Mesmo com medidas do governo, empréstimos às empresas caem pelo terceiro mês seguido

Os bancos emprestaram R$ 322 bilhões em junho, alta de 2,5% em relação a maio. Para empresas, no entanto, houve redução de 2,4% nos novos créditos, apesar das medidas do Banco Central e do governo para destravar crédito para pessoas jurídicas.

Segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (29), a alta foi puxada pelos empréstimos às famílias, com aumento de 10,4%.

É o terceiro mês consecutivo com redução do fluxo de novos empréstimos às empresas.

A variação foi registrada na série com ajuste sazonal, que retira peculiaridades do período, como número de dias úteis a mais ou a menos, para facilitar a comparação.

A liberação de linhas que foram mais procuradas no início da crise, como capital de giro de curto prazo, despencou no mês (-25,2%). Financiamento de exportações também teve queda drástica, de 63,7%.

Já modalidades que foram mais afetadas com as medidas de isolamento social, implementadas por conta da pandemia do novo coronavírus, como antecipação de recebíveis e desconto de duplicatas, aumentaram em 34,6% e 21,1%, respectivamente.

O aumento reflete a abertura dos comércios em algumas cidades. Essas modalidades dependem de vendas para gerar garantia e com os empreendimentos fechados, a concessão dessas linhas despencou entre março e maio.

Para as famílias, modalidades ligadas ao consumo também aumentaram. O total concedido em cartão de crédito à vista —quando o valor total da fatura é pago— subiu 13,8%.

No mês, os brasileiros usaram 10,1% a mais o cheque especial em relação a maio. A contratação de crédito pessoal também aumentou em 13,3%. O consignado (com desconto em folha de pagamento) saltou 12,5%.

O estoque de crédito fechou o mês R$ 3,6 trilhões, 0,8% maior que em maio.

A taxa média de juros em junho alcançou 19,3% ao ano, queda de 1,2 ponto percentual no mês. O spread —diferença entre a taxa que os bancos pagam para captar recursos e a taxa cobrada em empréstimos— caiu 0,9 ponto.

Para as famílias, a taxa média de juros ficou em 40,7% ao ano, declínio de 2,2 pontos no mês.

Modalidades mais caras puxaram essa queda. Cartão de crédito parcelado teve redução de 19,7 pontos, rotativo regular (quando o cliente paga algum valor entre o mínimo e o total da fatura), de 6,9 pontos e cheque especial de 5,9 pontos.

Nas linhas para empresas, a taxa média de juros diminuiu 1,2 ponto percentual em junho, para 13% ao ano.

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Sebrae e BNDES promovem seminário sobre empréstimos

No próximo dia 15, em Brasília, e dia 16 em Rio Branco, o Sebrae e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estarão realizando o seminário “Oportunidades de Crédito”. O evento é destinado para Microempreendedor Individual (MEI), Microempresa (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) e conta com a parceria do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia e Sicredi.

O analista do Sebrae, Jailson Barbosa de Araújo fará a palestra de abertura do evento orientando os empreendedores sobre a documentação necessária para a aprovação do cadastro junto às instituições. “O pré-requisito básico é estar fora do cadastro de inadimplentes de outros bancos e de órgãos federais como a Receita, FGTS e a Previdência”, adianta Jailson.

Estando com a documentação em ordem, os empresários ouvirão as propostas de cada um dos quatro bancos parceiros para seus principais produtos financeiros visando a expansão ou a implementação de negócios.

“O grande problema do empreendedor é o acúmulo de pendências que acabam por deixá-lo no vermelho. Daí quando surge uma oportunidade de crédito atraente por facilidades e juros baixos, lá na frente ele descobre que está negativado”, observa Jailson.

Por esta razão, o analista orienta os empresários para que busquem orientação do Sebrae e dos bancos para que possam, juntos, estabelecer um plano de ação visando a recuperação do crédito. Interessados em participar do seminário “Oportunidades de Crédito” podem fazer inscrições pelo telefone 0800 570 0800.

Seminário “Oportunidades de Crédito”

Dia 15/08 – Auditório em Brasileia – 19h às 22h
Dia 16/08 – Auditório Sebrae – Rio Branco – 19h às 22h
GRATUITO

BNDES discute devolução antecipada de empréstimos do Tesouro

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, afirmou hoje (3) que discute com o Tesouro Nacional como antecipar o pagamento de empréstimos da União à instituição financeira. Segundo ele, após o pagamento de R$ 130 bilhões previstos para este ano, vão restar R$ 250 bilhões que seriam totalmente devolvidos ao Tesouro ao final dos contratos, por volta de 2060.

“Estamos ajustando com o Tesouro. Ainda não há uma conclusão, mas estamos discutindo como antecipar esse pagamento e principalmente ter um fluxo mais equilibrado ao longo do período. Pelo contrato, o fluxo de pagamento é todo muito próximo do final. Então vamos ter um fluxo mais permanente de pagamentos ao longo do período. Isso está em discussão”, afirmou, após participar de reunião com o presidente Michel Temer.

No último dia 29, o BNDES devolveu ao Tesouro Nacional R$ 30 bilhões, referentes à liquidação antecipada de empréstimo. Esse foi o segundo pagamento deste ano. Em março, o banco fez outro pagamento de R$ 30 bilhões. A previsão para este ano é de devolução total de R$ 130 bilhões. Com esse último pagamento, o BNDES já devolveu R$ 240 bilhões à União, desde dezembro de 2015.

Apesar de estar prevista a devolução de mais R$ 70 bilhões, em agosto, o presidente não descartou a possibilidade de adiar para o início de 2019. “A novidade é que em virtude da desvalorização cambial, o Tesouro talvez não precise desses recursos neste ano para fim de cumprimento da regra de ouro. Entretanto, há também uma questão relacionada à dívida pública. Essa devolução do BNDES reduz o tamanho da dívida pública, não reduz a trajetória. Então estamos aguardando para ver o posicionamento do Tesouro para ver se a preferência pela devolução é ainda este ano ou se poderia ser mais ao final do ano ou no início de 2019”, disse Oliveira.

Instituída pelo Artigo 167 da Constituição, a regra de ouro proíbe o governo de se endividar para cobrir gastos correntes (do dia a dia). A União só pode emitir títulos da dívida pública para financiar despesas de capital (como investimentos e amortização da dívida) ou rolar (renovar) a própria dívida pública.

Com a alta do dólar, o lucro do Banco Central (BC) aumenta e isso ajudará a equipe econômica porque o resultado positivo é transferido ao Tesouro Nacional e usado para abater a dívida pública, diminuindo as necessidades de financiamento do governo. A desvalorização do real eleva os ganhos do BC porque aumenta o valor em reais das reservas internacionais, atualmente em torno de US$ 380 bilhões.