Imunidade ao coronavírus pode durar anos, dizem cientistas

Estudos sugerem que quem se recuperou da Covid-19 e foi vacinado continuará com níveis altos de proteção contra novas variantes, mesmo sem dose de reforço

A imunidade ao coronavírus dura pelo menos um ano e melhora com o tempo, especialmente depois da vacinação, segundo dois novos estudos. As conclusões podem ajudar a acalmar temores constantes de que a proteção contra o vírus terá curta duração.

Juntos, esses estudos sugerem que a maioria das pessoas que se recuperaram da Covid-19 e depois foram imunizadas não precisarão de doses de reforço.

As pessoas vacinadas que não foram infectadas provavelmente precisarão de mais doses, assim como uma minoria que foi infectada mas não produziu uma reação imune potente.

Os dois trabalhos examinaram pessoas que tinham sido expostas ao coronavírus cerca de um ano antes. Células que guardam uma memória do vírus persistem na medula óssea e podem produzir anticorpos sempre que necessário, segundo um dos estudos, publicado na segunda-feira na revista científica Nature.

O outro estudo, que está sob revisão para ser publicado também na Nature, descobriu que essas células B de memória continuam amadurecendo durante pelo menos 12 meses depois da infecção inicial.

“Os trabalhos são coerentes com o crescente corpo de literatura científica que sugere que a imunidade produzida por infecção e vacinação para o Sars-CoV-2 parece ser duradoura”, diz Scott Hensley, imunologista na Universidade da Pensilvânia, que não participou da pesquisa.

Os estudos podem acalmar os temores de que a imunidade ao vírus seja passageira, como é o caso dos coronavírus que causam resfriados comuns. No entanto, aqueles vírus mudam de modo significativo em intervalos de alguns anos, afirma Hensley. “O motivo pelo qual nos infectamos com coronavírus repetidamente durante a vida pode ter muito mais a ver com a variação desses vírus do que com imunidade.”

Na verdade, as células B de memória produzidas em reação à infecção por Sars-CoV-2 e reforçadas com a vacinação são tão potentes que dominam até variantes do vírus, negando a necessidade de reforços, segundo o brasileiro Michel Nussenzweig, imunologista na Universidade Rockefeller em Nova York que liderou o estudo sobre maturação da memória.

“As pessoas que foram infectadas e depois vacinadas realmente têm uma reação excelente, um ótimo conjunto de anticorpos, porque elas continuam evoluindo seus anticorpos”, afirmou. “Eu acredito que eles vão durar muito tempo.”

O resultado talvez não se aplique à proteção obtida só com as vacinas, porque a memória imune provavelmente será organizada de modo diferente depois da imunização, comparada com a que se segue à infecção natural.

Isso significa que as pessoas que não tiveram Covid-19 e foram imunizadas poderão precisar de uma dose de reforço, disse Nussenzweig. “É o tipo de coisa que saberemos muito em breve.”

Ao encontrar o vírus pela primeira vez, as células B rapidamente proliferam e produzem anticorpos em grande quantidade. Quando a infecção aguda é resolvida, um pequeno número de células se instala na medula óssea e bombeia para fora constantemente pequenos níveis de anticorpos.

Para examinar células B de memória específicas do novo coronavírus, pesquisadores chefiados por Ali Ellebedy, da Universidade de Washington em St. Louis, analisaram o sangue de 77 pessoas em intervalos de três meses, começando aproximadamente um mês depois da infecção pelo coronavírus. Somente seis das 77 tinham sido hospitalizadas por Covid-19; as demais tiveram sintomas leves.

Os níveis de anticorpos nesses indivíduos caiu rapidamente quatro meses depois da infecção e continuou diminuindo lentamente durante os meses seguintes. Os resultados estão de acordo com os de outros estudos.

Alguns cientistas interpretaram essa redução como um sinal de diminuição da imunidade, mas é exatamente o que se esperava, segundo especialistas. Se o sangue contivesse altas quantidades de anticorpos para cada patógeno que o corpo encontrasse, rapidamente se transformaria em uma gosma espessa.

Em vez disso, os níveis de anticorpos no sangue caem acentuadamente depois de uma infecção aguda, enquanto as células B de memória continuam na medula óssea, prontas para entrar em ação quando necessário.

A equipe de Ellebedy obteve amostras de medula óssea de 19 pessoas aproximadamente sete meses depois que elas foram infectadas. Quinze tinham células B de memória detectáveis, mas quatro não tinham, sugerindo que algumas pessoas podem ter muito poucas dessas células ou nenhuma.

“Isso me diz que mesmo quando uma pessoa é infectada não significa que ela tenha uma ótima reação imune”, disse Ellebedy. As conclusões reforçam a ideia de que as pessoas que se recuperaram de Covid-19 devem ser vacinadas, disse ele.

A equipe de Nussenzweig examinou como as células B de memória amadurecem com o tempo. Os pesquisadores analisaram o sangue de 63 pessoas que haviam se recuperado da Covid-19 cerca de um ano antes. A vasta maioria dos participantes teve sintomas brandos, e 26 também tinham recebido pelo menos uma dose de vacina, da Moderna ou da Pfizer/BioNTech.

Os chamados anticorpos neutralizantes, necessários para evitar a reinfecção pelo vírus, continuavam inalterados entre 6 e 12 meses, enquanto anticorpos relacionados, mas menos importantes, lentamente desapareciam, segundo descobriu a equipe.

Enquanto as células B de memória continuavam evoluindo, os anticorpos produzidos por elas desenvolviam a capacidade de neutralizar um grupo ainda maior de variantes. Essa maturação constante pode resultar de um pequeno pedaço do vírus que é sequestrado pelo sistema imune.

Os resultados do estudo de Nussenzweig sugerem que as pessoas que se recuperaram da Covid-19 e depois foram vacinadas continuarão tendo níveis extremamente altos de proteção contra variantes que venham a surgir, mesmo sem terem recebido uma vacina de reforço.

“Parece quase exatamente o que esperaríamos da reação de uma boa célula B de memória”, disse Marion Pepper, imunologista na Universidade de Washington em Seattle, que não participou da nova pesquisa.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

folha

As alternativas para um programa social no pós-pandemia

Estudo do Ipea analisa diferentes políticas de transferência de renda e simula os efeitos que cada uma teria sobre a pobreza e a desigualdade

O auxílio emergencial articulado pelo Congresso foi a principal política pública de apoio à população na pandemia do novo coronavírus. Por nove meses, o programa ajudou não apenas a garantir renda aos mais vulneráveis na crise, como também levou a uma redução temporária da pobreza em 2020. O programa foi reeditado em 2021, por quatro meses (de abril a julho), com alcance e valores menores.

O benefício abriu a discussão sobre uma expansão permanente da rede de proteção social no Brasil. O auxílio é temporário e tem alto custo — por isso, a visão ampla entre economistas é que é insustentável mantê-lo de forma definitiva. Ao mesmo tempo, o cenário da crise pandêmica expôs a realidade de milhões de brasileiros com baixa renda e sem acesso aos programas tradicionais de suporte do governo, como o Bolsa Família. Entre essas pessoas, estão trabalhadores informais.

O debate sobre a reformulação dos programas sociais do governo federal ocorre também em Brasília desde ao menos meados de 2020. O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a anunciar em junho de 2020 um novo programa — chamado primeiro de Renda Brasil e depois de Renda Cidadã — que combinaria o Bolsa Família e outros benefícios. Mas a dificuldade de encaixar o benefício no Orçamento para 2021 e no teto de gastos — regra que limita as despesas do governo a um nível pré-determinado — fez com que a iniciativa não saísse do papel.

Em 2021, a reformulação dos programas sociais segue no discurso de Guedes. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada na segunda-feira (24), o ministro afirmou que “se você quer reduzir a pobreza, tem que desenhar uma política social”. “O governo deve fazer um programa forte, robusto e sustentável, dentro do teto [de gastos]”, afirmou. Guedes também voltou a falar em um “Bolsa Família melhorado”, sem especificar um desenho para esse novo programa.

O tema da reformulação dos programas sociais é o assunto central de um estudo publicado na sexta-feira (21) pelo Ipea — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao Ministério da Economia.

A metodologia do estudo. E os cenários simulados


O estudo do Ipea trabalha com microdados da edição anual da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) feita em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esses dados são usados como base para simular efeitos da implementação de diferentes programas de transferência de renda.

Segundo os autores, a opção de trabalhar com dados pré-pandêmicos para fazer projeções para 2021 se justifica pelo fato de que a intenção do estudo é contribuir para o debate pensando no mundo pós-pandemia. Portanto, não seria adequado usar os dados de 2020 — que englobam o período da crise sanitária — para avaliar a política em um cenário sem a pandemia.

São analisados três possibilidades de desenho para esse programa de transferência de renda:

Focalizado: seria voltado para famílias de baixa renda. Seria uma espécie de Bolsa Família com público-alvo ampliado, chegando a todas as pessoas que vivem em domicílios com renda per capita menor que R$ 260 ao mês. No Bolsa Família, podem participar famílias com renda mensal de até R$ 178 por pessoa.
Híbrido: beneficiaria todas as crianças e jovens — ou seja, toda a população de 0 a 18 anos; e ainda chegaria a pessoas de todas as idades que moram em domicílios com renda per capita menor que R$ 260 ao mês.
Universal: chegaria em valor único a todos os brasileiros, independentemente da idade e da renda.


Em cada caso, o Bolsa Família é substituído pelo novo programa. O valor e o alcance exato do novo benefício em cada um dos cenários depende da verba disponibilizada para bancar o programa. O impacto do programa, portanto, depende de quanto dinheiro é alocado para ele.

Para cada um dos três desenhos, o estudo faz análise do impacto sob três possibilidades diferentes de orçamento. São elas:

R$ 58 bilhões por ano. É o cenário considerado de neutralidade fiscal, uma vez que seria implementado a partir da unificação de programas atualmente existentes. Além da junção da verba de Bolsa Família, abono salarial e benefício do salário-família, seriam extintas as deduções por dependentes no Imposto de Renda.
R$ 120 bilhões por ano. É o cenário considerado intermediário.
R$ 180 bilhões por ano. É o cenário que colocaria o Brasil no patamar médio de gastos com programas sociais observado em países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Esse patamar é de cerca de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) a cada ano.


Em todos os cenários, o gasto com o novo programa social seria menor que no caso do auxílio emergencial de R$ 600 implementado por cinco meses em 2020 (por quatro meses o valor caiu pela metade naquele ano). Se fosse pago ao longo de um ano inteiro, o auxílio de R$ 600 geraria uma despesa de cerca de R$ 540 bilhões aos cofres públicos.

Os resultados das simulações


A partir desses parâmetros, os pesquisadores do Ipea — Luís Henrique Paiva, Leticia Bartholo, Pedro Ferreira de Souza e Rodrigo Orair — simularam os efeitos que cada programa poderia ter sobre a desigualdade e a pobreza no Brasil, em cada um dos diferentes cenários de disponibilidade de verba. A comparação é feita com o cenário em que o principal programa de transferência de renda é o Bolsa Família.

Para analisar os impactos na desigualdade de renda, foi estimado o índice Gini, que é um coeficiente matemático que calcula a concentração de algo — pode ser renda, votos, nível de educação ou outra coisa. O Gini varia de 0 a 1, sendo que o 0 corresponde à igualdade total e o 1 corresponde à desigualdade completa. Quanto mais alto for o índice, maior a desigualdade.

No caso dos possíveis programas, o desenho focalizado — voltado para pessoas de baixa renda — tem os maiores efeitos de redução da desigualdade em relação ao cenário base do Bolsa Família. O programa híbrido, que chega em crianças, em adolescentes e na população de baixa renda, também deve diminuir a desigualdade de renda. O impacto fica mais forte quando há mais recursos disponíveis para o programa — isso porque esses aumentos devem se traduzir em benefícios maiores transferidos a cada mês.

OS EFEITOS NA DESIGUALDADE

Queda estimada da desigualdade, por programa e verba. Efeitos maiores no focalizado e híbrido

Já o benefício universal tem resultados ambíguos. Na comparação com o cenário com Bolsa Família, a desigualdade cresce quando o novo benefício pago é o menor dentre os cenários avaliados (verba anual de R$ 58 bilhões). Isso porque o Bolsa Família — que tem cerca de R$ 35 bilhões de verba anual — é um programa voltado para famílias de baixa renda, e seria substituído por um benefício que chega a todos os brasileiros. Conforme esse benefício aumenta, a desigualdade passa a cair — mas em nível menor que nos outros desenhos analisados pelo estudo.

O impacto estimado na pobreza e extrema pobreza


O estudo do Ipea também estima o que acontece com a taxa de pobreza no Brasil em cada cenário simulado. A linha de pobreza considerada é aquela usada pelo Banco Mundial: quem vive com menos de US$ 5,50 por dia — ou R$ 434 por mês em junho de 2019.

24,1%

é a taxa de pobreza no cenário com Bolsa Família, usado como referência para comparação no estudo do Ipea.

As simulações do estudo mostram que o impacto de qualquer um dos programas propostos é limitado quando a verba da política é de R$ 58 bilhões ao ano. Com o orçamento mais modesto, o benefício universal novamente tem o efeito indesejado de aumentar a pobreza em relação ao cenário com o Bolsa Família, assim como aumentou a desigualdade.

A TAXA DE POBREZA

Queda estimada na taxa de pobreza, por programa e verba. Efeito maior no focalizado e no híbrido. Efeito cresce conforme há mais verba

No caso do programa focalizado com verba anual de R$ 180 bilhões, a redução da pobreza poderia ser da ordem de quase 10 pontos percentuais. A taxa de pobreza no país cairia de 24,1% para 14,6%.

O estudo repete o exercício para a extrema pobreza. A linha usada para a extrema pobreza é de US$ 1,90 por dia, ou R$ 150 por mês em junho de 2019.

6,2%

é a taxa de extrema pobreza no cenário com Bolsa Família, usado como referência para comparação no estudo do Ipea.

A EXTREMA POBREZA

Queda estimada na taxa de extrema pobreza, por prog. e verba. Efeito maior no focalizado e no híbrido. Efeito cresce conforme há mais verba

O cenário novamente indica que o poder de combate à extrema pobreza é menor no caso do benefício universal. Se esse programa fosse implementado, a taxa de extrema pobreza cresceria no Brasil em dois dos três cenários analisados. Os programas focalizado e híbrido teriam maiores efeitos sobre a extrema pobreza.

Conclusões do estudo


O estudo mostra, portanto, que a adoção de uma renda básica universal que atendesse a todos os brasileiros seria menos efetiva para atacar a desigualdade e a pobreza no Brasil. De acordo com os autores, é recomendado trabalhar com “algum grau de focalização (por meio de um benefício focalizado ou do componente focalizado de um modelo híbrido)”.

Além disso, o estudo conclui que no caso de adoção de programas como o programa focalizado ou o híbrido, “o fator mais importante para a redução da pobreza e da desigualdade é o orçamento total do programa”. Ou seja, no cenário mais modesto, de verba de R$ 58 bilhões, os efeitos são discretos. Quanto mais verba for disponibilizada para bancar um programa como os estudados, maior vai ser o impacto para combater a pobreza e a desigualdade no Brasil.

Portanto, os autores dizem que “garantir o orçamento mais robusto possível para as transferências não contributivas é algo crítico”. Não basta ter o programa mais eficiente; é necessário também ter recursos volumosos à disposição.

nexojornal

Com sistema de saúde sobrecarregado, Acre registra mais sete mortes por Covid-19

Com as UTIs do Pronto-Socorro de Rio Branco e do Into Acre com 100% de ocupação, o Acre registrou mais sete mortes e 320 novos casos de contaminados pela Covid-19, de acordo com o boletim da Secretaria de Saúde divulgado nesta segunda-feira, 15.

O número atualizado de infectados pela doença chegou a 62.940, mas esse montante deve subir, tendo em vista que 1.054 exames seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux.

Internados

De acordo com o boletim, 368 pessoas seguem internados em leitos de UTIs, clínicos, pediátricos e obstétricos em todo o estado. Os dados também mostra que mais de 52 mil pessoas receberam alta médica desde o início da pandemia.

Os dados da vacinação contra a Covid-19 no Acre podem ser acessados no Painel de Monitoramento da Vacinação, disponível no endereço eletrônico: http://covid19.ac.gov.br/vacina/inicio. As informações são atualizadas na plataforma do Ministério da Saúde (MS), ficando sujeitas a alterações constantes, em razão das informações inseridas a partir de cada município.

Diante da taxa de ocupação de leitos sobrecarregada no Sistema Único de Saúde, o Estado segue agora trabalhando, com apoio do Governo Federal, com a transferência de pacientes para outras localidades onde há disponibilidade de leitos para tratamento da Covid-19.

O primeiro paciente foi transferido neste domingo, 14, de Rio Branco para Cruzeiro do Sul. A previsão é de que mais 13 pacientes sejam transferidos ainda nesta segunda-feira, 15, para o município.

Outros 6 pacientes também já estão com leitos de UTI regulados pelos SUS para transferência via Força Aérea Brasileira (FAB), para a cidade de Manaus, aguardando também a chegada da aeronave.

Mais 7 notificações de óbitos foram registradas nesta segunda-feira, 15, sendo 5 do sexo masculino e 2 do sexo feminino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 1.129 em todo o estado.

Óbitos do sexo masculino:

R. N. C., de 89 anos, faleceu no seu domicílio, em Rio Branco, no dia 1º de janeiro.

Morador de Rio Branco, A. J. G. M., de 47 anos, faleceu no dia 31 de janeiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), sem data de entrada na unidade de saúde.

Morador de Porto Acre, E. T. P., de 69 anos, deu entrada no dia 23 de fevereiro, no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), vindo a óbito no dia 13 de março.

Morador de Cruzeiro do Sul, A. M. S., de 85 anos, deu entrada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), no dia 15 de fevereiro, e faleceu no dia 14 de março.

O quinto óbito entre os homens é de M. L. P. M., de 63 anos. Morador de Rio Branco, deu entrada no dia 7 de fevereiro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), e veio a falecer neste domingo, 14 de março.

Óbitos do sexo feminino:

Moradora de Rio Branco, L. L. G., de 91 anos, deu entrada Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), no dia 2 de março, vindo a falecer no dia 14 do referido mês.

M. A. B. N., de 35 anos. Moradora de Rio Branco, deu entrada no dia 14 de março, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sobral, vindo a falecer nesta segunda-feira, dia 15.

Sobre os casos de Covid-19 no estado, acesse:

BOLETIM_AC_COVID_15.03.2021 (1)

Sobre a ocupação de leitos no estado, acesse:

Boletim Assistência 15-03-2021

Suplementos vitamínicos e Ivermectina fazem o setor farmacêutico cresce 15,6% em 2020

No ano de 2020 o mercado farmacêutico mostrou mais uma vez sua força, apresentando um crescimento no faturamento de 15,6% segundos dados divulgados pela IQVIA no início de fevereiro.

Conforme os números apresentados o faturamento das farmácias no ano foi de R﹩139,37 bilhões, em 2019 esse valor foi de R﹩120,54 bilhões. O grande destaque deste crescimento foram as lojas das redes associadas à Febrafar que cresceram no ano 26,1%.

“Os números apresentando pela Febrafar não nos surpreendem pois já tínhamos constantemente crescendo bastante acima do mercado. Mas, uma característica deste ano foi um crescimento maior das farmácias nos bairros. Isso se deve ao fato de que, com o isolamento, as pessoas tiveram que ficar em casa e passaram a consumir mais em farmácias de bairro e não nas das regiões centrais”, explica o presidente da Febrafar, Edison Tamascia.

Em relação ao contínuo crescimento da Febrafar, esse fato já tem resultado direto em sua participação no mercado, sendo que em 2016 essa era de 9,1% e em 2020 chegou a 12,1%. “Vemos que as farmácias das redes associadas à Febrafar, que estão utilizando as ferramentas de gestão disponibilizadas, estão se destacando, pois passam por um processo de maior profissionalização, percebem como é o mercado e crescem acima da média”, explica Tamascia.

Outro destaque da Febrafar é sua capilaridade sendo que atualmente conta com 58 redes que representam 10.544 lojas em 27 estados do Brasil. Estando presente em 2.991 dos 5.570 dos municípios.

Destaque de suplementos

Um ponto de destaque no consumo dentro das farmácias foi o de suplementos. Segundo os dados da IQVIA, a procura na busca por suplementos vitamínicos dispararam, crescendo 47,9% em todo o mercado e 60,9% na Febrafar.

Segundo análise deste dado, durante o ano de 2020, foi e ainda é muito discutido sobre a importância de cuidar ainda mais da imunidade, fazendo com que muitos brasileiros procurem se prevenir visando o aumento nessa categoria de produtos.

Já em relação aos produtos, com certeza, o que mais se destacou foi a Ivermectina (mg comprimido 6.00mg x 4), que teve um crescimento de 2.869,11%. Fato que se deve a associação do medicamento com o tratamento do Covid-19. (Assessoria da Febrafar)

“É o que mais defendo”, diz Gladson Cameli ao assinar Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde

Um dia depois de sair do isolamento domiciliar, o governador Gladson Cameli, que fez da própria residência seu gabinete de trabalho nos últimos dias, assinou na manhã desta terça-feira, 9, o Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde, uma iniciativa dos governadores dos estados para unificar medidas contra a Covid-19 no país.

“A vida de cada pessoa importa, lutarei e defenderei isso sempre. O soldado, apesar do medo, não deixa de ir à guerra, mas ele nunca entra no campo de batalha sozinho. Estamos diante de um cenário em que, se não houver união, não venceremos a batalha”, diz .

O abaixo-assinado, que reúne governadores de 25 estados brasileiros, reforça a proposta de ampla pactuação entre os três poderes e as três esferas da federação, visando abraçar a luta contra a pandemia do coronavírus, conforme proposição apresentada aos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, em reunião realizada no último dia 12 de fevereiro.

No texto, os signatários reiteram o compromisso da celebração de um pacto que contemple as seguintes ações:

  • Expansão da vacinação, com pluralidade de fornecedores, ampliação das compras das vacinas e busca de solidariedade internacional, em face da gravidade da atual crise brasileira;
  • Apoio a medidas preventivas, essenciais para a contenção do vírus, uma vez que as possibilidades de expansão dos leitos hospitalares são limitadas, devido à escassez de insumos e de recursos humanos, e porque ações dessa natureza protegem famílias, salvam vidas e asseguram aos sistemas hospitalares as condições necessárias de funcionamento, a exemplo do incentivo ao uso de máscaras e do desestímulo a aglomerações, que têm sido implementados com sucesso na maioria dos países, em todos os continentes;
  • Apoio aos estados para manutenção e ampliação, o mais brevemente possível, da oferta de leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes contaminados com a Covid-19, fazendo-se necessária, também, a integração de todos os sistemas hospitalares, a fim de utilizar ao máximo a disponibilidade existente, a partir do planejamento e da análise diária da situação de cada unidade federativa;
  • Solicitação de que os trabalhos decorrentes da pactuação proposta contem com o auxílio de um comitê gestor, mediante participação dos três poderes da República e de todos os níveis da federação, bem como da assessoria de uma comissão de especialistas.

Conheça os governadores que assinaram o Pacto:

— 2021.03.08. Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde.Vf

Pazuello estima receber até 28 milhões de doses de vacinas neste mês

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse hoje (8) que espera ter, neste mês, de 25 milhões até 28 milhões de doses entregues aos estados para cumprir o Plano Nacional de Imunização (PNI). Pazuello apresentou a estimativa após uma reunião na Fundação Oswaldo Cruz, da qual participaram o governador do Piauí, Wellington Dias, e representantes da Fiocruz e do Itamaraty.

Outros governadores participaram da reunião por videoconferência, assim como a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, que está de quarentena por ter tido contato com uma pessoa diagnosticada com covid-19.

Segundo Pazuello, o objetivo do encontro era discutir com a Fiocruz todas as demandas relacionadas à vacina da AstraZeneca/Oxford. Ele citou os imunizantes produzidos com ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado da China, as doses prontas vindas do laboratório Serum da Índia, a produção do IFA nacional com assimilação da tecnologia no contrato com a farmacêutica e, ainda, a vacina pronta importada de um laboratório da Coreia, por intermédio do consórcio Covax Facility, formado por vários países para o desenvolvimento de imunizantes.

Na reunião, foi feito um acompanhamento da linha de produção para ver com clareza um cronograma de entregas semanais e também se discutiu o que pode ser antecipado, contando com a participação do Fórum de Governadores, do governo federal, da Fiocruz e do Congresso Nacional. “Com ações junto à OMS [Organização Mundial da Saúde], junto a outros governos e laboratórios para que possamos acelerar todas as fases e trazer a vacina, o mais rápido possível, para complementar as demais vacinas que estamos entregando semanalmente”, afirmou o ministro.

Pazuello destacou que, nesta segunda-feira, o ministério está recebendo 2,5 milhões de doses do Instituto Butantan, que serão distribuídos aos estados durante a semana. O ministro disse que conta ainda com uma entrega da Fiocruz de vacinas AstraZeneca/Oxford. “A nossa previsão é que a Anvisa e a Fiocruz ajustem os processos nesta semana, para que, a partir da próxima, ou no máximo na outra semana, já tenhamos também entregas da Fiocruz, somadas semanalmente com as do Butantan.”

O ministro informou que já vinha mantendo contato com o governador Wellington Dias e que chegaram à conclusão de que era preciso ir à Fiocruz para discutir as questões da vacina pessoalmente. De acordo com Dias, que é representante do Fórum Nacional de Governadores, isso foi importante para definir o cronograma de entrega de vacinas para março e ter a sinalização do que está previsto a partir de abril.

Segundo o governador, no encontro, também foi explicada a dificuldade causada pela falta de remessa das doses da AstraZeneca, que viriam da Índia. De acordo com Dias, a justificativa do governo da Índia é que, lá, a situação se agravou perante a população. Para o governador, isso alterou o calendário feito pelos estados.

Estava prevista, em contrato com o Ministério da Saúde, por meio da Fiocruz, a entrega de uma quantidade de IFA que permitiria produzir 15 milhões de doses em janeiro, o que não ocorreu. Pazuello disse que a AstraZeneca resolveu, então, fornecer ao Brasil 12 milhões de doses prontas da vacina que viriam do laboratório indiano, mas ressaltou que o Serum vem postergando a entrega. “Até agora, só vieram 4 milhões, e ainda faltam 8 milhões.”

Pressões

O ministro destacou que ficou acertado no encontro de hoje que é preciso fazer pressão política, diplomática e até pessoal junto à AstraZeneca para que a farmacêutica cobre do laboratório Serum o cumprimento da entrega dos 8 milhões de doses que faltam. “Neste momento, a Índia, como país, dificultou o processo porque proibiu a exportação. Os países estão variando suas posições diplomáticas e comerciais porque o troço, realmente é instável”, afirmou.

Para o ministro, este é o motivo para buscar a produção nacional das vacinas de modo a avançar no Programa Nacional de Imunização. “Se não tivermos produção como temos hoje no Butantan e na Fiocruz, não vamos ter condição de vacinar em massa no nosso país.”

Wellington Dias lembrou que houve rompimento do contrato de entrega do laboratório Serum e que, nas pressões diplomáticas, haverá destaque para o momento da crise da pandemia no Brasil. “O Brasil vive um momento especial. Como diz a própria Organização Mundial da Saúde, é o epicentro da pandemia no mundo, e ainda com o risco de muitas variantes que se espalham. Este é o argumento que queremos tratar para garantir as condições do cumprimento”, observou.

Ampliação

Dias informou que, na reunião de hoje, foi feito um pedido para que a Fiocruz, em entendimento com a Anvisa, amplie a capacidade de produção para 250 mil a 300 mil doses por dia. “Nessa primeira fase, a notícia boa é que se amplia. A partir de abril, há condições de chegar a até 1 milhão de doses por dia ou 30 milhões por mês, o que é uma ótima notícia. Fizemos aqui um apelo, dada a gravidade [da situação] do Brasil, dada a gravidade [do número] de óbitos e de internações., para poder contar com essa ampliação.”

“Assim como nos alegra o recebimento de 2,5 milhões de doses do Butantan, que vão ser entregues para todo o Brasil na quarta e quinta-feiras, é importante também ter semanalmente entregas da CoronaVac Butantan e da AstraZeneca, produção nacional e produção a partir de vacina pronta de outros países”, completou o governador.

Dias reforçou que os governadores estão dispostos a partir para a compra de vacinas se os entendimentos do Ministério da Saúde não avançarem, mas destacou que tudo ficaria sob a coordenação da pasta. “Se não tiver, nós estamos prontos para comprar. Nós queremos, e é importante para o país a coordenação do ministério, até para que a gente tenha um calendário de entrega nacional.”

Ainda na área diplomática, o governador piauiense adiantou que o Brasil tentará a liberação de cerca de 10 milhões de doses da AstraZeneca que foram produzidas nos Estados Unidos. “O que sabemos é que há vacinas prontas em estoque, e como não está sendo utilizada a AstraZeneca nos Estados Unidos , que se possa, com essa conjuntura brasileira, ceder a vinda para o Brasil”, afirmou Dias. Segundo ele, os Estados Unidos também adotaram a proibição de exportação de imunizantes. (Agência Brasil)

Variante britânica do coronavírus é até 90% mais transmissível, estimam cientistas

Dois estudos trazem novos dados sobre a variante B.1.1.7 do coronavírus, primeiramente detectada no Reino Unido.

Segundo artigo publicado na quarta-feira (3) na prestigiosa revista Science, a variante é de 43% a 90% mais transmissível do que as linhagens anteriores do vírus, segundo análises estatísticas de pesquisadores de Inglaterra, Escócia, Bélgica e Estados Unidos.

Os cientistas afirmam que medidas de controle rigosoras, incluindo o fechamento de instituições educacionais e a aceleração da distribuição das vacinas contra o vírus, são necessárias para evitar que os números de internações e mortes causadas pela Covid-19 na Inglaterra em 2021 superem os registros do ano passado.

Segundo os cientistas, a variante —presente em diversas partes do mundo atualmente— mostrou ser mais transmissível também em países como Estados Unidos, Dinamarca e Suécia em taxas na faixa de 59% a 74%.

A B.1.1.7 foi detectada inicialmente em dezembro de 2020 no sudeste da Inglaterra. Rapidamente, a variante se tornou a mais frequente no Reino Unido e se espalhou para fora do continente europeu.

Uma variante do vírus surge quando cópias do patógeno acumulam diversas mutações que lhe conferem vantagens para sobreviver e se reproduzir com mais facilidade. No caso da B.1.1.7, existem 17 mutações —oito delas no revestimento em forma de espinhos que envolve o vírus e é o responsável pela invasão nas células humanas.

De acordo com cientistas, quanto mais o vírus se espalha e interage com organismos humanos, maiores as chances de novas variantes surgirem. Assim, controlar as taxas de transmissão não só evitam hospitalizações e mortes pela doença como também reduz as probabilidades de que novas formas do vírus eventualmente mais violentas possam aparecer.

A maior transmissibilidade do Sars-CoV-2 preocupa médicos no mundo todo. A Covid-19 tem uma letalidade considerada baixa, mas quanto mais pessoas se infectam com a doença, maior é a demanda por leitos de UTI e outros cuidados médicos, o que pressiona os sistemas de saúde já bastante massacrados pela pandemia.

Mas a variante B.1.1.7 também pode ser mais letal, apontou um outro estudo divulgado em meados de fevereiro por cientistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. Segundo estimativa dos pesquisadores, o risco de morte para quem desenvolve a Covid-19 com a variante britânica cresce 58%.

O estudo foi divulgado em formato de pré-publicação (pré-print) e ainda não passou por uma revisão de outros pesquisadores da área.

Para Nicholas Davies, epidemiologista que liderou as duas pesquisas sobre a nova variante, está claro que a B.1.1.7 contribuiu para que a Inglaterra tivesse taxas de internações e mortes altas no início deste ano.

“Mesmo com medidas restritivas, 42 mil pessoas morreram de Covid-19 na Inglaterra nos primeiros dois meses de 2021, número de mortes igual ao do período de março a outubro de 2020 (oito meses). Estou certo de que muitas dessas vidas não seriam perdidas se não tivéssemos a variante”, afirmou o pesquisador em suas redes sociais.

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Coronavírus: Brasil apostou em estratégia ‘genocida’ para combater covid-19, diz Atila Iamarino

Retrtao do Virologista Atila Iamarino
Legenda da foto,Doutor em microbiologia pela USP, Iamarino estuda a disseminação de vírus e a forma como evoluem

O Brasil adotou uma estratégia “genocida” ao apostar na chamada imunidade de rebanho para combater a covid-19, o que possibilitou o surgimento de uma nova variante mais perigosa e que vem causando mais mortes, diz à BBC News Brasil o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino.

A imunidade de grupo (também chamada imunidade de rebanho) ocorre quando uma parcela grande o suficiente da população desenvolver uma defesa imunológica contra o coronavírus. Nesse cenário, a doença não consegue se espalhar porque a maioria das pessoas é imune e ela passa a ter grande dificuldade para encontrar alguém suscetível.

O problema dessa estratégia, apontado desde o início por especialistas, é que ela teria um enorme custo humano — muitas mortes aconteceriam até que uma eventual imunidade de rebanho fosse alcançada. Outra questão importante nesse sentido é que não se sabe por quanto tempo a imunidade de alguém infectado pelo Sars-CoV-2 dura, se ela é de curto, médio ou longo prazo.

Em meio ao que especialistas consideram o pior momento da pandemia no país, Iamarino defende a adoção de um confinamento mais rígido e a aceleração da vacinação.

Ele critica ainda o governo federal, que acusa de ter “sabotado” Estados e municípios.

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E vaticina que uma catástrofe pode estar prestes a acontecer se o que vimos em Manaus se repetir no restante do Brasil.

Doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), Iamarino concluiu dois pós-doutorados estudando a disseminação (ele prefere o termo “espalhamento”) dos vírus e a forma como esses organismos evoluem. Um desses pós-doutorados foi na própria USP, e o outro na Universidade Yale, nos Estados Unidos.

Em sua carreira, o pesquisador de 37 anos estudou vírus como ebola e HIV.

Iamarino se tornou conhecido por sua participação no canal de YouTube do Nerdologia, um dos maiores do país. Desde o início da pandemia, tem feito transmissões ao vivo sobre o novo coronavírus, com milhões de visualizações.

Confira os principais trechos da entrevista a seguir.

Atila Iamarino
Legenda da foto,Para Iamarino, falta ação coordenada do governo federal no combate à pandemia de covid-19

BBC News Brasil – O Brasil parece viver o pior momento da pandemia, tendo registrado um recorde na média móvel de mortes. A que se deve isso?

Atila Iamarino – Sabemos que há um componente sazonal no novo coronavírus, com mais casos no inverno do que no verão. Portanto, o Brasil está muito adiantado no aumento de casos — isso só deveria estar acontecendo daqui a alguns meses. Mas por que os casos estão subindo tão cedo e tão rápido?

A resposta se deve a uma combinação de fatores. De um lado, houve um movimento de abertura no fim do ano passado, com mais pessoas circulando sem restrições. De outro — e que considero o principal fator — temos a variante P.1, inicialmente observada em Manaus.

Estudos recentes apontam que se trata de uma cepa mais transmissível e que “dribla” o sistema imunológico, reinfectando quem já se curou.

Quando falamos de vírus, é natural que eles sofram mutações e se tornem mais transmissíveis. O que não precisa ser um processo natural é termos linhagens que escapam da imunidade. Essas linhagens só serão selecionadas quando o vírus continua circulando na presença de pessoas que já tiveram o vírus.

Foi o que aconteceu no Brasil e na África do Sul.

Nesse sentido, a nossa variante é fruto direto da estratégia genocida do Brasil de contar com as pessoas circulando livremente e construindo imunidade. Não é por acaso que surgiu aqui uma das variantes mais perigosas, demonstradamente perigosa.

Médico com máscara segurando tubo de exame de coronavírus
Legenda da foto,Surgimento de variante mais perigosa em Manaus indica falha no combate à covid-19 no Brasil, diz Iamarino

BBC News Brasil – O que as autoridades deveriam ter feito?

Iamarino – O Brasil deveria ter se preparado melhor. Em vez disso, adotamos uma estratégia que cultivou um monstro e que, ao que tudo indica, está causando um surto de casos fora de temporada.

De fato, os hábitos sociais permitiram uma maior circulação do vírus. Apesar de estarmos em um período de baixa transmissão de doenças respiratórias, várias cidades do país já registravam alta ocupação de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

Em vez de decretar um lockdown para restringir a movimentação das pessoas e conter o vírus, a aposta do governo para prover o mínimo de dignidade humana foi e continua sendo criar mais leitos.

Isso é jogar nos profissionais de saúde toda a responsabilidade de resolver o problema. Não se resolvem mortes no trânsito criando mais leitos UTI, mas sim com leis de trânsito. O mesmo se aplica à covid-19. É preciso diminuir o número de casos.

Mas o Ministério da Saúde não faz campanha para o uso de máscara e distanciamento social. Tampouco reconhece o lockdown como medida necessária para conter o avanço da pandemia. Falta coordenação federal para ações locais.

Temos agora um país economicamente pior, socialmente mais cansado e com profissionais de saúde exaustos, explorados e usados da pior maneira possível.

BBC News Brasil – O que nos resta fazer, então?

Iamarino – O que o restante do mundo fez: decretar um lockdown mais rígido e correr com a vacinação. Isso é o mínimo. O problema é essa falta de coordenação a nível federal.

De que adianta um município ou um Estado decretar um confinamento se as pessoas de municípios ou Estados vizinhos continuarem circulando? Isso faz com que a localidade tenha todo o prejuízo econômico e político de confinar sua população, mas sem o sucesso que poderia ter se essa ação fosse coordenada. A falsa impressão é que o esforço não funciona, quando, na verdade, ele está sendo sabotado a nível federal.

Por isso, digo que temos dois inimigos para enfrentar no Brasil. Um é a nova variante e o outro é a falta de estratégia do governo federal.

Como resultado, temos pronta a receita para que mais variantes perigosas surjam.

Mulher em isolamento social
Legenda da foto,Confinamentos foram implementados por vários países do mundo para conter propagação do coronavírus

BBC News Brasil – Se nada for feito, o que acontecer?

Iamarino – Nossa estratégia genocida já causou mais de 250 mil mortes. Manaus (AM) e Araraquara (SP) já registraram mais mortes no início deste ano do que durante todo o ano passado. Se isso se repetir no país todo, vai ser um outro massacre.

Mas o principal problema desse tipo de estratégia é que estamos dando ao vírus a oportunidade de sofrer novas mutações, mais perigosas. Eventualmente, as vacinas podem não ser mais eficazes — e, se esse cenário se concretizar, poderemos não ter mais solução.

O Brasil criou sua própria derrota. Estamos demorando para vacinar e deixando o vírus circular livremente.

Agora, com a escassez global de vacinas, entendo que a situação esteja muito mais difícil. E estamos tentando comprar uma vacina que ainda não tem eficácia comprovada (a indiana Covaxin).

Diferentemente dos Estados Unidos, o Brasil tem capilaridade de vacinação. Há postos de saúde por todo o território nacional que podem dar vazão as doses. Mas agora faltam as doses.

BBC News Brasil – Alguns países, como Israel, já começaram a flexibilizar as regras. O Reino Unido também anunciou o afrouxamento de suas medidas. Em um contexto em que o mundo tenta retomar a normalidade, o Brasil pode se tornar uma pária internacional?

Iamarino – Eu diria que o Brasil vai continuar a pária que virou. Já não podemos viajar para a maioria dos países, nem em condição emergencial, desde antes do surgimento dessa nova variante.

Essa nova linhagem só reforçou o fechamento das fronteiras e essa situação deve permanecer daqui em diante. Se não mudarmos as condições que propiciaram o surgimento dessa variante, vamos gerar outras e estaremos sempre renovando os motivos para o mundo não receber brasileiros.

Pessoa sendo submetida a teste de temperatura
Legenda da foto,Segundo especialistas, Brasil vive pior momento da pandemia

BBC News Brasil – O senhor foi duramente criticado quando, no início da pandemia, previu que o Brasil teria 1 milhão de mortos. Essa previsão nunca se concretizou. Por quê? Acredita ter se equivocado?

Iamarino – Acredito que os extremos dessas previsões continuam muito válidos. De um lado, países como Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, etc, mostraram que o número de mortes pode ser mínimo. Do outro, a mortalidade em locais como Manaus evidenciou que o cenário mais pessimista não é fantasioso.

A capital do Amazonas tem um excesso de enterros até o mês de fevereiro de mais de 430 pessoas por 100 mil habitantes. Se extrapolarmos isso para a totalidade da população brasileira, temos 900 mil mortos.

Se os extremos continuam válidos, o meio do caminho é onde está a faixa de erro e a incerteza. Disso dependem as ações humanas. Há uma série de fatores de que não sabíamos.

Por exemplo, a eficácia das máscaras se revelou muito maior do que esperávamos, principalmente para evitar contaminados de transmitir o vírus para os outros. Tampouco sabíamos qual eficácia as medidas de confinamento teriam.

Jair Bolsonaro fala à imprensa
Legenda da foto,Presidente Jair Bolsonaro é contra lockdown

Estávamos, portanto, lidando com uma doença nova, para a qual não havia dados preliminares.

De qualquer forma, sabemos hoje que o melhor cenário é viável e existe, como observamos na Ásia. E que o pior cenário é possível, como também observamos no interior do Peru, no interior da Bolívia, em Manaus, em países que não são transparentes com os dados e em regiões onde não há estatísticas disponíveis.

  • Luis Barrucho – @luisbarrucho
  • Da BBC News Brasil em Londres

Argentina mantém fronteira fechada para o Brasil por causa do coronavírus

O governo argentino decidiu estender o fechamento das fronteiras aéreas e terrestres com o Brasil até, pelo menos, dia 12 de março.

A nova ministra da saúde, Carla Vizzotti, que assumiu no lugar de Ginés González García depois da revelação de que haviam sido vacinadas mais de 70 pessoas próximas ao governo, justifica a medida por conta das novas variantes do coronavírus.

O decreto anterior dispunha que elas fossem reabertas a partir desta segunda-feira (1º), mas as autoridades sanitárias consideraram necessário manter o bloqueio e a diminuição de 50% dos voos entre os dois países.

A Argentina também está fechada para estrangeiros de outros países limítrofes e do Reino Unido. Só podem entrar no país argentinos ou residentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial local.

A Argentina está numa fase muito inicial da vacinação, e apenas desde a semana passada começou a imunizar cidadãos com mais de 80 anos.

Com relação a outros países, também estão reduzidas as frequências dos voos vindos dos EUA, do México e da Europa em 30%. Também nesses casos, para entrar no país é preciso ser argentino ou residente.

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foto: Martín Zabala

Boa notícia: Anvisa concede registro definitivo para a vacina da Pfizer

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu hoje (23) o registro definitivo à vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNtech. A concessão do registro foi anunciada pelo diretor-presidente da agência reguladora, Antônio Barra Torres, que destacou que a análise para a liberação do imunizante levou 17 dias.

“O imunizante do Laboratório Pfizer/Biontech teve sua segurança, qualidade e eficácia aferidas e atestadas pela equipe técnica de servidores da Anvisa, que prossegue no seu trabalho de proteger a saúde do cidadão brasileiro”, disse Barra Torres ao anunciar o registro. “Esperamos que outras vacinas estejam, em breve, sendo avaliadas e aprovadas”, acrescentou.

A vacina é a primeira a obter o registro definitivo no Brasil. O imunizante se chama Cominarty. A empresa entrou no dia 6 de fevereiro com o pedido de registro definitivo da vacina contra a covid-19. O imunizante, entretanto, ainda não está disponível no país.

Em dezembro, a Pfizer já havia anunciado que não faria pedido para uso emergencial da sua vacina no Brasil, e que seguiria o processo de submissão diretamente para um registro definitivo. À época, a empresa disse considerar o procedimento “mais célere”, além de mais amplo.

Segundo a Pfizer, 2,9 mil voluntários participaram dos testes clínicos de sua vacina no Brasil. No mundo todo, foram 44 mil participantes em 150 centros de seis países, incluindo África do Sul, Alemanha, Argentina, Estados Unidos e Turquia. Os resultados da terceira e última fase de testes do imunizante, divulgados em novembro, apontaram eficácia de 95% contra o novo coronavírus (covid-19).

De acordo com a Anvisa, o registro “abre caminho para a introdução no mercado de uma vacina com todas as salvaguardas, controles e obrigações resultantes dessa concessão”. Até então, as vacinas aprovadas no Brasil são para uso emergencial: a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, e a vacina produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Oxford e o laboratório inglês AstraZeneca.

De acordo com a Anvisa, entre as autoridades referendadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a agência reguladora brasileira é a primeira a conceder o registro de uma vacina contra a covid-19.

O pedido de registro definitivo é o segundo que a Anvisa recebe para uma vacina contra a covid-19. O primeiro foi feito em 29 de janeiro e é relativo à vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, que já tem autorização para uso emergencial no país.

Voo com 2 milhões de doses de vacinas decola da Índia

Um avião da companhia Emirates, com remessa de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra covid-19 decolou na madrugada de hoje (22) de Mumbai, na Índia, e deve chegar a São Paulo às 6h55 desta terça-feira.

A aeronave deixou a cidade indiana por volta das 10h30 da manhã (horário local), o que equivale a 2h da madrugada de hoje no horário de Brasília. A carga fará escala em Dubai, nos Emirados Árabes, de onde decolará para São Paulo às 22h40 (horário local) – 15h40 de hoje (horário de Brasília).

O voo chegará a São Paulo amanhã de manhã e as vacinas seguirão para o Rio de Janeiro, onde serão levadas para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

As doses foram produzidas pelo Instituto Serum, parceiro da AstraZeneca na Índia e maior produtor mundial de vacinas. Mesmo prontas, as vacinas precisarão passar primeiro por Bio-Manguinhos para que possam ser rotuladas antes de serem distribuídas ao Programa Nacional de Imunizações.

A importação de doses prontas é uma estratégia paralela à produção de vacinas acertada entre a AstraZeneca e a Fiocruz. Para acelerar a disponibilidade de vacinas à população, 2 milhões de doses já foram trazidas da Índia em janeiro e está previsto um total de 10 milhões de doses prontas a serem importadas. Além dos 2 milhões que chegam amanhã ao país, mais 8 milhões estão previstas para os próximos dois meses. 

Enquanto negocia a chegada das doses prontas, a Fiocruz trabalha na produção local das vacinas Oxford/AstraZeneca. Segundo o acordo com a farmacêutica anglo-sueca, a Fiocruz vai produzir 100,4 milhões de doses de vacinas até julho, a partir de um ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado. A primeira remessa desse insumo já chegou ao Bio-Manguinhos e o primeiro milhão de doses produzido na Fiocruz tem entrega prevista para o período de 15 a 19 de março.

De acordo com a fundação, os dois primeiros lotes estarão liberados internamente nos próximos dias. Esses lotes são destinados a testes para o estabelecimento dos parâmetros de produção.

“Com esses resultados, a instituição produzirá os três lotes de validação, cuja documentação será submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esses lotes somarão cerca de 1 milhão de doses e seus resultados serão enviados à Anvisa até meados de março”.

Também está em andamento na Fiocruz o processo de transferência de tecnologia para a produção do IFA no Brasil, o que tornará a fundação autossuficiente na produção das vacinas. A previsão é que as primeiras doses com IFA nacional sejam entregues ao Ministério da Saúde em agosto, e, até o fim de 2021, seja possível entregar 110 milhões de doses, elevando o total produzido no ano pela Fiocruz para 210,4 milhões. (Agência Brasil)

Fiocruz diz que só deve entregar primeiras doses da vacina em março

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) enviou, nesta terça-feira (19), um ofício ao Ministério Público Federal (MPF) informando que a entrega da vacina de Oxford contra a Covid-19 vai atrasar de fevereiro para março. Veja abaixo a íntegra da nota sobre o atraso.

Segundo o órgão, o motivo para o atraso na produção da vacina no Brasil é por não ter recebido um dos insumos para a fabricação da vacina Oxford/AstraZeneca.

O composto que falta para o início da produção é o ingrediente farmacêutico ativo (IFA), de responsabilidade da AstraZeneca.

O insumo vem da China e ainda não tem data para chegar, segundo nota divulgada pela Fiocruz. Ainda segunda a Fundação, o recebimento do ingrediente estava previsto para janeiro. O detalhamento da produção será informado quando a data da chegada do produto for confirmada.

A expectativa é entregar 100 milhões de doses até julho e mais 110 milhões até o fim do ano.

Butantan pede negociação com a China
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, cobrou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenha dignidade para defender a vacina CoronaVac.

A CoronaVac foi desenvolvida pelo instituto, que é ligado ao governo de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. As doses da vacina começaram a ser aplicadas neste domingo (17), logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar seu uso emergencial.

Ele também cobrou agilidade do Itamaraty para viabilizar a vinda de matéria-prima da China para dar continuidade à produção do imunizante contra a Covid-19 — o único sendo aplicado até o momento na população do país.

A declaração foi dada na manhã desta terça (19) em um evento no interior de São Paulo.

De acordo com o Blog da jornalista Andréia Sadi, os assessores de Bolsonaro avaliam nomes para fazer ponte com a China por insumos para CoronaVac.

Segundo o blog, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que está à disposição para contatar a China e ajudar na questão dos insumos, já que tem boa relação com o vice-presidente chinês.

Nota da Fiocruz sobre Oxford:
“Embora ainda dentro do prazo contratual em janeiro, a não confirmação até a presente data de envio do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) poderá ter impacto sobre o cronograma de produção inicialmente previsto de liberação dos primeiros lotes entre 8 e 12 de fevereiro. O cronograma de produção será detalhado assim que a data de chegada do insumo estiver confirmada. Ainda que sejam necessários ajustes no início do cronograma de produção inicialmente pactuado, a Fiocruz segue com o compromisso de entregar 50 milhões de doses até abril deste ano, 100,4 milhões até julho e mais 110 milhões ao longo do segundo semestre, totalizando 210,4 milhões de vacinas em 2021”.

Passo a passo da produção da vacina:

  • Com a matéria-prima em mãos, é iniciado, então, o processamento propriamente dito da vacina. O primeiro passo é realizar a formulação, quando são adicionados ao concentrado vacinal os componentes que vão estabilizar a vacina e diluir a concentração do vírus;
  • Em seguida, no envase, o imunizante é transportado dos grandes tanques de aço inox para pequenos frascos de vidro, os mesmos que posteriormente seguirão para os postos de saúde;
  • Já com o imunizante, esses frascos são fechados com uma rolha de borracha e seguem para a recravação, onde recebem um lacre de alumínio;
  • A última etapa consiste na rotulagem e embalagem, em que os frascos recebem os rótulos com a identificação da vacina, número de lote, data de fabricação e validade, além de outras informações importantes. Elas são acomodados em caixas chamadas de cartuchos que garantem a proteção das embalagens durante a distribuição.
  • Nesse momento algumas amostras são separadas e seguem para um rígido controle de qualidade, onde serão submetidas a testes de potência, estabilidade e esterilidade.

Registro sanitário definitivo
Para começar a distribuição da vacina no país será necessário o registro sanitário definitivo para uso dela no Brasil.

De acordo com a Fiocruz, a previsão é que a reunião com a Anvisa seja agendada durante esta semana.

CoronaVac
As vacinas que começaram a ser distribuídas na segunda-feira (18) são a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. As primeiras doses vieram prontas da China.

O Butantan diz que produziu outras quatro milhões de doses no Brasil. O governo federal afirma que o Instituto ainda não pediu autorização emergencial para o uso desses lotes.

Vacinas aprovadas
No domingo (17), duas vacinas foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Coronavac teve 50% (50,38%) de eficácia em testes. Isso significa que a vacina desenvolvida pelo laboratório Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, reduziu à metade as chances de pegar Covid-19, e teve 100% de eficácia contra sintomas graves.

Já a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, e pelo laboratório AstraZeneca, teve eficácia média de 70% (70,4%). A Oxford e a Coronavac devem ser aplicadas em duas doses, em um intervalo de 28 dias.

As duas vacinas também precisam ficar armazenadas em geladeiras em temperaturas de 2 a 8ºC.

Emprego levará um ano para voltar ao nível pré-pandemia

O distanciamento social imposto pelo coronavírus levou à eliminação de 165 mil vagas de vendedores do varejo entre março e junho.

Com a reabertura gradual de lojas e fábricas, o mercado laboral tem se recuperado. Mas o saldo de 18,5 mil novos postos de atendentes do comércio criados desde julho está longe de compensar a destruição dos meses anteriores.

Desempregados chegam a 14 milhões na última semana de setembro – Sindicato  dos Bancários

Essa história se repete com milhares de outras ocupações dos mais diversos segmentos econômicos.

Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), apesar de restaurantes e bares terem voltado a funcionar, o país criou apenas 900 vagas formais de garçom desde julho, ante 46 mil eliminadas nos meses de confinamento.

Até na engenharia —carreira associada à escassez de talentos no país— tem faltado demanda. As 3.300 vagas de engenheiros e arquitetos eliminadas no auge da crise ainda são mais do que o triplo das 900 criadas no terceiro trimestre.

Embora alguns segmentos —como construção civil e informática— tenham sido menos afetados ou até beneficiados, o balanço geral ainda é bastante negativo.

As demissões ocorridas no mercado formal brasileiro entre março e junho ultrapassaram as contratações em 1,6 milhão. A cifra é mais do que o dobro das 697 mil criadas entre julho e setembro.

É normal que a retomada após um choque brusco e intenso não seja relâmpago. Contratações e desligamentos são processos burocráticos e caros. Além disso, nem sempre a economia reage rapidamente.

No caso atual brasileiro, porém, as projeções têm piorado, e economistas esperam um retrocesso no lento movimento de criação de vagas, levando o desemprego a disparar em 2021.

“Se o problema fosse o país repor as quase 900 mil vagas formais perdidas desde a crise, ele não seria tão grande”, afirma Cosmo Donato, economista da LCA.

Segundo ele, o efeito pior da crise —que ainda não apareceu totalmente— se manifestará, em parte, sob a forma de mais demissões quando acabar a estabilidade de emprego garantida aos trabalhadores de empresas que aderiram aos programas de redução de salário ou suspensão de contrato de trabalho.

O economista Bruno Ottoni, da consultoria iDados, concorda com o diagnóstico: “Sem uma retomada econômica forte, é difícil imaginar que as empresas conseguirão evitar as demissões quando seu compromisso de manter a estabilidade dos funcionários acabar”.

Existe um consenso entre analistas de que a deterioração do mercado de trabalho teria sido muito mais severa caso o governo federal não tivesse oferecido às empresas a possibilidade de reduzir salários e suspender a jornada de seus funcionários durante a crise, desde que garantissem a manutenção do emprego.

Prorrogado até este mês, esse benefício exige como contrapartida que os trabalhadores afetados tenham estabilidade no trabalho pelo tempo equivalente ao que seus contratos foram alterados.

O melhor cenário seria que a economia tivesse tempo de se recuperar totalmente, nesse intervalo. Um olhar restrito aos dados recentes pode sugerir que isso tem ocorrido.

A produção da indústria e a confiança empresarial, por exemplo, já estão ligeiramente acima de seus patamares anteriores à pandemia.

Mas, segundo especialistas, esse quadro é insustentável, pois não reflete uma economia em que a produtividade e o investimento crescem e geram um ciclo virtuoso.

Ao contrário, a expansão atual ocorre especialmente na esteira do auxílio emergencial a famílias vulneráveis, que tem término previsto para o fim do ano. Essas transferências, que eram de R$ 600 e caíram para R$ 300, sustentaram um ritmo forte de consumo até setembro —quando indicadores como do comércio voltaram aos níveis pré-crise. De lá para cá, porém, o indicador se estabilizou.

O auxílio emergencial, avaliam, também ajudou a conter o aumento do desemprego.

Descolamento do desemprego dos jovens bate recorde - Agora RN

“Provavelmente, há trabalhadores que não aparecem na estatística de desocupação porque estão recebendo o auxílio e, portanto, não têm buscado uma vaga”, afirma Ottoni, que é também professor da Uerj e pesquisador do Ibre-FGV.

Isso ajuda a explicar, segundo ele, por que a taxa de participação —que expressa a fatia da população em idade ativa ocupada ou buscando emprego— despencou nos últimos meses.

No início de 2020, 61% dos brasileiros de 14 anos ou mais trabalhavam ou procuravam uma vaga. Nos três meses encerrados em agosto, essa média havia caído para 54,7%, menor nível registrado desde o início da série do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2012.

Como revelou reportagem publicada pela Folha, essa queda foi mais marcante entre jovens de 18 a 24 anos.

Muito afetados também por demissões, os trabalhadores dessa faixa etária podem ter desistido de buscar temporariamente uma vaga porque suas famílias —ou eles próprios— vêm recebendo o auxílio.

Com a suspensão do benefício, eles tendem a retomar a busca por uma ocupação.

Esse movimento, somado ao provável aumento das demissões nas empresas, tende a provocar uma disparada na taxa de desemprego.

Uma indicação de quanto a desocupação pode aumentar é dada pela evolução ainda contida das demissões no mercado formal.

Nos 14 meses anteriores a março deste ano, ocorria uma média de 1,3 milhão de demissões por mês no país. Embora esse número tenha tido expressivo avanço em março e abril, desde então —após a criação do programas de suspensão de contrato ou redução de jornada e salário— ele caiu e se estabilizou em um nível cerca de 16% abaixo do período pré-pandemia.

A expectativa de analistas é que esse ritmo de desligamentos tenha forte aumento no início do próximo ano, contribuindo para uma elevação na taxa de desocupação, hoje em 14,4%, segundo o IBGE.

A iDados espera que o desemprego, hoje em 14,4%, chegue a 17,3% em março de 2021. A projeção, que era de um aumento para 16,6%, acaba de ser revista.

Segundo Donato, da LCA, a própria crise sanitária pode contribuir para uma nova piora do mercado de trabalho.

“A crise está muito profunda, tem uma nova onda de Covid-19 na Europa. Isso vai afetar de forma negativa o cenário global, atingindo o Brasil”, afirma o economista.

A LCA projeta que o país retome o nível de emprego registrado em fevereiro (93,7 milhões de trabalhadores ocupados, incluindo o mercado informal) apenas em novembro do próximo ano.

“O viés para 2021 é de baixa. O risco de terminarmos o ano que vem com saldo na geração de empregos que não supere o patamar pré-crise é concreto”, afirma Donato.

Ele ressalta que a frágil situação fiscal do governo dificulta a postergação do programa de auxílio de renda a curto prazo. O ministro Paulo Guedes (Economia) já disse que, caso a pandemia se agrave no país, o auxílio emergencial será prorrogado, mas em um patamar inferior ao atual.

Dívida Pública Federal cai 0,45% e fecha janeiro em R$ 4,229 trilhões |  Exame

Na sexta-feira (13), Guedes reconheceu que é difícil manter o ritmo de criação de vagas que houve no terceiro trimestre do ano.

“Foram 100 mil [vagas abertas] em julho, 200 mil em agosto e 300 mil em setembro. O ritmo está tão forte que talvez seja difícil manter”, afirmou o ministro, em evento virtual promovido pela AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), após dizer que o país está saindo da recessão.

As perspectivas são agravadas ainda pelo enfraquecimento do mercado informal após a pandemia.
A informalidade funciona como um “colchão” de segurança para o trabalhador CLT que é demitido. Esse efeito foi bastante marcante na recessão de 2014 a 2016, quando o número de trabalhadores atuando por conta própria ou sem carteira assinada disparou.

Neste ano, porém, essa válvula de escape parece ter sido bloqueada. Desde a eclosão da pandemia, o mercado informal encolheu. Apenas no trimestre encerrado em agosto, a queda foi de mais de 25%.

Em parte, isso pode ser consequência da saída temporária e voluntária de trabalhadores autônomos do universo laboral, enquanto recebem o benefício emergencial pago pelo governo.

Mas há também mudanças em curso no comportamento dos consumidores, que podem ter um impacto negativo duradouro —ou até permanente— sobre o mercado informal.

Uma delas é a tendência a evitar contato pessoal em consequência do risco de contágio pela Covid-19. A outra é a provável continuação do consumo crescente pela internet.

Esse segundo movimento tem outros efeitos colaterais sobre o mercado de trabalho.

A demanda por profissionais com formação em tecnologia tem aumentado.

No auge da pandemia, foram eliminados 645 postos formais de profissionais de informática. Mas, diferentemente do que ocorre com outras profissões, desde julho a demanda por esses profissionais registra forte alta, levando a um saldo positivo de 7.700 vagas criadas no terceiro trimestre.

O problema é que as máquinas e a inteligência artificial também substituem trabalhadores. No Brasil, isso já vinha levando à destruição de vagas como as de auxiliares em escritórios e assistentes administrativos, e essa tendência ganhou fôlego neste ano.

Por isso, segundo especialistas, a única forma de o Brasil alcançar um ritmo saudável e sustentável de criação de emprego é superar os problemas que, nos últimos anos, têm limitado os investimentos.

“É provável que o governo precise adotar ou prorrogar medidas emergenciais que atenuem o efeito do aumento do desemprego em 2021. Mas, a médio prazo, a única solução é o crescimento econômico”, afirma Ottoni.

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Os sinais de um novo avanço do coronavírus no Brasil

Dados do final de outubro do sistema InfoGripe, que monitora os casos de síndrome respiratória aguda grave, apontam um quadro preocupante: nove capitais registram tendência de avanço da pandemia. O InfoGripe reúne informações de todo o Brasil colhidas pelo Ministério da Saúde.

Oito das cidades com tendência de alta estão nas regiões Norte e Nordeste. Florianópolis, em Santa Catarina, é a única capital de fora dessas regiões que também aparece na lista. Ao lado de João Pessoa e Maceió, ela apresenta forte tendência de crescimento de casos, com uma probabilidade acima de 95% de aumento de registros de covid-19.

Até o final de outubro, a capital catarinense acumulava seis semanas consecutivas com sinais de alta. Já as capitais da Paraíba e de Alagoas registraram cinco e quatro semanas, respectivamente, com a mesma tendência. Os dados mais recentes usados como base de comparação pelo sistema são da semana que vai de 25 a 31 de outubro.

As outras capitais — Belém, Fortaleza, Macapá, Natal, Salvador e São Luís — registraram no mesmo período sinais de crescimento moderado da pandemia, com uma probabilidade superior a 75% na tendência de alta de casos da doença a longo prazo.

As síndromes respiratórias agudas graves, conhecidas pela sigla SRAG, são casos de pacientes que tiveram febre, tosse ou dor de garganta e, ao mesmo tempo, apresentaram falta de ar, saturação de oxigênio abaixo de 95% ou dificuldade respiratória, além de terem sido hospitalizados ou morrido devido a esses sintomas.

Nem todas os casos de SRAG são causados pelo Sars-CoV-2, que causa a covid-19. Mas como os registros de síndrome respiratória grave aumentaram muito em 2020 em comparação com os anos anteriores, o excesso tende a ser causado pelo novo coronavírus — o vírus respiratório com maior circulação no momento.

Por isso, a evolução de casos de SRAG acaba servindo como um indicador da pandemia. Muitos pesquisadores consideram esses dados mais fidedignos do que as estatísticas oficiais sobre a covid-19, que estão subestimadas devido à subnotificação causada pela baixa capacidade de testagem de suspeitos no país. Além disso, os dados do Ministério da Saúde ficaram desatualizados no início de novembro devido a um ataque hacker. A pasta informou que o problema seria resolvido até sábado (14).

5.781.582

era o número oficial de infectados pela covid-19 em todo o Brasil até a quinta-feira (12), segundo o Ministério da Saúde

164.281

pessoas morreram em decorrência da doença no país até a mesma data, de acordo com a pasta

Aumento nas internações


Outro fator preocupante é o aumento das internações de pacientes com covid-19. Em São Paulo, hospitais privados já voltaram a ficar lotados. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o Sírio-Libanês tinha até 9 de novembro 120 pacientes hospitalizados (dos quais 50 em UTIs), mesmo número de abril, quando ocorreu um pico de internações no local. Em comparação, 80 pacientes estavam internados com a doença em outubro. Houve aumento também no HCor, de acordo com a publicação.

Ao jornal Valor Econômico, o SindHosp, que representa os estabelecimentos de saúde do estado, afirmou que as informações disponíveis ainda são insuficientes para afirmar que o crescimento é generalizado.

Dados da Fundação Seade, porém, mostram que a taxa de internações por covid-19 em UTIs na Grande São Paulo era de 45,2% na quinta-feira (12), contra 41,2% no fim de outubro. Em todo o estado, a taxa havia subido de 39,5% para 41,4% no mesmo período. Em maio, a ocupação de leitos de internação na Grande São Paulo chegou a passar de 90% (e ultrapassar 70% em todo o estado).

Em 11 de novembro, 677 pessoas estavam internadas devido à covid-19 na Grande São Paulo. Era o maior número desde 30 de setembro — quando 724 pessoas estavam hospitalizadas.

Para pesquisadores, houve uma interrupção na queda das internações, o que pode ser preocupante. Professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisador do Observatório Covid-19 BR, Roberto Kraenkel afirmou ao Valor Econômico, na sexta-feira (13), que os dados de hospitalização na Grande São Paulo sinalizam uma estabilidade, mas “as projeções indicam uma leve subida, a ser confirmada nas próximas semanas”.

Na quinta-feira (12), o secretário-executivo do Centro de Contingência do Combate ao Coronavírus no Estado de São Paulo, João Gabbardo, negou que a pandemia estivesse piorando e disse que variações nos dados são comuns. Mas a preocupação com uma segunda onda na Europa fez o governo paulista cancelar, por precaução, a fase azul do plano de reaberturas. Essa etapa permitiria, por exemplo, atividades com aglomerações, como shows e festas. Desde o final de outubro, todas as regiões do estado estão divididas nas fases amarela e verde, as mais brandas antes da azul.

No Rio de Janeiro, o quadro aparenta ser mais grave. Na quarta-feira (11), 95% dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de covid-19 da rede municipal de saúde estavam ocupados. Eram 239 pacientes internados, maior número desde março, quando teve início a pandemia.

O diretor da Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro, Graccho Alvim, disse ao jornal O Globo, na sexta-feira (13), que a demanda nas emergências da rede privada por pacientes infectados pelo novo coronavírus subiu 40% em três semanas. Segundo ele, porém, os casos não são tão graves como foram no auge da pandemia.

O risco de novos surtos


O temor entre os pesquisadores é que algumas regiões do Brasil enfrentem uma nova onda da doença, como vem ocorrendo em países europeus como França, Espanha, Reino Unido e Alemanha. Eles haviam conseguido controlar a transmissão do coronavírus em meados de 2020, mas agora enfrentam um novo surto de covid-19. Muitos tiveram de retomar medidas mais restritivas de circulação da população, como toques de recolher e lockdowns.

A segunda onda na Europa tem sido menos letal do que a primeira. Os novos casos têm ocorrido entre os mais jovens, que são mais resistentes ao vírus — o que explicaria uma menor ocorrência de mortes. Avanços na área médica também são apontados como fatores que estão contribuindo para reduzir a letalidade da doença na atual etapa da pandemia.

Como o novo coronavírus atingiu primeiro os países do hemisfério Norte no início de 2020, pesquisadores consideram que a segunda onda na Europa pode ser um prenúncio do que poderia ocorrer nos próximos meses no Brasil.

O novo surto explodiu na Europa após o verão, que terminou oficialmente, no continente, em setembro. Muitos casos se espalharam a partir de uma nova cepa do vírus surgida na Espanha. Ela foi levada para as demais regiões por turistas que passaram as férias de verão no país. No período, as restrições de circulação foram afrouxadas.

No Brasil, os casos de infecção e morte pelo novo coronavírus nunca caíram a um nível suficientemente baixo para caracterizar o final da primeira onda, segundo os epidemiologistas. Em junho, o país passou a registrar uma média de mais de mil mortes por dia. Os casos se estabilizaram nesse patamar, considerado alto, numa espécie de platô, e só começaram a cair lentamente a partir de agosto. No início de novembro, a média era de cerca de 300 mortes causadas pelo coronavírus por dia, ainda considerada alta.

Ao jornal O Globo, o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, afirmou na sexta-feira (13) que, se houver uma segunda onda no Brasil, ela poderá ser mais grave do que a registrada na Europa. “Lá [na Europa], o número de casos foi bastante reduzido até a pandemia atingir novamente a população. Aqui, nunca chegamos a um índice confortável. Estacionamos em um nível alto. Então, se houvesse uma nova leva da doença, ela nos pegaria no meio, e não no começo [de uma onda]”, disse.

Para ele, os indicadores nas nove capitais brasileiras devem servir como alerta para que os gestores locais repensem ou revertam políticas de flexibilização das medidas restritivas. Os estados e prefeituras já autorizaram a reabertura de atividades não essenciais, mas ainda há restrições a aglomerações pelo país. O retorno às aulas, por exemplo, não foi autorizado ainda em alguns estados.

No Brasil, devido à sua dimensão continental, a pandemia é caracterizada por diferentes quadros de evolução em cada região, como se existissem várias pandemias dentro de uma só.

As capitais do Norte e Nordeste, onde os sistemas de saúde chegaram a entrar em colapso num primeiro momento, podem sofrer mais com a doença devido à existência de uma estrutura de atendimento mais deficiente (se comparada com estados do Sudeste, por exemplo) e por causa de características socioeconômicas próprias — as populações dessas localidades têm menos possibilidade de trabalhar de casa do que as de outras regiões, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O presidente Jair Bolsonaro, que adotou uma postura negacionista em relação à pandemia desde o seu início, minimizou na sexta-feira (13) uma possível segunda onda da doença no país, em conversa com apoiadores. “Agora tem conversinha de segunda onda. Tem que enfrentar se tiver, porque se quebrar de vez a economia, seremos um país de miseráveis. Só isso”, afirmou.

nexojornal

Estudo brasileiro comprova que novo coronavírus afeta cérebro e detalha efeitos nas células nervosas

Um estudo brasileiro divulgado na semana passada na plataforma medRxiv comprova que o vírus Sars-CoV-2 é capaz de infectar células do tecido cerebral, tendo como principal alvo os astrócitos. Os resultados revelam ainda que mesmo os indivíduos que tiveram a forma leve da Covid-19 podem apresentar alterações significativas na estrutura do córtex –região do cérebro mais rica em neurônios e responsável por funções complexas como memória, atenção, consciência e linguagem.

A investigação foi conduzida por diversos grupos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da USP (Universidade de São Paulo), todos financiados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Também colaboraram pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

“Dois trabalhos anteriores haviam detectado a presença do novo coronavírus no cérebro, mas não se sabia ao certo se ele estava no sangue, nas células endoteliais [que recobrem os vasos sanguíneos] ou dentro das células nervosas. Nós mostramos pela primeira vez que ele de fato infecta e se replica nos astrócitos e que isso pode diminuir a viabilidade dos neurônios”, conta à Agência Fapesp Daniel Martins-de-Souza, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, pesquisador do IDOR e um dos coordenadores da investigação.

Os astrócitos são as células mais abundantes do sistema nervoso central e desempenham funções variadas: oferecem sustentação e nutrientes para os neurônios; regulam a concentração de neurotransmissores e de outras substâncias com potencial de interferir no funcionamento neuronal, como o potássio; integram a barreira hematoencefálica, ajudando a proteger o cérebro contra patógenos e toxinas; e ajudam a manter a homeostase cerebral.

A infecção desse tipo celular foi confirmada por meio de experimentos feitos com tecido cerebral de 26 pacientes que morreram de Covid-19. As amostras foram coletadas durante procedimentos de autópsia minimamente invasiva conduzidos pelo patologista Alexandre Fabro, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). As análises foram coordenadas por Thiago Cunha, professor da FMRP-USP e integrante do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID).

Os pesquisadores adotaram uma técnica conhecida como imuno-histoquímica, que consiste em usar anticorpos para marcar antígenos virais ou componentes do tecido analisado, como explica Martins-de-Souza. “Por exemplo, podemos colocar na amostra um anticorpo que ao se ligar no astrócito faz a célula adquirir a coloração vermelha; outro que ao se ligar na proteína de espícula do SARS-CoV-2 marca a molécula de verde; e, por último, um anticorpo para marcar de roxo o RNA viral de fita dupla, que só aparece durante o processo de replicação do microrganismo. Quando todas as imagens feitas durante o experimento foram colocadas em sobreposição, notamos que as três cores aparecem simultaneamente apenas dentro dos astrócitos.”

De acordo com Cunha, a presença do vírus foi confirmada nas 26 amostras estudadas. Em cinco delas também foram encontradas alterações que sugeriam um possível prejuízo ao sistema nervoso central.

“Observamos nesses cinco casos sinais de necrose e de inflamação, como edema [inchaço causado por acúmulo de líquido], lesões neuronais e infiltrados de células inflamatórias. Mas só tivemos acesso a uma pequena parte do cérebro dos pacientes, então, é possível que sinais semelhantes também estivessem presentes nos outros 21 casos estudados, mas em regiões diferentes do tecido”, diz Cunha.

Sintomas persistentes

Em outro braço da pesquisa, conduzido na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, exames de ressonância magnética foram feitos em 81 voluntários que contraíram a forma leve da Covid-19 e se recuperaram. Em média, as avaliações presenciais ocorreram 60 dias após a data do teste diagnóstico e um terço dos participantes ainda apresentava sintomas neurológicos ou neuropsiquiátricos. As principais queixas foram dor de cabeça (40%), fadiga (40%), alteração de memória (30%), ansiedade (28%), perda de olfato (28%), depressão (20%), sonolência diurna (25%), perda de paladar (16%) e de libido (14%).

“Divulgamos um link para que interessados em participar da pesquisa pudessem se inscrever e, para nossa surpresa, em poucos dias já tínhamos mais de 200 voluntários, muitos deles polissintomáticos e com queixas bem variadas. Além do exame de neuroimagem, eles estão sendo avaliados por meio de exame neurológico e testes padronizados para mensurar o desempenho em funções cognitivas, como memória, atenção e flexibilidade de raciocínio. No artigo apresentamos os primeiros resultados”, conta a professora Clarissa Yasuda, integrante do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia.

Foram incluídas na pesquisa somente pessoas que tiveram o diagnóstico de Covid-19 confirmado por RT-PCR e que não precisaram ser hospitalizadas. As avaliações foram feitas após o término da fase aguda e os resultados foram comparados com dados de 145 indivíduos saudáveis e não infectados.

Pela análise dos exames de ressonância magnética foi possível perceber que algumas regiões do córtex dos voluntários tinham espessura menor do que a média observada nos controles, enquanto outras apresentavam aumento de tamanho –o que, segundo os autores, poderia indicar algum grau de edema.

“Observamos atrofia em áreas relacionadas, por exemplo, com a ansiedade –um dos sintomas mais frequentes no grupo estudado. Considerando que a prevalência média de transtornos de ansiedade na população brasileira é de 9%, os 28% que encontramos é um número elevado e alarmante. Não esperávamos esses resultados em pacientes que tiveram doença leve”, afirma Yasuda.

Nos testes neuropsicológicos –feitos para avaliar as funções cognitivas– os voluntários do estudo também se saíram pior do que a média dos indivíduos brasileiros em algumas tarefas. Os resultados foram ajustados de acordo com a idade, o sexo e a escolaridade de cada participante. Também foi considerado o grau de fadiga relatado pelo participante aos pesquisadores.

“A pergunta que fica agora é: serão esses sintomas passageiros ou permanentes? Para descobrir pretendemos continuar acompanhando esses voluntários por algum tempo”, conta a pesquisadora.

Metabolismo energético afetado

No Laboratório de Neuroproteômica do IB-Unicamp, coordenado por Martins-de-Souza, foram realizados diversos experimentos com tecido cerebral de pessoas que morreram de Covid-19 e com culturas de astrócitos in vitro para descobrir, do ponto de vista bioquímico, como a infecção pelo Sars-CoV-2 afeta as células do sistema nervoso.

As amostras de necrópsia foram obtidas por meio de colaboração com o grupo do professor da Faculdade de Medicina da USP Paulo Saldiva. Todo o conjunto de proteínas (proteoma) presente no tecido foi mapeado por espectrometria de massas –técnica que permite discriminar substâncias em amostras biológicas de acordo com a massa molecular.

“Ao comparar com resultados de indivíduos não infectados, percebemos que diversas proteínas que estavam com a expressão alterada são abundantes em astrócitos, o que valida os achados obtidos por imuno-histoquímica”, diz Martins-de-Souza. “Nessas células, observamos alterações em diversas vias bioquímicas, principalmente naquelas relacionadas ao metabolismo energético”, conta o pesquisador.

O passo seguinte foi repetir a análise proteômica em uma cultura de astrócitos infectada em laboratório. As células foram obtidas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês), método que consiste em reprogramar células adultas (provenientes da pele ou de outro tecido de fácil acesso) para fazê-las assumir estágio de pluripotência semelhante ao de células-tronco embrionárias. Esta primeira parte foi realizada no laboratório do professor da UFRJ Stevens Rehen, no IDOR. Em seguida, o time de Martins-de-Souza induziu, por meio de estímulos químicos, as células IPS a se diferenciarem em células-tronco neurais e depois em astrócitos.

“Os resultados foram parecidos com os da análise feita no tecido obtido por necrópsia, ou seja, indicaram disfunção no metabolismo energético. Fizemos então uma análise metabolômica [do conjunto de metabólitos produzidos pelos astrócitos em cultura], que indicou alteração no metabolismo de glicose. Por algum motivo, o astrócito infectado passa a consumir mais glicose do que o normal e, apesar disso, os níveis de piruvato e de lactato –os dois principais substratos energéticos– estão bastante diminuídos na célula”, conta.

Como explica o pesquisador, lactato é um dos subprodutos do metabolismo da glicose e o astrócito exporta esse metabólito para o neurônio, que o utiliza como fonte de energia. As análises in vitro mostraram que a quantidade de lactato no meio de cultivo das células estava normal, embora estivesse reduzida em seu interior. “Aparentemente o astrócito se esforça para manter o fornecimento do substrato energético para o neurônio em detrimento de seu próprio funcionamento”, comenta Martins-de-Souza.

Como resultado desse processo, as mitocôndrias dos astrócitos –organelas responsáveis pela produção de energia– passaram a funcionar de forma alterada, o que pode influenciar os níveis cerebrais de neurotransmissores como o glutamato (que excita os neurônios e está relacionado com a memória e o aprendizado) e o ácido gama-aminobutírico (GABA, capaz de inibir o disparo neuronal excessivo e promover sensação de calma e relaxamento).

“Em outro experimento, tentamos cultivar neurônios nesse meio em que antes estavam sendo cultivados os astrócitos infectados e observamos que as células morrem mais do que o esperado. Ou seja, esse meio de cultivo ‘condicionado pelos astrócitos infectados’ diminuiu a viabilidade dos neurônios”, conta Martins-de-Souza.

Segundo o pesquisador, os achados descritos no artigo –ainda em processo de revisão por pares– vão ao encontro de diversos trabalhos já publicados, que apontaram possíveis manifestações neurológicas e neuropsiquiátricas da Covid-19, mas dá um passo além.

“Havia ainda uma grande dúvida: a disfunção cerebral seria decorrente da inflamação sistêmica ou o vírus estaria prejudicando diretamente o funcionamento das células nervosas ao infectá-las? Nossos resultados indicam que o Sars-CoV-2 pode de fato entrar nas células cerebrais e afetar seu funcionamento”, diz.

Na avaliação de Cunha, a próxima pergunta a ser respondida é como o vírus chega ao sistema nervoso central e qual é o mecanismo usado para entrar nos astrócitos –o que pode dar pistas para possíveis intervenções capazes de barrar a infecção.

“Também pretendemos fazer experimentos com camundongos geneticamente modificados para expressar a ACE2 humana [principal proteína usada pelo vírus para infectar as células]. A ideia é confirmar nesses animais se há uma relação de causa e efeito, ou seja, se a infecção por si só é capaz de induzir as alterações que observamos nos cérebros dos pacientes”, adianta Cunha.

Marcelo Mori, professor do IB-Unicamp e integrante do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), destaca que a pesquisa só foi possível graças à colaboração de pesquisadores com formações e expertises variadas e complementares. “Este é um exemplo de que para fazer ciência de qualidade e competitiva é preciso aliar esforços interdisciplinares. É difícil competir internacionalmente se ficarmos apenas dentro do nosso laboratório, limitados às técnicas que conhecemos e aos equipamentos que temos acesso”, afirma.

Ao todo, o artigo tem 74 autores. Os experimentos foram conduzidos por quatro pós-doutorandos: Fernanda Crunfli, Flávio P. Veras, Victor C. Carregari e Pedro H. Vendramini.

Tanto o OCRC quanto o CRID e o BRAINN são Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela Fapesp. O apoio da Fundação também se deu por meio de outros sete projetos: 20/04746-0, 17/25588-1, 19/00098-7, 20/04919-2, 20/05601-6, 20/04860-8 e 19/11457-8.

O artigo SARS-CoV-2 infects brain astrocytes of COVID-19 patients and impairs neuronal viability pode ser lido em aqui.

folha

Governo quer até 300 milhões de doses de vacina contra coronavírus em 2021

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (8) que já obtém contrato para obter 140 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus para o primeiro semestre de 2021.

Ao longo de todo o próximo ano, a pasta pretende contar com até 300 milhões de doses para atender a demanda de imunização da população brasileira.

Em entrevista coletiva a jornalistas, o secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, disse que 100 milhões de doses virão da parceria entre a AstraZeneca e a Universidade de Oxford. As outras 40 milhões de doses serão obtidas através do mecanismo Covax Facility, liderado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O Brasil anunciou a adesão ao mecanismo em setembro deste ano, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) editou medida provisória liberando R$ 2,5 bilhões.

Até o momento, informou o secretário-executivo, R$ 800 milhões já foram pagos para o mecanismo. De acordo com o governo, cada dose da vacina recebida por meio da Covax Facility custará US$ 21,90. ​O acordo permite acesso a vacinas que estão sendo desenvolvidas por nove laboratórios, de diferentes partes do mundo.

Franco afirmou que a quantidade acertada com o mecanismo prevê a imunização de 10% da população brasileira, mas esse percentual pode aumentar. Isso porque, inicialmente, trabalha-se com a possibilidade de uma vacina que seja aplicada em duas doses, capaz, portanto, de imunizar 20 milhões de pessoas.

A presidente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Nísia Trindade de Lima, disse que espera receber o resultado dos estudos clínicos de fase 3 (última fase de testes antes da aprovação final) da vacina de Oxford entre os meses de novembro e dezembro. Em janeiro, há a previsão do recebimento dos componentes para a produção imediata de 30 milhões de doses.

A produção no primeiro semestre ainda será feita em parceria com as instituições estrangeiras. Após a transferência de tecnologia, a partir do segundo semestre, a produção será inteiramente nacional.

“O acordo prevê 100 milhões de doses no primeiro semestre e uma produção totalmente nacional a partir do segundo semestre de 2021”, afirmou.

Em relação ao segundo semestre, Lima afirmou que a estimativa de produção varia entre 100 milhões e 165 milhões de doses. A quantidade ainda não está definida, porque depende da complexidade do processo de incorporação da tecnologia.

O Ministério da Saúde também informou que criou uma câmara técnica para estudar um programa de imunização contra a Covid-19. A expectativa é que um plano para a aplicação da vacina contra a nova doença seja finalizado até o final do ano, especificando grupos prioritários e datas, entre outros aspectos.

O governo também afirmou que está desenvolvendo uma plataforma online para melhorar planejar e organizar o plano de imunização contra a Covid-19. O cadastro das pessoas interessadas em receber a vacina será feito pelo meio do CPF.

O sistema, argumenta o Ministério da Saúde, será importante para garantir que a população se imunize apenas uma vez e também para melhor acompanhar o sistema de imunização.

Questionados durante a entrevista coletiva sobre grupos contrários à vacina e seu impacto no processo, o secretário de Vigilância em Saúde, os representantes do Ministério da Saúde afirmaram que o governo atual valoriza a “vida, a consciência e a liberdade”.

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, explicou que a função do ministério é ofertar a imunização, garantir a eficácia da vacinação e fornecer informações para que cada um tome sua decisão com consciência.

O último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, referente à semana epidemiológica que se encerrou em 3 de outubro, apontou que o coronavírus está ou esteve presente em 5.565 municípios brasileiros, o que corresponde a 99,9% do total.

Isso significa que apenas cinco municípios do país ainda não tiveram casos confirmados da Covid-19.

O documento também aponta que, ao final da mencionada semana epidemiológica, 59% dos casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus foram em cidades do interior.

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Mundo chega a 1.000.000 de mortos pelo coronavírus

Um milhão de mortos por coronavírus. A cifra, simbólica, é alcançada quase nove meses após o primeiro óbito oficial devido à doença, em 11 de janeiro, e quase sete após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar que a Covid-19 era uma pandemia, em 11 de março.

Nesse período, além de mais de 1 milhão de mortos, a crise sanitária se desdobrou em crise econômica, que agravou desigualdades já muito acentuadas em todo o mundo, e provocou terremotos políticos em um cenário polarizado, em que a ciência foi colocada em dúvida por chefes de Estado e nas redes sociais.

O número —1 milhão, de acordo com os dados compilados pela Universidade Johns Hopkins— equivale a 13 Maracanãs lotados ou a toda a população de Maceió. E tudo indica que será apenas mais um marco emblemático a ser superado: não o único milhão, mas o primeiro.

Bíblia sobre túmulo no cemitério São Luiz, onde foram sepultadas muitas vítimas da Covid-19 em São Paulo
Bíblia sobre túmulo no cemitério São Luiz, onde foram sepultadas muitas vítimas da Covid-19 em São Paulo – Lalo de Almeida – 3.ago.20/Folhapress

Estima-se que o número verdadeiro de mortes seja maior, uma vez que há o problema da subnotificação. De acordo com Alan Lopez, diretor de um grupo de pesquisa da Universidade de Melbourne, na Austrália, que estuda o impacto de doenças, a quantidade real de óbitos está em torno de 1,8 milhão.

Ele calcula que até o final do ano a doença mate 2,8 milhões de pessoas, o que a tornaria a quinta maior causa global de mortes em 2020. Na sexta-feira (25), o diretor executivo do programa de emergências de saúde da OMS, Mike Ryan, admitiu ser possível que a cifra oficial dobre.

Ainda que a curva da Covid-19 tenha se estabilizado em muitos países, o número de novos casos segue crescendo mais rapidamente do que nunca, com média pouco abaixo de 300 mil por dia, e dificilmente uma vacina estará disponível em todo o mundo dentro dos próximos nove meses.

Como chegamos até aqui? O histórico da pandemia sugere uma combinação de condições biológicas, negligência política e demora para agir.

Cogitava-se havia alguns anos que a próxima pandemia viria da China. O epidemiologista Rob Wallace apontou, em um livro de 2016, que o sul do país tinha as condições ideais para a disseminação de novos vírus: desmatamento acelerado, rápida incorporação de um sistema de produção de carnes baseado no confinamento de animais, alta densidade populacional, gripe que circulava o ano todo.

Hoje, há certeza de que o vírus foi originado em animais. A hipótese principal é a de que ele ficou hospedado em morcegos e posteriormente em pangolins —mamíferos que lembram o tamanduá e que teriam servido de intermediários para a transmissão aos seres humanos. Há suspeitas de que eles eram vendidos ilegalmente em Wuhan, local de origem dos contágios.

Em 31 de dezembro de 2019, a China notificou a OMS do surgimento de 34 casos do que parecia ser um tipo incomum de pneumonia na cidade. A maior parte dos pacientes trabalhava em um mercado atacadista local, fechado no dia seguinte.

Oito dias depois, em 7 de janeiro, o vírus encontrado nos doentes foi confirmado oficialmente como um novo tipo de coronavírus. A primeira morte, de um homem de 61 anos que tinha feito compras no mercado, foi divulgada em 11 de janeiro. O primeiro caso fora da China foi detectado quatro dias depois, na Tailândia, de uma mulher recém-chegada de Wuhan.

As autoridades locais recomendaram que a população evitasse aglomerações, mas demoraram a reconhecer o surto como um problema sério. A prefeitura de Wuhan fechou os meios de transporte apenas em 22 de janeiro, e decretou “lockdown” no dia seguinte —quando já havia 540 registros de infecções e 17 mortes, além de casos no Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia e EUA.

A OMS emitiu um boletim aos países que classificava o risco da doença como moderado.

Criticado pela resposta lenta ao vírus, o prefeito de Wuhan renunciou ao cargo no dia 27. A essa altura, 5 milhões dos 11 milhões de moradores já haviam deixado a cidade, o que contribuiu para que o vírus se espalhasse. Em 30 de janeiro, quando a China já contava quase 8.000 casos e 170 mortes, a OMS declarou que o coronavírus era uma emergência global.O vírus adentrou a Europa e outros países asiáticos, com novos casos confirmados em lugares como Nepal, Austrália, França, Vietnã, Reino Unido, Canadá, Alemanha e Filipinas —onde foi registrada a primeira morte fora da China, no dia 2 de fevereiro. O Brasil decretou emergência nacional no dia 3 de fevereiro. No dia 5, o Congresso aprovou uma lei que dava ao poder público o direito de decretar quarentena e tomar medidas restritivas contra o vírus. Mesmo assim, o Carnaval foi realizado normalmente.

No dia 9 de fevereiro, a doença na China superou as 811 mortes da epidemia do Sars, em 2002. Quando ela recebeu o nome de Covid-19, no dia 11, os casos no mundo eram da ordem de 45 mil, e as mortes, de 1.100. O Egito foi o primeiro país africano a relatar um caso, no dia 14.

No dia 26 de fevereiro, o Brasil confirmou sua primeira infecção. A Itália registrou três mortes, mas só decretou “lockdown” em 8 de março —quando os casos no mundo já passavam de 100 mil. O Irã também registrou um surto local. A OMS decretou que tratava-se de uma pandemia em 11 de março, quando a doença chegou oficialmente aos seis continentes do planeta.

Era o início de um cenário quase surreal: o mundo foi paralisado de um modo nunca visto para tentar frear o avanço da doença. Países foram anunciando medidas em série, em todos os continentes. Entre 15 e 31 de março, mais de 30 metrópoles decretaram medidas de restrição e ficaram com as ruas vazias.

Escolas, escritórios e restaurantes foram fechados às pressas. Para parte da população, começou a fase de home office. Para outros, veio o desemprego, queda na renda e sufoco. Para quase todos, o medo de se contaminar e de perder algum familiar querido para uma ameaça invisível. ​

Em abril, enquanto ainda havia dificuldade para obter máscaras e álcool em gel no Brasil, o noticiário mostrava as cenas de tragédia na Itália, na Espanha e em Nova York, com hospitais lotados, ruas desertas em que o que se ouvia era apenas as sirenes de ambulâncias e milhares de mortes por dia. Era o tempo das entrevistas coletivas diárias ao vivo na TV, para informar os números da doença, e de imagens marcantes pelo mundo, como a do papa Francisco orando para uma praça de São Pedro vazia.

Líderes como o presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê do Reino Unido, Boris Johnson, tentaram minimizar a crise, mas recuaram depois de algum tempo. O americano vive uma montanha-russa, e muda de opinião sobre a crise sanitária conforme saem as pesquisas de intenção de voto e de popularidade.

No começo de abril, Boris foi internado na UTI, mas sobreviveu ao coronavírus e passou a dar gravidade à crise que seu país enfrenta. Outro negacionista, dessa vez convicto, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, chamou a Covid-19 de “gripezinha”, reuniu-se com apoiadores sem respeitar o distanciamento social e foi duramente contra as medidas de restrição para tentar frear a disseminação do vírus.

Ao ser questionado sobre o alto número diário de mortes devido ao coronavírus no país, respondeu: “E daí? Lamento, quer que eu faça o quê?”.

Em maio, a situação na Europa começou a melhorar junto com a chegada do calor, e os países foram reabrindo aos poucos. Cenas de pessoas de volta às ruas trouxeram a sensação de que a crise estava passando, mas também preocupação por ver multidões se aglomerando, o que facilita a contaminação.

Enquanto o continente europeu deixava o pior para trás, Estados Unidos e Brasil se consolidavam como os países mais afetados pela doença no mundo, clube ao qual logo se juntariam Índia e Rússia. Nos dois países do continente americano, o negacionismo presidencial e a falta de articulação entre governo federal e local ajudaram a atingir essa marca.

Depois de tantas semanas, a situação de pandemia se tornou rotina. Os números de casos seguiram altos, mas deixaram de chamar a atenção. O relatório diário da evolução da doença passou a ter tempo reduzido nos noticiários televisivos, parecido com a previsão do tempo. O interesse por notícias sobre a pandemia, que gerou recordes de audiência a veículos de imprensa no começo da crise, foi aos poucos diminuindo. O medo e o interesse pelo desconhecido deram lugar, para alguns, à negação.

A partir do fim de maio, uma onda de protestos antirracismo se espalhou pelos Estados Unidos e por outras cidades do mundo, gerando aglomerações apesar dos alertas das autoridades. Depois dos atos, no entanto, não houve grandes ondas de Covid nas cidades em que eles foram realizados.

Em junho, o futebol, o basquete e outros esportes foram retomados, sem a presença de torcedores. Empresas, lojas, shoppings e restaurantes passaram a funcionar com horário e capacidade reduzidos. Já as aulas presenciais voltam de modo mais tímido, e muitas cidades ainda decidem o que fazer.

No segundo semestre, a vinda da vacina se tornou o grande desejo. As pesquisas, feitas em paralelo por vários países, viraram uma questão política, um trunfo a ser exibido pelo líder do país que obtiver o medicamento primeiro. EUA, China, Reino Unido e Rússia estão na briga.

A partir de agosto, novos picos de casos na Europa voltaram a preocupar. O número de infectados é alto, mas o de mortes se mantém baixo, fruto do avanço da medicina, que aprendeu a tratar melhor a Covid-19, da quantidade de testes realizados e de que, hoje, os jovens são os principais atingidos. Ainda que o coronavírus já tenha matado até bebês, são os idosos os que têm mais chances de, ao serem infectados, evoluírem para casos mais graves.

Para tentar conter uma nova crise, países como Espanha e Reino Unido adotaram novas medidas de restrição em setembro, mas ainda em escala pequena perto do que foi feito no início do ano. Os governos tentam calibrar as decisões, com medo de abortar a recuperação da economia, que registra recessões recordes em muitos países.

O fim do ano chega com a dúvida se o frio no hemisfério norte poderá ajudar a Covid-19 a ressurgir com força, ou se as lições aprendidas ao longo do ano serão suficientes para evitar problemas maiores.

No Brasil, o calor leva cada vez mais pessoas para praias e bares a cada fim de semana, enquanto os números de mortes caem muito lentamente semana a semana. Somos responsáveis por ao menos 141 mil dos 1 milhão de mortos. Em menos de nove meses, 1 milhão de mortos por coronavírus.

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Trump diz que vacina contra o coronavírus pode sair em ‘três ou quatro semanas’ nos EUA

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, disse nesta terça-feira, 15, que uma vacina contra o coronavírus “pode sair daqui a três ou quatro semanas”, antes das eleições presidenciais no país, em 3 de novembro. Essas previsões já haviam sido feitas por autoridades de saúde pública dos EUA e laboratórios no início deste mês. 

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O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de evento da ABC News no National Constitution Center Foto: Evan Vucci/AP

Trump, convidado para falar com eleitores em um evento realizado pela ABC News na Filadélfia, Pensilvânia, um dos Estados-chave desta eleição, defendeu como seu governo lidou com a crise do coronavírus, assegurando que uma vacina pode estar pronta para distribuição em breve.

“Estamos muito perto de ter uma vacina”, disse ele. “Se você quer saber a verdade, a administração anterior (democrata) levaria talvez anos para ter uma vacina por causa do FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA) e todas as aprovações. Mas nós estamos dentro de semanas de obtê-la, você sabe, pode levar três, quatro semanas.”

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Cientistas de Hong Kong relatam caso de reinfecção de coronavírus por linhagens diferentes

De acordo com pesquisadores da Universidade de Hong Kong, um homem teve duas infecções causadas por linhagens diferentes do novo coronavírus em um intervalo de quatro meses. Essa é a primeira vez que cientistas comprovam um caso de reinfecção pelo coronavírus Sars-CoV-2 ao demonstrar que os vírus que causaram a primeira e a segunda infecção são diferentes.

Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (24) em uma declaração enviada à imprensa pela Universidade de Hong Kong. O artigo com o relato detalhado do caso foi aceito para publicação na revista científica Clinical Infectious Diseases. Ainda assim, as informações disponíveis até agora precisam ser interpretadas com cautela, já que se trata do relato de apenas um caso.

Um homem de 33 anos de idade, morador de Hong Kong e com bom histórico de saúde foi infectado pela segunda vez pelo novo coronavírus após 142 dias da primeira infecção (cerca de quatro meses e meio), diz o artigo, disponibilizado pelos pesquisadores em uma versão prévia.

A primeira infecção, em março, foi sintomática, com manifestações típicas da Covid-19. O paciente apresentou febre, tosse e dor de cabeça por três dias. Ele foi internado no dia 29 de março e teve alta no dia 14 de abril, depois que os sintomas haviam desaparecidos e dois testes do tipo PCR, que detecta o material genético do vírus no corpo, tiveram resultado negativo.

A segunda infecção foi detectada no aeroporto de Hong Kong em 15 de agosto, quando o homem retornava da Espanha, com passagem pelo Reino Unido. O paciente foi internado, mas permaneceu assintomático durante todo o período.

Com amostras dos vírus das duas infecções em mãos, os cientistas fizeram o sequenciamento genético do patógeno e descobriram diferenças nítidas entre os vírus responsáveis pela primeira e pela segunda infecção.

Os cientistas encontraram diferenças em 23 nucleotídeos (elementos que compõem o material genético dos vírus), além de outros fatores que indicam que as infecções foram geradas por cepas diferentes do vírus.

O artigo destaca que o genoma dos vírus da primeira infecção eram semelhantes a amostras colhidas entre a população nos meses de março e abril deste ano. Já os agentes responsáveis pela segunda ocorrência da doença eram parecidos com as amostras coletadas entre julho e agosto.

“Análises epidemiológicas, clínicas sorológicas e genômicas confirmaram que o paciente teve uma reinfecção em vez de uma eliminação persistente do vírus que causou a primeira infecção”, escrevem os pesquisadores no artigo.

“Nossos resultados sugerem que o Sars-CoV-2 pode continuar a circular entre os humanos apesar de uma imunidade coletiva baseada em infecções. Estudos mais aprofundados de pacientes com reinfecção vão colaborar para um melhor desenho de uma vacina”, conluem os cientistas.

Para Natália Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, as evidências indicam que se trata de um caso de reinfecção que precisa ser mais bem estudado, mas não deve gerar pânico.

Como a segunda infecção não manifestou sintomas, os dados podem sugerir que a primeira infecção criou proteção no paciente para que ele não desenvolvesse a doença outra vez, afirma a cientista.

“É compatível com o tipo de imunidade gerada pelas células T, importantes para combater o novo coronavírus. Elas não impedem uma nova infecção, mas evitam que a pessoa desenvolva a doença”, diz Pasternak.

A análise da especialista está de acordo com o que os pesquisadores afirmam no artigo. Para eles, é possível que a primeira infecção tenha ativado o sistema imunológico adaptativo (reponsável pela produção das células T) para barrar os sintomas da doença na segunda infecção.

“Em nosso paciente, embora anticorpos contra o Sars-Cov-2 não tenham sido detectados inicialmente na segunda infecção, uma titulação baixa e residual de anticorpos pode ter parcialmente controlado o vírus”, escrevem os cientistas.

O paciente de Hong Kong teve anticorpos neutralizantes do novo coronavírus detectados cinco dias após a internação devido à segunda infecção.

Pasternak pede cautela para interpretação dos dados. “É um caso observado dentre milhões de infectados pelo vírus. Precisamos testar mais pessoas sem sintomas para saber se esse tipo de ocorrência é recorrente. Hoje, não estamos vendo esses casos, e isso pode ser por falta de testes em massa ou por que são casos muito raros”, diz.

Maria Van Kerkhove, líder técnica para Covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse em entrevista coletiva nesta segunda (24) que esse é um caso provável de reinfecção. “É importante documentar e fazer o sequenciamento do genoma dos vírus, mas ainda não podemos tirar conclusões precipitadas”, afirmou.

“Sabemos que as pessoas produzem resposta imunológica [contra o Sars-Cov-2], mas não sabemos ainda quanto tempo ela dura e nem quão forte ela é. Precisamos de estudos para entender como essa resposta funciona”, concluiu a especialista.

Casos de suspeita de reinfecção pelo Sars-CoV-2 foram relatados, mas nenhum deles teve uma comprovação tão bem documentada como o caso de Hong Kong. Um dos motivos que gera dúvidas sobre os casos suspeitos de reinfecção é que o paciente pode continuar eliminando o vírus do organismo meses após o fim da fase aguda da infecção, e, assim, os testes continuam detectando a presença do patógeno.

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Brasil tem 775 mortos pelo novo coronavírus em 24 horas

O Brasil teve o registro de 775 mortes em razão da pandemia do novo coronavírus nesta segunda-feira (17). Foram detectados 23.236 novos infectados nas últimas 24 horas.

O país acumula 108.654 óbitos por Covid-19 e 3.363.235 infectados.

Os dados são fruto de colaboração inédita entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as secretarias de Saúde estaduais. O balanço é fechado diariamente às 20h.

Além dos dados diários do consórcio, o jornal também mostra a chamada média móvel. O recurso estatístico busca dar uma visão melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão. A média móvel é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

De acordo com os dados coletados até as 20h, a média de mortes nos últimos sete dias é de 971, o que mantém uma posição de estabilidade nos dados, embora com números elevados.

O Brasil registra uma taxa de 50 mortos por 100 mil habitantes. Os Estados Unidos, que têm o maior número absoluto de mortos, e o Reino Unido, ambos à frente do Brasil na pandemia (ou seja, começaram a sofrer com o problema antes), têm 51 e 69 mortos para cada 100 mil habitantes, respectivamente.

O México, que ultrapassou o Reino Unido em número de mortos, tem 42 mortes para cada 100 mil habitantes. Recentemente, a Índia, com 49.036 óbitos, também passou o Reino Unido em número de mortos.

Na Argentina, onde a pandemia desembarcou nove dias mais tarde que no Brasil e que seguiu uma quarentena muito mais rígida, o índice é de 12 mortes por 100 mil habitantes.

Segundo o Ministério da Saúde, em dados divulgados nesta segunda-feira (17), foram registrados 19.373 casos de infecção pelo novo coronavírus e 684 mortes em decorrência da Covid-19 nas últimas 24 horas.

Desde o início da pandemia, são 108.536 óbitos acumulados e 3.359.570 casos confirmados no país, de acordo com o governo federal.

Entre os estados, São Paulo ainda soma o maior número total de registros —são 702.665 casos e 26.899 mortes. Em seguida na lista, aparecem Bahia, Ceará e Rio de Janeiro.

No período, 2.478.494 pessoas se curaram da doença​​​.

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Filipinas proíbem frango do Brasil por medo de coronavírus

As Filipinas impuseram uma proibição temporária às importações de carne de frango do Brasil nesta sexta-feira (14) depois que uma cidade na China disse ter encontrado traços do novo coronavírus em carregamentos de alimentos congelados importados, incluindo asas de frango do país sul-americano.

As autoridades da cidade de Shenzhen identificaram o frango como proveniente de uma fábrica de propriedade da Aurora, a terceira maior exportadora de aves e suínos do Brasil.

O Brasil tem o segundo pior surto de Covid-19 do mundo, depois dos Estados Unidos, registrando mais de 3,2 milhões de casos e mais de 105 mil mortes desde o início da pandemia.

“Com os relatórios recentes da China e em conformidade com a Lei de Segurança Alimentar do país para regulamentar os operadores de empresas de alimentos e proteger os consumidores filipinos, é imposta a proibição temporária da importação de carne de frango”, disse o Departamento de Agricultura em um comunicado.

O órgão não disse por quanto tempo a proibição seria aplicada.

O Brasil, maior exportador global de carne de frango, responde por cerca de 20% das importações do produto das Filipinas.

A Aurora disse na véspera não ter sido formalmente notificada pelas autoridades chinesas sobre a suposta contaminação, alertando que se trata “apenas de fato originário de notícia veiculada em imprensa local daquele país asiático, sem qualquer confirmação oficial por parte da autoridade pública nacional da China”.

A empresa afirmou que toma todas as medidas possíveis para prevenir a propagação do coronavírus e que não há evidências de que o coronavírus seja transmitido através dos alimentos.

O Ministério da Agricultura do Brasil disse que está buscando esclarecimentos das autoridades chinesas.

O Departamento de Agricultura das Filipinas garantiu ao público, no entanto, que os produtos de frango atualmente no mercado local eram seguros para o consumo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse na quinta-feira que não vê nenhuma evidência de que o coronavírus se espalhando por alimentos ou embalagens e pediu às pessoas que não tenham medo de que o vírus entre na cadeia alimentar.

Produção de Frangos no interior de São Paulo em Ipeuna
Produção de Frangos no interior de São Paulo em Ipeuna – Rodrigo Capote/UOL

SEM NOTIFICAÇÃO

Procurada, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) disse em nota que ainda não foi informada oficialmente sobre eventual suspensão das exportações brasileiras de aves para as Filipinas.

“Se confirmada, a ABPA apoiará o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a apresentação dos esclarecimentos, já que se trataria de uma decisão sem fundamentação técnico-científica e pendente de esclarecimentos e demonstrações”, acrescentou.

A ABPA também ressaltou que não há evidências científicas de que a carne seja transmissora do vírus, conforme ressaltam a OMS, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“Ao mesmo tempo, o setor exportador brasileiro reitera que todas as medidas para proteção dos trabalhadores e a garantia da inocuidade dos produtos foram adotadas e aprimoradas ao longo dos últimos meses, desde o início da pandemia global.”

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Paraná anuncia acordo com Rússia para produção de vacina contra coronavírus

O governo do Paraná deve assinar na quarta-feira (12) um acordo com a Rússia para a produção de uma vacina contra o novo coronavírus, afirmou Jorge Callado, presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) nesta terça-feira (11).

Segundo Callado, a previsão inicial é que a imunização esteja disponível no segundo semestre de 2021.

“É importante não queimar etapas, e a investigação [científica] é fundamental agora. Como o termo prevê estudos e validações, não vejo a possibilidade de atrasos”, disse Callado ao canal de notícias GloboNews.

A parceria foi discutida em reunião no dia 24 de julho, em Brasília, entre o secretário da Casa Civil, Guto Silva, e o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov.

Na ocasião, o governo paranaense colocou à disposição a estrutura e técnicos Tecpar.

“Tivemos a aprovação do embaixador e agora os protocolos do acordo serão preparados pelas equipes do Paraná e da Rússia”, disse o chefe da Casa Civil na ocasião.

A imunização em questão foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleya. Nesta terça (11) o presidente da Rússia Vladimir Putin anunciou que a vacina havia recebido aprovação regulatória do Ministério da Saúde do país. Esse é o primeiro registro de uma vacina contra o novo coronavírus feito no mundo.

anúncio do governo russo gerou desconfiança na comunidade científica. Nenhum resultado dos estudos que levaram ao desenvolvimento da imunização foi publicado em periódicos especializados até o momento, prática comum no meio científico.

Vacinas podem levar anos até serem disponibilizadas à população e precisam passar por uma série de estudos em animais e em humanos para comprovar segurança e eficácia. Os testes clínicos, feitos em humanos, são divididos em três diferentes fases.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) que acompanha as mais de 160 vacinas em desenvolvimento contra a Covid-19 no mundo todo, a substância criada pelo Gamaleya ainda está na primeira fase dos testes clínicos.

De acordo com Callado, do Tecpar, é possível que uma terceira fase de testes clínicos com a vacina seja feita no Brasil. “Esperamos que os resultados sejam positivos, pois o Gamaleya é um laboratório de referência internacional”, afirmou.

O governo do Paraná possui uma reserva orçamentária de R$ 200 milhões para a compra de vacinas contra a Covid-19. Metade do valor sairá do caixa da secretaria estadual da Saúde e a outra parte é resultado de um repasse da Assembleia Legislativa do Paraná.

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