A escuta e o abraço

Outro dia, minha assessoria preparou um vídeo com algumas imagens de encontros meus com pessoas que tenho tido a sorte de ouvir ao longo de minha trajetória política – primeiro como prefeito de Rio Branco e agora como deputado federal. É uma peça simples, mas que considero fazer jus ao sentimento que move meu trabalho: o da escuta.

Quando falo em escuta, falo de um compromisso com as histórias de vida, os anseios, as angústias, esperanças e lutas enfrentadas diariamente por pessoas em todo o país, mas especialmente no Acre, minha terra. Falo de aprender com a sabedoria dos mais velhos, de se inquietar com a vibração dos mais jovens, de se indignar e se aliar às minorias.

Em um momento tão delicado como este que enfrentamos no Brasil, a importância da escuta é ainda maior. Porque só quem escuta é capaz de admitir o sentimento de descrença nas instituições e partidos políticos do país. E é também só escutando que podemos compreender, dialogar e, finalmente, encontrarmos juntos caminhos capazes de reverter esse cenário de desesperança.

Penso até que além de saber ouvir, é preciso abraçar a revolta e a descrença. Abraçar no sentido mais afetivo da palavra, como quem abraça um filho que acabou de se machucar – um abraço que diz: eu compartilho de sua dor, mas acredito que você é capaz de se livrar dela.

Eu acredito que somos capazes. Não apenas de nos levantarmos. Mas principalmente de nos reinventarmos.


Raimundo Angelim é economista, professor da Universidade Federal do Acre e deputado federal pelo Estado do Acre.