Ufac sedia evento sobre acervo científico da flora acreana

A Universidade Federal do Acre (Ufac) sedia até a próxima sexta-feira, 09, o 1º Seminário de Acervo Científico da Flora do Acre. O evento, aberto na manhã desta quarta-feira, 07, é organizado pelo Herbário do Parque Zoobotânico (PZ).

O evento tem como objetivo promover o debate sobre a importância da preservação e valoração patrimonial do acervo da flora do Acre, buscando uma reflexão sobre a necessidade de encontrar meios de aproximações educativas.

“A lei da biodiversidade, base de toda programação, é extremamente importante, sobretudo quando pensamos no local de onde falamos. Todo pesquisador precisa conhecê-la para que possamos, enquanto instituição e estudiosos, não ser penalizados. Toda a organização do evento está de parabéns”, disse o reitor em exercício, Josimar Batista. A lei da biodiversidade dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade.

Em novembro do ano passado, o Ministério do Meio Ambiente disponibilizou o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen). Segundo a professora Almecina Balbino, coordenadora do evento, pela nova legislação, para divulgar trabalhos ou requerer patentes que tenham como objeto o Acesso ao Patrimônio Genético (PG) ou ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), por exemplo, é obrigatório a qualquer pesquisador o cadastro prévio da pesquisa no SisGen. O pesquisador responsável por qualquer comunicação de pesquisa que não obedeça ao devido procedimento dica sujeito à multa.

Além dos impactos da lei da biodiversidade nas pesquisas e atividades das coleções biológicas também serão temas debatidos no evento: a importância das coleções botânicas do herbário, o cenário atual das coleções acreanas e suas perspectivas, a classificação das florestas acreanas, a taxonomia para coleções botânicas, a visão e importância do herbário no contexto global, a importância do herbário na área farmacêutica e o nível de conhecimento da flora amazônica.

Tião Viana doa acervo pessoal de mil livros para Biblioteca

O governador Tião Viana anunciou na manhã desta quarta-feira, 7, a doação de todo seu acervo pessoal de livros para a Biblioteca Pública Estadual. Cerca de mil títulos fazem parte da coleção que hoje se encontra em seu gabinete e foi formada ao longo de diversos anos, fruto de aquisições particulares e presentes.

Ávido leitor, com uma reconhecida tese de doutorado e membro da Academia Acreana de Letras, Tião Viana sempre foi um defensor da Biblioteca Estadual, localizada no Centro de Rio Branco. Ainda como senador, ele foi responsável por instalar o primeiro telecentro da unidade, num período em que a internet ainda era discada.

Agora, a Biblioteca se prepara para em novembro iniciar uma obra de manutenção em sua estrutura física, num investimento de R$ 600 mil, ocasião em que também receberá 50 novos computadores de ponta, um servidor próprio, novo mobiliário e equipamentos para digitalização da Filmoteca. Os recursos também são oriundos de emenda parlamentar do senador Jorge Viana.

A diretora da Biblioteca, Helena Caloni, agradeceu o gesto: “Pra nós é uma honra muito grande, porque sabemos que o governador sempre teve muito carinho e respeito pela Biblioteca. Todo o acervo dele é de boa qualidade, escolhido pela sua capacidade e sensibilidade. Ele ter esse desprendimento de doar é um ato bastante elogiado e ficamos emocionados”.

Museu Nacional mostra parte do acervo ao público depois de incêndio

Foi exibida a coleção didática, que era usada em mostras itinerantes

O Museu Nacional exibiu hoje (16) uma pequena parte de seu acervo ao público na Quinta da Boa Vista, em tendas montadas em frente ao prédio centenário que foi parcialmente destruído por um grande incêndio há duas semanas. A exibição envolveu a chamada coleção didática, que antes do incêndio era usada em mostras itinerantes do museu e emprestada para escolas.

Essa foi a primeira vez que o Museu Nacional exibiu sua coleção didática ao público desde o incêndio ocorrido em 2 de setembro. Visitantes da Quinta da Boa Vista, parque municipal onde se localiza o museu, tiveram a oportunidade de ver e tocar em animais empalhados, ossos de animais, amostras de rochas e insetos.

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As crianças que visitaram a exposição puderam conhecer animais empalhados – Foto/Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Nosso objetivo é estar aqui todo domingo e manter essa relação com a população, em permanente contato com o público que frequenta a Quinta da Boa Vista”, disse a educadora museal Andrea Costa.

Aline Souza, que mora perto da Quinta da Boa Vista, aproveitou a exibição para mostrar as peças ao filho de 5 anos, que não teve a oportunidade de conhecer o museu antes do incêndio. “Meu filho chorou quando soube do incêndio, porque ele nunca tinha vindo no museu. E a gente mora aqui do lado, deixou o museu queimar para depois vir”, lamentou.

“O Museu Nacional está vivo e, dentro das circunstâncias que vivemos, estamos nos adaptando para mostrar à população o que estamos fazendo e trazer a população para junto da instituição neste momento tão difícil”, disse o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner. Ele informou que pretende instalar um contêiner em frente ao prédio para dar informações à população sobre a reconstrução da instituição.

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Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional – Foto/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Recuperação do museu

Alexander Kellner afirmou também é preciso esperar a conclusão da estabilização estrutural do edifício atingido pelas chamas no último dia 2 para iniciar o trabalho de resgate do acervo que ainda está dentro do prédio. A garantia da estabilização das estruturas é importante também para que a Polícia Federal conclua sua perícia, segundo Kellner.

“Ainda tem acervo lá dentro que a gente não sabe como está. Mas estou com grandes esperanças [de encontrar itens não afetados pela tragédia]”, afirmou o diretor.

Ele espera que ainda seja possível incluir uma emenda parlamentar para o Museu Nacional no Orçamento da União de 2019. “Para que haja uma quantia vultosa e a gente possa reerguer pelo menos a parte estrutural, que a gente consiga fazer aquelas primeiras obras, como o teto permanente, tubos, cabos, enfim tudo aquilo que um prédio precisa”, disse.

Segundo o diretor, museus e governos de outros países têm entrado em contato com o Museu Nacional para oferecer ajuda. “O que a gente pede enquanto museu é: não nos deem dinheiro, nos deem acervos. Só que nós temos que merecer esse acervo, ter as condições não só dignas mas excepcionais para cuidar desse acervo e nunca mais uma tragédia dessa aconteça”, disse.

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Museu Nacional fica no parque da Quinta da Boa Vista – Foto/Tânia Rêgo/Agência Brasil