O que muda se o Brasil classificar a covid-19 como endemia

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se reuniu nesta terça-feira (15) com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e planeja encontrar presidentes de outros Poderes em busca de apoio para sua proposta de rebaixar o status da covid-19 no Brasil de pandemia para endemia.

Estudada pelo ministério com a desaceleração recente dos casos de covid-19 no país, a proposta pode passar a valer no fim de março, caso a pasta avalie que é possível mudar as regras atuais e não tratar mais a doença como emergência de saúde pública. Especialistas questionam a iniciativa.

A seguir, explicará o que é uma endemia, por que o governo federal cogita tratar a covid-19 como doença endêmica e o que mudaria na prática se essa medida se confirmar. Traz também avaliações de pesquisadores sobre a proposta.

O que é uma endemia


Doenças são consideradas endêmicas quando estão sempre presentes — ou seja, é improvável que sejam erradicadas —, mas sua propagação é estável e previsível e seus surtos estão limitados a determinada região. A dengue, por exemplo, é uma doença endêmica no Brasil.

A endemia se diferencia da epidemia por representar um “comportamento usual e esperado de uma doença em uma população”, enquanto a epidemia é uma modificação nesse padrão de casos — isto é, um aumento da circulação da doença além do esperado.

Mulher sentada no ônibus, usando máscara, olha através da janela. Há um homem sentado na frente dela, também de máscara, e outras pessoas ao fundo.
FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS – 16.FEV.2022

Os coronavírus, por exemplo, são conhecidos pela ciência desde os anos 1960. Os quatro tipos do vírus que há séculos causam resfriados comuns em humanos são endêmicos — a versão do vírus que causa a covid-19, por outro lado, se tornou uma epidemia e, mais tarde, uma pandemia (quando o vírus se espalhou a nível global).

A gripe, causada pelo vírus da influenza, também é uma doença endêmica. Estima-se que, por ano, morram em todo o mundo 650 mil pessoas devido à gripe sazonal — em comparação, em 2021 morreram 3,5 milhões por covid-19. O fato de a gripe ser endêmica implica a aceitação dessa letalidade, e não há adoção de medidas rigorosas para prevenir seu contágio, como o isolamento social e lockdowns.

A OMS (Organização Mundial da Saúde), maior autoridade sanitária do mundo, é o organismo responsável por declarar pandemias como a da covid-19. Apenas ela pode fazer de fato a reclassificação da doença para endemia — o que ainda não fez. Governos como o do Brasil não têm essa competência.

Quando fala em “rebaixar” a pandemia de covid-19 para endemia, o Ministério da Saúde busca, mais precisamente, decretar o fim do estado de emergência em saúde pública instituído pelo poder público em 2020 para lidar de forma mais adequada com os desafios da doença no Brasil.

O que muda nesse cenário


Com a revogação do estado de emergência de saúde pública, normas ou recomendações sanitárias estabelecidas pelo governo federal desde março de 2020 para combater a pandemia de covid-19 no Brasil podem perder validade. Entre elas, estão:

  • o isolamento de pessoas infectadas com o coronavírus
  • restrições para entrada e saída do país por causa da covid-19
  • exigência de testes ou exames médicos de pessoas com sintomas

A lei n. 13.979, que estabeleceu as medidas para enfrentar a pandemia em 2020, também facilitou importações de medicamentos, dispensou licitação para compras de insumos ou equipamentos usados no combate à covid-19 (como respiradores) e permitiu a autorização emergencial de vacinas.

A Coronavac e o imunizante da Janssen, por exemplo, receberam da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorização apenas para uso emergencial no Brasil, o que se deve ao estado de emergência de saúde pública — outras vacinas, como a da Pfizer, receberam autorização definitiva. Caso o estado de emergência seja revogado, em tese essa permissão também cai.

Levantamento preliminar divulgado pelo jornal O Globo mostra que, apenas no Ministério da Saúde, há pelo menos 168 portarias cujos efeitos estão vinculados ao estado de emergência e que seriam invalidadas caso ele fosse finalizado. Outros órgãos do governo que criaram novas normas por causa da pandemia também devem ser afetados.

Imagem mostra homem idoso vestido a camisa da seleção brasileira recebendo vacina no braço esquerdo de profissional de saúde usando avental, touca e máscara
FOTO: BRUNO KELLY/REUTERS – 9.FEV.2021

O ministro Marcelo Queiroga tem indicado que busca uma saída do atual status de pandemia de forma gradual. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, auxiliares do ministro avaliam saídas como publicar instrumentos transitórios para estimular a redução das restrições e reconhecer que a doença perdeu força, mas deixar margem para medidas como o uso emergencial das vacinas.

Experiências bem-sucedidas nestes últimos anos nas políticas públicas também poderão ser incorporadas de forma definitiva à administração pública. Em entrevista ao jornal O Globo, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, citou como exemplo para ficar a aplicação de consultas médicas não presenciais.

Parte das restrições que o governo federal planeja derrubar, como a recomendação do uso de máscaras, já caiu em parte do país, devido à permissão dada pelo Supremo Tribunal Federal em 2020 para que os estados e municípios definam com autonomia suas políticas contra a covid-19. Capitais como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Luís e estados como São Paulo e o Distrito Federal flexibilizaram o uso de máscaras desde o fim de 2021.

O que o governo afirma


A justificativa do ministro Marcelo Queiroga para buscar o rebaixamento do status da covid-19 de pandemia para endemia é considerar que o cenário da covid-19 no Brasil está controlado depois da onda de infecções no início do ano causada pela variante ômicron.

Desde a metade de fevereiro, quando a onda causada pela ômicron chegou ao pico, os números de casos e óbitos pela doença têm desacelerado, segundo dados do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). Nesta terça-feira (15), o país registrou 52 mil infecções e 336 mortes pela covid-19.

Queiroga, de terno escuro e gravata amarela, ao microfone
FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS – 05.AGO.2021

O quadro se reflete na tendência de redução de internações e ocupações de leitos de UTI (unidades de terapia intensiva), medidas pelo Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em 11 estados, segundo o boletim mais recente do grupo, essas taxas caíram de forma expressiva na semana do dia 8 de março.

Ao mesmo tempo, a vacinação tem avançado. Nesta terça (15), 73,6% da população estava vacinada com duas doses do imunizante contra a covid-19, pouco mais de 32% — número ainda considerado pequeno — estava vacinado com a terceira dose de reforço e 52,8% das crianças de 5 a 11 anos estavam vacinadas com a primeira dose, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.

A possibilidade de que a covid-19 se torne endemia tem sido cogitada desde o fim de 2021 pela comunidade científica. Para a maioria dos especialistas, com o fim da pandemia a doença pode ter comportamento semelhante ao da gripe comum — as vacinas vão conseguir reduzir a evolução para quadros graves e mortes, mas não impedir a transmissão do vírus.

Imagem mostra duas mulheres de avental azul e máscaras brancas conversando no corredor de um hospital. Uma delas apoia a mão no ombro da outra
FOTO: DIEGO VARA/REUTERS – 14.JAN.2022

Queiroga havia cogitado reduzir as restrições contra a doença pela primeira vez em dezembro. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, seu plano era lançar um documento recomendando desobrigar o uso de máscaras no Natal. O plano foi interrompido pelo surgimento da variante ômicron, identificada pela primeira vez no Brasil em novembro de 2021.

Ainda segundo informações de bastidores divulgadas pelo jornal, o ministro quer ser reconhecido como o gestor que encerrou a crise sanitária no Brasil. Em conversa com integrantes de outros Poderes, ele busca articulação para viabilizar o fim da emergência de saúde pública.

Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, disse ter preocupação com a possibilidade nesta terça (15). Entre os motivos, está o crescimento de casos de covid-19 na China, que enfrenta sua pior onda da doença em dois anos. Ele afirmou, porém, que deve levar a discussão para líderes do Senado.

O que especialistas dizem


Com o anúncio do governo federal de que estuda mudar o status da covid-19, especialistas da área de saúde pública têm dito que a medida é precipitada e que os números da doença, apesar de mais baixos que no pico da onda causada pela ômicron, ainda estão altos para que se retirem as restrições.

Brigina Kemp, assessora técnica do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde de São Paulo e integrante do Observatório Covid-19 BR, afirmou ao jornal Nexo no início de março que não se pode comparar o cenário de agora apenas com a onda de janeiro, que registrou recordes de infecções.

Foto tirada de cima, mostra várias pessoas sentadas em cadeiras afastadas, esperando
FOTO: LUCAS LANDAU/REUTERS – 12.01.2022

“[Para estabelecer a endemia] teríamos que ter um número de casos bem inferior ao que tivemos [durante toda a pandemia] e observar sua manutenção durante meses ou anos”, disse. Apesar de ter se estabilizado nas últimas semanas, o cenário da covid-19 ainda é imprevisível, e a doença poderia registrar novas altas com novas variantes, por exemplo.

Outro motivo que tem levado pesquisadores a desconfiar do rebaixamento da covid-19 para endemia é a falta de parâmetros para a decisão. Ainda não se sabe qual o número de casos e mortes pela doença aceitáveis ou esperados no cenário endêmico, por exemplo.

“Só podemos falar de endemia quando conhecemos a tendência histórica da doença bem estabelecida, e ainda não temos isso para a covid”, disse o professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Lotufo ao jornal Folha de S.Paulo. O epidemiologista atribui essas incertezas à própria novidade da covid-19, descoberta em 2019.

Mulher idosa passa em frente a uma loja com manequins e roupas expostas do lado de fora, sob um toldo. A mulher veste máscara, carrega uma bolsa no ombro esquerda e um saco plástico com algum produto nos braços.
FOTO: PILAR OLIVARES/REUTERS – 19.NOV.2020

Nésio Fernandes, secretário de Saúde do governo do estado do Espírito Santo, levantou no início do mês em suas redes sociais alguns critérios que poderiam nortear o rebaixamento da covid-19 para endemia. Entre eles, estão cobertura vacinal de 90% com duas doses, três a quatro meses de baixa incidência, ausência de novas variantes de preocupação e incorporação de novos tratamentos no sistema de saúde.

“Decretos e portarias não mudam o comportamento da transmissão”, disse no Twitter no dia 3 de março. Os critérios que Fernandes levantou, porém, ainda não são consenso. A OMS não determinou, no Brasil ou em outros países, o que deve ser levado em conta para se cogitar o estado de endemia, nem disse cogitar mudar o status da covid-19 em suas declarações mais recentes.

Julio Croda, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Fiocruz, afirma, por outro lado, que o avanço da vacinação e os recordes de infecções causadas pela ômicron garantiram um alto nível de proteção contra a covid-19. “A doença se tornou menos letal”, disse à BBC Brasil.

Mulher de máscara cirúrgica levanta a manga da blusa e olha para profissional de saúde com luvas de borracha que aplica vacina em seu braço esquerdo
FOTO: TIKSA NEGERI/REUTERS – 13.MAR.2021

Em fevereiro, a Fiocruz publicou um relatório dizendo que, por causa do alto nível de proteção recente da população, o Brasil tem a chance de frear a covid-19 ainda em 2022. Alcançar esse resultado, porém, dependeria da manutenção das restrições contra a doença nestes próximos meses.

Essas considerações não trabalham com a possibilidade de que surja uma nova variante de preocupação do coronavírus. Nesta terça-feira (15), o Ministério da Saúde confirmou dois casos no Brasil da variante deltacron, combinação do material genético da delta e da ômicron. A OMS ainda estuda a variante e não encontrou evidências de que ela seja mais transmissível ou letal.

O que outros países fizeram


Parte dos países da Europa retirou as restrições contra a covid-19 nos últimos meses, em meio à onda de infecções causada pela variante ômicron. A Dinamarca, por exemplo, suspendeu todas as normas sanitárias no início de fevereiro, mesmo com o avanço de casos.

O país justificou a iniciativa dizendo que, embora o número de casos estivesse alto na época, hospitalizações e mortes cresciam em ritmo mais lento. Os dinamarqueses também tinham alta confiança nas vacinas e dois terços haviam recebido a dose de reforço.

Grupos de pessoas agasalhadas caminham em rua ladeada por placas de estabelecimentos comerciais
FOTO: RITZAU SCANPIX/PHILIP DAVALI/VIA REUTERS – 01.MAR.2021

A Inglaterra também suspendeu as restrições contra o coronavírus em fevereiro, em uma estratégia batizada “convivendo com a covid”. O governo determinou o fim do isolamento obrigatório para pessoas infectadas e anunciou que deixaria de disponibilizar testes gratuitos para a covid.

O relaxamento foi considerado prematuro por especialistas do país, que disseram temer que com o fim das restrições a Inglaterra fique mais vulnerável a possíveis novas variantes do coronavírus. A decisão foi tomada pelo primeiro-ministro Boris Johnson a despeito das contra-indicações.

A OMS pediu em fevereiro cautela após esses anúncios e defendeu a abertura gradual dos países — apesar de não cogitar mais medidas duras, como o lockdown. Tedros Adhanom, diretor-geral da entidade, disse na época que era preocupante que países flexibilizassem as restrições sem levar em conta contra-indicações.

“Mais transmissão significa mais mortes. […] Não estamos pedindo que nenhum país retorne ao chamado lockdown. Mas estamos pedindo a todos os países que protejam seu povo usando todos os recursos disponíveis, não apenas vacinas”

Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, em declaração em fevereiro de 2022

nexojornal

ONU diz que Covid-19 gerou a pior crise sistêmica do planeta desde sua fundação

Relatório defende reforço de sistema de proteção social para minimizar desigualdades

Documento elaborado por órgãos da ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que a pandemia do novo coronavírus gerou a pior crise sistêmica do planeta desde a sua fundação, em 1945, com ampliação das desigualdades e deixando a população vulnerável em situação mais crítica.

O relatório diz que o choque econômico causado pela crise sanitária afetou consumo, investimento e produção.

O organismo defende um reforço do sistema de proteção social, incluindo programas de transferência de renda, cobertura de saúde e acesso a serviços básicos.

Publicado nesta quarta-feira (29), o documento “Covid-19 e Desenvolvimento Sustentável” foi produzido pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e a Opas (Organização Pan-americana da Saúde).

“Considerada a pior crise sistêmica já vivida no planeta desde a criação das Nações Unidas, a pandemia da Covid-19 vem atingindo a população mundial de forma desproporcional, aprofundando desigualdades e, consequentemente, tornando mais distante o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, diz o relatório.

Segundo o documento, o mundo está retrocedendo em relação aos 17 objetivos, que buscam ações para reduzir a pobreza, proteger o meio ambiente e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Entre os pontos perseguidos, estão a redução da fome, agricultura sustentável, trabalho decente, crescimento econômico, redução das desigualdades e consumo responsável.

plano da ONU é que esses objetivos, agora considerados mais distantes, sejam alcançados até 2030.

A tendência, aponta o relatório, é de uma queda do índice de desenvolvimento humano global para 2020, como resultado da pandemia. Os dados para o ano passado ainda não foram divulgados.

“Os mais vulneráveis —países e populações— têm maior dificuldade de recuperação e o cenário, já complicado para muitos (como efeito da crise econômica de 2008), tornou-se ainda mais crítico, já que muitos recursos precisarão ser mobilizados para socorrer as vítimas diretas e indiretas da doença”, diz.

No Brasil, o documento destaca que embora tenham sido registrados importantes progressos de desenvolvimento nas últimas décadas, a pandemia atingiu sobretudo a população mais frágil, evidenciando as diferenças de acesso a recursos como a rede de proteção social, serviços públicos de saúde, acesso ao emprego e à renda e moradia adequada.

Os autores afirmam que a experiência de crises sanitárias anteriores mostra que é fundamental priorizar investimentos na área social mesmo em períodos de recessão econômica.

“À medida que os governos trabalham para proteger a população da Covid-19, eles devem proteger os investimentos em todos os serviços sociais e garantir o uso eficiente de seus recursos para manter a prestação dos serviços”, diz.

O documento afirma que a proteção social será uma ferramenta fundamental para ajudar as famílias a se manterem ativas no curto prazo, além de combater a desigualdade de forma mais ampla.

O governo brasileiro passa, no momento, por um debate sobre como reforçar ações sociais em meio a restrições orçamentárias.

Em abril deste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que o governo federal terá que implementar a partir de 2022 um programa de renda básica nacional. O benefício deverá abranger toda população que esteja em situação de extrema pobreza, com renda pessoal inferior a R$ 178 mensais.

A medida também é uma das prioridades do governo, que busca uma vitrine para as eleições do ano que vem. Hoje, o valor médio do Bolsa Família é de aproximadamente R$ 190 mensais por família. O presidente Jair Bolsonaro defende que o benefício seja ampliado para pelo menos R$ 300.

O custo do novo programa passaria dos atuais R$ 35 bilhões para quase R$ 60 bilhões. No entanto, as contas federais estão comprimidas pela regra do teto, que limita o crescimento das despesas públicas à variação da inflação.

Nesse cenário, o governo trabalha para turbinar o Bolsa Família a partir da votação de três propostas no Congresso.

Será necessário aprovar a MP (medida provisória) que reformula o programa, rebatizado de Auxílio Brasil, e a proposta que limita gastos com precatórios —dívidas do governo reconhecidas pela Justiça.

Além disso, o governo ainda precisa aprovar a reforma do Imposto de Renda, com a taxação de dividendos, que será usada como fonte de compensação para essa nova despesa, uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal.

No documento, o Sistema ONU afirma que os governos precisam de espaço fiscal para investir em programas sociais. Sem dar sugestão específica para o Brasil nesse tópico, o organismo defende a paralisação de dívidas de países vulneráveis para gerar um alívio nas contas.

O relatório faz uma série de recomendações para que os países alcancem o desenvolvimento e minimizem efeitos da pandemia. Entre elas, maximizar a relação entre os entes federativos e fomentar a cooperação entre o governo e o setor privado.

Sugere ainda uma “busca por garantias aos princípios democráticos” e fortalecimento da cooperação entre os três Poderes.

O texto não faz menção a Bolsonaro, que protagonizou atritos com outros Poderes e deu sugestões golpistas nos últimos meses.

O documento ainda defende que seja dado foco a uma reforma tributária, inclusão financeira e ao trabalho formal. Também propõe que haja incentivos à economia verde.

“O Brasil precisa criar uma recuperação que ‘reconstrua melhor’, o que significa não só recuperar de imediato as economias e os meios de subsistência, mas também salvaguardar a prosperidade a longo prazo”, afirma.

“Para isso é necessária uma nova geração de políticas públicas e transformações sociais que facilitem a transição para uma sociedade menos desigual, mais resiliente e com impactos controlados sobre a natureza”, conclui o documento.

folha

Ministério da Saúde estuda eficácia de meia dose de vacina contra Covid-19 como reforço

Pesquisa feita em parceria com Universidade de Oxford avalia necessidade 3ª dose

O estudo do Ministério da Saúde em parceria com a Universidade de Oxford para avaliar a necessidade de terceira dose da vacina contra a Covid-19 deve abrir uma nova frente: o teste da meia dose de reforço.

DOSE  

A ideia é saber se as pessoas que receberem a metade de uma dose completa na terceira aplicação ficam igualmente imunizadas.

DOSE 2 

Com isso, o Brasil e outros países poderiam otimizar a aplicação de doses, vacinando o dobro de pessoas com a mesma quantidade.

DOSE 3

Num momento em que há escassez de vacinas no mundo, um resultado eventualmente positivo poderia ser celebrado por autoridades, profissionais de saúde e gestores.

MISTURA FINA 

O estudo, que começou em agosto, vai verificar a intercambialidade da Coronavac com outros imunizantes disponíveis para a população brasileira.

FINA 2 

Assim, voluntários que tomaram as duas doses do imunizante desenvolvido na China foram divididos em quatro grupos, que receberão doses de reforço da própria Coronavac, da Pfizer, da Janssen e da AstraZeneca.

FINA 3 

Os resultados vão embasar a decisão da pasta sobre o imunizante que recomendará para a terceira dose da população brasileira.

NO COMEÇO 

Por enquanto, apenas idosos e imunossuprimidos estão recebendo a dose extra —o ministério recomenda que seja aplicado o imunizante da Pfizer. Em SP, o governo usa também a da Coronavac como reforço.

folha

Pesquisa investiga relação entre baixo nível de testosterona e agravamento da Covid-19

Taxa de hormônio, que tem ação anti-inflamatória, tende a diminuir conforme piora quadro da doença

Que a Covid-19 é uma doença multissistêmica, atacando diversos órgãos do corpo ao mesmo tempo, os médicos já sabem. Os fatores de maior risco associados à piora do quadro clínico também já foram descritos.

Um desses fatores, encontrado a partir de estudos feitos em todo o mundo, é ser do gênero masculino. Já foram investigados marcadores genéticos –homens possuem cromossomos X e Y, enquanto mulheres têm dois cromossomos X–, imunológicos –homens são mais suscetíveis a doenças infecciosas do que as mulheres, que têm maior incidência de doenças autoimunes– e metabólicos, incluindo a maior ocorrência nos homens de comorbidades em conjunto –como doenças cardíacas, diabetes, hipertensão, dentre outras.

Agora descobriu-se que o sistema endócrino (responsável pela produção de hormônios) também parece estar envolvido. A ciência ainda não sabe quais são os mecanismos biológicos por trás dessa maior gravidade em homens, mas tudo parece estar ligado à presença do hormônio sexual masculino, a testosterona.

Um estudo ainda em andamento na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto está buscando a resposta para por que em homens com quadro agravado de Covid o nível de testosterona no sangue é menor.

Os resultados preliminares da pesquisa, coordenada pela imunologista Cristina Ribeiro de Barros Cardoso, já demonstram que a baixa quantidade de testosterona é vista tanto em homens com 35 anos e quadro agravado de Covid quanto naqueles de 70 anos, que já possuem naturalmente taxas mais baixas desse hormônio.

Primeiro, os pesquisadores examinaram um banco de dados do Grupo Fleury e do Hospital Sírio-Libanês, com informações de mais de 480 mil brasileiros, dos quais 25.808 (12.677 mulheres e 13.131 homens) tinham algum diagnóstico positivo para Covid (por exame RT-PCR ou de anticorpos), e viram que os homens em geral possuem marcadores de maior risco para a doença, como colesterol alto e hiperglicemia.

Depois, coletaram amostras de sangue de cerca de 300 pacientes que foram atendidos em hospitais da região de Ribeirão Preto.

“A nossa análise do banco de dados é mais macro, como se fosse uma amostra representativa da população. Agora, com os dados dos pacientes, que inclui desde casos assintomáticos com resultado positivo para o coronavírus até internados em UTIs, estamos investigando em termos moleculares os mecanismos associados a essa baixa taxa de testosterona”, diz Cardoso.

A pesquisadora elenca duas hipóteses prováveis para o baixo nível do hormônio em homens com Covid grave.

“Uma seria que ela é de fato produzida em baixa quantidade porque a infecção ataca as glândulas [como os testículos] produtoras de testosterona. Essa é a que nós sentimos ser a menos provável. A outra é que ela é produzida normalmente, porém é consumida em excesso, talvez em uma tentativa de regular a inflamação, mas que poderia, também, aumentar a infecção do vírus nas células. É isso que queremos investigar.”

Segundo esse e outros estudos, a testosterona é um hormônio facilitador da entrada do vírus nas células, mais especificamente por estar envolvida na produção de uma enzima chamada serina protease transmembranar 2 (TMPRSS2).

Em linhas gerais, o Sars-CoV-2 infecta as células ao ligar a proteína S do Spike (ou espícula do vírus) à enzima ECA2 (enzima conversora de angiotensina 2), presente em células de mucosas que revestem órgãos do aparelho respiratório, entre outros.

A TMPRSS2 é responsável por deixar a proteína S do coronavírus com um encaixe mais perfeito para a ligação com a célula —no termo médico, a clivagem da proteína.

“Ao mesmo tempo que a testosterona tem um papel anti-inflamatório que poderia ajudar a conter o processo de inflamação, na sua produção ocorre a ativação de genes responsáveis por produzir a TMPRSS2, que ajuda o vírus a entrar na célula. Acreditamos que deve haver um ajuste muito fino para impedir essa desregulação hormonal”, explica.

No final de maio, um artigo publicado na revista científica Jama (Journal of the American Medical Association) já havia demonstrado uma associação entre a baixa concentração de testosterona e maior risco de hospitalização por Covid-19.

O estudo avaliou 152 pacientes que buscaram atendimento médico entre março e maio de 2020 com sintomas de Covid. Destes, 90 eram homens, dos quais 84 foram hospitalizados.

Os pesquisadores fizeram coletas de sangue no dia de admissão no hospital e depois nos dias 3, 7, 14 e 28 após a entrada e notaram uma queda de 65% a 85% na taxa de testosterona dos pacientes graves e hospitalizados em comparação aos casos moderados.

Já os outros hormônios estudados, o estradiol (feminino) e o hormônio do crescimento (cuja produção está ligada aos hormônios sexuais), não sofreram alteração.

Em geral, a concentração mais baixa foi observada no terceiro dia após admissão hospitalar e esteve associada a uma piora do quadro. Já no dia 28, os níveis voltaram ao inicial.

Tendo em vista essas evidências, Cardoso afirma que o início da queda de testosterona em homens poderia ser usado como forma de diagnosticar se aquele paciente terá um quadro agravado ou não.

“Muitos pacientes buscam atendimento na fase leve ou moderada e ainda não requerem suporte ventilatório com intubação, ou seja, a Covid ainda não evoluiu para uma condição pior. Então o nosso estudo poderia contribuir para identificar esse ‘ponto de virada’, quando o paciente ainda está com a doença moderada, antes do estado grave.”

Mas Cardoso faz uma ressalva e contraindica o uso de suplementação hormonal como maneira de driblar uma piora do quadro clínico de Covid.

“Nesse momento, ainda não sabemos o papel que a suplementação de testosterona ou o tratamento com bloqueadores hormonais pode trazer, isso está sendo investigado. Até mesmo pelos motivos citados acima, de a testosterona facilitar a entrada do vírus nas células, uma suplementação pode ter o efeito contrário e piorar o quadro”, explica.

O projeto do consórcio ImunoCovid, que inclui pesquisadores de diferentes áreas de atuação da USP de Ribeirão Preto e da Universidade Federal de São Carlos, recebeu apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da USP Vida (programa criado para fazer avançar pesquisas e ações para compra de insumos para Covid-19). A expectativa é que dentro das próximas semanas os primeiros resultados sejam divulgados oficialmente pelo grupo.

folha

Vacina da Johnson & Johnson é segura e produz resposta imune, aponta estudo

Uma dose única da (vacina) Ad26.COV2.S induziu uma forte resposta humoral na maioria dos receptores da vacina, com a presença de anticorpos neutralizantes em mais de 90% dos participantes

A vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Johnson & Johnson obteve indicadores satisfatórios de segurança e produção de resposta imunológica, de acordo com resultados das fases 1 e 2 publicados no periódico científico The New England Journal of Medicine.

Os resultados positivos foram obtidos após aplicação única do imunizante em voluntários, com duas dosagens diferentes.

Essa característica é tida como o diferencial da vacina, já que representaria uma imunização acelerada da população.

“Uma dose única da (vacina) Ad26.COV2.S induziu uma forte resposta humoral na maioria dos receptores da vacina, com a presença de anticorpos neutralizantes em mais de 90% dos participantes, independentemente da faixa etária ou da dose da vacina”, escreveram os pesquisadores da Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, na conclusão do estudo.

Os anticorpos aumentaram e se estabilizaram ao longo de uma análise de 71 dias, o que sugere a durabilidade da resposta imune da vacina.

com informações da CNN Brasil

Chegada de matéria-prima garante à Fiocruz a produção de vacinas contra a Covid-19 até maio

A Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), recebeu nesta sexta-feira (2/4) mais 225 litros de IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), equivalente a 5,3 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Com mais este lote, a produção está garantida até maio.

O IFA é o principal ingrediente da receita. “Ele é o fermento que faz o bolo crescer. Sem ele, sobraria só farinha, açúcar e corante”, metaforiza Norberto Prestes, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos.

Cada vacina ou medicamento tem seu IFA, que também depende de outras substâncias para ser ingerido e fazer o corpo reagir.

Fiocruz já havia recebido IFA nos últimos dias equivalente a 23,5 milhões de doses. Somadas às 11 milhões já produzidas e que estão em processo de controle de qualidade, a Fiocruz garante 35 milhões de doses a serem entregues ao PNI (Programa Nacional de Imunizações).

Até o momento, o Ministério da Saúde já recebeu da Fiocruz 8,1 milhões de doses da vacina, sendo 4 milhões importadas da Índia e 4,1 milhões produzidas até esta sexta-feira (2/4).

Até 31 de março, de acordo com o Instituto de Biotecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), já havia sido entregue ao PNI mais de 2,8 milhões de vacinas Oxford-AstraZeneca.

Há três meses, quando divulgou o primeiro cronograma do acordo com a farmacêutica, a Fiocruz mencionava a disponibilidade de 15 milhões de doses em março.

Até julho de 2021, a promessa é chegar a 100,4 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca entregues ao Ministério da Saúde.

O cronograma de entregas pactuado com o órgão seguirá o esquema de entregas semanais e está sujeito à logística de distribuição definido pela pasta, além dos protocolos de controle de qualidade.

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Foto: Bio-Manguinhos

A falta de dados sobre o uso da proxalutamida contra a covid-19

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro vêm divulgando nas redes sociais uma nova “cura milagrosa” contra a covid-19 sem que haja testes conclusivos sobre a medicação. É a proxalutamida, um antiandrogênico (bloqueador de testosterona) pela farmacêutica chinesa Kintor que vinha sendo testado inicialmente para tratamento contra o câncer de próstata.

Um vídeo publicado em 11 de março no canal de YouTube do Grupo Samel, operadora de planos de saúde do estado de Amazonas, afirma que um estudo clínico mostrou alta eficácia do remédio na prevenção de mortes em pacientes graves em comparação a indivíduos que haviam ingerido placebo.

A pesquisa é uma parceria entre o Grupo Samel e a empresa americana de biotecnologia Applied Biology, especializada em medicamentos contra doenças capilares. No entanto, ela ainda não foi disponibilizada como artigo em nenhuma publicação científica nem foi revisada por cientistas independentes, passos importantes do método científico.

De acordo com a CNN Brasil, a aprovação do uso emergencial do remédio foi assunto em um almoço no Palácio do Planalto promovido por Bolsonaro para tratar da sucessão no Ministério da Saúde: o general Eduardo Pazuello está de saída para dar lugar ao médico Marcelo Queiroga. Na mesa também estava o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres. Segundo a apuração de bastidores da CNN Brasil, técnicos da agência devem se reunir com os fabricantes do medicamento em breve.

Dois dos autores do estudo, Flávio Cadegiani e Ricardo Zimerman, já apoiaram o “tratamento precoce” defendido pelo governo Bolsonaro, tratamento que não tem eficácia contra a covid-19. Zimerman chegou a viralizar com um vídeo em que recomendava remédios como a ivermectina, nitazoxanida e bromexina. Nenhum deles funciona contra a doença que já matou quase 300 mil brasileiros.

A falta de informações sobre o estudo


Como o estudo ainda não foi publicado, o que existe até agora de informação foi extraído de slides apresentados no vídeo do lançamento do trabalho. Não há detalhes, por exemplo, sobre a metodologia aplicada.

“Toda pesquisa para descobrir tratamento contra a covid-19 é válida, entretanto ela precisa ser publicada numa revista de alto impacto científico para que seus dados sejam analisados pelos pares e se verifique sua eficácia”, afirmou ao jornal Nexo Julival Ribeiro, da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Pesquisadores observam que, sem ter acesso à íntegra do estudo, dados importantes permanecem desconhecidos. “Não dá para saber qual foi o tratamento base, isso é, se além da proxalutamida, os pacientes receberam corticóide, qual foi o tipo de uso do oxigênio ou qualquer outro tipo de intervenção. Sem saber o que os participantes de cada grupo receberam nos 12 hospitais diferentes, é impossível analisar se o efeito de fato foi pelo uso da proxalutamida”, avaliou Alexandre Naime, infectologista e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), ao UOL.

Segundo as informações da apresentação exibida, o ensaio clínico que embasa o estudo contou com 590 participantes em 12 hospitais de 9 municípios do estado do Amazonas. Desse total, 294 pessoas teriam sido tratadas com proxalutamida e 296 teriam recebido um placebo. Entre as pessoas envolvidas na pesquisa, de acordo com o vídeo, 96% e 97% “precisavam de oxigênio continuamente”.

Outro slide informa que foi obtida uma redução de 92% na mortalidade dos pacientes que ingeriram a proxalutamida. Entre as conclusões divulgadas pelos autores do estudo está que o medicamento reduziu significativamente o tempo de internação hospitalar e freou a progressão da covid-19.

Ao jornal O Estado de S. Paulo um dos autores do estudo disse que o remédio inibe a produção da enzima TMPRSS2, facilitadora da entrada do vírus na célula humana. Sem essa ajuda, as chances de infecção ficariam reduzidas, de acordo com Carlos Wambier, professor assistente do Departamento de Dermatologia da Universidade de Brown, nos EUA.

Wambier, no entanto, ressaltou que os responsáveis pelo estudo em nenhum momento confirmam que a proxalutamida seja uma “cura” para a covid-19, conforme alardeado em publicações nas redes sociais de perfis bolsonaristas. O pesquisador também defendeu mais investigações com o medicamento para que sua ação seja verificada em grupos populacionais diversos e com relação a variantes da covid-19. Ele afirmou que o grupo pretende submeter o trabalho ao New England Journal of Medicine, prestigiosa publicação científica americana.

A lista de remédio sem comprovação


O remédio se junta a uma longa lista de soluções contra a covid-19 disseminadas por Bolsonaro e seus apoiadores. Os mais conhecidos são a cloroquina e a hidroxicloroquina, substâncias usadas para o tratamento de doenças como malária e lúpus.

Desde que o presidente começou a defender esses medicamentos, em março de 2020, pelo menos dez ensaios clínicos em diferentes países demonstraram que os remédios não melhoram o quadro da pessoa infectada com covid-19 nem servem como tratamento preventivo contra a doença.

Bolsonaro não desiste. Na sexta-feira (19), em uma entrevista ao vivo a uma rádio de Camaquã (RS), o presidente defendeu a “nebulização da hidroxicloroquina” como procedimento contra a covid-19.

A ideia de que existe um tratamento precoce contra a covid-19, adotada oficialmente pelo Ministério da Saúde em julho de 2020, não tem qualquer respaldo científico. A OMS (Organização Mundial da Saúde) não reconhece qualquer tipo de medida profilática contra a covid-19.

O receituário bolsonarista anticovid inclui ainda a ivermectina, um vermífugo, e a azitromicina, desenvolvido para tratar de infecções bacterianas. Ambos costumam fazer parte do kit do tratamento precoce, mas até agora nenhum estudo conseguiu comprovar qualquer eficácia das substâncias contra a covid-19.

Mais recentemente, bolsonaristas passaram a defender um spray nasal desenvolvido em Israel. Chamado EXO-CD24, o medicamento foi originalmente criado para tratamento contra o câncer de ovário. Em um primeiro teste com 30 pessoas, o spray mostrou potencial de frear o processo inflamatório intenso que acontece no pulmão devido a uma resposta desregulada do sistema imunológico à invasão do vírus.

No domingo (21), Israel e Nova Zelândia autorizaram a venda de um spray nasal contra a covid-19 fabricado pela SanOtize. Não é o mesmo produto almejado por Bolsonaro. “O governo de vocês está negociando o tratamento errado. [O spray da] SaNOtize é diferente, muito mais avançado [no desenvolvimento] e com resultados mais fortes que o EXO-CD”, afirmou à CNN brasileira a assessoria da fabricante SaNOtize.

Até agora, o único procedimento com ação comprovada contra o novo coronavírus tem sido a vacina. Em dois meses e meio de campanha de imunização, 5,5% da população havia tomado uma das duas doses necessárias e apenas 2% haviam recebido as duas doses, segundo dados de domingo (21) levantados pelo consórcio de veículos de imprensa.

Ao Nexo Julival Ribeiro, da SBI, lembrou que é preciso evidências científicas para prescrever um remédio novo para qualquer doença. Além disso, é necessário que ele tenha sido aprovado pela Anvisa para esse fim. “Qualquer medicamento pode ter efeitos colaterais, ainda mais se ele não é para a doença para qual foi desenvolvido”, alertou.

nexojornal

Autoridade de saúde dos EUA pede que AstraZeneca revise dados de eficácia de vacina contra Covid-19

A AstraZeneca, desenvolvedora da vacina contra a Covid-19 Covishield em parceria com a Universidade de Oxford, pode ter incluído dados desatualizados para chegar aos resultados de eficácia divulgados na segunda-feira (22), afirmou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) em uma nota publicada nesta terça-feira (23).

Os dados são de um estudo com o imunizante realizado nos Estados Unidos, Chile e Peru.

Segundo o instituto, ligado à rede de Institutos Nacionais de Saúde do país (NIH), um comitê independente que monitora dados e segurança da vacina fez o alerta.

“[Os dados desatualizados] podem fornecer uma visão incompleta da eficácia. Pedimos à companhia que trabalhe com o comitê para revisar os dados para garantir que os dados mais precisos e atualizados sobre a eficácia sejam tornados públicos o mais rápido possível”, diz a NIAID na nota.

A NIAID não especifica quais seriam os dados desatualizados nem o quanto eles podem ter interferido nos resultados divulgados pela empresa.

A Covishield, que já é aplicada no Brasil, Reino Unido e outros países, ainda não tem liberação para uso nos Estados Unidos, que possui atualmente um estoque parado de pelo menos 30 milhões de doses do imunizante enquantro outras nações enfrentam escassez da vacina.

No Brasil, um acordo bancado pelo governo federal permite a produção da Covishield pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Na segunda-feira (22), a AstraZeneca diulgou que o estudo, questionado agora pela NIAID, havia demonstrado que a vacina teve eficácia de 79% contra casos sintomáticos da Covid-19 —a pesquisa não avaliou a redução de casos assintomáticos, que representam cerca de 30% do total de infectados, segundo estimativas. Assintomáticos também podem transmitir o vírus.

Ensaios clínicos conduzidos no Reino Unido, África do Sul e Brasil e com resultados publicados na revista científica The Lancet haviam apontado a eficácia da vacina de 70% contra casos sintomáticos da Covid-19.

Os dados do estudo, que contou com mais de 30 mil participantes e foi realizado em parte nos Estados Unidos, devem abrir o caminho para o pedido de autorização de uso à FDA (agência regulatória do país). Até o momento, o país autorizou apenas o uso de vacinas produzidas por empresas americanas (Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson). A AstraZeneca é anglo-sueca.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), 126 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 já foram aplicadas no país, que registrou mais de 540 mil mortes pela doença causada pelo coronavírus Sars-CoV-2.

O fato de a NIAID não questionar os dados de segurança da Covishield alivia um pouco o impacto para a AstraZeneca. Nas últimas semanas, pelo menos 20 países europeus suspenderam a aplicação do imunizante após preocupações com o surgimento de trombose venosa cerebral rara nos que receberam doses.

A decisão de governos e ministérios da Saúde europeus foi criticada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e infectologistas, que consideraram a ação precipitada.

Após uma revisão dos dados, a EMA (agência regulatória europeia) afirmou que a vacina não está associada com um aumento do risco de desenvolver eventos tromboembólicos em quem a recebe. “Os benefícios da vacina para combater o avanço da ameaça da Covid-19 (que pode resultar em coagulações fatais) continuam a superar os riscos dos efeitos colaterais”, afirmou a agência na última semana.

Após as declarações da EMA, parte dos países que haviam suspendido o uso da Covishield decidiram retomar a aplicação do imunizante imediatamente. Atualmente, parte da europa vê um aumento no número de casos de Covid-19 e a ameaça de uma terceira onda enquanto enfrenta lentidão para distribuir vacinas.

folha

Brasileia ultrapassa 70% de cobertura vacinal contra a covid-19 em idosos e profissionais da saúde


Dentro das ações de enfrentamento ao coronavírus a Prefeitura de Brasileia já vacinou 965 pessoas contra a Covid-19 no município. Atualmente a equipe da saúde montou varias frentes de trabalho para dar maior celeridade no processo de vacinação dos idosos a partir de 70 anos e profissionais da saúde.


No geral, profissionais da saúde e idosos, Brasileia já alcançou setenta e três porcento (73%) de cobertura vacinal. Ao fazer a comparação do município com as cidades que apresentam maior porcentagem deve ser observado que estas cidades tem população indígena a ser contabilizada, enquanto Brasiléia não recebeu vacinas para este público.


Segundo o secretário municipal de saúde, Joãozinho Melo, Brasileia não alcançou a cobertura vacinal de cem porcento por conta de o município depender do Ministério da Saúde (MS), e ainda não enviou novos lotes da vacina.

“Nós estamos com duas equipes realizando a vacinação na cidade, uma se encontra na quadra do bairro Ferreira Silva ao lado do Centro Cultural, outra está indo até as casas dos idosos cadastrados na secretaria de saúde”, falou Joãozinho Melo.


Joãozinho Melo informou que estar elaborando junto com a equipe da saúde e a prefeita Fernanda Hassem um plano logístico que possa atender da melhor forma os idosos da área rural para que possam ser vacinados. Brasileia tem atualmente mais de dois mil quilômetros de ramais.


Entre primeira e segunda dose, 637 idosos tomaram a primeira dose e 46 idosos tomaram a segunda dose, a maioria tomaram da vacina da FIOCRUZ, com o intervalo de doses até 90 dias. Na tarde de terça-feira (16), funcionários do Hospital Regional do Alto Acre tomaram a segunda dose e funcionários da saúde municipal tomaram suas doses na unidade de referencia a covid-19.

Com sistema de saúde sobrecarregado, Acre registra mais sete mortes por Covid-19

Com as UTIs do Pronto-Socorro de Rio Branco e do Into Acre com 100% de ocupação, o Acre registrou mais sete mortes e 320 novos casos de contaminados pela Covid-19, de acordo com o boletim da Secretaria de Saúde divulgado nesta segunda-feira, 15.

O número atualizado de infectados pela doença chegou a 62.940, mas esse montante deve subir, tendo em vista que 1.054 exames seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux.

Internados

De acordo com o boletim, 368 pessoas seguem internados em leitos de UTIs, clínicos, pediátricos e obstétricos em todo o estado. Os dados também mostra que mais de 52 mil pessoas receberam alta médica desde o início da pandemia.

Os dados da vacinação contra a Covid-19 no Acre podem ser acessados no Painel de Monitoramento da Vacinação, disponível no endereço eletrônico: http://covid19.ac.gov.br/vacina/inicio. As informações são atualizadas na plataforma do Ministério da Saúde (MS), ficando sujeitas a alterações constantes, em razão das informações inseridas a partir de cada município.

Diante da taxa de ocupação de leitos sobrecarregada no Sistema Único de Saúde, o Estado segue agora trabalhando, com apoio do Governo Federal, com a transferência de pacientes para outras localidades onde há disponibilidade de leitos para tratamento da Covid-19.

O primeiro paciente foi transferido neste domingo, 14, de Rio Branco para Cruzeiro do Sul. A previsão é de que mais 13 pacientes sejam transferidos ainda nesta segunda-feira, 15, para o município.

Outros 6 pacientes também já estão com leitos de UTI regulados pelos SUS para transferência via Força Aérea Brasileira (FAB), para a cidade de Manaus, aguardando também a chegada da aeronave.

Mais 7 notificações de óbitos foram registradas nesta segunda-feira, 15, sendo 5 do sexo masculino e 2 do sexo feminino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 1.129 em todo o estado.

Óbitos do sexo masculino:

R. N. C., de 89 anos, faleceu no seu domicílio, em Rio Branco, no dia 1º de janeiro.

Morador de Rio Branco, A. J. G. M., de 47 anos, faleceu no dia 31 de janeiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), sem data de entrada na unidade de saúde.

Morador de Porto Acre, E. T. P., de 69 anos, deu entrada no dia 23 de fevereiro, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), vindo a óbito no dia 13 de março.

Morador de Cruzeiro do Sul, A. M. S., de 85 anos, deu entrada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), no dia 15 de fevereiro, e faleceu no dia 14 de março.

O quinto óbito entre os homens é de M. L. P. M., de 63 anos. Morador de Rio Branco, deu entrada no dia 7 de fevereiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), e veio a falecer neste domingo, 14 de março.

Óbitos do sexo feminino:

Moradora de Rio Branco, L. L. G., de 91 anos, deu entrada Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), no dia 2 de março, vindo a falecer no dia 14 do referido mês.

M. A. B. N., de 35 anos. Moradora de Rio Branco, deu entrada no dia 14 de março, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sobral, vindo a falecer nesta segunda-feira, dia 15.

Sobre os casos de Covid-19 no estado, acesse:

BOLETIM_AC_COVID_15.03.2021 (1)

Sobre a ocupação de leitos no estado, acesse:

Boletim Assistência 15-03-2021

Como a medicina lida com a covid-19 após um ano de pandemia

Um ano após a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar estado de pandemia devido à disseminação global do novo coronavírus, a covid-19 continua sendo uma doença sem tratamento. Nenhum remédio testado se mostrou capaz de atacar o vírus Sars-CoV-2, que causa a infecção, ou de prevenir seu contágio. As vacinas, desenvolvidas e aprovadas em tempo recorde, são o único modo de evitar mais mortes além das medidas não farmacológicas como o distanciamento social.

No Brasil, a divulgação de um suposto tratamento precoce com um kit de medicamentos ineficazes ganhou força devido ao incentivo pelo presidente Jair Bolsonaro, com o aval do Ministério da Saúde, ao uso da cloroquina e de sua derivada hidroxicloroquina. Ao ser pressionado a se manifestar sobre o tema, o Conselho Federal de Medicina se limitou a defender a autonomia dos médicos para receitar remédios fora da bula, o que contribuiu ainda mais para aumentar a confusão na população.

Algumas regiões têm insistido na difusão de substâncias sem efeito como resposta ao aumento de casos e mortes e à falta de vagas em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Em Macapá, equipes de saúde distribuíram no começo de março 150 mil kits com vitaminas C e D, zinco e ivermectina (vermífugo usado contra piolho) na tentativa de “aumentar a imunidade” da população, o que estudos já demonstraram que não acontece. A própria MSD, farmacêutica que produz a ivermectina, afirmou em nota que o produto não traz benefícios contra a covid-19.

Em fevereiro, a Justiça suspendeu a distribuição pela Prefeitura de Porto Alegre de um coquetel com ivermectina, azitromicina (usado contra infecções bacterianas), hidroxicloroquina e cloroquina. Na decisão, o juiz considerou não haver “evidências robustas” de eficácia baseadas em pesquisas e reconhecidas pela comunidade científica. A OMS não recomenda a cloroquina, descartou realizar mais pesquisas e já há consenso entre os cientistas de que ela não funciona para a covid.

Em Santa Catarina, médicos continuam receitando ivermectina e cloroquina. O estado é um dos 13 com taxa de ocupação de leitos de UTI igual ou acima de 90%, segundo boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) publicado na terça-feira (9).

Como a medicina lida com casos leves


A falta de um tratamento específico para a covid-19 não significa que doentes que busquem ajuda médica, mesmo com um quadro leve de infecção, não precisem tomar remédios.

“A gente faz tratamento para melhorar a dor, a febre, a mialgia (dor muscular). Faz medicações específicas para a tosse, porque às vezes o paciente não consegue dormir por causa dela. O que a gente trata são os sintomas”, disse ao Nexo a professora Patrícia Rocco, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro titular da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Ciências.

Entre todos os infectados pelo novo coronavírus, algo entre 80% e 90% são assintomáticos ou apresentam quadros leves e não precisam de atendimento médico. Essas pessoas acabam se curando sozinhas em casa. Como os sintomas mais comuns são semelhantes ao de uma gripe, os remédios indicados para quem procura um hospital nesse estágio da doença geralmente são os mesmos analgésicos ou antitérmicos já utilizados para os resfriados comuns.

O chefe da UTI do Hospital Copa Star, Fabio Miranda, afirmou em entrevista ao jornal O Globo, em fevereiro, que a hidratação também é extremamente importante, porque o doente muitas vezes pode se desidratar sem perceber, o que pode levar à complicações da doença. Especialistas também defendem o monitoramento permanente do estado do paciente para evitar que ele já chegue ao hospital em situação grave.

Os quadros de covid-19

  • ASSINTOMÁTICO

Parte dos infectados pelo novo coronavírus pode receber um resultado positivo no teste para a covid-19, mas não apresentar os sintomas da doença. As pessoas transmitem o vírus mesmo assim.

  • LEVE

Nessa fase, o infectado apresenta um ou mais sintomas, como febre, indisposição, dor de cabeça, de garganta ou muscular, náusea, vômito, diarréia e perda de olfato e paladar, mas não têm falta de ar e comprometimento do pulmão identificado em exames de imagem.

  • MODERADA

O paciente começa a demonstrar dificuldade para respirar e apresenta um grau de saturação de oxigênio no sangue de cerca de 94%.

  • GRAVE

O nível de oxigenação no sangue cai abaixo de 94%, a frequência respiratória supera 30 respirações por minuto (a média de um adulto em repouso é de 12 a 20) e o paciente apresenta infiltração pulmonar superior a 50%.

  • CRÍTICO

São pacientes que apresentam quadro de falência respiratória, choque séptico ou disfunção de múltiplos órgãos.

Os avanços do tratamento nas UTIs


A parcela de doentes de covid-19 que precisa de internação é de cerca de 10%, dos quais um terço necessita de atendimento em UTI. A evolução no tratamento médico ocorreu justamente para esse público.

A ciência sabe qual o efeito da doença no pulmão. Por meio de autópsias em vítimas da covid-19, pesquisadores observaram que o Sars-CoV-2 causa lesões em todo o aparelho respiratório, com maior gravidade nos alvéolos, que são pequenas bolsas agrupadas no formato de cachos nas quais ocorrem as trocas gasosas no interior do pulmão.

Segundo as análises, o interior dessas estruturas sofre uma descamação, o que faz com que elas acumulem líquido, levando à insuficiência respiratória.

Os pesquisadores identificaram ainda pequenos focos de hemorragia na parede dos alvéolos, que o organismo fechou formando coágulos. O risco desse processo é que os coágulos podem causar tromboembolismo, o entupimento de vasos sanguíneos mais finos.

Por isso, os maiores avanços foram na modulação do uso de corticoides (anti-inflamatórios) e anticoagulantes nos pacientes graves. Em junho de 2020, pesquisadores britânicos do estudo Recovery mostraram que o uso do corticóide dexametasona reduziu significativamente a mortalidade em pacientes com covid-19 internados com quadros graves.

Atualmente, todos os pacientes com baixa de oxigenação e que precisem de ventilação mecânica fazem uso de corticóide, segundo a professora Patrícia Rocco, da UFRJ. Eles também recebem anticoagulantes de maneira profilática, mas o uso pleno do medicamento precisa seguir alguns parâmetros laboratoriais obtidos por meio de exames de sangue, e é usado em casos específicos que dependem da condição do paciente.

Os médicos também descobriram que a pronação, técnica que consiste em deitar o paciente com a barriga para baixo, também ajuda a salvar vidas. Colocar a pessoa de bruços melhora a respiração ao liberar a carga sobre os pulmões.

Por que é difícil criar um remédio


Nenhum antiviral funcionou contra o Sars-CoV-2 nos testes realizados. No final de 2020, a OMS divulgou uma nota desaconselhando o uso do antiviral remdesivir em pacientes hospitalizados com covid-19. Até então, o remédio era visto como promissor. Um artigo publicado no British Medical Journal mostrou não haver evidências de que ele diminuía o risco de ventilação mecânica e aumentava as chances de sobrevivência.

Mesmo assim, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou na sexta-feira (12) o uso do medicamento para pessoas hospitalizadas que precisem de oxigenação. Segundo a agência, a análise da OMS teve como foco a prevenção de mortes. Para a liberação no Brasil, o critério usado foi a redução no tempo de hospitalização, o que já ajudaria devido à superlotação dos hospitais. O uso do remdesivir é aprovado por agências de outros 50 países, como a dos Estados Unidos.

Encontrar um antiviral capaz de combater o novo coronavírus não é uma tarefa fácil. Ao jornal Nexo a biomédica e doutora em bioquímica Ana Paula Herrmann, que é professora adjunta do departamento de farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, disse que já era esperado que não houvesse antivirais eficazes para infecções virais agudas como é o caso da covid-19.

O desenvolvimento de remédios para bactérias, por exemplo, é mais fácil porque elas são seres vivos que se reproduzem de forma independente e têm estruturas muito diferentes das células humanas. “A gente consegue desenvolver fármacos específicos para bactérias que não vão matar as células humanas. São muitos seguros porque vão atuar contra proteínas e estruturas que só elas têm”, disse.

No caso dos vírus, isso já é mais complicado por suas características. “O vírus é muito diferente, pois tem apenas o material genético e usa toda a maquinaria da célula humana para se reproduzir”, afirmou. Por causa disso, é difícil encontrar “alvos” para atingir diretamente os vírus. Os remédios acabariam interferindo nos próprios mecanismos das células que são usados para exercer suas funções normais.

Outro problema, segundo a professora, é que quando os sintomas de infecções virais agudas começam a aparecer, muitas vezes já é tarde demais para conter a doença com remédios.

Para Patrícia Rocco, da UFRJ, é também difícil realizar ensaios clínicos para testar antivirais, especialmente na fase precoce da doença, quando as replicações virais mais acontecem no organismo dos pacientes. Os remédios tendem a funcionar mais nas primeiras 48 ou 72 horas. Muitos testes são feitos em pessoas internadas com mais de dez dias de sintomas, o que prejudica o resultado.

“A gente tem dificuldade de recrutar pacientes na fase correta. E para fazer um estudo desses com antivirais tem que ser multicêntrico [cooperativo, entre vários centros de pesquisa] porque aí passa a ter um recrutamento maior, com mais pacientes”, disse.

A alta letalidade nas UTIs


Especialistas concordam que a medicina aprendeu a lidar com a covid-19 no último ano, mas não o suficiente. A taxa de mortalidade nas unidades de terapia intensiva é alta. Um estudo que analisou as primeiras 250 mil internações no país entre fevereiro e agosto de 2020 constatou que seis em cada dez pacientes morreram.

A professora Patrícia Rocco credita o fato não a problemas de procedimento médico, mas à falta de estrutura. “O problema é que a gente não tem leito e não tem especialista”, afirmou.

Segundo ela, pacientes têm passado muito mais tempo na emergência do que deveriam, à espera de uma vaga. “Na emergência, com oxigênio, o pulmão vai piorando, o paciente vai aumentando o esforço para respirar. Para ter a troca gasosa, tem que ter o alvéolo para o ar entrar e o sangue passar pela artéria. Conforme aumenta o esforço, começa a lesar mais os alvéolos e o seu vaso, que começa a esgarçar. O paciente piora e tem um edema pulmonar. Quando ele chega na UTI, é muito mais difícil ventilar pelo grau de inflamação e do edema”, disse.

A mortalidade, na opinião da professora, poderia ser menor com a disponibilidade de mais vagas em UTIs. “Algumas cidades não têm estrutura nenhuma de terapia intensiva para isso. E os pacientes estão morrendo onde? Na emergência. A mortalidade nas UTIs está maior porque eles estão chegando mais graves também”, afirmou.

Os medicamentos abandonados


No começo da pandemia, a OMS lançou um projeto chamado Solidarity, para testar as drogas mais promissoras contra a covid-19. A iniciativa concluiu que os medicamentos remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir/ritonavir (antirretrovirais usados no tratamento do HIV) e interferon (usado contra a leucemia) tiveram pouco ou nenhum efeito na mortalidade e no tempo de hospitalização de pacientes com covid-19.

Pesquisadores ainda mantêm estudos sobre o uso de anticorpos monoclonais, tratamento experimental que foi usado pelo ex-presidente americano Donald Trump, quando ele se infectou com o novo coronavírus em outubro de 2020. A ideia é que um coquetel de anticorpos seja capaz de neutralizar o vírus.

Outra alternativa estudada é a colchicina, um anti-inflamatório usado contra a gota (doença das articulações decorrente do excesso de ácido úrico no sangue). Ele ajudaria a conter a inflamação pulmonar e a acelerar a recuperação de pacientes com quadros moderados e graves da covid-19. Testes feitos pela USP mostraram resultados positivos, mas ainda sem grande impacto.

nexojornal

FOTO: BENOIT TESSIER/REUTERS – 8.MAR.2021

Suplementos vitamínicos e Ivermectina fazem o setor farmacêutico cresce 15,6% em 2020

No ano de 2020 o mercado farmacêutico mostrou mais uma vez sua força, apresentando um crescimento no faturamento de 15,6% segundos dados divulgados pela IQVIA no início de fevereiro.

Conforme os números apresentados o faturamento das farmácias no ano foi de R﹩139,37 bilhões, em 2019 esse valor foi de R﹩120,54 bilhões. O grande destaque deste crescimento foram as lojas das redes associadas à Febrafar que cresceram no ano 26,1%.

“Os números apresentando pela Febrafar não nos surpreendem pois já tínhamos constantemente crescendo bastante acima do mercado. Mas, uma característica deste ano foi um crescimento maior das farmácias nos bairros. Isso se deve ao fato de que, com o isolamento, as pessoas tiveram que ficar em casa e passaram a consumir mais em farmácias de bairro e não nas das regiões centrais”, explica o presidente da Febrafar, Edison Tamascia.

Em relação ao contínuo crescimento da Febrafar, esse fato já tem resultado direto em sua participação no mercado, sendo que em 2016 essa era de 9,1% e em 2020 chegou a 12,1%. “Vemos que as farmácias das redes associadas à Febrafar, que estão utilizando as ferramentas de gestão disponibilizadas, estão se destacando, pois passam por um processo de maior profissionalização, percebem como é o mercado e crescem acima da média”, explica Tamascia.

Outro destaque da Febrafar é sua capilaridade sendo que atualmente conta com 58 redes que representam 10.544 lojas em 27 estados do Brasil. Estando presente em 2.991 dos 5.570 dos municípios.

Destaque de suplementos

Um ponto de destaque no consumo dentro das farmácias foi o de suplementos. Segundo os dados da IQVIA, a procura na busca por suplementos vitamínicos dispararam, crescendo 47,9% em todo o mercado e 60,9% na Febrafar.

Segundo análise deste dado, durante o ano de 2020, foi e ainda é muito discutido sobre a importância de cuidar ainda mais da imunidade, fazendo com que muitos brasileiros procurem se prevenir visando o aumento nessa categoria de produtos.

Já em relação aos produtos, com certeza, o que mais se destacou foi a Ivermectina (mg comprimido 6.00mg x 4), que teve um crescimento de 2.869,11%. Fato que se deve a associação do medicamento com o tratamento do Covid-19. (Assessoria da Febrafar)

Com número crescente, Pronto-Socorro já têm lotação máxima em UTIs para Covid-19

Em meio à escalada de número de casos de Covid-19 em todo o Acre, os hospitais de referência ao tratamento a doença em Rio Branco registravam ocupação de quase 100% de suas UTIs, de acordo com dados do boletim da Secretaria de Saúde do Acre, nesta segunda-feira, 8.

O Pronto-Socorro de Rio Branco nenhum leito de tratamento intensivo e também clínico para a doença estavam disponíveis no fim da tarde de segunda. No Into Acre a situação é parecida e alarmante. Das 50 UTIs, apenas uma estava disponível.

Entre os leitos de enfermaria, em Rio Branco, de acordo com o boletim, dos 170 leitos clínicos, 147 estão ocupados. Já os obstétricos tem sua ocupação de 150%.

No Hospital de Campanha do Juruá a ocupação dos leitos de UTIs está em 88,5%, ou seja, dos 26 unidades disponíveis, apenas três está vaga. Os leitos clínicos está menos sobrecarregados com 63,5% de ocupação.

Sem base científica, Ernesto diz que é ‘normal’ alta de casos após vacinação

ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) afirmou nesta sexta-feira (5) que é “normal” que o número de casos de Covid-19 tenha um aumento significativo após o início da vacinação em massa, mas que os casos irão cair abruptamente em duas ou três semanas no Brasil.

O chanceler afirmou que isso ocorreu em outros países e que o Brasil deve seguir essa curva. No entanto, não existem estudos relevantes nem países que apontem para isso.

O ministro Ernesto Araújo, no Itamaraty – Adriano Machado – 2.mar/Reuters

Respondendo a perguntas após discurso online de quase 45 minutos para o Council of the Americas, Ernesto disse também que as pessoas querem a vacina, mas as pessoas também querem voltar a trabalhar.

“Tem uma forte pressão popular contra o lockdown proposto por alguns governadores”, disse o ministro. “O sentimento popular é que precisamos voltar ao trabalho; as coisas vão estar muito melhores nas próximas semanas, tenho certeza.”

Ernesto também se mostrou otimista em relação ao sistema de saúde brasileiro, onde inúmeros hospitais já têm filas de espera para leitos de UTI por estarem sobrecarregados com pacientes com Covid.

“O sistema de saúde está sob estresse, mas está aguentando bem”, disse. “Tem falta de UTI em alguns estados, mas, no geral, está indo bem;”

Ele disse que a vacinação no Brasil, onde 3,6% da população foi vacinada, está devagar em comparação a Israel (92,5%) e Estados Unidos (23,2%), mas, que na Europa, só foram vacinadas cerca de 5% das pessoas (o número real é 8%, segundo levantamento Our World in Data, da Universidade de Oxford).

folha

Profissionais de saúde: a agonia em meio a recordes de mortes

Pelo segundo dia seguido, o país registrou um novo recorde de mortes diárias por covid-19. Foram 1.840 vítimas em 24 horas na quarta-feira (3), segundo o consórcio de veículos de imprensa, e 1.910 na contagem do Ministério da Saúde. Já são mais de 10 milhões de casos confirmados e quase 260 mil óbitos no país.

Num cenário de colapso de hospitais, com pessoas morrendo na fila de UTIs, naquele que é considerado o pior momento do Brasil numa pandemia às vésperas de completar um ano, profissionais da saúde tentam superar a exaustão física e emocional, o estresse, a ansiedade e o medo da doença para evitar que esses números cresçam ainda mais.

Desde o começo da crise sanitária, 551 médicos morreram por covid-19, segundo o Conselho Federal de Medicina. Em janeiro, 47 profissionais de enfermagem perderam a vida, número que significou um aumento de 422% em comparação com o mês anterior. São 567 vítimas no total, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares.

“A situação é gravíssima e para os profissionais. O que mudou nesta segunda onda é que parte deles foi vacinada, mas o estresse com as perdas de vidas sobre seus cuidados se mantém.”- Sérgio Roberto de Lucca, médico da Unicamp, que cita a vacinação prioritária dos profissionais de saúde.

Falta de empatia e violência


Enquanto o Brasil bate recordes de mortes, Jair Bolsonaro se mantém negando a gravidade da pandemia, causando aglomerações, propagandeando remédios ineficazes contra a covid-19, questionando sem base científica o uso de máscaras e o isolamento social e desestimulando a vacinação, que segue lenta, tendo atingido pouco mais de 3% da população.

Na sociedade, há relatos de festas clandestinas, além de muitas pessoas reproduzindo a atitude do presidente da República ao rejeitar o distanciamento e as proteções necessárias para evitar o espalhamento do novo coronavírus que leva ao colapso dos sistemas de saúde.

A situação leva alguns trabalhadores da área a concluir que sua atuação ficou invisível com o tempo. “Eu entendo que a saúde mental de todos foi colocada em teste, mas a empatia com o pessoal da saúde foi diminuindo, foi sendo esquecida, parece que as pessoas não estão mais nem aí mesmo, ninguém lembra da gente. No começo, tinha homenagens. Agora, estamos esquecidos. Parece que ninguém está se lembrando de quem está na linha de frente”, disse ao jornal O Estado de S.Paulo Graziella Xavier de Barros, fisioterapeuta que atua em casos de covid-19 no SUS (Sistema Único de Saúde).

À falta de empatia se somam relatos de agressão aos defensores do distanciamento social, como o que ocorreu na sexta-feira (26) com o médico infectologista José Eduardo Panini. Ele foi espancado por dois conhecidos no Paraná após defender as medidas do governo estadual de restrição à circulação de pessoas e suspensão das atividades não essenciais.

“Ao alertar os riscos a pessoas conhecidas, a resposta que me foi dada foram chutes e socos, enquanto um me segurava o outro me agredia. Enfim, pessoas assim ajudaram a situação a chegar onde está! O desânimo não vem! E junto com eles temos muita coisa boa, progresso, vacinas e tudo que vai fazer sairmos dessa pandemia! E aos trabalhadores da saúde muita força!”, escreveu Panini em seu Instagram na legenda da foto em que mostra o rosto machucado.

Situação precária


Uma plataforma do Conselho Federal de Medicina criada em abril de 2020 para fiscalizar as condições de trabalho em hospitais públicos e privados do país recebeu, em média, uma reclamação a cada duas horas e meia. As denúncias revelaram por que o medo continua presente na vida dos profissionais da saúde.

Ao todo, a plataforma recebeu mais de 2.600 denúncias. A queixa mais recorrente é a da falta de equipamentos de proteção individual, obrigatória para o combate à pandemia. Além disso, 985 denúncias relataram a escassez de material básico para higienização nos hospitais, como sabonete.

Novos levantamentos


Pelo menos dois levantamentos sobre a saúde mental de profissionais da saúde estão em andamento no Brasil, enquanto outros quatro projetos que buscavam avaliar ou melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores que combatem a covid-19 foram encerrados em 2020.

Entre eles, o Projeto Telepsi oferecia teleconsultas psicológicas e psiquiátricas para profissionais do SUS que trabalham na linha de frente. A iniciativa do Ministério da Saúde e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre foi finalizada em setembro de 2020.

Uma das pesquisas que estão em andamento, lançada em 14 de janeiro pela Fiocruz, busca mapear as condições de vida de profissionais da saúde considerados invisíveis. São mais de um 1,5 milhão de trabalhadores de nível técnico/auxiliar que trabalham em hospitais e postos de saúde.

“Essa legião de trabalhadores da saúde está cotidiana e diretamente na linha de frente atendendo a mais de 8 milhões de contaminados pela covid-19 e lidando com mais de 200 mil óbitos em todo o país. Além disso, estão expostos à infecção, sofrem com a morte de colegas, e boa parte está desprotegida de cuidados necessários, sem, de fato, ter voz e meios de expressar a real situação no cotidiano do seu trabalho e de sua vida pessoal, no que se refere à saúde física e mental”, afirmou a coordenadora da pesquisa, Maria Helena Machado, em um comunicado.

Outra pesquisa, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, busca mostrar a influência da covid-19 na saúde mental da população brasileira e dos profissionais de saúde. O levantamento será refeito a cada seis meses para avaliar a adaptação da população à pandemia e quais são os problemas crônicos.

A primeira parte da pesquisa, que teve respostas de mais de 200 mil profissionais de saúde, foi divulgada em janeiro e revelou que o medo foi o sentimento mais comum entre esses trabalhadores.

Auxílio emocional


O trabalho dos profissionais da saúde se resume a cuidar, ajudar e curar, mas pesquisas realizadas no país em 2020 mostram que eles receberam pouco cuidado e ajuda. Em julho, a Associação Paulista de Medicina divulgou um levantamento com quase 2.000 médicos em que 63% dos profissionais descreviam como “apreensivo” o clima no trabalho.

Os problemas mais comuns citados pela categoria foram ansiedade (69,2%), estresse (63,5%), sensação de sobrecarga (50,2%) e exaustão física ou emocional (49%).

“Não é incomum eu sair de um plantão de 24 horas e no meio do caminho pra casa começar a chorar. Ninguém foi preparado emocionalmente pra lidar com o tamanho do sofrimento que a gente tem visto agora, principalmente nos últimos 15 dias”, afirmou Tulio Tonietto, que trabalha no Hospital de Clínicas e no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, ao jornal Sul 21.

“Perder pacientes por falta de recursos e perder colegas de trabalho pode gerar transtorno de estresse pós-traumático e o medo de contaminar um familiar pode gerar transtornos de ansiedade e depressão”, afirmou ao jornal Nexo Sérgio Roberto de Lucca, médico que atua na área de saúde do trabalhador do departamento de saúde coletiva da Unicamp.

Segundo De Lucca, amenizar o sofrimento desses profissionais depende de recursos humanos e de estrutura e equipamentos, mas “do ponto de vista individual o suporte psicológico, ainda que virtual, e a solidariedade dos colegas em acolher estes profissionais é de vital importância”.

nexojornal

FOTO: AMANDA PEROBELLI/REUTERS

Sem Bolsonaro, 649 cidades aderem ao consórcio para comprar vacinas contra a Covid-19

A Frente Nacional dos Prefeitos registrou até esta quarta (3) 649 cidades interessadas em aderir ao consórcio para compra de vacina, sem participação do governo Bolsonaro. Segundo Jonas Donizette, presidente da entidade, a expectativa é criar o consórcio até dia 22 de março.

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Em meio a pandemia da Covid-19, população está dividida quanto a Lockdown no Acre

MARCELA JANSEN

O governo do Estado analisa adotar novas medidas para conter o avanço nos casos do novo coronavírus no Acre. Na última semana foram confirmados quase dois mil casos, num total de 56.731 infectados com o vírus e 986 óbitos.

O governador Gladson Cameli trouxe a ordem do dia o debate acerca do lockdown, versão mais rígida do distanciamento social. Uma imposição do Estado que significa bloqueio total. No cenário pandêmico, essa medida é a mais rigorosa a ser tomada e serve para desacelerar a propagação do novo Coronavírus, quando as medidas de isolamento social e de quarentena não são suficientes e os casos aumentam diariamente.

A decisão, caso ocorra, deverá ser anunciada na próxima segunda-feira, 1, data em que será realizada mais uma reunião do Comitê Acre Sem Covid-19, ocasião que será anunciada também a permanência ou não na bandeira vermelha.

Lockdown no Acre

Pelas regras, caso adotada, os estabelecimentos vão voltar a abrir com capacidade limitada de público, limite de horário de funcionamento e para venda de bebidas, e só poderão abrir de segunda a sexta-feira.

No sábado, domingo e feriados, o governo vai promover bloqueio total, o chamado lockdown. Nesses dias só poderão funcionar os postos de combustíveis para abastecimento de veículos do serviço público e farmácias.

Restaurantes devem voltar a abrir no Acre no dia 1º de março com capacidade de público de até 20%, limite de funcionamento até às 22h, de segunda a sexta-feira, e com venda liberada de bebidas até às 20h. Não abrirão aos sábados e domingos.

O comércio poderá abrir com capacidade de atendimento de até 20% durante oito horas, de segunda a sexta-feira; ja as escolas poderão retomar as suas atividades presenciais com limite de até 30%.

A previsão é de que os bares e academias sejam liberados a partir do dia 9 de março com até 20% de sua capacidade total até às 22h.

Os supermercados não vão funcionar nos sábados, domingos e feriados, exceto via delivery. O uso de praças públicas será proibido aos sábados, domingos e feriados.

Já os postos de combustíveis só poderão atender nos fins de semana os veículos do serviço público.

Dados atualizados da Covid-19 no Estado

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), registrou 474 novos casos de infecção por coronavírus na sexta-feira, 26, sendo 291 casos confirmados por exames de RT-PCR e 183 testes rápidos. O número de infectados subiu de 56.257 para 56.731.

O Acre já registra 155.643 notificações de contaminação pela doença, sendo que 97.924 casos foram descartados e 988 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux.

Pelo menos 46.440 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 300 pessoas seguem internadas.

Mais quatro notificações de óbitos foram registradas ontem, sendo todas do sexo masculino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 986 em todo o estado.

População dividida

A possibilidade de o governo decretar lockdown deixou parte da população apreensiva, especialmente os comerciantes, que temem queda nas vendas e, consequentemente, o surgimento de dívidas.

Em sua página no Instagram, o empresário Rodrigo Pires pontuou que o “fechamento total do comércio, geraria milhares desempregados no Acre”. E acrescentou: “É preciso mais investimentos e mais transparência nos recursos aplicados, acima de tudo, cuidado para não gerar um colapso econômico e social”.

O acadêmico Paulo César acredita que a medida é exagerada e pode prejudicar milhares de acreanos. “Ainda existem pessoas que estão se recuperando financeiramente do prejuízo ocorrido devido a isolamento social decretado em março do ano passado. Decretar agora lockdown é ferir de morte esses empreendimentos. Entendo a preocupação do governador Gladson Cameli, mas considero essa medida drástica”. Falou.

A professora Edna Moreira é a favor do lockdown. Ele pontua que medidas severas devem ser tomadas quando não há a coloração do coletivo. “Tem muita gente que não está levando a sério essa pandemia. A maior prova disso é que no último final de semana muita gente estava aglomerada no Calçadão da Gameleira e sem máscaras. Colocam em risco a vida de muitas pessoas. O governo do Estado deve agir para conter o avanço da doença e se isso passa pelo lockdown, que seja”, disse.

Boa notícia: Anvisa concede registro definitivo para a vacina da Pfizer

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu hoje (23) o registro definitivo à vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNtech. A concessão do registro foi anunciada pelo diretor-presidente da agência reguladora, Antônio Barra Torres, que destacou que a análise para a liberação do imunizante levou 17 dias.

“O imunizante do Laboratório Pfizer/Biontech teve sua segurança, qualidade e eficácia aferidas e atestadas pela equipe técnica de servidores da Anvisa, que prossegue no seu trabalho de proteger a saúde do cidadão brasileiro”, disse Barra Torres ao anunciar o registro. “Esperamos que outras vacinas estejam, em breve, sendo avaliadas e aprovadas”, acrescentou.

A vacina é a primeira a obter o registro definitivo no Brasil. O imunizante se chama Cominarty. A empresa entrou no dia 6 de fevereiro com o pedido de registro definitivo da vacina contra a covid-19. O imunizante, entretanto, ainda não está disponível no país.

Em dezembro, a Pfizer já havia anunciado que não faria pedido para uso emergencial da sua vacina no Brasil, e que seguiria o processo de submissão diretamente para um registro definitivo. À época, a empresa disse considerar o procedimento “mais célere”, além de mais amplo.

Segundo a Pfizer, 2,9 mil voluntários participaram dos testes clínicos de sua vacina no Brasil. No mundo todo, foram 44 mil participantes em 150 centros de seis países, incluindo África do Sul, Alemanha, Argentina, Estados Unidos e Turquia. Os resultados da terceira e última fase de testes do imunizante, divulgados em novembro, apontaram eficácia de 95% contra o novo coronavírus (covid-19).

De acordo com a Anvisa, o registro “abre caminho para a introdução no mercado de uma vacina com todas as salvaguardas, controles e obrigações resultantes dessa concessão”. Até então, as vacinas aprovadas no Brasil são para uso emergencial: a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, e a vacina produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Oxford e o laboratório inglês AstraZeneca.

De acordo com a Anvisa, entre as autoridades referendadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a agência reguladora brasileira é a primeira a conceder o registro de uma vacina contra a covid-19.

O pedido de registro definitivo é o segundo que a Anvisa recebe para uma vacina contra a covid-19. O primeiro foi feito em 29 de janeiro e é relativo à vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, que já tem autorização para uso emergencial no país.

Mais 8 mortes por Covid-19; Acre já ultrapassa os 54 mil infectados pelo novo coronavírus

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), registra 238 casos de infecção por coronavírus nesta quinta-feira, 18, sendo 188 confirmados por exames de RT-PCR e 50 por testes rápidos. O número de infectados saltou de 53.892 para 54.130 nas últimas 24 horas.

Até o momento, o Acre registra 149.611 notificações de contaminação pela doença, sendo que 94.748 casos foram descartados e 733 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 45.883 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 259 pessoas seguem internadas.

Os dados da vacinação contra a Covid-19 no Acre podem ser acessados no Painel de Monitoramento da Vacinação, disponível no endereço eletrônico: http://covid19.ac.gov.br/vacina/inicio. As informações são atualizadas de acordo com a plataforma do Ministério da Saúde (MS), ficando sujeitas a alterações constantes, em razão das informações inseridas a partir de cada município.

Mais 8 notificações de óbitos foram registradas nesta quinta-feira, 18, sendo 6 do sexo masculino e 2 do sexo feminino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 948 em todo o estado.

Os óbitos do sexo masculino:

Morador de Rio Branco, H. F. S., de 46 anos, deu entrada no Hospital Santa Juliana, no dia 26 de janeiro, vindo a falecer no dia 13 de fevereiro.

Morador de Sena Madureira, R. M. F., de 92 anos, deu entrada no dia 14 de fevereiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), vindo a óbito no mesmo dia, 14.

A. J. S., de 43 anos. Morador de Acrelândia, deu entrada no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), no dia 5 de fevereiro, vindo a óbito no dia 16 do referido mês.

F. C. S. N., de 64 anos. Morador de Cruzeiro do Sul, deu entrada no dia 16 de fevereiro, no Hospital Regional do Juruá, vindo a óbito no dia seguinte, 17.

Morador de Rio Branco, H. S. F., de 87 anos, deu entrada no dia 13 de fevereiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), vindo a falecer nesta quarta-feira, 17.

O sexto óbito entre os homens é de M. N. A., de 46 anos. Morador de Rio Branco, deu entrada no dia 10 de fevereiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), e veio a falecer nesta quinta-feira, 18.

Óbitos do sexo feminino:

Moradora de Rio Branco, M. R. S., de 44 anos, deu entrada no dia 16 de fevereiro, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), vindo a óbito nesta quarta-feira, dia 17.

Moradora de Sena Madureira, J. V. B., de 64 anos, deu entrada no dia 23 de janeiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), vindo a falecer nesta quarta-feira, dia 17 de fevereiro.

Sobre os casos de Covid-19 no estado, acesse:

BOLETIM_COVID_AC_18.02.2021

Sobre a ocupação de leitos no estado, acesse:

Boletim Assistência 18-02-2021

Varejo deve continuar fraco neste início de ano com corrosão na renda das famílias

As vendas no varejo devem continuar fracas neste início de ano com a corrosão na renda das famílias provocadas pela alta da inflação e pelo fim do auxílio emergencial. Mesmo que o benefício assistencial seja renovado, a expectativa é que seja um programa mais restrito.

Pesam também o ritmo do programa de vacinação e o recrudescimento da pandemia e das medidas de distanciamento social, voluntárias ou não.

Entre economistas, há a avaliação de que o aumento do crédito, o desembolso de parte do dinheiro poupado durante a pandemia e o avanço do programa de imunização possam amenizar esse cenário negativo.

Loja na rua 25 de março, região central de São Paulo – Rivaldo Gomes – 2.dez.2020/Folhapress

O varejo brasileiro terminou 2020 com crescimento de 1,2% nas vendas, mesmo com o impacto da Covid-19, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (10).

O dado, no entanto, veio abaixo da expectativa do mercado, que esperava que o setor encerrasse o ano com alta de 5,5%, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. O crescimento observado também foi o mais fraco nos últimos quatro anos.

Apenas em dezembro o recuo foi de 6,1%, em pleno mês de festas.

Reportagem do jornal Folha do último sábado (6) mostrou que indicadores econômicos já apontam para uma queda da atividade em janeiro. O índice de vendas no varejo amplo da Getnet, por exemplo, indicou queda de 10,9% em relação a dezembro.

“A gente prevê um início de ano mais fraco em termos de atividade econômica. Isso intensifica e fortalece a nossa visão de um primeiro trimestre com retração do PIB. Se em dezembro o varejo teve esse desempenho muito ruim, imaginamos que o início de ano seja mais difícil”, afirma a economista Luana Miranda, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

“Com inflação mais alta e sem auxílio, que no ano passado distribuiu R$ 295 bilhões, esse ano terá uma queda real grande da renda, e isso deve acontecer ao longo do primeiro trimestre na ausência de continuidade do benefício.”

Écio Costa, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), afirma que o resultado eleva a pressão pela volta do auxílio.

“Ainda mais com a pandemia ainda em alta, 1.000 mortes por dia, e o setor de serviços sem contratar. Tudo bem recolocar o auxílio, mas vai trazer impactos fiscais, tornando o problema mais elevado se não tiver as reformas que estamos esperando para reduzir gastos. Isso pode virar uma bomba e fazer com que a [taxa básica] Selic suba além dos 3,5% esperados”, afirma.

Lisandra Barbero, economista da XP, diz que a perda de ímpeto no mês pode ser justificada pela antecipação do consumo de bens semiduráveis e duráveis durante a pandemia, que reduziu as compras típicas de final de ano. A redução do auxílio emergencial também ajudou a explicar essa dinâmica.

“Para 2021, entendemos que o setor deve continuar perdendo fôlego, em meio à alta da inflação de alimentos e principalmente à redução dos incentivos fiscais. No entanto, sinais de aumento da poupança circunstancial por parte das famílias mais ricas e condições de crédito positivas podem ajudar a preencher parcialmente essa lacuna.”

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, afirma que a variação trimestral das vendas no varejo é uma boa antecipação do consumo das famílias no PIB, o que sugere consumo extremamente frágil no quarto trimestre de 2020.

“O sinal que as vendas no varejo dá é desanimador, principalmente dado que as transferências de renda do programa emergencial acabaram na virada do ano”, diz.

“A pressão para a volta de algum programa emergencial de transferência de renda vai se tornar insuportável. Melhor seria uma mudança minimamente organizada, a partir de uma postura crível do governo, ou melhor, do Ministério da Economia.”

Para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, o dado mais fraco de dezembro aumenta as incertezas com relação aos próximos passos das políticas fiscal e monetária, com a pressão maior pela volta do auxílio e um consequente receio pelo risco de elevação da inflação.

“De um lado, a fraqueza das vendas sugere que o nível de ociosidade deve seguir alto por algum tempo. Com isso, a demanda pressionaria pouco a inflação, sugerindo a manutenção dos juros em patamar ainda baixo até março”, afirma.

“Por outro lado, caso os setores de varejo e serviços tenham sua trajetória de recuperação comprometida, o impacto no desemprego trará uma pressão política ainda maior pela extensão do auxílio emergencial. Nesse caso, o maior risco fiscal e a elevação do dólar trariam uma nova rodada de repasses inflacionários para os bens comercializáveis, como alimentos, de forma similar ao que aconteceu no ano passado, possivelmente prescrevendo uma elevação dos juros pelo Banco Central.”

João Leal, da Rio Bravo Investimentos, também vê uma pressão maior pelo auxílio. “Um consumo menor do que o esperado em dezembro deve pressionar mais ainda o Congresso e governo. Está virando realidade, pois a retirada do auxílio teve impacto relevante na piora do varejo em dezembro”, afirma.

Para a equipe do economista José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, o resultado de dezembro bem abaixo das expectativas corrobora as preocupações com os dois vetores de baixa para o setor no primeiro trimestre deste ano, o choque na inflação de alimentos, prejudicando o setor de hiper/supermercados, e o fim do auxílio emergencial e a perspectiva de um programa de transferência de renda bem mais tímido este ano.

Levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra recuo do índice de confiança do empresário industrial nos meses de janeiro e fevereiro deste ano.

“A percepção do estado atual da economia brasileira e das empresas é de melhora na comparação com os últimos seis meses, mas essa visão já foi mais forte e disseminada entre os empresários. É um indicador para ser acompanhando, pois o otimismo é importante para estimular a produção, o investimento e a geração de empregos. Esses fatores são fundamentais para a continuidade da recuperação econômica”, afirma o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Em janeiro, também houve queda nos índices de confiança de consumidores e do comércio medidos pela Fundação Getulio Vargas.

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Entenda como é feita a aplicação de uma vacina contra Covid-19


Com o início da vacinação contra Covid-19 entre os primeiros grupos prioritários, surgiram relatos de emoção e alívio mas também denúncias de vacinas que não estariam sendo aplicadas corretamente, supostamente para que funcionários guardassem as vacinas para si mesmos diante da escassez de imunizantes no país.

Uma funcionária da prefeitura de Maceió chegou a ser afastada após ser flagrada aplicando a vacina sem apertar o êmbolo —o que, na prática, inviabiliza a aplicação.

Em outro vídeo que circula nas redes sociais, um funcionário é questionado pelo parente de uma idosa por supostamente não ter aplicado o líquido nela. Ele responde que a dosagem estava muito baixa na seringa e por isso não aplicou a vacina e realizou a troca da seringa.

Esses e outros vídeos têm trazido dúvidas sobre como é a correta aplicação da vacina, quantas doses podem ser aplicadas por frasco e até se há alguma recomendação de usar uma dose menor para “guardar para depois” a vacina.

A enfermeira e supervisora do Centro de Referência em Imunobiológicos do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, Ana Paula dos Santos, explica que existe uma série de regras de conduta para aplicação de qualquer vacina, e que essas infrações relatadas, caso sejam verdadeiras, são gravíssimas e podem levar à perda do registro do profissional.

Como não há uma regra geral sobre o que a pessoa deve sentir após receber a vacina e como o procedimento todo é muito rápido, Santos recomenda que, caso alguma conduta ou infração ética seja verificada, a ouvidoria daquela instituição deve ser comunicada e a pessoa deve fazer uma denúncia ao Conselho Regional de Enfermagem (Corem).

Segundo documento do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, publicado no último dia 18 de janeiro, as vacinas contra a Covid-19 são aplicadas via intramuscular.

A pasta recomenda o uso de agulhas com as especificações 20 por 5,5 dec/mm, 25 por 7 dec/mm ou 30 por 7 dec/mm, sendo que a primeira medida refere-se ao calibre da agulha (medido pela unidade inglesa “gauge”, equivalente a entre 0,55 mm e 0,8 mm de espessura), e a segunda é o comprimento. Já as seringas podem ser de três tamanhos, de acordo com seu volume: 1 ml, 3 ml ou 5 ml.

A Coronavac é apresentada em ampolas contendo uma única dose (0,5 mL) ou multidoses (com cerca de 6,2 mL). Já a Covishield, da Oxford/AstraZeneca, vem em frascos multidoses contendo 5 mL (dez doses).

Como cada dose das vacinas possui 0,5 ml, Santos explica que no caso das ampolas multidoses, é feita a retirada de uma dose do frasco por vez. “Os frascos já possuem em seu volume o chamado ‘espaço morto’, que é a porcentagem do líquido perdida com a retirada das ampolas. No caso do frasco unidose, essa quantidade não chega nem a 0,1 ml.”

Como os frascos multidoses contêm várias doses, é necessária a higienização do frasco antes de cada aplicação. Já nas ampolas unidose, é retirado o volume total para uma única aplicação.

Para retirar o líquido do frasco, uma agulha é inserida através do lacre de borracha da ampola e o êmbolo da seringa é puxado. O corpo oco da seringa vai ser preenchido com o líquido, e o pistão, uma espécie de anel de borracha dentro da seringa ligado ao êmbolo, vai deslizar pelo tubo até chegar à quantidade desejada —as seringas possuem uma gradação indicando o volume de zero a 1 ml, 3 ml ou 5 ml.

Para evitar a entrada de ar no corpo, antes de dar a injeção o êmbolo é empurrado para eliminar esse ar residual. “A perda com esse procedimento é muito pequena, quase não tem perda de conteúdo [da vacina]”, diz Santos.

No momento da injeção, primeiro é utilizado um algodão seco para limpar a área e, com a outra mão, é feita a inspeção da área muscular –a vacina é feita preferencialmente no músculo deltoide, que tem formato de triângulo invertido. Após a injeção, é preciso empurrar o êmbolo até o final para aplicar todo o líquido.

Em geral, algumas pessoas podem ter uma sensação gelada nessa hora, uma vez que o imunizante estava sob refrigeração de 2˚ a 8˚C antes de ser aplicado. Mas, se a pessoa não sentir o frio, não significa que não foi injetado o líquido.

“Tem pessoas que sentem mais, algumas relatam ardor, outras dizem não sentir nada. Isso varia de pessoa para pessoa, é assim com todas as vacinas”, diz.

Uma outra prática já não muito utilizada pode ser feita, que é puxar levemente o êmbolo para ver se não há mistura do líquido a ser injetado com sangue. A enfermeira explica que essa técnica era usada para garantir que a agulha tenha entrado de fato no músculo e não em algum vaso da região, No entanto, como os vasos ali são muito finos, essa ação deixou de ser padrão.

Ao final, o profissional pressiona a área da picada com algodão e pode aplicar um curativo caso haja sangramento. Contudo, não existe regra para comprovar que foi feita a injeção, como ter uma determinada sensação de dor ou sangrar.

O melhor a fazer é verificar com o profissional se a seringa ou frasco utilizados estão vazios. “Se a pessoa quiser ter certeza que foi injetada a vacina, ela pode pedir para olhar a seringa no final. Isso pode causar alguma estranheza, mas ela tem resguardado o direito de confirmar que a vacinação foi feita”, afirma.

Relatos de não aplicação do líquido na injeção ainda são escassos e não representam o que é preconizado por enfermeiros, que é “a vida cuidando da vida”.

“A enfermagem tem como principal objetivo garantir que aquela pessoa, além de se recuperar [no caso de um tratamento], não tenha nenhum dano associado a algum procedimento. Alguns dos casos podem até soar como maldade, mas imagino também que tenha muita manipulação de imagem. Tenho muita paixão pela minha profissão, como muitos colegas. A gente estranha quando vê alguma imagem como essa pois não representa nossos valores”, diz.

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Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, recebe diagnóstico de Covid-19

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, está com Covid-19, segundo diagnóstico feito nesta quarta-feira (21). A informação foi confirmada ao jornal pelo Ministério da Saúde. Com o diagnóstico, ele passa a ser o 12o auxiliar do primeiro escalão do governo Bolsonaro infectado pela doença, além do próprio presidente.

A auxiliares, Pazuello já havia relatado mal estar na segunda-feira (19), o que o levou a cancelar sua participação em um evento do Ministério da Ciência e Tecnologia, no Palácio do Planalto.

Na terça, o ministro apresentou febre e voltou a cancelar agendas, mantendo apenas a reunião com os governadores, da qual participou de casa e durante o qual anunciou o contrato de intenção de compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, fabricada pela chinesa SinoVac com o Instituto Butantan.

Nesta quarta (21), porém, a pasta recuou em parte do anúncio, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que iria desfazer o acordo e desautorizar o ministro, que na véspera se referira ao imunizante produzido sob a gestão do governador João Doria (PSDB), desafeto do presidente, como “a vacina do Brasil”.

Ao todo, 12 dos 23 ministros da atual gestão contraíram a Covid-19, incluindo todos os auxiliares do primeiro escalão que despacham no Palácio do Planalto. O próprio presidente também esteve infectado, mas se recuperou sem relatar maiores sintomas.

Na última semana, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, informou ter tido diagnóstico positivo para a Covid-19. Um dia antes, ele participou de entrevista no Palácio do Planalto, sem máscara.

A pandemia não terminou, mas, em Brasília, autoridades retomaram solenidades e cerimônias.

A posse do novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, por exemplo, no mês passado, deixou sete autoridades contaminadas.

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