Trump nos conflitos do Oriente Médio.

Na visão de generais próximos ao presidente, o país precisa manter uma posição neutra. Por outro lado, a ala ideológica do governo defende que o Brasil se posicione. 

Desde que assumiu o governo, Bolsonaro defente maior aproximação política e ideológica com os EUA e com Israel, ambos adversários dos iranianos. 

A morte do general Qassim Suleimani foi inicialmente anunciada pela TV iraquiana e depois confirmada pelo governo iraniano. Considerado um herói no país, o militar recebeu uma oração em rede nacional como homenagem e foi chamado de mártir. 

O ataque deve aumentar ainda mais a tensão entre Teerã e Washington.  

A ação teve impacto direto no preço do petróleo no exterior e deve pressionar o mercado brasileiro. 

Nesta sexta (3), os contratos futuros do petróleo subiam cerca de US$ 3 (R$ 12,09), diante das preocupações sobre a escalada das tensões regionais e a interrupção do fornecimento de petróleo. O petróleo Brent subia US$ 2,95, ou 4,45%, a US$ 69,2 por barril, às 8h19 (horário de Brasília).

O petróleo dos Estados Unidos avançava US$ 2,62, ou 4,28%, a US$ 63,8 por barril.

A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá pediu nesta sexta-feira (3) a todos os cidadãos norte-americanos que deixem o Iraque imediatamente devido à escalada nas tensões.

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Agronegócio do Brasil perde US$ 10 bi com acordo pleno entre China e EUA, diz Insper

Em um cenário de fim da guerra comercial entre China e Estados Unidos, num primeiro momento, as exportações brasileiras para o país asiático podem recuar US$ 10 bilhões, segundo projeção feitas pelo Insper. O montante equivale a 28% das vendas do agronegócio brasileiro para os chineses.

O impacto é calculado a partir do que os produtos agrícolas do Brasil perderiam se a China viesse a cumprir as medidas que foram anunciadas pelo governo americano na semana passada. Uma delas estabelece que os chineses devem elevar a importação do agronegócio americano.

Segundo o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, os chineses se comprometeram a incrementar o volume de importação em produtos agrícolas dos americanos em US$ 32 bilhões nos próximos dois anos.

Esse acréscimo ocorreria sobre uma base de US$ 24 bilhões –que equivale ao total de produtos agrícolas exportado pelos americanos em 2017, antes de guerra comercial.

Para cumprir essa parte do acordo, os chineses teriam que comprar entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões do agronegócio dos EUA em dois anos –valores que, mesmo se analisados anualmente, estão muito distantes dos US$ 13,2 bilhões exportados em 2018 pelos americanos aos asiáticos.

O problema, segundo análise feita pelo Insper, é que para recuperar os US$ 24 bilhões anteriores à guerra comercial e ainda acrescentar mais US$ 32 bilhões, em apenas dois anos, a China teria de deixar de comprar de outros fornecedores, como o Brasil.

“Em um cenário otimista para os americanos, em que eles consigam exportar US$ 30 bilhões para os chineses, como ocorreu em no seu maior pico, a China ainda teria que encontrar um caminho para os outros US$ 25 bilhões”, disse Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global.

“Parte disso vai vir do que nós exportamos hoje. Então é possível que voltemos ao patamar anterior a guerra comercial, perdendo cerca de US$ 10 bilhões em exportações de produtos agrícolas.”

As vendas do agronegócio brasileiro para os chineses tiveram um crescimento acentuado em 2018, enquanto as dos americanos despencaram. As exportações de produtos agrícolas do Brasil passaram de US$ 26,6 bilhões em 2017 para US$ 35,4 bilhões no ano passado. Enquanto isso, no mesmo período, os produtos americanos recuaram de US$ 24 bilhões para US$ 13,2 bilhões.

“Se a China suspender a taxação sobre os produtos americanos, a primeira coisa que vai ocorrer é o reequilíbrio nas vendas de soja [dos EUA aos chineses]. A soja devolve para os americanos entre US$ 11 bilhões e US$ 12 bilhões. Agora de onde virá todo o resto que o acordo prevê?”, afirmou Jank.

Os valores restantes podem vir de outros produtos da pauta agrícola dominada pelo Brasil, e que têm os EUA como grande concorrente. Carne de frango e o algodão são os exemplos destacados pelo Insper.

No primeiro caso, o produto brasileiro domina o mercado chinês há quase uma década, sendo que no ano passado os produtores brasileiros exportaram mais de US$ 1,1 bilhão em frango, enquanto os americanos não chegaram em US$ 100 milhões.

Já na situação do algodão, os Estados Unidos dominaram por muito tempo o mercado do gigante asiático, mas neste ano o Brasil deve bater seu recorde e encostar nos americanos. A projeção é que a exportação brasileira fique em US$ 711 milhões em 2019, ante os US$ 714 milhões dos americanos.

Além desses mercados, os chineses podem rever as compras de carne bovina de fornecedores americanos, cuja participação é inexpressiva, enquanto a do Brasil é predominante (vide a atual alta do preço do produto no mercado brasileiro com a forte demanda dos chineses).

Já no que tange à carne suína, embora os EUA superem o Brasil, as exportações brasileiras têm apresentado um crescimento expressivo, com menos de US$ 14 milhões em 2010 para algo em torno de US$ 570 milhões neste ano.

Jank disse ainda que houve uma quebra de safra nos EUA com a disputa, o que vai dificultar a reposição rápida do volume das exportações ao anterior ao da disputa.

“Isso demoraria mais do que dois anos. Então mais uma vez, chegar em US$ 55 bilhões nesse período parece inexequível”, disse.

Assim, para conseguir responder a demanda prevista num eventual acordo pleno com o governo Trump, os chineses teriam que fazer concessões para novos produtos, o que também pode impactar o Brasil.

“Os chineses podem criar um sistema preferencial para os Estados Unidos, como o de milho, arroz e etanol”, segundo o coordenador do Insper.

Embora aberturas preferenciais, como a desenhada acima, possam ser questionadas na OMC (Organização Mundial do Comércio), Jank lembra que há meios para os chineses contornarem a situação e também há a questão do desmonte da entidade, com o enfraquecimento do Órgão de Apelação.

“Os chineses não podem conceder a outro país da OMC um tratamento privilegiado sem fazer a mesma concessão aos outros países membros. A única maneira para fazer isso é utilizando suas empresas estatais para fazer as compras”, disse.

“E nós vamos reclamar para quem? A não nomeação dos juízes da OMC é exatamente o mundo em que a gente vai viver agora, de toma lá da cá. É complicado o mundo em que estamos vivendo.”

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Bolsonaro: encontro com Trump abre “novas frentes de cooperação”

Ele citou esforços para implementar as reformas e o equilíbrio fiscal

Em declaração à imprensa, nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje (18) que o encontro marca um “capítulo inédito” que abre “novas frentes de cooperação”. Ele destacou os esforços do seu governo para implementar as reformas em curso e o equilíbrio das contas públicas. Segundo o brasileiro, a dispensa de vistos para norte-americanos é para estimular o comércio e o turismo.

Bolsonaro agradeceu o apoio de Trump ao ingresso do Brasil na Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ele se referiu ao grupo que reúne 36 países que se guiam pelos princípios da democracia representativa e economia de mercado. “O apoio americano ao ingresso do Brasil na OCDE será entendido como um gesto de entendimento que marcará ainda mais a parceria que buscamos.”

O presidente destacou a negociação para que o Brasil ingresse como parceiro externo na Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), aliança militar criada em 1949 e que reúne 29 países, regido pelo princípio da defesa mútua em caso de ataques. “Discutimos a possibilidade de o Brasil entrar como aliado extra-Otan”, disse Bolsonaro.

Parcerias

Bolsonaro ressaltou a parceria com os Estados Unidos nas áreas de combate ao terrorismo e crime organizado, ciência, tecnologia e inovação, energia, óleo e gás. “Este encontro retoma uma antiga tradição de parceria e ao mesmo tempo abre um caminho inédito entre Brasil e Estados Unidos.”

Ele citou os esforços executados no Brasil para combater o terrorismo e o crime organizado. De acordo com o presidente, os temas estão entre prioridades e são “questão de urgência” para brasileiros e norte-americanos. Ele destacou que foi reativado um fôro de altos executivos para discutir vários temas comuns.

O presidente disse que o encontro com Trump destravou temas que aguardavam negociação. “Hoje destravamos vários assuntos que já estavam na pauta há décadas e abrimos novas frentes de cooperação. Esta é a hora de superar velhas resistências e explorar todo o vasto potencial que existe entre Brasil e Estados Unidos. O Brasil tem um presidente que não é anti-americano, caso indédito nas últimas décadas.”

Inspiração

Dizendo-se sob inspiração do presidente Ronald Reagan (1981 a 1989), morto em 2004, Bolsonaro citou uma frase do norte-americano. “O povo deve dizer o que o governo pode fazer e não o contrário”, afirmou o presidente.

Em seguida, o presidente afirmou que: “Os Estados Unidos mudaram em 2017 e o Brasil começou a mudar em 2019. Estamos juntos para o bem dos nossos povos”. “Queremos uma América grande e um Brasil também”, reiterou.

Bolsonaro afirmou que Brasil e Estados Unidos têm vários aspectos comuns. “O Brasil e os Estados Unidos também estão emanados na garantia das liberdades, no respeito à família tradicional, no temor a Deus, nosso Criador, contra a ideologia de gênerio e o politicamente correto e as fake news. Que Deus abençoe o Brasil e os Estados Unidos da América.”

Interno

Questionado se manteria relações com os Estados Unidos, em uma eventual vitória de um candidato à presidência da República, em 2020, com inclinações socialistas, Bolsonaro disse que respeitaria o resultado das eleições, pois se trata de um assunto interno. Bem-humorado, afirmou estar convencido que Trump será reeleito. O norte-americano agradeceu entre sorrisos.

Ao lado de Trump, Bolsonaro celebrou a redução do número de governos socialistas no mundo. Segundo ele, pela “via democrática”, o Brasil se “livrou desse projeto”, referindo-se ao socialismo. “Cada dia que passa essas pessoas mais voltadas para o socialismo e até mesmo para o comunismo, aos poucos vão abrindo suas mentes para a realidade.”

O presidente brasileiro reiterou a disposição em manter o intenso comércio com a China e o máximo de parceiros. Porém, ressaltou que não haverá viés ideológico. “O Brasil continuará fazendo negócios com o maior número o possível [de parceiros]. Apenas não será pelo viés ideológico.”

Após o encontro com Trump na Casa Branca, Bolsonaro depositou flores em homenagem ao soldado desconhecido.

Trump: Brasil será principal aliado dos Estados Unidos fora da Otan

Para ele, empresas americanas estão prontas para entrar no país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Brasil será designado principal aliado dos Estados Unidos fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ainda deixou aberta a possibilidade de o Brasil integrar a Otan, que é uma organização militar formada por países da Europa e da América do Norte, com origem na oposição ao socialismo liderado, na época, pela União Soviética, hoje extinta.

“Como disse ao presidente [Jair] Bolsonaro, vou designar o Brasil como principal aliado que não é da Otan, e até possivelmente um aliado da Otan. Falei com muitas pessoas a respeito disso. Nossas nações trabalham juntas para proteger os nossos povos do terrorismo, do crime transnacional, das drogas, do tráfico de armas e de pessoas, que está agora na vanguarda do crime”, disse.

Trump e Bolsonaro se reuniram na Casa Branca. Para Trump, a reunião entre ele e o presidente brasileiro foi “excelente”.

Barreiras

Trump também afirmou que as empresas de seu país “estão prontas para entrar” no mercado brasileiro, aguardando mudança nas “regras do jogo”. Trump disse que “reciprocidade” é sua palavra favorita e afirmou que Brasil e Estados Unidos estão dispostos a reduzir as barreiras comerciais entre si.

série de indústrias –  energia, agricultura, tecnologia. O presidente tem uma visão de liberar o setor privado, abrir a economia”, disse Trump, depois do encontro com o presidente Jair Bolsonaro.

“E esse é o caminho para que o Brasil tenha um crescimento econômico forte. Nossas empresas estão prontas para entrar quando essas regras do jogo forem iguais”, completou.

Trump acrescentou que uma eventual entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fará com que o país “aumente seu status”. O presidente norte-americano já havia confirmado seu apoio à entrada do Brasil na organização.

Alcântara

Ele também elogiou o Centro Espacial de Alcântara, de onde os Estados Unidos poderão lançar foguetes após ratificação do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, assinado ontem entre os dois países. A ratificação do acordo depende do congresso brasileiro.

“É um local extraordinário, não vamos entrar nos detalhes, mas devido à localização, muito dinheiro poderá ser poupado. Os voos serão muito mais curtos. A proximidade do Brasil com o Equador faz com que o lugar seja ideal”, argumentou.

Venezuela

Trump elogiou a postura do Brasil frente a crise na Venezuela. O presidente norte-americano lembrou que o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela e agradeceu o apoio brasileiro no envio de ajuda humanitária ao país vizinho.

Em seguida, Trump falou aos militares venezuelanos, pedindo para que eles deixem de apoiar o presidente Nicolás Maduro, a quem chamou de “uma marionete de Cuba”.

Foto: Reuters/Kevin Lamarque

Nos EUA, magistrados do Acre participam do 1º Intercâmbio do Fórum Nacional de Juízes

Magistrados do Acre participaram do 1º Intercâmbio Internacional do Fórum Nacional de Juízes Criminais (Fonajuc), realizado nos EUA, entre os dias 15 e 21 de novembro. Ao todo, 27 magistrados de vários Estados estiveram no evento de troca de experiências, com a oportunidade de refletir sobre as vantagens e desvantagens do sistema judicial americano, comparando-o com o sistema judicial brasileiro, especialmente na abordagem da delação premiada e do combate à corrupção. Participaram do evento a desembargadora Regina Ferrari, o desembargador Adair Longuini, a desembargadora Maria Penha e a juíza Maria Rosinete dos Reis, que também é coautora do livro Leis Penais Comentadas II.

Para os representantes acreanos, o intercâmbio foi uma experiência única, com compartilhamento de conhecimentos por meio de palestras ministradas por professores da Harvard Law School, em Cambridge (EUA), sobre temas relevantes e atuais, como corrupção e a chamada plea bargain (acordo entre a acusação e o réu).

Segundo a desembargadora Regina Longuini, foi “bastante enriquecedor o contato com outros sistemas de justiça e cultura, objetivando trazermos estas experiências e observações para o campo de estudos e debates no nosso seio acadêmico e científico, a fim de melhorarmos o nosso direito positivo. Uma delas, especialmente, de relevo, destaca-se a da colaboração premiada, de regência no campo do direito penal, ampliando a adoção do plea bargain, que é a justiça penal consensual em todas as espécies de delitos. Lá, 90% dos casos criminais são resolvidos de forma negociada. Muito contribui para a redução da impunidade. É a valiosíssima mediação fazendo a diferença”.

Já a desembargadora Maria Penha destacou que “os intercambistas brasileiros foram acolhidos com especial atenção, tanto pelos magistrados do Brasil, André Goma e Etiene, discentes da Harvard, como pelos magistrados e professores estrangeiros, resultando do intercâmbio de ideias o alargamento do pensamento em benefício da prestação jurisdicional, com a percepção de que do Acre ao Rio Grande do Sul, e do Brasil aos EUA, apesar das divergências inerentes às democracias pluralistas, a busca das melhores práticas para pacificação dos conflitos é um ideal compartilhado”.

As atividades em Boston foram finalizadas com a visita ao Department of Youth Services Judge Connely Youth Center, um centro de internação de jovens que praticaram crimes graves, inclusive assassinatos. Para a magistrada Maria Rosinete, foi um dos momentos mais importantes do intercâmbio. “Quando o jovem chega ao centro, passa por uma avaliação biológica, psicológica e social e é feita uma espécie de biografia desse jovem, para entender o que precisa ser feito, o que deu errado para que esse jovem cometesse o delito e o que pode ser feito para reabilitá-lo”. A coordenadora do centro fez uma fala marcante em relação ao que os jovens cometeram: “não são erros, são escolhas deles e são responsabilizados. Não se passa a mão na cabeça”. Para finalizar, alguns magistrados seguiram para Nova York, onde fizeram mais duas visitas às Cortes de Justiça de apelação e a que corresponde ao primeiro grau da justiça brasileira.

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Republicanos e Democratas criticam Trump de deixar acordo com Irã

A decisão de Donald Trump sobre retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã causou, internamente, reações das principais lideranças dos partidos Republicano e Democrata, sobretudo no Congresso. A maioria republicana apontou erros que precisavam ser corrigidos, mas vários líderes viram de forma crítica a ruptura com países aliados. Os democratas criticaram, seguindo a linha do ex-presidente Barack Obama que nessa terça-feira (8) chama a posição assumida por Trump de um “grande erro”.

Os republicanos que elogiaram a decisão, destacaram que o acordo de 2015 não era sólido, seguindo argumentos de Trump sobre as falhas do pacto em impedir que o Irã apoie grupos terroristas no Oriente Médio.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, afirmou que o pacto “foi falho desde o início” e que espera trabalhar para melhorá-lo junto ao presidente Trump.

“ Na minha opinião é um negócio falho e podemos fazer melhor. Claramente, há um próximo passo além disso e estamos ansiosos para ver, como faremos isso”.

O discurso moderado sobre “melhorar o acordo” foi, de certa forma, defendido pelo próprio Trump, porque ao retirar os Estados Unidos do pacto vigente, ele afirmou que pretende melhorar os termos – posição que os países da Europa defenderam, mas pelo viés do diálogo, ao invés da ruptura em um primeiro momento.

A imprensa norte-americana destacou o movimento do vice-presidente Mike Pence e do próprio Trump, horas antes do anúncio, em informar os líderes do Congresso a intenção de estudar uma maneira de melhorar os termos.

O senado republicano, Bob Corker, do Tennessee, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse ter conversado com líderes europeus e “que espera poder negociar condições melhores.

“É decepcionante que a administração não tenha conseguido chegar a um acordo com nossos aliados”, afirmou, em tom crítico. Mas o senador afirmou que “acredita que a gestão Trump irá agir rapidamente para trabalhar em direção a um acordo melhor”.

O senador republicano, Jeff Flake, do Arizona, afirmou que permitir que o Irã contorne as restrições impostas a seu programa nuclear “seria imprudente”, mas que a saída do acordo foi uma decisão errada.

“Estamos tendo problemas suficientes em todo o mundo em termos de confiabilidade”, e ponderou: “Os nossos aliados internacionais devem estar coçando a cabeça, seja em um acordo comercial ou de segurança. A América é confiável?”.

Na Câmara de representantes (câmara dos deputados), o presidente Paul Ryan, deputado republicano, evitou polemizar o tema, mas afirmou esperar que o governo dos EUA “trabalhe com os aliados para alcançar consenso em abordar uma série de comportamentos iranianos desestabilizadores”. Ryan comentou que espera que o país consiga dialogar durante o período de implementação das sanções, entre 90 a 180 dias.

Críticos no passado, agora favoráveis

Entre os líderes democratas a reação foi mais crítica, até mesmo entre os políticos que, em 2015 foram contrários ao pacto, como o atual líder da minoria no Senado, Chuck Schumer. Horas depois do anúncio da decisão pela Casa Branca, ele afirmou que “Trump parece ter um slogan, mas nenhum plano”.

“Isto é um pouco como substituir e revogar – eles usaram estas palavras na campanha, mas não parecem ter um plano real aqui”.

Dentro do comitê de relações exteriores, um dos principais representantes, o senador Bob Menendez, de Nova Jersey, falou que Trump “está arriscando a segurança nacional dos EUA, recusando irresponsavelmente parcerias fundacionais com importantes aliados na Europa e jogando com a segurança de Israel”.

Assim como o líder Chuck Schumer, Menendez foi uma das vozes dissonantes da base democrata em 2015, na época eles não concordaram com a assinatura dos termos, mas agora afirmam que “sair é um grave erro”, sem que tenha articulado um plano capaz de garantir que o Irã, não rearticule seu programa de armas nucleares.

O ex-candidato presidencial democrata, senador Bernie Sanders divulgou um vídeo em suas redes sociais em que diz o discurso do presidente Trump sobre a saída do país do acordo “foi a mais recente de uma série de decisões imprudentes que aproximam o país do conflito”.

Sanders afirmou que a decisão de “reimpor sanções” nucleares ao Irã e retirando-se do Plano de Ação Integral Conjunto colocou a nação em um caminho perigoso.

Para o senador, a decisão de Trump isolou os Estados Unidos de seus mais importantes aliados europeus – França, Alemanha e Reino Unido – que continuam apoiando o acordo e têm consistentemente afirmado que é de seus próprios interesses de segurança nacional vê-lo confirmado.Bastante crítico, Sanders destacou que “a verdadeira liderança americana e o verdadeiro poder americano não são mostrados pela nossa capacidade de explodir coisas, mas pela nossa capacidade de reunir as partes, forjar o consenso internacional em torno de problemas compartilhados”.

Donald Trump retira Estados Unidos do acordo nuclear com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje (8) sua decisão de retirar o país do acordo nuclear com o Irã. O alívio das sanções não será retirado de maneira imediata, mas em até 90 dias, podendo demorar mais que esse período – no total de 180 dias, prazo em que o país poderá negociar um novo acordo. Com a medida, ele cumpre uma promessa de campanha e isola os Estados Unidos no posicionamento contrário à manutenção do compromisso.

O pacto em 2015 foi celebrado após um compromisso do Irã em limitar suas atividades nucleares em troca do alívio nas sanções internacionais. Ao anunciar a decisão, Trump chamou o acordo de desastroso e disse que o “pacto celebrado jamais deveria ter sido firmado”, porque não provê garantias que o Irã tenha abandonado mísseis balísticos.

Trump afirmou ter conversado com França, Alemanha e Reino Unido sobre a decisão. Para ele, os recursos liberados ao Irã em virtude do acordo – cerca de U$ 100 bilhões, em ativos internacionais, teriam sido usados para produção de armas e opressão no Oriente Médio, na Síria e no Iêmen. Chamado de Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, sigla em inglês), o acordo foi firmado pelo então presidente Barack Obama e o chamado P5+1 – grupo formado pelos cinco países-membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, além da Alemanha com o Irã).

O texto final foi alcançado depois de muita negociação entre as partes, e determinava um patamar máximo de urânio enriquecido do Irã – matéria usada para energia ou armas nucleares. Trump já havia dito que o pacto era “o pior negócio do mundo”.

Durante a manhã, antes do anúncio, altos funcionários do governo Trump avisaram os principais líderes do Congresso dos Estados Unidos para explicar a decisão.

O Irã havia se comprometido a alterar sua matriz de produção nuclear para inviabilizar a produção de plutônio, produto que pode ser usado na fabricação de bombas nucleares, assim como o urânio.

Dentre os vários termos acordados à época, o pacto previa o limite de centrífugas para enriquecer o plutônio. Após a celebração do acordo, a Agência Internacional de Energia Atômica (Iaea) afirmou em janeiro de 2016 que o Irã estava cumprindo sua parte no acordo.

Donald Trump disse que o acordo tinha falhas “desastrosas” que precisam ser corrigidas. Ele afirmou que o texto em vigor restringe as atividades nucleares do Irã somente de maneira limitada – por um período limitado e afirma que a documento firmado não deteve o desenvolvimento de mísseis balísticos pelo Irã.

A proposta que Trump tinha como princípio reativar as sanções, a menos que o Congresso aprovasse uma complementação para que o acordo em vigor seja ampliado. O presidente americano pedia ainda inspeções imediatas pela Agência Internacional de Energia Atômica, e que o Irã não se aproxime da marca estipulada como “máxima capacidade” de material para produção de uma arma nuclear.

Na prática, segundo fontes ouvidas pela imprensa nos Estados Unidos, isso imporia ao Irã o break-out time, que representa uma pausa para impedir que uma bomba seja produzida, um valor estimado em um ano de produção.

Posição do Irã

O Irã afirma que seu programa nuclear não fere os princípios da paz e que os termos firmados em 2015, seriam “inegociáveis”. No domingo (6), o presidente iraniano, Hassan Rouhani, afirmou em um pronunciamento transmitido pela TV estatal, que uma ruptura pelos Estados Unidos poderia provocar um “arrependimento histórico”.

Ele reafirmou que haveria “consequências severas” se Washington decidir retomar as sanções. O país afirma que pode voltar a enriquecer o urânio em um curto espaço de tempo e poderia abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Posição da União Europeia

Os países da Europa defendem a manutenção do acordo e que os termos precisam ser preservados. França e Alemanha tentaram dissuadir o presidente Donald Trump no mês passado. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou durante uma visita a Washington.

Para a França, o acordo é de extrema importância para a manutenção do equilíbrio mundial e pela paz entre os países.

A Rússia também já afirmou que gostaria que o acordo fosse mantido e que não existiria uma “alternativa mais viável”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também visitou Trump em Washington e disse que não estava totalmente satisfeita com o acordo, mas era o pacto “possível” e que deveria ser mantido.

Risco de colapso em barragem provoca evacuação de 200 mil pessoas nos EUA

As autoridades da Califórnia, nos Estados Unidos, ordenaram a evacuação de mais de 180 mil pessoas em Oroville devido ao risco de rompimento de uma barragem. As informações são da Agência Ansa.

A barragem é considerada a mais alta dos Estados Unidos e pode sofrer danos em um trecho do vertedouro auxiliar de Oroville, a 250 quilômetros de São Francisco.

Milhares de carros que tentaram deixar a cidade acabaram provocando congestionamento na região, logo após o alerta de evacuação para Oroville, Palermo, Gridley, Themalito, South Oroville, Oroville Dam, Irivukke Eats e Wyandotte.

O governador da California, Jerry Brown, ordenou que as operações de emergência sejam aceleradas para permitir a evacuação das pessoas.