A queda do Brasil no ranking de liberdade de imprensa

O Brasil atingiu em 2021 sua pior colocação no ranking de liberdade de imprensa elaborado pela ONG internacional Repórteres Sem Fronteiras desde que esse sistema de monitoramento foi criado, em 2002.

Sob o governo do presidente Jair Bolsonaro, o país caiu quatro posições e passou a constar na “zona vermelha”, composta por países nos quais “a situação da imprensa é considerada difícil” e o trabalho jornalístico é desenvolvido em “ambiente tóxico”.

111ª

é a posição que o Brasil ocupa no ranking de liberdade de expressão da Repórteres Sem Fronteiras, entre 180 países monitorados

O ranking classifica, por cores, cinco diferentes zonas: branca, amarela, laranja, vermelha e preta. A “zona vermelha”, da qual o Brasil passa a fazer parte, tem outros 51 países, entre os quais estão Mianmar (que sofreu um golpe de Estado em fevereiro de 2021), Afeganistão (país há 20 anos em guerra) e Rússia (onde o presidente Vladimir Putin está há 21 anos ininterruptos no poder).

Faz quatro anos que o Brasil piora sua posição no ranking. A queda teve início em 2018, durante a gestão do presidente Michel Temer (2016-2018), e se acentuou desde então. No relatório anterior – publicado em 2020, com o resultado do monitoramento feito em 2019, já durante a gestão de Bolsonaro – o Brasil já havia caído duas posições. No relatório mais recente, publicado nesta terça-feira (20), caiu quatro posições e, pela primeira vez, passou a frequentar a “zona vermelha”, que só não é pior que a “zona preta”.

O papel de Bolsonaro


Em seu relatório, a organização diz que “insultos, estigmatização e orquestração de humilhações públicas de jornalistas se tornaram a marca registrada do presidente [Bolsonaro], de sua família e sua entourage [seu entorno]”.

Bolsonaro diante de microfones, cercado por repórteres, no Planalto
FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS – 25.05.2019-PRESIDENTE JAIR BOLSONARO FALA COM JORNALISTAS NO PALÁCIO DO PLANALTO


A Repórteres Sem Fronteiras nota que essa situação tornou-se ainda mais grave durante a pandemia que, até esta terça-feira (20), já havia deixado mais de 374 mil mortos e quase 14 milhões de contaminados no país.

Os ataques de Bolsonaro aos jornalistas “dobraram de intensidade desde o início da pandemia de coronavírus”, diz o relatório. “O presidente contribuiu para disseminar informações falsas – por exemplo, sobre o uso de ivermectina, vermífugo cuja eficácia no combate ao coronavírus nunca foi comprovada e que foi desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde –, criticou medidas de isolamento social e causou aglomerações, desrespeitando as medidas sanitárias, o que fez com que fosse censurado pelo Facebook e pelo Twitter”, registra a ONG.

Piora na democracia em geral


A piora no indicador de liberdade de imprensa durante o mandato de Bolsonaro é parte de uma deterioração mais ampla da democracia no país, como um todo. O relatório Variações da Democracia, elaborado pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, publicado em março de 2021, já havia mostrado que o Brasil foi o quarto país do mundo que mais se afastou da democracia em 2020. Apenas Polônia, Hungria e Turquia foram piores.

Existem muitos rankings de liberdade e democracia, elaborados com diferentes critérios, por diferentes organizações. Classificações como essas são meramente indicativas e não trazem consequências automáticas em instâncias judiciais. Elas são, no entanto, um termômetro que goza de credibilidade e influencia as políticas dos diferentes Estados e organizações internacionais em relação a um determinado país.

No ranking da ONG do centro de estudos americano Freedom House, por exemplo, o Brasil é um país considerado “livre”, no qual existem “eleições competitivas” e onde a “arena política, embora polarizada, é marcada por um vibrante debate público”.

A Freedom House coincide com a avaliação da ONG Repórteres Sem Fronteiras, no entanto, de que “os jornalistas independentes e os ativistas da sociedade civil correm o risco de sofrer assédios e ataques violentos” no país.

Há três classificações possíveis no ranking da Freedom House: livre, parcialmente livre e não livre. Na América do Sul, Brasil, Chile, Argentina e Uruguai são “livres”. A Venezuela é “não livre”, enquanto Peru, Equador, Bolívia, Colômbia e Paraguai são “parcialmente livres”.

Alguns governos também produzem seus próprios relatórios anuais. O Departamento de Estado americano, por exemplo – que é o Ministério das Relações Exteriores dos EUA –, publicou no fim de março o seu próprio documento. Nele, diz que Bolsonaro “nem sempre respeitou” a liberdade de imprensa no Brasil.

A liberdade de imprensa é parte do direito mais amplo à liberdade de expressão, garantida no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua existência é considerada fundamental para a proteção de diversos outros direitos, por meio do trabalho de fiscalização do poder público que os jornalistas realizam, como explicou o assessor regional de Comunicação e Informação da Unesco, órgão das Nações Unidas para Educação e Cultura, Guilherme Canela, em entrevista ao jornal Nexo sobre esse tema, em outubro de 2018.

O governo brasileiro não reagiu especificamente aos relatórios que citam a deterioração da liberdade de expressão no país. Desde pelo menos a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro coleciona ameaças, ofensas e intimidações contra a imprensa. Para o jornalista Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, doutor em comunicação e ex-presidente da Radiobras, a atitude do presidente não é comparável a de nenhum outro presidente no período da redemocratização.

nexojornal

Brasil bate novo recorde com 3.650 mortes por Covid-19 em 24h

O Brasil bateu nesta sexta-feira (26) novo recorde e registrou 3.650 mortes por Covid-19 em 24 horas, de acordo com o levantamento do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). 

Com a atualização, o país chegou a 307.112 vítimas da doença. Essa é a segunda vez que o país tem mais de 3 mil óbitos em um só dia, a primeira foi na última terça-feira (23).

Também foram confirmados mais 84.245 casos, totalizando 12.404.414 desde o início da pandemia. 

Os números podem ser ainda maiores, já que os dados do Ceará não foram atualizados por problemas técnicos no acesso à base de dados. 

Para tentar conter essa que é a pior fase da pandemia no país, começou nesta sexta o recesso de dez dias na cidade de São Paulo e no estado do Rio de Janeiro. O estado paulista também registrou recorde de mortes em 24 horas, com 1.193 novas vítimas da doença. 

Na manhã desta sexta, o governador do estado, João Doria (PSDB) anunciou uma potencial vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan, que vai pedir à Anvisa a autorização para conduzir os testes clínicos dessa iniciativa 100% nacional. 

Chamada de Butanvac, ela usa uma tecnologia similar à vacina da gripe e pode requerer apenas uma dose. De acordo com Doria, ela já pode começar a ser aplicada em julho deste ano.

Poucas horas depois, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, anunciou que uma vacina financiada pela pasta protocolou o mesmo pedido na última quinta (25). A Versamune-CoV-2FC é desenvolvida pela USP (Universidade de São Paulo) em conjunto com a empresa brasileira Farmacore e a norte-americana PDS Biotechnology.  Segundo ele, o anúncio no mesmo dia foi “coincidência”. 

Até o momento, 14,4 milhões de brasileiros receberam a primeira dose e 4,5 milhões, a segunda, necessária para ser considerado imunizado. Os números correspondem a 6,8% e 2% da população, respectivamente. 

cnnbrasil

Quando a vacinação deve começar a frear a pandemia no Brasil

Caso os laboratórios brasileiros da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e do Instituto Butantan consigam entregar a produção máxima de vacinas contra a covid-19 previstas em seus cronogramas, o Brasil deve vacinar todos os profissionais de saúde e os idosos acima dos 60 anos ainda em abril. Cerca de um mês depois, a imunização deve começar a ter um efeito expressivo sobre o número de mortes, ajudando a desafogar os hospitais.

Dos atuais 2.300 óbitos por dia, a média móvel no país deve ficar abaixo de mil mortes diárias ainda em maio, graças à vacinação. A estimativa consta de um estudo da Impulso Gov, uma organização não governamental que tem como objetivo ajudar estados e municípios a coletar e a analisar dados dos serviços de saúde.

No estudo, usado pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) para defender a adoção de um lockdown nacional para frear os casos antes do efeito da imunização, a ONG recorreu a 12 bases de dados públicas e informações do Ministério da Saúde obtidas por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). A partir disso, traçou três possíveis cenários da vacinação no país.

“A gente estimou o número de pessoas em cada grupo prioritário, sabe quantas doses precisa e quantas doses vai ter em cada mês. A partir disso, a gente distribui as doses pelos grupos. Por esse cenário que conta apenas com a produção nacional, a gente deve conseguir vacinar até o final de abril todos os idosos acima de 60, que já é uma parte da população com ao menos uma comorbidade. A gente começaria a ter um efeito [no número de mortes] no final de maio”, disse ao jornal Nexo o coordenador de dados da Impulso Gov, Marco Brancher.

O plano de imunização contra a covid-19 do governo federal considera 29 grupos como sendo prioritários na fila da vacinação, como idosos, profissionais de saúde, indígenas, quilombolas, professores, militares e caminhoneiros. Ao todo, segundo o governo federal, são 77,2 milhões de pessoas. O estudo eliminou a duplicidade, ou seja, incluiu na relação apenas uma vez um idoso que é ao mesmo tempo professor, por exemplo. Por isso, considerou 73,7 milhões de pessoas na estimativa.

Os possíveis cenários

  • COM O CRONOGRAMA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

O plano de vacinação federal prevê a distribuição para estados e municípios de 562 milhões de doses ao longo de 2021, o suficiente para vacinar toda a população de 210 milhões de habitantes. Entre as opções, estão as vacinas da Pfizer/BioNTech, Janssen (farmacêutica da Johnson & Johnson, a única que necessita de apenas uma dose), a Sputnik V, a Covaxin (da indiana Bharat Biotech), além de doses recebidas pelo consórcio Covax Facility e as de Oxford importadas da Índia. Mas muitas dessas vacinas não têm aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e apenas em março, o governo mudou seis vezes o cronograma. Devido ao alto risco de atraso nos contratos, negociações e importações, pela alta demanda global, o estudo considera o cenário improvável, e por isso não discute as metas. “O mais provável é que nos próximos meses tenhamos um cronograma de vacinação consideravelmente mais lento do que o previsto pelo Ministério da Saúde, por falta de doses (não por capacidade de distribuir e vacinar)”, diz o estudo.

  • COM AS DOSES PRODUZIDAS NO PAÍS

Desde março, o país conta com as doses da vacina de Oxford em parceria com a AstraZeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz. Elas se somam às doses da Coronavac disponibilizadas pelo Instituto Butantan, que respondiam por 83% de todas as vacinas entregues aos estados até quinta-feira (25). Caso os laboratórios nacionais cumpram o cronograma, as 39 milhões de doses entregues em abril seriam suficientes para vacinar todos os profissionais de saúde e idosos acima de 60 anos, segundo o estudo, que considera esse o cenário mais provável. Caso só essas doses estejam acessíveis, todos os adultos seriam vacinados apenas em dezembro.

  • COM METADE DA PRODUÇÃO NACIONAL

O estudo também traça um cenário mais conservador, em que apenas metade da produção nacional seria entregue. Mesmo assim, a cobertura atingiria as populações mais vulneráveis em alguns meses. Os idosos acima de 60 anos e profissionais de saúde seriam imunizados até junho, e toda a população adulta só receberia as duas doses em 2022.

O impacto nas mortes


Segundo o estudo, vacinar a população acima dos 60 anos já teria impacto porque, no Brasil, cerca de 70% das mortes por covid-19 acontecem entre idosos, mesmo que em março, em algumas regiões, os jovens sejam metade dos internados pela doença.

“A gente não precisa atingir a imunidade de rebanho para começar a ver quedas de óbitos. A população vacinada não é imune ao vírus, ela pode contrair e transmitir, mas só vai ter os efeitos mais leves da doença. Então, provavelmente, essa pessoa não vai ser internada e, quase com certeza, não vai morrer. A gente não tem registro de nenhum óbito por covid de pessoas vacinadas ainda”- Marco Brancher, coordenador de dados da Impulso Gov.

Mesmo no pior cenário (Fiocruz e Butantan entregam apenas metade da produção), em maio, a média móvel (que considera os sete dias anteriores ao cálculo) de mortes deve ficar abaixo de mil óbitos por dia. No final de março, ela era de 2.300 mortes diárias no Brasil.

370 mil

mortes por covid-19 serão evitadas no Brasil até o final de 2021 devido à vacinação no pior cenário, com metade da produção nacional, segundo o estudo da Impulso Gov

O estudo considera ainda que, caso a redução de mortes seja homogênea em todos os municípios do país, a pressão sobre o SUS (Sistema Único de Saúde) deve ser menor em abril em comparação ao mês anterior. Para os pesquisadores, porém, até que se chegue a esse quadro, é necessário que os governos tomem medidas mais duras de restrição de circulação de pessoas.

A defesa do lockdown


Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo na quinta-feira (25) por João Moraes Abreu, diretor executivo da Impulso Gov, Marco Brancher, coordenador de dados da ONG, Carlos Lula, presidente do Conass e secretário de Saúde do Maranhão, e Marcia Castro, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, os autores defendem que um lockdown seja adotado imediatamente no país, por 30 dias, até para garantir os efeitos da vacinação.

O lockdown implica no fechamento das atividades não essenciais e no confinamento da população, que só pode sair de casa com justificativas como ir ao hospital ou à farmácia. É um modelo pouco adotado no Brasil.

Segundo os autores, caso a transmissão do vírus não seja controlada, há o risco de novas variantes mais transmissíveis do vírus surgirem, como já ocorreu em Manaus. Essas variantes podem escapar da proteção garantida pelas vacinas atualmente em uso. O número descontrolado de casos também manteria os hospitais em colapso, impedindo o atendimento até mesmo de pessoas com problemas além da covid-19, o que pode aumentar ainda mais o número de mortes.

Os autores escrevem ainda que, quanto mais a curva de mortes sobe, mais difícil fica para baixá-la. “Já atingimos 3.000 óbitos em um único dia. Se este número não cair já, não ficaremos abaixo de 1.000 óbitos nem em maio, mesmo com a vacinação”, escrevem. Para eles, mesmo uma média móvel abaixo de mil mortes ainda é um número inaceitável.

“Se a gente olhar para qualquer país que implementou medidas mais rígidas desde o começo da pandemia, como Portugal, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, todos eles tiveram políticas públicas voltadas para atender as pessoas que estavam ficando desamparadas, seja por programas de renda mínima emergencial, de crédito para empresas ou de isenção de impostos. Tem um menu disponível. Se a gente não tiver nenhuma medida econômica, a gente sabe que, por mais que seja absolutamente necessário adotar o lockdown, ele acaba sendo inviável na prática”, afirmou Brancher.

Pesquisadores como o neurocientista Miguel Nicolelis, que coordenou o Comitê Científico do Consórcio Nordeste para a covid-19, estimam que o Brasil pode alcançar 500 mil mortes em julho caso medidas restritivas não sejam adotadas imediatamente. Brancher diz que o cenário é possível se os índices de mobilidade continuarem no patamar de março. “Não sei se até o meio do ano, mas com certeza até o final do ano é bem possível que a gente atinja esse número espantoso”, afirmou.

nexojornal

Entidades imploram à ONU medidas para proteger a vida das pessoas

A AJD (Associação Juízes para a Democracia) e 25 entidades da sociedade civil pediram socorro, nesta quinta-feira (25), à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e ao Tribunal Penal Internacional, diante do caos instalado no país.

Em “Carta Aberta à Comunidade Internacional“, os subscritores cobram dessas instâncias internacionais manifestações “a fim de obrigar a tomada de medidas que protejam a vida de brasileiras e brasileiros por parte do Governo Federal e do Parlamento brasileiro”.

“As ações e as omissões do governo federal e do Parlamento brasileiro, que não processa os mais de sessenta pedidos de impeachment, nem legisla estabelecendo medidas de proteção à vida, resultam diretamente na morte de cerca de 3.000 brasileiras/os por dia”, afirma a carta.

A AJD e outras entidades já haviam protocolado petições, sem que até o momento tenham prosseguido os processos de investigação.

“Estima-se que em julho de 2021 o Brasil alcançará 500.000 mortes. Esse número avassalador não é decorrência necessária da pandemia, mas sim dessa política que nega a ciência e expõe a população à morte”, afirma o documento.

Leia a íntegra da carta

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CARTA ABERTA À COMUNIDADE INTERNACIONAL

A população brasileira é alvo de uma política de morte.

Enquanto a maior parte do mundo adota medidas para a proteção de suas populações, promovendo vacinação, impondo isolamento social, efetuando o pagamento de renda mínima e produzindo campanhas de esclarecimento sobre a importância do uso de máscara e álcool gel, no Brasil, o presidente da República faz o exato contrário.

Estimula aglomerações, dificulta a compra e a distribuição de vacinas, questiona o uso de máscara como medida de prevenção à contaminação, incentiva o uso de medicamentos contraindicados por robustos estudos já publicados pela comunidade científica. Além disso, promove um ambiente de perseguição e constrangimento aos pesquisadores e instituições brasileiras que promovem o conhecimento científico necessário ao enfrentamento dos graves problemas decorrentes da pandemia.

Institucionalmente, o governo federal age, ainda, tentando impedir que governadores e prefeitos tomem medidas de proteção contra a disseminação do vírus, mesmo ciente de que o sistema de saúde no Brasil entrou em colapso.

As ações e as omissões do governo federal e do Parlamento brasileiro, que não processa os mais de sessenta pedidos de impeachment, nem legisla estabelecendo medidas de proteção à vida, resultam diretamente na morte de cerca de 3.000 brasileiras/os por dia.

Estima-se que em julho de 2021 o Brasil alcançará 500.000 mortes. Esse número avassalador não é decorrência necessária da pandemia, mas sim dessa política que nega a ciência e expõe a população à morte.

No atual momento, pela primeira vez em sua existência, o Sistema Único de Saúde, que atende a todas as brasileiras e brasileiros, está próximo de atingir o seu colapso em todo país.

Os gestores dos hospitais públicos e privados informam diariamente que os estoques de oxigênio para as pessoas internadas não é suficiente e que em cerca de 15 dias acabarão os medicamentos necessários para proceder às entubações. Corpos são empilhados e pessoas aguardam em longas filas para certificar as mortes.

O caos está instalado.

Em um país continental como o Brasil, no qual está situada a principal floresta responsável pela continuação da vida humana na terra, isso significa uma catástrofe humanitária e ambiental de proporções mundiais.

Já há estudos demonstrando o comprometimento do lençol freático em razão dos enterros produzidos em larga escala, em face dessa assustadora mortalidade. A circulação de pessoas para outros países, diante das mutações mais agressivas apresentadas pelo SARS-COV 2, pode significar a repetição da realidade brasileira em outros lugares do mundo.

A gestão deliberadamente adotada em nosso país pode comprometer, concretamente, a continuidade da vida humana na Terra.

Inúmeras denúncias foram realizadas internamente, mas esbarram no sistema de apoio político organizado junto aos órgãos de fiscalização e ao Poder Legislativo, o que motivou a AJD e diversas outras entidades da sociedade civil a tomarem medidas no âmbito do sistema internacional de  proteção aos Direitos Humanos.

Diversas petições foram protocoladas junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e ao Tribunal Penal Internacional, sem que até o presente momento tenha sido dado prosseguimento aos processos de investigação ou fossem tomadas medidas para a efetiva proteção à vida das pessoas em nosso país.

Diante desse cenário catastrófico, exasperadas e indignadas com a inércia de nossas instituições, no limite de nossas forças diante da violência  institucional representada por essa gestão para a morte, as organizações e entidades abaixo assinadas, em AUTÊNTICO PEDIDO DE SOCORRO, SUPLICAM que as instâncias internacionais de regulação dos Direitos Humanos se manifestem de imediato em relação aos pedidos já formulados, a fim de obrigar a tomada de medidas que protejam a vida de brasileiras e brasileiros por parte do Governo Federal e do Parlamento brasileiro.

Associação Juízes para a Democracia – Valdete Souto Severo, Presidenta.

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Também subscrevem esse documento:

– Associação Americana de Juristas Rama Brasil (AAJ)

– Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO)

– Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET)

– Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD)

– Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (ABRASTT)

– Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais (ABRATO)

– Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES)

– Comissão Brasileira de Justiça e Paz/CNBB

– Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito

– Comitê Panamericano de Juízas e Juízes para os Direitos Sociais e Doutrina Franciscana – COPAJU

– Departamento de Saúde Coletiva – Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (DSC/FCM/Unicamp)

– Fórum Acidentes do Trabalho (FÓRUMAT)

– Frente Ampla em Defesa da Saúde de Trabalhadores (em representação de 54 instituições e movimentos sociais)

– Grupo de Estudos TRAGES (Trabalho, Gestão e Saúde/UFG)

– Grupo de Extensão e Pesquisa Trabalho e Saúde Docente (TRASSADO/UFBA)

– Grupo de Trabalho Saúde do Trabalhador (DVRT/PAIR), da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (GT-ST/SBFa)

– Instituto Trabalho Digno (ITD)

– Laboratório Interinstitucional de Subjetividade e Trabalho (LIST) –

– Departamento de Psicologia (DPI) – Universidade Estadual de Maringá (UEM)

– Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST)

– Observatório Sindical Brasileiro – Clodesmidt Riani (OSBCR)

– Pastoral Operária (PO)

– Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação (PPG-REAB/UFBA)

– Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho (PPSAT/UFBA)

– Rede Irerê de Proteção à Ciência

folha

Brasil quer sondar EUA sobre vacinas prontas estocadas em fábrica da AstraZeneca

O Brasil vai tentar conseguir cerca de 10 milhões de doses prontas que diz estarem estocadas em fábrica da AstraZeneca nos Estados Unidos, segundo o governador do Piauí e representante do Fórum Nacional de Governadores, Wellington Dias.

Em entrevista coletiva ao lado do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, ele afirmou que está sendo discutido com o Itamary uma consulta aos americanos sobre a possibilidade de importação dessa remessa, já que eles não estão aplicando a vacina desenvolvida pelo laboratório e pela universidade de Oxford na sua população.

“Há um laboratório da AstraZeneca nos EUA. Nós tratamos desse aspecto com o Itamaraty, com a diplomacia brasileira, para que possamos consultar, porque o que sabemos é que há vacina pronta em estoque”, disse Dias nesta segunda (8) em Bio-Manguinhos, a fábrica da Fiocruz no Rio de Janeiro.

“Como não está sendo utilizada a AstraZeneca nos Estados Unidos, que eles possam, pela conjuntura brasileira, ceder a venda para o Brasil. São 10 milhões de doses ou mais que estariam disponíveis. Porque também os EUA adotaram uma medida de proibir exportação para suprir sua necessidade. Essa é uma situação mundial”, continuou.

O Brasil não é o único que está de olho nessas doses. Neste sábado (6), o jornal “Financial Times” divulgou que a União Europeia também pediria aos americanos que permitissem a exportação de vacinas e que garantissem o fluxo livre de embarques de insumos para o continente.

“Acreditamos que podemos trabalhar junto com os EUA para garantir que as vacinas produzidas ou envasadas nos EUA para o cumprimento das obrigações contratuais dos produtores de vacinas com a UE sejam honradas”, disse a Comissão Europeia segundo a publicação.

atraso na importação de doses prontas da Índia previstas para março também se deu porque os indianos decidiram proibir as exportações de imunizantes, disse o ministro Pazuello. São esperadas 12 milhões de doses no total, das quais 4 milhões já foram entregues. O restante era esperado em março e abril, mas agora é aguardado só para os meses de abril a julho.

Essa iniciativa não constava inicialmente nos planos da Fiocruz, mas foi uma alternativa para compensar o atraso na produção nacional com o IFA (insumo farmacêutico ativo) da China, que demorou a chegar. As doses vêm do Instituto Serum, um dos centros de produção vinculados à AstraZeneca na Índia.

“Esse laboratório vem fazendo uma postergação na entrega”, afirmou Pazuello nesta segunda. “Vamos ter que fazer uma pressão política, diplomática e até pessoal junto à AstraZeneca para que cobre do laboratório Serum que ele cumpra a entrega dos 8 milhões que faltam. Nesse momento a Índia como país dificultou o processo porque proibiu a exportação”, declarou.

“Então os países no mundo estão variando suas posições diplomáticas e comerciais porque o troço realmente é instável. E é por isso que nós estamos falando de produção nacional. Se nós não tivermos produção nacional como temos hoje no Butantan e na Fiocruz, nós não vamos ter como vacinar em massa o nosso país”, acrescentou.

FIOCRUZ INICIA PRODUÇÃO EM LARGA ESCALA

Nesta segunda (8) a Fiocruz anunciou o início de sua produção em larga escala com o insumo comprado da China, após ter concluído os lotes de validação e controle de qualidade. A partir de agora, diz a fundação, não haverá interrupção na fábrica.

Uma série de atrasos afetaram as entregas. Inicialmente eram esperados 15 milhões de doses envasadas nacionalmente em março, mas agora a fundação só deve enviar 3,8 milhões. Questionado, o diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, afirmou que “tem uma série de variações no processo”.

“A gente anunciou 15 milhões de doses com base nas informações que a gente tinha no momento. Na medida que a gente vai internalizando o processo, a gente vai conhecendo melhor os rendimentos de produção. É uma tecnologia nova, então a cada dia a gente aprende um pouco”, disse.

Um dos fatores que atrapalharam foi um problema no equipamento que fecha os frascos, chamado de máquina de recravação. Ele disse que isso “impactou um pouco” no cronograma porque foi preciso esperar uma semana até que o aparelho fosse consertado e novamente validado.

“Em situação normal isso acontece, só não aparece porque no cotidiano não há essa pressão por doses a cada dia”, explicou, acrescentando que na produção de vacinas não se pode trabalhar ininterruptamente “porque tem dias que é preciso paralisar para fazer a limpeza de todo o processo, para evitar contaminações”.

A capacidade de envasamento da Fiocruz atualmente é de 250 a 300 mil doses, mas até o fim do mês deve passar para 1 milhão. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda tem que aprovar o processo de produção nacional com o IFA importado, o que está previsto até o fim desta semana.


CRONOGRAMA DA FIOCRUZ

  • Janeiro: 2 milhões importadas da Índia (entregues)
  • Fevereiro: 2 milhões importadas da Índia (entregues)
  • Março: 3,8 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Abril: 30 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Maio: 25 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Junho: 25 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Julho: 16,6 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Estão previstas mais 8 milhões de doses importadas da Índia
  • Total: 112 milhões até julho, e mais 110 milhões com produção 100% nacional até o fim do ano

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Adesão do Brasil a acordo de compras governamentais avança na OMC

A adesão do Brasil ao Acordo de Compras Governamentais (GPA) da Organização Mundial do Comércio avançou nesta semana, na primeira reunião após a apresentação da oferta inicial brasileira. Se for aceito, o país ganhará acesso em condições favoráveis a um mercado de compras governamentais estimado atualmente em R$ 1,7 trilhão (R$ 9,7 trilhões) por ano.

O GPA dá aos países participantes acesso recíproco em compras governamentais nos membros do acordo (48, atualmente), dentro dos limites estabelecidos em comum acordo.

O pedido de adesão foi feito pelo Brasil em maio do ano passado e a oferta inicial foi apresentada em fevereiro. Segundo o embaixador brasileiro na organização, Alexandre Parola, ela pode equivaler a um mercado de US$ 145 bilhões (cerca de R$ 826 bi, pelo câmbio atual).

Mão de madeira segura notas de dólar sobre fundo azul
Notas de dólar – Gabriel Cabral/Folhapress

Segundo a OMC, o comitê de compras governamentais avaliou os documentos apresentados pelo Brasil como “uma base sólida” para o início das negociações. Além da oferta inicial de mercado, o país enviou respostas a uma lista de questões sobre a legislação brasileira de compras governamentais.

Na próxima etapa, o Brasil negociará com os 48 membros do GPA compromissos com relação a entidades cujos processos de aquisição serão abertos a estrangeiros, bens e serviços que participarão do acordo, valores-limite acima dos quais as compras estarão abertas e eventuais exceções.

Embora grandes licitações de obras públicas sejam incertas no momento, por causa da pandemia de Covid-19 e de incertezas sobre a economia, o governo brasileiro vinha preparando medidas desde o ano passado para atrair a participação estrangeira para o setor de infraestrutura —como em rodovias, ferrovias e aeroportos.

folha

Coronavírus: Brasil apostou em estratégia ‘genocida’ para combater covid-19, diz Atila Iamarino

Retrtao do Virologista Atila Iamarino
Legenda da foto,Doutor em microbiologia pela USP, Iamarino estuda a disseminação de vírus e a forma como evoluem

O Brasil adotou uma estratégia “genocida” ao apostar na chamada imunidade de rebanho para combater a covid-19, o que possibilitou o surgimento de uma nova variante mais perigosa e que vem causando mais mortes, diz à BBC News Brasil o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino.

A imunidade de grupo (também chamada imunidade de rebanho) ocorre quando uma parcela grande o suficiente da população desenvolver uma defesa imunológica contra o coronavírus. Nesse cenário, a doença não consegue se espalhar porque a maioria das pessoas é imune e ela passa a ter grande dificuldade para encontrar alguém suscetível.

O problema dessa estratégia, apontado desde o início por especialistas, é que ela teria um enorme custo humano — muitas mortes aconteceriam até que uma eventual imunidade de rebanho fosse alcançada. Outra questão importante nesse sentido é que não se sabe por quanto tempo a imunidade de alguém infectado pelo Sars-CoV-2 dura, se ela é de curto, médio ou longo prazo.

Em meio ao que especialistas consideram o pior momento da pandemia no país, Iamarino defende a adoção de um confinamento mais rígido e a aceleração da vacinação.

Ele critica ainda o governo federal, que acusa de ter “sabotado” Estados e municípios.

Fim do Talvez também te interesse

E vaticina que uma catástrofe pode estar prestes a acontecer se o que vimos em Manaus se repetir no restante do Brasil.

Doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), Iamarino concluiu dois pós-doutorados estudando a disseminação (ele prefere o termo “espalhamento”) dos vírus e a forma como esses organismos evoluem. Um desses pós-doutorados foi na própria USP, e o outro na Universidade Yale, nos Estados Unidos.

Em sua carreira, o pesquisador de 37 anos estudou vírus como ebola e HIV.

Iamarino se tornou conhecido por sua participação no canal de YouTube do Nerdologia, um dos maiores do país. Desde o início da pandemia, tem feito transmissões ao vivo sobre o novo coronavírus, com milhões de visualizações.

Confira os principais trechos da entrevista a seguir.

Atila Iamarino
Legenda da foto,Para Iamarino, falta ação coordenada do governo federal no combate à pandemia de covid-19

BBC News Brasil – O Brasil parece viver o pior momento da pandemia, tendo registrado um recorde na média móvel de mortes. A que se deve isso?

Atila Iamarino – Sabemos que há um componente sazonal no novo coronavírus, com mais casos no inverno do que no verão. Portanto, o Brasil está muito adiantado no aumento de casos — isso só deveria estar acontecendo daqui a alguns meses. Mas por que os casos estão subindo tão cedo e tão rápido?

A resposta se deve a uma combinação de fatores. De um lado, houve um movimento de abertura no fim do ano passado, com mais pessoas circulando sem restrições. De outro — e que considero o principal fator — temos a variante P.1, inicialmente observada em Manaus.

Estudos recentes apontam que se trata de uma cepa mais transmissível e que “dribla” o sistema imunológico, reinfectando quem já se curou.

Quando falamos de vírus, é natural que eles sofram mutações e se tornem mais transmissíveis. O que não precisa ser um processo natural é termos linhagens que escapam da imunidade. Essas linhagens só serão selecionadas quando o vírus continua circulando na presença de pessoas que já tiveram o vírus.

Foi o que aconteceu no Brasil e na África do Sul.

Nesse sentido, a nossa variante é fruto direto da estratégia genocida do Brasil de contar com as pessoas circulando livremente e construindo imunidade. Não é por acaso que surgiu aqui uma das variantes mais perigosas, demonstradamente perigosa.

Médico com máscara segurando tubo de exame de coronavírus
Legenda da foto,Surgimento de variante mais perigosa em Manaus indica falha no combate à covid-19 no Brasil, diz Iamarino

BBC News Brasil – O que as autoridades deveriam ter feito?

Iamarino – O Brasil deveria ter se preparado melhor. Em vez disso, adotamos uma estratégia que cultivou um monstro e que, ao que tudo indica, está causando um surto de casos fora de temporada.

De fato, os hábitos sociais permitiram uma maior circulação do vírus. Apesar de estarmos em um período de baixa transmissão de doenças respiratórias, várias cidades do país já registravam alta ocupação de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

Em vez de decretar um lockdown para restringir a movimentação das pessoas e conter o vírus, a aposta do governo para prover o mínimo de dignidade humana foi e continua sendo criar mais leitos.

Isso é jogar nos profissionais de saúde toda a responsabilidade de resolver o problema. Não se resolvem mortes no trânsito criando mais leitos UTI, mas sim com leis de trânsito. O mesmo se aplica à covid-19. É preciso diminuir o número de casos.

Mas o Ministério da Saúde não faz campanha para o uso de máscara e distanciamento social. Tampouco reconhece o lockdown como medida necessária para conter o avanço da pandemia. Falta coordenação federal para ações locais.

Temos agora um país economicamente pior, socialmente mais cansado e com profissionais de saúde exaustos, explorados e usados da pior maneira possível.

BBC News Brasil – O que nos resta fazer, então?

Iamarino – O que o restante do mundo fez: decretar um lockdown mais rígido e correr com a vacinação. Isso é o mínimo. O problema é essa falta de coordenação a nível federal.

De que adianta um município ou um Estado decretar um confinamento se as pessoas de municípios ou Estados vizinhos continuarem circulando? Isso faz com que a localidade tenha todo o prejuízo econômico e político de confinar sua população, mas sem o sucesso que poderia ter se essa ação fosse coordenada. A falsa impressão é que o esforço não funciona, quando, na verdade, ele está sendo sabotado a nível federal.

Por isso, digo que temos dois inimigos para enfrentar no Brasil. Um é a nova variante e o outro é a falta de estratégia do governo federal.

Como resultado, temos pronta a receita para que mais variantes perigosas surjam.

Mulher em isolamento social
Legenda da foto,Confinamentos foram implementados por vários países do mundo para conter propagação do coronavírus

BBC News Brasil – Se nada for feito, o que acontecer?

Iamarino – Nossa estratégia genocida já causou mais de 250 mil mortes. Manaus (AM) e Araraquara (SP) já registraram mais mortes no início deste ano do que durante todo o ano passado. Se isso se repetir no país todo, vai ser um outro massacre.

Mas o principal problema desse tipo de estratégia é que estamos dando ao vírus a oportunidade de sofrer novas mutações, mais perigosas. Eventualmente, as vacinas podem não ser mais eficazes — e, se esse cenário se concretizar, poderemos não ter mais solução.

O Brasil criou sua própria derrota. Estamos demorando para vacinar e deixando o vírus circular livremente.

Agora, com a escassez global de vacinas, entendo que a situação esteja muito mais difícil. E estamos tentando comprar uma vacina que ainda não tem eficácia comprovada (a indiana Covaxin).

Diferentemente dos Estados Unidos, o Brasil tem capilaridade de vacinação. Há postos de saúde por todo o território nacional que podem dar vazão as doses. Mas agora faltam as doses.

BBC News Brasil – Alguns países, como Israel, já começaram a flexibilizar as regras. O Reino Unido também anunciou o afrouxamento de suas medidas. Em um contexto em que o mundo tenta retomar a normalidade, o Brasil pode se tornar uma pária internacional?

Iamarino – Eu diria que o Brasil vai continuar a pária que virou. Já não podemos viajar para a maioria dos países, nem em condição emergencial, desde antes do surgimento dessa nova variante.

Essa nova linhagem só reforçou o fechamento das fronteiras e essa situação deve permanecer daqui em diante. Se não mudarmos as condições que propiciaram o surgimento dessa variante, vamos gerar outras e estaremos sempre renovando os motivos para o mundo não receber brasileiros.

Pessoa sendo submetida a teste de temperatura
Legenda da foto,Segundo especialistas, Brasil vive pior momento da pandemia

BBC News Brasil – O senhor foi duramente criticado quando, no início da pandemia, previu que o Brasil teria 1 milhão de mortos. Essa previsão nunca se concretizou. Por quê? Acredita ter se equivocado?

Iamarino – Acredito que os extremos dessas previsões continuam muito válidos. De um lado, países como Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, etc, mostraram que o número de mortes pode ser mínimo. Do outro, a mortalidade em locais como Manaus evidenciou que o cenário mais pessimista não é fantasioso.

A capital do Amazonas tem um excesso de enterros até o mês de fevereiro de mais de 430 pessoas por 100 mil habitantes. Se extrapolarmos isso para a totalidade da população brasileira, temos 900 mil mortos.

Se os extremos continuam válidos, o meio do caminho é onde está a faixa de erro e a incerteza. Disso dependem as ações humanas. Há uma série de fatores de que não sabíamos.

Por exemplo, a eficácia das máscaras se revelou muito maior do que esperávamos, principalmente para evitar contaminados de transmitir o vírus para os outros. Tampouco sabíamos qual eficácia as medidas de confinamento teriam.

Jair Bolsonaro fala à imprensa
Legenda da foto,Presidente Jair Bolsonaro é contra lockdown

Estávamos, portanto, lidando com uma doença nova, para a qual não havia dados preliminares.

De qualquer forma, sabemos hoje que o melhor cenário é viável e existe, como observamos na Ásia. E que o pior cenário é possível, como também observamos no interior do Peru, no interior da Bolívia, em Manaus, em países que não são transparentes com os dados e em regiões onde não há estatísticas disponíveis.

  • Luis Barrucho – @luisbarrucho
  • Da BBC News Brasil em Londres

Governo britânico lança ‘caçada’ para achar portador de variante brasileira

O governo britânico vai fazer testes em massa para tentar encontrar um viajante que chegou do Brasil com a​ variante de Sars-Cov-2 “brasileira”, a chamada P.1, que é mais contagiosa que o vírus original. A P.1 foi detectada pela primeira vez no país, em três pessoas na Inglaterra e outras três que voaram do Brasil para a Escócia. Um deles, porém, é desconhecido, porque não preencheu o cartão de identificação que acompanha o teste.

A Public Health England (PHE) diz que os testes em que a variante foi encontrada foram feitos antes das atuais medidas de quarentena obrigatória em hotéis —iniciada em 15 de fevereiro. O governo, porém, ainda não sabe se o infectado anônimo chegou do Brasil ou foi contaminado no Reino Unido.

Para tentar encontrá-lo, o governo vai rastrear centenas de passageiros de uma série de voos que tenham feito conexão com outros partindo do Brasil nas primeiras semanas de fevereiro e usar dados do serviço postal.

A P.1 preocupa o governo britânico porque suas mutações, além de torná-la mais contagiosa, podem tornar o vírus menos suscetível às vacinas que estão sendo usadas no momento no país.

Placa aponta caminho para centro de testes no terminal 2 do aerporto de Heathrow, em Londres
Placa aponta caminho para centro de testes no terminal 2 do aeroporto de Heathrow, em Londres – Ben Stansal – 28.jan.2021/AFP

Em entrevista a uma emissora de TV na manhã desta segunda (1º), o ministro responsável por vacinação, Nadhim Zahawi, disse que a pessoa que procuram pode ter recebido um kit de teste doméstico ou retirado um kit num dos postos públicos. “Parte do motivo pelo qual queremos localizá-lo rapidamente é entender mais sobre ele e seus movimentos”, disse.

Os outros dois casos da variante detectados na Inglaterra são de uma mesma família, na qual um dos membros voltou do Brasil cinco dias antes da quarentena vigiada entrar em vigor. Ele saiu de São Paulo, fez conexão em Zurique e chegou a Londres em 10 de fevereiro, pelo voo LX318 da Swiss Air Lines.

O ministro disse que ele fez um teste antes da partida e preencheu o formulário de localização. Durante a quarentena, desenvolveu sintomas, e seus contatos foram identificados e isolados. A chance de transmissão é mínima, de acordo com Zahawi, porque o paciente cumpriu o isolamento.

Ainda assim, o governo está acompanhando todos os passageiros que chegaram no mesmo voo e fará testes em áreas da região em que ele mora —South Gloucestershire, no sudoeste inglês—, para reduzir a possibilidade de transmissão não identificada.

A PHE também lançou um apelo para que todos os que fizeram teste de Sars-Cov-2 nos dias 12 ou 13 de fevereiro e não receberam o resultado ou não preencheram o cartão de identificação que procurem as autoridades de saúde.

Três pessoas que vivem no norte da Escócia também testaram positivo para a variante P.1 depois de voltar do Brasil com conexões em Paris e Londres. Os três tiveram o mutante identificado durante a quarentena de dez dias, no qual estavam em isolamento, e os outros passageiros do voo estão sendo contatados.

folha

Argentina mantém fronteira fechada para o Brasil por causa do coronavírus

O governo argentino decidiu estender o fechamento das fronteiras aéreas e terrestres com o Brasil até, pelo menos, dia 12 de março.

A nova ministra da saúde, Carla Vizzotti, que assumiu no lugar de Ginés González García depois da revelação de que haviam sido vacinadas mais de 70 pessoas próximas ao governo, justifica a medida por conta das novas variantes do coronavírus.

O decreto anterior dispunha que elas fossem reabertas a partir desta segunda-feira (1º), mas as autoridades sanitárias consideraram necessário manter o bloqueio e a diminuição de 50% dos voos entre os dois países.

A Argentina também está fechada para estrangeiros de outros países limítrofes e do Reino Unido. Só podem entrar no país argentinos ou residentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial local.

A Argentina está numa fase muito inicial da vacinação, e apenas desde a semana passada começou a imunizar cidadãos com mais de 80 anos.

Com relação a outros países, também estão reduzidas as frequências dos voos vindos dos EUA, do México e da Europa em 30%. Também nesses casos, para entrar no país é preciso ser argentino ou residente.

folha

foto: Martín Zabala

Os cenários de um colapso generalizado na saúde do Brasil

Por todo o país, autoridades e especialistas vêm alertando para o colapso dos sistemas de saúde público e privado diante do alastramento descontrolado da covid-19. Há cidades em que esse colapso já é uma realidade Em outras, está na iminência de acontecer.

Na sexta-feira (26), dia em que completou um ano desde que foi tornado público o primeiro caso de infecção no país, 253 mil pessoas morreram pela doença no Brasil. O número de casos de contaminação superou os 10 milhões.

Em 21 de janeiro de 2021, a média móvel de óbitos diários – que leva em conta dados dos últimos sete dias – voltou a ficar acima dos 1.000, sinalizando uma incidência maior de casos devido às aglomerações da virada do ano. Durante o mês de novembro de 2020, por exemplo, essa média móvel nunca ultrapassou a marca dos 600. Os números são das secretarias de saúde dos estados, reunidos pelo site G1.

De acordo com os índices divulgados pelas secretarias estaduais, a maior parte dos estados mostrou crescimento na média móvel registrada na quinta-feira (25) em relação ao dado de duas semanas antes:

  • 12 estados registram alta nas mortes: Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
  • 10 estados (mais o Distrito Federal) tiveram estabilidade: Alagoas, Espírito Santo, Goiânia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rondônia, Sergipe, São Paulo, Tocantins
  • 4 estados apresentaram queda: Amapá, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima

Vale notar que mesmo nos estados que apresentam estabilidade, as taxas de casos e óbitos pressionam o sistema de saúde. Como se verá a seguir, capitais de diversos estados nessa condição também enfrentam hospitais lotados.

A pressão sobre os sistemas de saúde


As consequências da pandemia no sistema de saúde vem se mostrando brutais. De acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), ligada ao Ministério da Saúde, 17 das 27 capitais do país estão com UTIs do SUS (Sistema Único de Saúde) com mais de 80% de ocupação

Na quinta-feira (25), o governador da Bahia, Rui Costa (PT) afirmou que “a saúde vai colapsar e o Brasil entrará no caos em duas semanas”. Em Santa Catarina, o secretário de Saúde, André Motta, abriu um comunicado aos prefeitos com a frase: “estamos entrando em colapso!”.

Ao jornal Nexo, Marcio Sommer Bittencourt, médico do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, afirmou que o termo “colapso” é usado quando ocorre a saturação em diversos hospitais simultaneamente.

“Não tem leito para internar, tem fila de espera para as pessoas internarem e termos que fazer assistência em um ambiente sub-ótimo. Quem devia estar na UTI, fica no pronto-socorro, quem está no pronto-socorro mandamos para casa porque não conseguimos internar. Você tem uma cascata de sobrecarga do sistema em que cada pessoa não está no melhor ambiente para ser cuidada.”- Marcio Sommer Bittencourt, médico do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP.

Segundo o médico, o colapso não aconteceu de uma hora para outra. “Ele é progressivo, porque cada vez mais o paciente mais grave está sendo atendido num ambiente menos ideal e está recebendo cuidado mais tardio. Tudo isso leva a uma piora de complicações, de mortalidade, de tempo de internação e vai consumindo todo o sistema”, afirmou.

É o caso de Porto Velho (RO), em que o índice de ocupação bateu em 100%. A situação calamitosa do estado da região Norte levou o secretário de Saúde, Fernando Máximo, a fazer um apelo desesperado nas redes sociais pedindo que os cidadãos se isolem. “Não temos leito de UTI para sua mãe”, afirmou.

Máximo alertou que também não é mais possível transferir doentes para outros estados, como aconteceu em janeiro com pacientes de Manaus, pois não há vagas em lugar algum no país.

No Rio Grande do Norte, faltam lugares em hospitais públicos e privados. Com isso, doentes de covid-19 têm de permanecer por horas dentro de ambulâncias à espera de um leito.

Enfermeira auxilia paciente com coronavírus em UTI do hospital municipal de Parelheiros, em São Paulo
FOTO: AMANDA PEROBELLI – 3.JUN.2020/REUTERS

Em São Paulo, 72% das instituições privadas têm ocupação de UTI superior a 80%, de acordo com o SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo).

No Rio Grande do Sul, todos os leitos de UTI de hospitais privados estão preenchidos. Na sexta-feira (26), a secretaria de saúde do estado divulgou que a ocupação está em 101,8%.

Para Bittencourt, a situação ainda pode piorar, pois não há limite para o aumento de casos. Como consequência, outros tipos de urgências podem ser preteridas para que se atenda casos de covid. Mesmo assim, o sistema pode não absorver tudo, afirmou o especialista ao Nexo.

“O sistema de saúde normalmente trabalha com pouca reserva porque é um sistema caro, então a gente não tem muito lastro para absorver. Então mesmo abrindo leito de campanha, começa a ter falta de mão de obra, de equipamento, de monitor, de respirador, de medicação para sedar, tem vários gargalos no sistema. Não é só abrir mais uma cama, você precisa de funcionários, treinar funcionários. Então pode piorar, como aconteceu em Manaus, faltou até oxigênio”, afirmou.

As medidas nos estados


Com o agravamento da situação, o termo lockdown voltou a aparecer em pronunciamentos de autoridades. Recentemente, políticos vinham evitando defender a estratégia devido a pressões de associações comerciais e setores empresariais que alegavam prejuízos econômicos. É o argumento também do presidente Jair Bolsonaro, que tem sido o maior crítico dos fechamentos do comércio pelo país.

No Brasil, o termo vem sendo usado para se referir a uma interrupção parcial de atividades e circulação. Na Europa, ele é associado a um conjunto de medidas bem mais duras, que podem incluir o fechamento total do comércio, restrição de contatos entre pessoas que não moram na mesma casa e permissão para circular na rua apenas para atividades essenciais.

Na quinta-feira (25), o governador da Bahia decretou a restrição total de atividades não essenciais entre as 20h de sexta-feira (26) e as 5h de segunda (1). O transporte público funcionará normalmente. A venda de bebidas alcoólicas fica proibida durante o período.

Já no Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) ordenou o fechamento de todos negócios que não sejam essenciais a partir da 0h deste domingo (28). Sete municípios do Entorno do DF decretaram estado de calamidade pública. Na noite de sexta-feira, havia apenas dois leitos de UTI disponíveis em todo o DF, incluindo as redes pública e privada.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) chamou de “toque de restrição” a intenção de restringir até 14 de março a circulação nas ruas do estado entre 23h e 5h, medida que tem como alvo apenas grandes aglomerações. Em todo o estado, quatro regiões (incluindo a Grande São Paulo) regrediram da fase amarela para a laranja, mais restritiva, enquanto duas regiões voltaram da fase laranja para a vermelha, a mais rigorosa.

A cidade de Araraquara, no interior do estado, é um dos raros locais do país a adotar um lockdown que se assemelha ao modelo europeu. Só pode se deslocar pela cidade quem trabalha em serviços essenciais ou for usá-los. Mesmo as atividades essenciais, como supermercados, padarias e farmácias, têm de fechar as portas às 20h. As multas para quem descumprir as regras podem variar de R$ 120 a R$ 6.000.

Para Bittencourt, do Hospital Universitário da USP, a única forma de controlar uma pandemia é frear o alastramento do vírus na comunidade. “Quando há transmissão, o hospital apenas enxuga gelo. Você pode melhorar a vida de quem está internado, mas não há medicação que resolva a transmissão na comunidade”, afirmou. O especialista também defende que o lockdown sozinho “não resolve”. Idealmente, pessoas com o vírus deveriam ser isoladas e seus contatos, rastreados para que também passem por quarentena.

Efeitos da vacinação devem demorar para aparecer. Na sexta-feira (26), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, previu que o país só deve ter uma queda no número de hospitalizações e mortes por covid-19 em maio ou junho. É nessa época que a vacinação chegará à população acima de 60 anos.

6,4 milhões

Número de pessoas no Brasil que já recebeu pelo menos uma dose de vacina contra covid-19 em 26 de fevereiro de 220, segundo dados do consórcio de imprensa.

Países como Israel e Inglaterra testemunharam reduções nos casos e internações por covid-19 apenas depois de imunizar parcelas grandes da população. No Brasil, no fim de fevereiro, 3% da população havia recebido o imunizante, com diversos estados tendo de interromper suas campanhas devido à falta de doses.

As declarações do ministro da Saúde


Na quinta-feira (25), o ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello, afirmou que o Brasil está “enfrentando uma nova etapa dessa pandemia”. “Tem hoje o vírus mutado. Ele nos dá três vezes mais a contaminação”, disse o auxiliar de Bolsonaro. O ministro fazia referência à cepa surgida em Manaus, chamada de P.1 .

No entanto, notas técnicas do próprio ministério afirmam que ainda “não há evidências científicas” que comprovem uma maior transmissibilidade da cepa surgida na capital do Amazonas.

Para o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, a aparição de variantes do novo coronavírus não é justificativa para um aumento de casos. Falando à imprensa, ele lembrou que diversos países vêm realizando um bom trabalho de contenção do vírus, mesmo com as mutações.

Como exemplo, ele citou a Nigéria, país de população equivalente ao Brasil (196 milhões de habitantes contra 210 milhões de brasileiros), mas com um PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas do país) que é menos de um quarto do brasileiro. No entanto, o número de novos casos da doença no país africano é 100 vezes menor que no Brasil: são três novos casos diários por milhão contra 300 no Brasil.

Em seu pronunciamento, Pazuello não mencionou as medidas básicas para a contenção do vírus, como o distanciamento social e o uso de máscaras e álcool gel.

No mesmo dia, Bolsonaro alertou sobre os “efeitos colaterais” do uso de máscaras em crianças, em mais uma declaração sem qualquer evidência científica. Segundo o mandatário, a fonte das suas informações seria um “estudo” de uma universidade alemã. Na verdade, era uma enquete online feita por um site do país europeu.

nexojornal

No Acre, moradores dos 10 municípios atingidos pela enchente poderá sacar o FGTS

A CAIXA anuncia nesta quarta-feira (24/02) diversas medidas em apoio ao estado do Acre, atingido por fortes chuvas. O banco vai ampliar o atendimento à população com o deslocamento de Caminhão-agência para as regiões mais afetadas e prestar apoio técnico às prefeituras para obras de reconstrução.

O presidente da CAIXA, Pedro Guimarães, visita o Acre para avaliar a situação das cidades afetadas e anunciar medidas de apoio à região. “Viemos ao estado para ver onde o banco pode ajudar. Trouxemos ações de apoio à população, empresas e prefeituras. A CAIXA vai oferecer suporte no atendimento, em especial às pessoas das áreas mais carentes afetadas pelas chuvas”, explica.

Dez cidades em estado de calamidade decretada contarão com as medidas de apoio da CAIXA: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Porto Walter, Santa Rosa do Purus, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Sena Madureira e Jordão.

Os clientes das regiões afetadas contarão com isenção de tarifas, pausa em contratos habitacionais e carência para empréstimos. As empresas também terão apoio da CAIXA, o banco oferece crédito com 12 meses de carência, pausa em prestações de produtos de crédito e facilidades para aquisição de máquinas e equipamentos.

Benefícios para Pessoa Física:

  • A CAIXA dará isenção de cesta de serviços por três meses, de forma automática, para clientes moradores das áreas atingidas.
  • O banco disponibiliza ainda outros benefícios que poderão ser solicitados pelos clientes, como dispensa de encargos nas operações de Penhor e carência de até 90 dias para a 1ª parcela em novos contratos de CDC.
  • Para clientes com CDC ativo, estará disponível a recontratação do crédito com carência, desde que o empréstimo esteja em dia.
  • No Crédito Consignado haverá possibilidade de habilitar carência, a depender da negociação do convênio.

Benefícios para Pessoa Jurídica:

  • Isenção de cesta de serviços pelo período de 3 meses para correntistas PJ.
  • Para as empresas, a CAIXA oferece contratação de operação com recursos garantidos pelo Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (FAMPE), com taxas a partir de 1,19% a.m., até 12 meses de prazo de carência e até 36 meses para amortização.
  • Pausa de até 3 meses nos produtos de crédito Pessoa Jurídica.
  • Produto de Investimento para aquisição de máquinas e equipamentos com carência de 06 meses e taxa de 0,99% a.m. (redução de 34%da taxa padrão de 1,54%)

Habitação:

  • Nos contratos habitacionais, a CAIXA possibilita a pausa estendida por até 90 dias no pagamento das parcelas.
  • Renegociação para incorporação das prestações no saldo devedor dos clientes inadimplentes.
  • O banco mobilizou equipes de trabalho social e de atendimento técnico de engenharia para prestar o apoio necessário.
  • As unidades da CAIXA também darão suporte aos clientes para acionamento de seguro habitacional e procedimentos para pagamento de indenizações de forma imediata.

Governo:

  • A CAIXA disponibilizará às prefeituras sua equipe para ações de assistência técnica em apoio aos municípios.
  • As equipes de arquitetos, engenheiros, operacionalização de repasses e financiamentos e trabalho técnico social das gerências executivas de governo atenderão prioritariamente os municípios atingidos.
  • As prefeituras poderão contar com suporte técnico para levantamento dos danos e estimativa de custos para a recuperação de obras em andamento ou edificações atingidas que têm grande impacto para a população dos municípios, como pontes, vias de acesso, abastecimento de água, postos de saúde e escolas, dentre outras ações.

FGTS:

  • Há expectativa de liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) por decreto de calamidade pública, para isso seguem os passos:
  • Município ou Estado decreta situação de emergência ou calamidade pública.
  • Ministério do Desenvolvimento Regional publica portaria de reconhecimento.
  • Defesa civil do Município ou Estado entrega declaração das áreas afetadas e Formulário de informação do Desastre (FIDE) à CAIXA.
  • Depois dessas etapas, a solicitação de saque poderá ser feita pelo trabalhador através do App FGTS e o pagamento ocorrerá em cerca de 2 dias após o pedido.
  • Para o saque, o beneficiário que residir na área atingida deverá possuir saldo na conta vinculada e não ter efetuado saque por motivo calamidade nos últimos 12 meses. O valor do saque é limitado a R$ 6.220,00 por conta.
  • A solicitação de saque também poderá ser feita presencialmente, sendo que as orientações, como locais de atendimento e datas, serão feitas pela CAIXA oportunamente.

Atendimento:

  • A CAIXA vai deslocar para o estado um Caminhão-agência do banco, que trará reforço para o atendimento bancário nas cidades mais afetadas.
  • A CAIXA também fará remanejamento de empregados com base na demanda por atendimento e negócios em cada localidade, conforme a necessidade.
  • Contratação 28 novos empregados para o estado do Acre. (Assessoria Imprensa e Comunicação Institucional da CAIXA)

OMS aprova vacina de Oxford e destrava envio para o Brasil

A OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu nesta segunda (15) em sua lista de uso emergencial (EUL) a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca. A decisão permite que elas sejam distribuídas pela Covax, consórcio internacional que enviará vacinas para mais de cem países no mundo, inclusive o Brasil.

A expectativa é que 1,6 milhão de doses do imunizante cheguem ao Brasil neste trimestre e 6 milhões no segundo trimestre. Dos 10.672.800 de doses alocadas para o país no primeiro semestre, cerca de 3 milhões serão adiadas para o segundo semestre, de acordo com documento publicado no começo do mês. O acordo do Brasil na Covax prevê 42,5 milhões de doses até o fim de 2021.

O departamento responsável pela avaliação e regulação das vacinas aprovou tanto a versão produzida pela AstraZeneca-SKBio na Coreia (que virá para o Brasil) quanto a produzida pelo Instituto Serum, na Índia.

Além de destravar a distribuição pela Covax de 336 milhões de doses da AstraZeneca para 145 países, a inclusão do produto na EUL também beneficia países menos desenvolvidos, que não tem uma agência regulatória estruturada e podem tomar sua decisão com base no parecer da entidade. A Covax deve ainda entregar 1,2 milhão de doses da Pfizer/BioNTech (incluída na EUL em dezembro) neste semestre.

“Países sem acesso a vacinas até o momento finalmente poderão imunizar seus profissionais de saúde e populações em risco”, disse a brasileira Mariângela Simão, subdiretora-geral da OMS para Acesso a Medicamentos. O órgão avaliou dados de qualidade, segurança e eficácia da vacina de Oxford e planos de gestão de risco e adequação das cadeias de refrigeração.

Na semana passada, o órgão consultivo que orienta a OMS (Sage) recomendou o uso do imunizante em todas as faixas etárias a partir dos 18 anos de idade.

folha

Vacina adaptada a variantes pode levar até 9 meses, diz AstraZeneca

Uma vacina mais eficaz contra variantes do SarsCov2 consideradas preocupantes, como a P.1 (encontrada no Brasil), pode levar de 6 a 9 meses para ser produzida, afirmou nesta quinta (11) a AstraZeneca, empresa farmacêutica que desenvolveu com a Universidade de Oxford o imunizante usado hoje no programa do governo federal brasileiro.

A estimativa foi feita durante anúncio de resultados financeiros do laboratório em 2020. A necessidade de um imunizante mais adequado aos mutantes do coronavírus cresceu depois que dados iniciais mostraram proteção menor contra a variante B.1.351 (encontrada na África do Sul), em relação a casos leves e moderados da doença.

Mais pesquisas estão sendo feitas sobre a eficácia contra casos graves de Covid-19 e mortes e contra a variante P.1 —a expectativa é que o imunizante atual ofereça proteção satisfatória contra doença mais severa ou óbitos, afirmou nesta quarta (10) o grupo que aconselha a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A organização, que nesta quinta publicou orientações sobre a vacina de Oxford/AstraZeneca, decidirá na próxima segunda (15) sobre sua inclusão na lista de uso emergencial (UEL), necessária para a distribuição pelo consórcio Covax —que prevê enviá-la para mais de 100 países, entre eles o Brasil.

Usado já em mais de 50 países, o produto é considerado um dos mais promissores para nações mais pobres, porque é mais barato e pode ser armazenado e distribuído mais facilmente que opções mais sofisticads, como as vacinas da Pfizer/BioNTech (já aprovada pela OMS) e da Moderna.

A falta de evidência sobre o efeito do produto sobre as novas variantes levou a África do Sul a suspender a aplicação da vacina até montar um ensaio clínico para observar sua eficácia em 100 mil pessoas, antes de escalar a aplicação. Segundo a OMS, a cautela faz sentido para países que tenham mais de uma vacina disponível, mas o imunizante de Oxford/AstraZeneca deve ser usado sem restrições se for o único disponível, para proteger a população mais vulnerável.

Nesta quinta, a seção europeia da OMS afirmou que a variante B.1.351 já foi encontrada em 19 países do continente e, embora haja pouco indício de transmissão comunitária, sua participação no aparecimento de novos surtos é crescente.

A adaptação da vacina de Oxford/AstraZeneca a variantes do Sars-Cov-2 é mais demorada que a de alternativas como as da Pfizer ou da Moderna, por causa da tecnologia utilizada na produção. O imunizante de Oxford exige que células sejam cultivadas por semanas, alongando o prazo de produção, enquanto as outras duas vacinas usam a tecnologia de mRNA.

O chefe de pesquisa e desenvolvimento da AstraZeneca, Mene Pangalos, afirmou em entrevista após o anúncio de resultados que a diferença de tecnologia implica um atraso de até 6 semanas na obtenção de uma vacina adequada às variantes.

Pangalos também disse esperar que os resultados de estudos mais amplos sobre o efeito da vacina, em realização nos Estados Unidos, fiquem prontos “em algumas semanas”.

A AstraZeneca divulgou um aumento de 9% nas receitas de 2020, para US$ 26,6 bilhões (R$ 143 bi). As vendas da vacina Covid-19 representaram US$ 2 milhões (R$ 10,8 mi), segundo a empresa, e novos medicamentos representaram mais da metade da receita total. O lucro anual antes de impostos foi de US$ 3,9 bilhões (R$ 21 bilhões).

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O repique da pandemia de covid-19 no Brasil sob análise

Depois de períodos de estabilidade e queda no contágio, os dados de casos diários e internações pela covid-19 voltaram a preocupar em cidades do Brasil em novembro. Boletim de quarta-feira (18) do consórcio de veículos de imprensa mostra tendência de alta na média móvel de mortes e casos no país na semana atual em relação aos 15 dias anteriores. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, houve salto na ocupação de hospitais por pessoas infectadas.

5.945.849

é o número de infectados pela covid-19 em todo o Brasil até quarta-feira (18), segundo o Ministério da Saúde

167.455

é o número de mortos em decorrência da doença no país até a mesma data

O otimismo com o cenário de estabilidade e com a divulgação dos resultados positivos de testes de vacinas levaram a população a relaxar o isolamento e outras medidas de prevenção, como uso correto de máscaras, o que é apontado por especialistas como a principal causa do crescimento de internações pela doença.

Informações desencontradas e recomendações sem comprovação científica, como a publicada pelo Ministério da Saúde na tarde de quarta-feira (18), que encoraja a população que não é parte do grupo de risco a seguir a vida normalmente, dificultam o combate ao vírus.

Na terça-feira (17), puxado por regiões que vivem uma segunda onda da covid-19 como Estados Unidos e Europa, o mundo bateu recorde diário de mortes pela doença, com 11.099 óbitos registrados em 24 horas. No total, já são mais de 1,3 milhão de vítimas.

Diante do aumento nos dados da doença no Brasil, o Jornal Nexo conversou com dois especialistas sobre a evolução da pandemia no país e as recomendações mais adequadas para o momento atual. São eles:

Carolina Coutinho é epidemiologista e pesquisadora na Eaesp-FGV
Plinio Trabasso é médico infectologista, professor associado da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e coordenador de Assistência do Hospital de Clínicas da Unicamp


Os números da pandemia no Brasil estão em alta? Por quê?


CAROLINA COUTINHO Levando em consideração que essa é uma doença transmissível de pessoa a pessoa, o ideal é que a gente olhe o país como um todo para fazer uma análise geral, mas para entendermos a dinâmica da epidemia, temos que olhar para recortes menores. Assim, vemos que há municípios com estabilidade e outros municípios que começaram a apresentar tendência de alta.

Estamos desde março, há oito meses, em quarentena. As medidas de relaxamento foram sendo implementadas com mais intensidade nas últimas semanas. Isso significou liberar restaurantes, bares: locais onde as pessoas se aglomeram. Pessoas que vinham desde o início da pandemia mantendo o isolamento agora começaram a circular um pouco mais na cidade, especialmente a classe média que trabalha remotamente e que não precisaria sair e as classes altas, que têm o privilégio de manter um isolamento mais adequado. Nas últimas semanas, eles voltaram a circular pela cidade, para frequentar esses espaços que foram liberados, e começaram a encontrar outras pessoas e essas pessoas que antes estavam protegidas da contaminação, estão circulando, se expondo e estão se infectando.

Houve também a reabertura das escolas em alguns municípios, o aumento do volume de pessoas que frequentam o transporte coletivo, os bares e os restaurantes. Uma outra questão é em relação às medidas de prevenção que não estão sendo idealmente cumpridas.

PLINIO TRABASSO Alguns especialistas falam em segunda onda, outros dizem que a primeira não acabou ainda, então é apenas uma continuidade do que já vinha acontecendo. De qualquer forma, trata-se de uma consequência da liberalização do confinamento associada à não observância por boa parte da população das medidas de distanciamento social e, principalmente, uso de medidas protetivas, como a máscara facial e a higienização das mãos.

Há muitos relatos de festas e outros encontros familiares, então, nessas circunstâncias, é comum as pessoas deixarem de lado ou serem menos rigorosas com as medidas protetivas. Abraçam-se, ficam perto umas das outras, enfim, são atitudes que facilitam a transmissão do vírus.

Em quais regiões a aceleração da covid-19 inspira mais preocupação?


CAROLINA COUTINHO Na semana passada, houve um problema muito grave com o site oficial do Ministério da Saúde. Um ataque hacker deixou o site fora do ar por um tempo, então as notificações não puderam ser feitas. Acreditamos que esses dados que temos agora após a restauração do sistema podem estar vindo com algum atraso. Até normalizar essas notificações, pode ter acontecido algum represamento de dados, que é o que vamos ver nas próximas semanas.

Mas o InfoGripe divulgou um novo boletim na terça-feira (17) e avaliou as capitais do Brasil em relação aos números de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Vemos algumas capitais apresentarem tendência de alta no longo prazo. São elas: Belo Horizonte, Florianópolis, João Pessoa, Natal, Rio Branco, São Luís e Vitória, além da região central do Distrito Federal. Goiânia e Palmas apresentaram tendência de alta também no curto prazo. São Paulo teve tendência de alta nas semanas anteriores, mas acreditamos que os dados tenham sido muito afetados por essa interrupção do sistema.

Nesse último boletim, a cidade apresentou tendência de estabilidade, mas, como já vinha apresentando tendência de alta antes, vamos verificar nos próximos boletins se isso é uma oscilação inclusive em função desse represamento de dados. Porto Alegre chama atenção por uma possível interrupção na tendência de queda, que foi um pouco o mesmo que aconteceu com São Paulo. Em Manaus, tivemos alta em agosto, mas aparentemente agora há um sinal moderado de queda. Belém, Fortaleza, Maceió e Macapá, que estavam com sinal de alta nos boletins anteriores, agora estão apresentando sinal de estabilização.

É importante pensar que estabilização não é queda, não é uma coisa boa, porque se está em um patamar alto, estabilizar no alto é ruim. O Rio de Janeiro, que vinha numa linha de queda nas semanas anteriores, voltou a estabilizar.

PLINIO TRABASSO Sempre nas mais vulneráveis tanto do ponto de vista socioeconômico quanto de acesso aos aparelhos públicos de saúde (UBSs, Centros de Saúde, hospitais). Nessas regiões, com moradias pequenas e com muitas pessoas convivendo no mesmo espaço, é muito difícil manter distanciamento social.

Além disso, normalmente nessas áreas, moram os trabalhadores que não param, não têm oportunidade de trabalho remoto… São os entregadores de delivery de comida, os empregados de comércio varejista, empregados domésticos.

Os governos devem adotar quarentenas mais rígidas?


CAROLINA COUTINHO Cada município precisa olhar melhor para sua rede de saúde para ver como essa pequena tendência de alta demanda leitos, para conseguir estruturar melhor e pensar quais as medidas para cada um dos locais. Num local muito pequeno que estabilizou em um nível alto, se a gente tem agora uma pequena alta, já é capaz de colapsar o sistema de saúde e de não ter mais leitos para internar as pessoas quando for necessário.

Precisamos sempre pensar que, com o aumento das pessoas circulando nas ruas, além da covid-19 a gente também tem a chance de outros problemas que vão demandar leitos de UTI. Se na quarentena a gente diminuiu muito a circulação de pessoas e de carros na rua, agora estamos aumentando. Se tivemos redução de acidentes de trânsito, agora a gente vai começar a observar acidentes de trânsito novamente.

É ideal que cada município tenha um comitê de crise formado por especialistas que tenham capacidade de analisar esses dados localmente para pensar quais as melhores medidas que devem ser tomadas. Talvez em alguns locais seja de fato ideal regredir um pouco no relaxamento da quarentena para diminuir a circulação de pessoas nas ruas. Ou aumentar a campanha de comunicação de risco. Essas campanhas ensinam as pessoas a agir e a se portar em cada uma das situações que elas possam enfrentar durante a pandemia. Por exemplo, ir ao trabalho. Eu preciso ir trabalhar, o que devo fazer pra me proteger no caminho ao trabalho?

PLINIO TRABASSO Os dados ainda não apontam para isso, mas é possível que sim, em breve.

Quais cuidados e ações as pessoas devem tomar neste momento?


CAROLINA COUTINHO É responsabilidade dos gestores e dos governos municipal, estadual e federal reforçar a comunicação de risco com a população, informar à população quais são as medidas de prevenção específicas para cada uma das situações nas quais o indivíduo tenha que se expor. Precisamos reforçar as medidas que todo mundo já sabe, que é lavar as mãos, usar a máscara adequadamente, quais as máscaras que são adequadas (como a moda da máscara de tricô, que ficou famosa inclusive entre atores globais: é uma máscara bonitinha, mas que não protege absolutamente nada), a frequência com que devemos trocar a máscara. Nesse momento da pandemia, ela não é só um equipamento de proteção individual, mas um equipamento de proteção coletiva, porque quando a gente usa a máscara, a gente se protege e protege também os outros.

Com as comemorações de fim de ano precisamos retomar as campanhas de conscientização para que as pessoas não frequentem e não promovam festas com muitas pessoas, em local fechado. Como você tem que fazer? Você vai comemorar com a sua família, qual a forma mais adequada de fazer isso? Em um lugar aberto, com poucas pessoas, com espaçamento, todos de máscara, disponibilidade de álcool gel, lugar para as pessoas lavarem as mãos frequentemente, inclusive até indicações de menu, não fazer o famoso bufê.

Observar se as medidas de proteção estão sendo cumpridas em seu ambiente de trabalho, no supermercado, reforçar a necessidade dessas medidas a amigos e colegas. E também o essencial, que é ter a responsabilidade social para entender o seu papel. Se apresentar sintomas leves, se isole.

PLINIO TRABASSO Não deixar de lado e ser muito rigoroso na adoção das medidas de interrupção da cadeia de transmissão: higiene das mãos com álcool gel ou água e sabão, etiqueta respiratória, não promover ou participar de aglomerações, manter distanciamento social, utilização correta da máscara (sobre o nariz e a boca). É facilmente possível encontrar pessoas com a máscara sem cobrir o nariz, por exemplo.

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Se leilão do 5G atrasar mais, Brasil vai ficar em situação complicada, diz presidente da Ericsson

Eduardo Ricotta, presidente da fabricante de equipamentos de telecomunicações Ericsson no Brasil, considera preocupante um atraso do leilão do 5G no ano que vem. Se ficar para 2022, a situação do país em inovação se complica, afirma ele.

O executivo da multinacional sueca evita falar da pressão política contra a participação da Huawei no Brasil. Segundo Ricotta, o país precisa de um plano do 5G que inclua questões tributárias e confiança tecnológica, além da proteção de dados.

Apesar da decisão anunciada pela Suécia na terça (20) de banir os chineses Huawei e ZTE das redes do país, o executivo diz é preciso focar os negócios porque o mercado continua competitivo.

Retrato de Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson
Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson – Divulgação

Como o sr. vê a pressão para deixar a Huawei fora do 5G no Brasil? Eu posso falar da Ericsson, não dos concorrentes. Para ter o 5G no Brasil, primeiro, temos de concluir a questão das regras do leilão. Isso é fundamental para sabermos como vai funcionar cobertura, obrigações, etc.

Temos que saber se vai ser arrecadatório ou de infraestrutura. O leilão com viés de infraestrutura ajuda a população porque possibilita uma cobertura melhor. Precisamos de um plano do 5G no Brasil, com aspectos como a inovação, a disponibilidade de espectro, a cadeia de impostos. Hoje, em telecom, a carga tributária é comparável a tabaco, bebida e joia.

Temos de ter confiança tecnológica, porque são redes críticas. Isso pode parar um sistema de transporte e energia. Tem de ter confiança que não vai ter ciberataque e que vai ter proteção de dados. No 4G, uma gama de serviços foi criada. Acredito que no 5G vai ter inovação com diversos setores da economia. São esses os pontos que temos que olhar.

Mas o viés arrecadatório ganhou importância neste momento? Não, porque no leilão de infraestrutura, o governo consegue arrecadar mais do que no arrecadatório. Temos de olhar a cadeia inteira de impostos. Nós olhamos quanto a frequência vai trazer para o governo.

Em vez de olharmos isso, vamos perceber que, se colocamos o 5G no país, vem um número maior de pessoas falando nessa rede. Tem novos produtos e serviços que geram uma arrecadação maior do que a do leilão.

Estamos falando de coisa de R$ 20 bilhões a mais de arrecadação para o governo em cinco anos. Em vez de olhar só o custo da frequência, temos de ver todo o ecossistema.

E esse leilão sai quando? Vocês ficam frustrados? Eu acho que vai sair no meio do ano que vem, que é o que está programado. A preocupação é ficarmos para trás em inovação. No ranking dos dez maiores países em inovação, tem uma correlação com a tecnologia. Nesses países, a Ericsson tem 17 redes 5G já funcionando.

Acho que ainda dá tempo. Não está nada perdido. Está começando o 5G no mundo, mas não pode passar do ano que vem. Se passar para 2022, aí sim a gente fica em uma situação mais complicada.

Em 2019, vocês anunciaram aporte de R$ 1 bilhão em São José dos Campos. Já está produzindo? Está quase. Não mudamos os planos. Continuamos com o investimento de R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos para pesquisa e desenvolvimento e fabricação de 5G no Brasil. A fábrica está praticamente pronta. A princípio, provavelmente, eu vou produzir o 5G aqui para exportar e depois para o mercado local.

A pandemia não atrasou? Atrasou pouco. Tivemos muito problema de componente, de testes. Atrasou importação. Mas a gente quer, até o fim do ano, terminar toda a instalação da linha e começar a produção no inicio do ano que vem.

Nem foi por causa da pandemia. Se a gente quisesse antecipar, até conseguiria. Mas vamos olhando o leilão também e vai fazendo um sincronismo nas datas. Está de acordo com o planejado. A gente sempre deixa seis meses, mais ou menos, de janela. É difícil ter uma precisão.

A Ericsson produz para a China? Não. Nós instalamos equipamentos na China. A Ericsson tem uma participação de mercado importante. Nós somos uma das empresas que detêm a tecnologia 5G e também vendemos para a China.

A Ericsson é uma empresa sueca, que trabalha com a China. Mas a Suécia decidiu banir as chinesas Huawei e ZTE no país. Como vocês receberam isso? Não entramos na questão geopolítica. Está fora da nossa esfera. O que a gente quer é continuar trabalhando e prover a tecnologia com foco nos nossos clientes.
Sempre tivemos um mercado muito competitivo. Vai continuar, independentemente de onde estivermos brigando, inclusive nos Estados Unidos, que são um mercado bem competitivo. Queremos ficar fora dessa discussão geopolítica. Tem muita tensão hoje no mundo inteiro e nós temos que focar os negócios.

Como foi a pressão da demanda no começo da pandemia e como está agora? E o home office? A internet explodiu no Brasil. Tivemos um incremento no tráfego por volta de 30% durante a pandemia. A infraestrutura de telecomunicações nunca foi tão crítica. O tempo de tela aumentou.

Telecom subiu nas prioridades das famílias. Sobre o home office, em dois dias, nós colocamos 82% da empresa em casa em cinco países. Só que a volta é bem mais complexa porque cada país tem uma regra.

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Brasil chega a 150 mil mortos sem saber real dimensão da Covid-19

O número de mortos deixados pela Covid-19 no Brasil superou, neste sábado (10), 150 mil pessoas.

Passados sete meses e meio desde o primeiro caso no país, contudo, a dimensão real da doença entre os brasileiros continua a ser uma incógnita.

Mesmo os primeiros pesquisadores que tentaram estimar o número total de pessoas infectadas, isto é, que tentaram descobrir a soroprevalência, a porcentagem de pessoas contaminadas, com ou ou sem sintomas, foram driblados pelo novo coronavírus.

A quantidade de anticorpos de quem foi infectado começa a diminuir depois de algumas semanas. Decai a ponto de testes em geral usados nessas pesquisas não captarem mais esses sinais de infecção. Depois de um tempo, uma pessoa um dia contaminada pode parecer que jamais foi invadida pelo novo coronavírus. Por esse motivo, provavelmente, essas primeiras grandes pesquisas indicaram estabilidade relativa ou queda da taxa de infecção desde junho: subestimaram o tamanho da epidemia.

O Brasil conta hoje mais de 150 mil mortes confirmadas, número que pode ser ainda maior. Mas sabe ainda menos sobre quantas pessoas foram infectadas. O número de casos confirmados oficialmente passa de 5 milhões.

Conhecer o tamanho da infecção pode ajudar a definir políticas de saúde, até de vacinação. Pode indicar em que altura uma certa porcentagem de infectados por si só leva à redução do número de novos casos, a chamada imunidade coletiva. A correção dessas pesquisas pode ser necessária para se descobrir se a infecção deixa as pessoas imunes ao vírus, por quanto tempo e com qual nível de resistência à doença. Mesmo sem anticorpos detectáveis, pode haver imunidade, mas, anticorpos não são garantia de proteção.

Novos estudos tentam corrigir a subestimativa. Nos testes feitos pela Prefeitura de São Paulo com amostras da população paulistana, a porcentagem de infectados variou entre 9,8% e 13,9% de julho a agosto. Essa variação pequena não é compatível com o número de doentes e de mortos. Trabalho de pesquisadores brasileiros publicado em setembro indica que a cidade de São Paulo poderia ter mais de 22% de infectados em agosto —o número de total de contaminados, portanto, seria 10 vezes o que aparece na conta oficial dos casos confirmados. Em Manaus, seriam até 66% os infectados, ante os 27,5% dos resultados “sem correção”.

Os inquéritos sorológicos, como o da prefeitura paulistana e o Epicovid, nacional, tentam obter o número geral de infectados na população a partir do exame de uma amostra, de uma parte desse mesmo conjunto de pessoas. Os sorteados são examinados com os chamados testes rápidos, que detectam se há anticorpos em sangue coletado por uma picada no dedo.

Esses testes são mais baratos e de aplicação simples, sem o que seria inviável fazer exames em dezenas de milhares de pessoas. Antes de serem usados, sua sensibilidade, a capacidade de detectar a infecção, é comparada à de testes mais precisos. No entanto, esses exames são calibrados com pacientes mais graves da doença. Ou seja, aparentemente, os testes acabam sendo mais sensíveis para infecções em que houve maior reação de defesa do organismo e, portanto, mais produção de anticorpos.

No caso de assintomáticos ou de doença menos agressiva, haveria produção menor de anticorpos e decaimento mais rápido, indicam estudos, imunologistas e epidemiologistas.

“O total de anticorpos sempre diminui. No caso do novo coronavírus, isso parece ser mais rápido do que no caso do Sars ou do Mers”, diz o imunologista Gabriel Victora, professor e chefe do Laboratório de Dinâmica de Linfócitos da Universidade Rockefeller, nos EUA. No caso de Sars e Mers, dois coronavírus muito letais mas que se espalharam pouco, no começo do século, os anticorpos duram de um ano a três anos. Nos coronavírus que causam resfriados comuns, menos de um ano e até três meses.

No entanto, as células de defesa têm uma memória do corona ou outro invasor, produzindo mais anticorpos em caso de nova infecção —de resto, a reação imunológica depende de uma reação coordenada, complexa de vários tipos de células de defesa. Resta saber qual o nível de proteção que esse sistema de defesa oferece contra um novo ataque viral. Por outro lado, as reinfecções com o mesmo tipo de vírus poderiam causar doença mais amena, ainda que as ondas de contaminação sejam recorrentes, como nos surtos de resfriado, diz Victora.

Uma nova infecção pode ocorrer também porque o vírus passa por mutações, porque a imunidade contra um tipo de corona não basta para proteger contra um outro similar ou porque a defesa dos uma vez infectados se desfaz aos poucos. Não se sabe bem, mesmo no caso dos velhos coronavírus. Menos ainda do novo.

Nos estudos epidemiológicos, a tentativa ainda é de dar uma dimensão para o espalhamento do coronavírus. No estudo de Manaus e São Paulo, em vez de visitar e testar a população, os pesquisadores utilizaram amostras de doações de sangue estocadas de fevereiro até agosto em hemocentros. É menos custoso e permite fazer testes melhores, diz a imunologista Ester Sabino, uma das autoras do trabalho, professora de medicina da USP e integrante do grupo que sequenciou o genoma do coronavírus “brasileiro”.

Nessas amostras, o nível de anticorpos de doadores infectados faz mais tempo também pode diminuir. O grupo de Ester então acompanhou pessoas infectadas por Covid a fim de medir esse ritmo
de diminuição e corrigir os resultados.

Com ajustes estatísticos para a demografia, para a sensibilidade do teste e essa correção, chegaram a uma estimativa de infecção real em Manaus: de 44% a 66% em agosto, passando de 60% no início de junho. Como o número de novos casos passou a diminuir desde então na cidade, supõe-se que estaria aí o limiar da imunidade coletiva.

Desde que a pandemia começou, há controvérsia sobre imunidade coletiva. De início, com modelos matemáticos simples e premissas intestadas, seria de 60%, calculava-se. Levando em conta a heterogeneidade dos contatos sociais e o fato de que poucas pessoas infectadas são mais contaminantes do que a maioria, o limiar da imunidade coletiva poderia ser de 20% a 40%. Os números de Manaus e a dificuldade de estimar o tamanho real da epidemia colocam em dúvida todas essas contas, porém.

Pelo menos outros dois estudos brasileiros tentam descobrir por quanto tempo um infectado pode ser pego na rede dos testes em massa. Um deles, no Rio de Janeiro, da Fiocruz, colhe seguidas amostras de sangue e de material de garganta e nariz (com “swabs”, aqueles cotonetes grandes) e acompanha infectados. É o que conta o epidemiologista Claudio Struchiner, professor de matemática aplicada na Fundação Getúlio Vargas, que trabalhou com os pesquisadores que fizeram o estudo nacional, o Epicovid, um dos primeiros do mundo, iniciado por pessoal da Universidade Federal de Pelotas.

“Notamos a queda em junho, especialmente na região Norte. Uma hipótese é que o teste utilizado começa a perder sensibilidade em duas ou três semanas, esses testes que foram concebidos quando não se conheciam bem as dinâmicas do vírus. Agora vamos tentar descobrir o que de fato medem”, diz Struchiner. Trabalho similar é realizado em Pelotas (RS), conta Pedro Hallal, epidemiologista e reitor da Ufpel, que coordena a Epicovid.

Foi também em junho que começaram a aparecer os primeiros estudos a medir o nível e a velocidade de decaimento da quantidade de anticorpos. Mas esses trabalhos na China, no Reino Unido e nos EUA obtiveram números diversos para o ritmo de redução de anticorpos. Não se sabe, de resto, se esse ritmo será constante e se segue indefinidamente. Para complicar, amplo estudo na Islândia constatou que lá o nível de anticorpos cai apenas um pouco, mas permanece estável por pelo menos quatro meses.

Um dos pesquisadores da Epicovid, Aluísio Barros, epidemiologista da Ufpel, aponta outras dificuldades. O nível de anticorpos detectável depende da severidade da infecção, além de outras características dos indivíduos. Como não se sabe como está distribuída a severidade da doença entre os infectados, também seria difícil estimar a quantidade e o ritmo geral do decaimento do nível de anticorpos e, assim, um número mais preciso de taxa de infecção.

No estudo do grupo de Ester Sabino, pede-se cautela na extrapolação dos resultados. A amostra dos doadores de sangue não é representativa da população em geral (contém apenas assintomáticos e pessoas entre 16 e 69 anos, por exemplo), embora tenha sido corrigida pelas características gerais dos habitantes de Manaus e São Paulo. Além do mais, os dados brutos (sem correção qualquer) da prevalência da infecção entre doadores de São Paulo e os da amostra da prefeitura paulistana, na população em geral, são muito similares, o que reforçaria os achados da pesquisa.

Barros, da Ufpel, acha que podemos estar no escuro ainda por outros motivos. Os casos de suspeita de reinfecção pelo novo coronavírus ainda são duas dúzias no mundo inteiro. Não se sabe se isso é boa notícia ou sinal de relativa ignorância. Uma pessoa pode ter tido infecção assintomática, raramente detectada, e uma reinfecção com sintomas leves ou vice-versa, observa Barros.

Outro problema de estudos com doadores de sangue é que poucas cidades dispõem de hemocentros com infraestrutura capaz de permitir estocagem e boa pesquisa, diz Ester. Além do trabalho já publicado sobre Manaus e São Paulo, seu grupo estuda Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador.

Entre as tantas controvérsias está a capacidade de diferentes pesquisas captarem o número de infectados mesmo em um determinado momento. Em fins de junho, os testes da Epicovid indicavam prevalência de 1,2% na cidade de São Paulo; no inquérito da prefeitura, a taxa de infecção era de quase 10% no início de julho.

Todas essas dificuldades colocam em dúvida a ideia de “passaportes de imunidade” (quem teve o vírus pode circular livremente) ou estimativas de imunidade coletiva. Tornam mais difícil separar qual o efeito da taxa de (possível) imunidade da influência do comportamento (distanciamento, máscaras) na diminuição do ritmo da epidemia. Se a imunidade coletiva de fato está próxima ou foi atingida, é possível relaxar medidas de distanciamento. Mas ainda não sabemos.

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Amazon aposta no Brasil para estrear dia de descontos na América do Sul

Amazon aposta no Brasil para lançar sua principal data de descontos, o chamado Prime Day, na América do Sul. Já comum no comércio americano, o evento só acontecia no México entre os países da América Latina até agora.

Marcado para os dias 13 e 14 de outubro, o programa oferece descontos em mais de 15 mil produtos de diversas categorias e de parceiros que vendem no marketplace da gigante do comércio eletrônico. Os descontos dependem de anunciantes, mas grande parte deve girar em torno de 30%.

A Amazon faz o evento de promoções cerca de um mês antes da Black Friday, uma das principais datas do ano para o comércio no Brasil. Comum em julho, a data de ofertas foi adiada devido à pandemia, e acontece simultaneamente em 19 países, sendo Brasil e Turquia os estreantes.

Logo da varejista americana; empresa lança no Brasil sua principal data de descontos
Logo da varejista americana; empresa lança no Brasil sua principal data de descontos – Brendan McDermid/Reuters

Clientes Prime, que assinam um plano que fornece frete e acesso a alguns livros e ao catálogo de filmes e séries do streaming da empresa, dispõem de preços mais baixos para os dispositivos eletrônicos da Amazon (como tablets ou auxiliares domésticos com o sistema inteligente Alexa).

Parceiros que ofertam seus produtos na plataforma de ecommerce também colocarão produtos à venda com descontos. A empresa abriga várias categoria em seu espaço online —informática, brinquedos, casa, bebidas, vestuário e acessórios, pet, beleza, música e livros.

Desde que abriu o primeiro grande centro de distribuição no Brasil, em janeiro de 2019, a companhia americana colocou o país na rota de sucessivos investimentos, com anúncio de planos de assinatura e outros quatros centros de estoques e distribuição.

A empresa diz que nos últimos meses de pandemia contratou centenas de funcionários. Desde o primeiro centro, em Cajamar, foram abertos outros quatro.

No escritório central, em São Paulo, há mais de cem vagas. Cerca de 150 entraram na empresa nos últimos meses. Também há vagas nos centros de distribuição, que somam centenas, segundo a empresa.

A companhia de Jeff Bezos, homem mais rico do mundo, que chegou a uma riqueza US$ 200 bilhões durante a crise de Covid-19, não abre números específicos sobre cada país. O Brasil, no entanto, teve a maior adesão ao plano de assinatura na consideração dos primeiros 12 meses após o lançamento.

De acordo com Alex Szapiro, presidente no Brasil, o gráfico de adoção no país é uma reta para cima. “Temos plano de entregas cada vez mais rápidas no país. Quando lançamos o Prime [plano de assintura de R$ 9,90] há um ano, entregávamos a cem cidades em dois dias; hoje, são 400″, afirma Szapiro.

A empresa não costuma falar de macroeconomia, então não diz se o auxílio emergencial trouxe mais assinaturas do serviço de frete grátis, só afirma que esses clientes estão em 95% dos municípios do Brasil. No mundo, são mais de 150 milhões de assinantes.

A pandemia forçou algumas adequações na oferta de produtos, como a prioridade a itens básicos, para dar conta da demanda gerada pelos consumidores que ficaram em casa desde março. Diferentemente de empresas que protelam investimentos, a Amazon, na condição de uma das companhias mais valiosas do mundo, os adiantou.

“A pandemia não alterou planos. O que estamos fazendo é antecipar. Investimentos que faríamos no ano um, dois ou três, estamos fazendo mais cedo. Temos meta de cumprir mais de 98% da promessa de entrega”, afirma o presidente.

Durante a pandemia, a Amazon registrou o maior lucro líquido trimestral de sua história, com US$ 5,2 bilhões (R$ 26,83 bilhões) no segundo trimestre, o dobro em relação ao mesmo período de 2019.

A gigante do ecommerce teve um salto de 40% nas vendas, com receita líquida de US$ 89 bilhões (R$ 459,2 bilhões) entre abril e junho, período marcado pelo isolamento social em decorrência da pandemia de Covid-19.

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Brasil pede mais tempo para decidir se entra em aliança internacional por vacina

O governo federal informou nesta quinta-feira (17) ter pedido mais prazo para decidir se o Brasil fará parte da Covax Facility, uma iniciativa global para facilitar o acesso de países a vacinas contra Covid-19.

O prazo divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para que países informem se vão aderir à iniciativa termina nesta sexta-feira (18).

A Covax é uma espécie de aliança e consórcio entre países que visa garantir investimentos para pesquisa, produção e oferta equitativa de vacinas contra a Covid-19. Atualmente, a estratégia acompanha nove estudos clínicos de possíveis imunizantes.

O compromisso prevê que, caso alguma delas tenha eficácia, haja o fornecimento de doses para pelo menos 20% da população de cada país vinculado à aliança.

A medida também tem apoio de recursos de instituições e doadores internacionais, o que visa ajudar países de menor renda, segundo a OMS.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do governo diz que “estuda criteriosamente” a participação do Brasil na Covax Facility e que, “assim como outros países, segue em tratativas junto à Aliança Global de Vacinação para a extensão do prazo” para a adesão.

“Tal medida se faz necessária para obter mais informações sobre as condições para a aprovação regulatória, instrumento jurídico aplicável, vacinas em desenvolvimento, suas características de armazenamento e transporte logístico”, aponta. “Essas definições são especialmente importantes em um país como o Brasil, de dimensões continentais.”

A Secom, no entanto, não informou quais os pontos em análise. O jornal apurou que um desses fatores seria o possível custo da adesão, pelo fato do Brasil ser um dos países mais populosos —e a iniciativa prever a oferta de vacina para até 20%.

Além disso, caso haja adesão, a ideia que os países façam investimentos iniciais até 9 de outubro. Isso ocorre porque a estratégia prevê a possibilidade de que fabricantes façam investimentos precoces na capacidade de produção, aumentando a chance de uma oferta mais rápida da vacina caso haja eficácia.

Na última semana, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já havia dito que o Brasil ainda estudava aderir ao programa. “Caso optemos pela adesão, o Brasil poderá ser o maior contribuinte”, disse o ministro.

Atualmente, o Ministério da Saúde já possui um acordo que prevê a compra de 100 milhões de doses de uma vacina em desenvolvimento pela Universidade de Oxford com a AstraZeneca —uma das nove vacinas cujo estudo clínico é acompanhado pela Covax.

Ainda não está claro se a medida poderia trazer uma interferência no acordo. A avaliação inicial de membros que acompanham o processo ouvidos pelo jornal é que a adesão seria complementar, já que a iniciativa da Covax envolve também outras oito opções de vacinas, mas que a medida ainda precisa ser avaliada.

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Brasil ultrapassa 134 mil mortos pela Covid-19 e 4,4 milhões de casos

O Brasil registrou 967 mortes pela Covid-19 e 37.387 novos casos da doença, nesta quarta (16). O país, assim, chega aos 134.174 óbitos pelo novo coronavírus e a 4.421.686 pessoas infectadas desde o início da pandemia.

O número de mortes por 100 mil habitantes do Brasil (64,1) já ultrapassou a do Reino Unido (62,9) e, em breve, devido aos diferentes momentos da pandemia nos países, passará a taxa da Espanha (64,6). O Brasil, dessa forma, tem uma das maiores taxas de morte por 100 mil habitantes no mundo.

Além dos dados diários do consórcio, o jornal também mostra a chamada média móvel. O recurso estatístico busca dar uma visão melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão. A média móvel é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

De acordo com os dados coletados até as 20h, a média de mortes nos últimos sete dias é de 789, o que representa uma nova mudança. O país saiu de uma situação de queda (o que estava ocorrendo nos últimos dias) da média e voltou para o patamar de estabilidade dos dados de mortes (o que não significa uma situação tranquila).

A média ainda está em patamares elevados.

Os dados são fruto de colaboração inédita entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais. O balanço é fechado diariamente às 20h.

Pará é o único estado que apresenta, no momento, crescimento da média móvel de mortes.

Acre, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe e Tocantins apresentam média móvel de mortes dos últimos sete dias estável. Os demais estados têm redução da média móvel.

O Brasil tem uma taxa de cerca de 64,1 mortos por 100 mil habitantes. Os Estados Unidos, que têm o maior número absoluto de mortos, e o Reino Unido, ambos à frente do Brasil na pandemia (ou seja, começaram a sofrer com o problema antes), têm 60,2 e 62,9 mortos para cada 100 mil habitantes, respectivamente.

Recentemente, o Brasil ultrapassou a taxa da Itália de mortes por 100 mil habitantes (59).

O México, que ultrapassou o Reino Unido em número de mortos, tem 56,8 mortes para cada 100 mil habitantes.

A Índia agora é o terceiro país, atrás apenas de EUA e Brasil, com maior número de mortes pela Covid-19, com 82.066 óbitos.

Na Argentina, onde a pandemia desembarcou nove dias mais tarde que no Brasil e que seguiu uma quarentena muito mais rígida, o índice é de 26,8 mortes por 100 mil habitantes.

O Brasil registrou 987 novas mortes em decorrência do novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (16). O total desde o início da pandemia passou para 134.106.

Os números da pasta também apontam que 36.820 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus no período. O total de casos confirmados da Covid 19 chega agora a 4.419.083.

Desde o início da pandemia, um total de 3.720.312 pessoas se curaram da doença

A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorre em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, o governo divulgou dados conflitantes.

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Brasil chega a 130 mil mortes pela Covid-19

O Brasil chegou a 130.474 mortes pela Covid-19 com o registro de 899 novos óbitos, nesta sexta (11). O país também registrou 44.215 casos do novo coronavírus e atingiu os 4.283.978 infectados desde o início da pandemia.

O Piauí não informou os dados referentes ao Sars-CoV-2 no estado.

Além dos dados diários do consórcio, a jornal também mostra a chamada média móvel. O recurso estatístico busca dar uma visão melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão. A média móvel é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

De acordo com os dados coletados até as 20h, a média de mortes nos últimos sete dias é de 699, o que mantém uma posição de estabilidade nos dados, embora com números elevados.

Os dados são fruto de colaboração inédita entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais. O balanço é fechado diariamente às 20h.

Acre e Ceará apresentam aumento da média móvel de mortes.

Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima apresentam dados estáveis. O resto dos estados apresenta queda na média móvel de mortes.

O Brasil tem uma taxa de cerca de 62,3 mortos por 100 mil habitantes. Os Estados Unidos, que têm o maior número absoluto de mortos, e o Reino Unido, ambos à frente do Brasil na pandemia (ou seja, começaram a sofrer com o problema antes), têm 59 e 62,7 mortos para cada 100 mil habitantes, respectivamente.

Na semana passada, o Brasil ultrapassou a taxa da Itália de mortes por 100 mil habitantes (58,9).

O México, que ultrapassou o Reino Unido em número de mortos, tem 55,2 mortes para cada 100 mil habitantes.

A Índia agora é o terceiro país, atrás apenas de EUA e Brasil, com maior número de mortes pela Covid-19, com 76.271 óbitos.

Na Argentina, onde a pandemia desembarcou nove dias mais tarde que no Brasil e que seguiu uma quarentena muito mais rígida, o índice é de 24,7 mortes por 100 mil habitantes.

O boletim do Ministério da Saúde com balanço do novo coronavírus divulgado nesta quinta-feira (10) mostra que o Brasil registrou 983 mortes nas últimas 24 horas, além de 40.557 novos casos confirmados da doença.

Contabilizando os novos números, o país passou a registrar um total de 129.522 mortos desde o início da pandemia e 4.238.446 pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorre em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, o governo divulgou dados conflitantes.​

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Brasil é dos países com mais tempo sem aula; escolas fechadas podem afetar economia mundial

Mesmo sem haver um retorno generalizado de aulas no Brasil, o tempo de fechamento de escolas por causa da pandemia de coronavírus já é maior por aqui do que na média dos países ricos. A suspensão das atividades escolares terá impacto na economia global, indica relatório da OCDE (Organização para a Organização e Desenvolvimento Econômico).

A organização divulgou nesta terça-feira (8) a edição de 2020 do relatório Education at a Glance (educação num relance). Neste ano, o estudo contempla um capítulo especial sobre os desdobramentos da pandemia.

O documento relaciona a interrupção das aulas com o acúmulo de perda de habilidades e o reflexo na produtividade. Os efeitos econômicos do gap educacional serão sentidos ao longo de décadas, segundo a OCDE.

“Como a perda do aprendizado reflete em perdas de habilidades, isso reflete na produtividade. O impacto relativo sobre o PIB pode ser de 1,5% em média até o final do século”, diz o texto, ancorado em regressões históricas de crescimento para estimar o impacto de longo prazo de uma perda aproximada de 1/3 de ano de estudos para os estudantes.

A expectativa é que a economia global encolha ao menos 6% em 2020. A economia brasileira registrou retração de 9,7% no segundo trimestre de 2020 e as projeções de mercado para o ano são de queda de 5,28%.

A OCDE pontua que a reabertura de escolas e universidades trará “benefícios inquestionáveis aos estudantes, à economia e às famílias”, mas pondera que esses benefícios “precisam ser cuidadosamente ponderados com os riscos à saúde” e à necessidade de contenção da pandemia.

A organização ressalta a necessidade de coordenação entre autoridades educacionais e de saúde nos diferentes níveis governamentais.

No Brasil, o MEC (Ministério da Educação) tem sido ausente na articulação nacional sobre manutenção de atividades educacionais neste período. Também tem participação tímida na determinação de protocolos para o retorno às aulas presenciais.

Os jovens menos qualificados serão os mais afetados, o que deve aumentar ainda mais a desigualdade dentro de um país e entre os diferentes países, afirmou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, no lançamento do trabalho.​

Segundo o superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, o estudo reforça conclusões de que a pandemia tende a aumentar a desigualdade, com efeitos piores para os estudantes mais vulneráveis.

“Mas o nosso agravante não é a Covid, é a baixa coordenação da politica educacional que, sob um cenário desafiador, solicitaria mais coordenação, sobretudo do governo federal”, diz.

Segundo ele, quem comanda “a dança” para a volta das aulas é a área da saúde, mas a qualidade disso depende da educação. Isso depende, diz ele, de protocolos claros para o interior das escolas (que sejam elaborados, comunicados e tenham condições de sair do papel), análise localizada da realidade das escolas e dos professores, e também de uma atuação intersetorial (com saúde, assistência social).

“Como os que mais sofrem com ausência de aula são os mais vulneráveis, as condições das escolas, viabilizadas pela secretarias de Educação, podem aumentar as possibilidades de mitigação. A escola precisa ter mais ação afirmativa do que sempre teve até hoje”, diz.

O Education at a Glance compara dados de 46 países —além dos 38 membros da OCDE, são analisadas informações do Brasil, China, Rússia, Índia, Indonésia, Argentina, Arábia Saudita e África do Sul.

O Brasil tem um contexto mais desafiador para a reabertura. Até o fim de junho, o país já acumulava 16 semanas de interrupção de aulas, contra uma média de 14 semanas nos países da OCDE.

No começo de setembro, só 8 dos 46 países avaliados pela entidade ainda estavam com as aulas suspensas por causa da pandemia de coronavírus. O Chile, por exemplo, registra 15 semanas.

O impacto real em alguns países, diz o documento, pode ter sido menos severo pela capacidade de manter aulas regulares durante o período. Também há ponderações com relação ao calendário escolar no momento em que a pandemia atingiu cada país.

No Brasil, a desigualdade provoca maiores preocupações.

Um em cada cinco (19,1%) estudantes de 6 a 29 anos não teve nenhum tipo de atividade escolar no mês de julho, segundo dados divulgados em agosto pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apenas 8,9% dos estudantes estavam de férias naquele mês.

O estudo indica que a quantidade de alunos por sala é um dos “parâmetros críticos” para a reabertura, devido à necessidade de garantir distanciamento social. No Brasil, esse contexto é mais desafiador.

Entre 32 nações com dados disponíveis, o Brasil tem o décimo maior número de alunos por classe até o 5º ano do ensino fundamental (anos iniciais) e o sexto maior número de estudantes por turma no estágio que vai do 6º ao 9º ano (anos finais).

Nos dois casos, o país está acima da média dos 32 analisados. Nas escolas brasileiras, há 23 alunos em média por turma nos anos iniciais do fundamental, quase 10% acima da média, que é de 21 estudantes por turma.

Nos anos finais do ensino fundamental, o tamanho da turma brasileira é na média de 27 alunos, número 17% maior que os 23 da média.

Ainda de acordo com os dados compilados pela OCDE, as escolas públicas devem enfrentar mais dificuldades na adaptação necessária para retomar aulas com segurança, porque as turmas são, em média, maiores. No ensino público, são 24 estudantes por classe nos anos iniciais e 28, nos finais.

A reabertura de escolas no contexto da pandemia está atrelada à capacidade de manter uma distância de segurança de um a dois metros entre estudantes e equipe escolar. Assim, a redução do tamanho de salas depende de outros fatores, como espaço físico, disponibilidade de salas e de equipe, exemplifica o relatório, o que atinge o Brasil de forma desigual.

A organização aponta também o risco de uma redução dos investimentos públicos em educação, principalmente nos países com maior restrição orçamentária (dos quais o Brasil faz parte).

Nota técnica da Fineduca (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação) e Campanha Nacional pelo Direito à Educação projeta uma perda de R$ 52,4 bilhões dos recursos da educação de estados e municípios neste ano. O governo Jair Bolsonaro não criou uma linha específica de financiamento para o enfrentamento dos reflexos da pandemia na educação.

O país também deve ser um dos mais afetados na internacionalização do ensino superior, já que integra a lista de países de maior risco de contágio pelo novo coronavírus, o que dificulta viagens de brasileiros ao exterior.

Segundo a OCDE, o desemprego também deve ser uma área em que pandemia e nível de educação terão impacto relevante. “Aqueles com menor nível de escolaridade são os mais vulneráveis, pois são os mais improváveis ​​de se beneficiarem do trabalho remoto”, afirma o relatório.

Em 2019, antes da pandemia, 14% dos jovens adultos sem ensino médio completo estavam desempregados no Brasil, enquanto a taxa de desemprego dos que tinham ensino superior era de 8%.

No rescaldo da crise financeira de 2008, o desemprego de jovens adultos sem ensino médio aumentou em 1,5 ponto percentual entre 2008 e 2009 no Brasil, enquanto o dos com ensino superior subiu 0,2 ponto percentual.

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Índia ultrapassa Brasil como segundo país mais atingido pela Covid-19

As infecções por coronavírus da Índia aumentaram para 4,2 milhões na segunda-feira, ultrapassando o Brasil e se tornando o segundo país com maior número de casos.

Com 4.204.613 infecções, a Índia está quase 70.000 casos à frente do Brasil, que chegou a 4.137.606 infecções no domingo (7), de acordo com números do consórcio de imprensa do qual a Folha faz parte.

A Índia, com um registro diário de 90.802 casos na segunda-feira (7), também tem o posto de crescimento mais rápido no número de infectados. Os Estados Unidos, com mais de 6 milhões de casos, continuam sendo o país mais afetado.

As mortes na Índia têm sido relativamente baixas até agora, mas o país registrou mais de 1.000 mortes em cada um dos últimos cinco dias.

O ministério da saúde da Índia disse que 1.016 pessoas morreram de Covid-19 nesta segunda, elevando a mortalidade total para 71.642.

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