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Saúde

Setor de Cuidados Paliativos da Unacon leva assistência hospitalar humanizada a domicílio

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“Para mim eles são uma ótima equipe. Eles ajudam com sacolão, trazem a receita, eles dão toda a assistência que eu preciso. Para eu sair daqui pago, no mínimo, R$ 140 para ir e voltar e eu não estou me locomovendo muito bem, tem que ser com a cadeira de rodas e vocês viram como é difícil chegar aqui na minha casa”, relatou a paciente oncológica, Raimunda Veríssimo, sobre o atendimento do setor de Cuidados Paliativos da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon).

Esposa, mãe, avó, agricultora, autônoma e cristã devota, a paciente Raimunda Veríssimo, de 50 anos, teve o diagnóstico de câncer em 2020. Fez radioterapia e quimioterapia em Porto Velho e chegou a receber alta da oncologia após finalizar o tratamento curativo. No entanto, Veríssimo foi encaminhada aos Cuidados Paliativos, para tratar as sequelas do tratamento.

“Como no caso da dona Raimunda, nós chegamos na casa do paciente em um momento muito delicado da vida. Um momento de dor, onde a doença foi diagnosticada com maior precisão e isso faz com que as famílias fiquem muito mais vulneráveis. Com isso, a equipe de Cuidados Paliativos entra para fazer, justamente, esse acolhimento, para a pessoa ver que não está sozinha”, explicou a médica e coordenadora do serviço no estado, Holda Magalhães.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), os cuidados paliativos são indicados para todo e qualquer paciente com doença incurável e modificadora da sua vida e de seus familiares. Por exemplo, um paciente que foi diagnosticado com câncer com metástase em vários lugares do corpo pode receber o cuidado junto à sua família, para que tenha uma condição de conforto até o final da sua vida.

Cuidados Paliativos no Unacon
Criado em 2007, o Cuidados Paliativos do Unacon é composto por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, assistente social, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta e motorista, e tem o objetivo de proporcionar uma assistência multidisciplinar focada na qualidade de vida do paciente e das pessoas que residem com ele. Atualmente, o Cuidados Paliativos assiste 104 pacientes, sendo 60 na área urbana de Rio Branco e 44 na zona rural.

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Segundo a técnica de enfermagem, Mariana Oliveira, o trabalho junto aos pacientes promove medidas de conforto e qualidade de vida. “Eu componho a assistência de enfermagem da equipe com as visitas domiciliares, fazendo procedimentos que são demandados para casa. Os demais são realizados na unidade”, ressaltou.

A psicóloga Carolina Sátiro destaca a importância de cuidar não só do corpo, mas da mente do paciente e dos que estão à sua volta. “A gente trabalha muito as questões da finitude, do luto, adaptações às mudanças e aos processos de adoecimento. Meu trabalho é fazer o acompanhamento psicológico dos pacientes que estão nesse tratamento e em cuidados paliativos”, disse.

Política Nacional de Cuidados Paliativos
Em maio de 2024 o governo federal publicou a Portaria nº 3.681, que institui a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP). A política, inédita no país, vai permitir uma assistência mais humanizada. Antes, com atendimento limitado, escassez de profissionais com formação paliativa e barreiras culturais, os serviços estavam concentrados nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, com consequente ausência nas regiões Norte e Nordeste. Agora, três eixos vão guiar os cuidados paliativos no serviço público de saúde.

“Buscando oferecer uma qualidade integral e uma abordagem de forma mais humanizada e equânime, a Secretaria de Estado de Saúde [Sesacre] vem, em conformidade com o decreto, fortalecer mais ainda este cuidado integral em forma de rede de assistência à saúde”, enfatizou a chefe do Departamento de Atenção Ambulatorial Especializada e Hospitalar da Sesacre, Emanuelly Nóbrega.

Dez anos de amor, cinco anos de cuidado
Casados há dez anos, o câncer chegou na vida de Germano Rubim Cabral, de 80 anos, em 2019 e, desde então, a esposa, Maria Auxiliadora Pimentel, dedica toda a força, tempo e amor no cuidado integral do marido. A história do casal reforça que o diagnóstico de uma doença crônica não representa o fim, mas simboliza a oportunidade de crescimento e fortalecimento dos laços familiares.

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“Se não fosse o Cuidados Paliativos não sei como seria. Tudo que eu preciso eles me ajudam. Eles trazem medicamentos, o suplemento alimentar. Só em ajudar com essa cama [hospitalar], pois é cara e eu não tenho condições de comprar, deram a cadeira de banho. A assistente social faz a solicitação para eu poder pegar fralda no posto de saúde. Então, tudo isso é ajuda que vem”, declarou Maria Auxiliadora Pimentel.

A equipe do Cuidados Paliativos pontua que a assistência se estende, também, à família do paciente. “Hoje a Dora [apelido pela qual a equipe se refere à Maria Auxiliadora] está mais tranquila. Ela consegue ir ao mercado sem sentir culpa, compreende mais sobre os protocolos que adotamos no tratamento dele. Então, como no caso dela, às vezes receitamos medicamentos para ansiedade, por exemplo, e cuidamos da saúde como um todo dos familiares”, completou a médica Holda Magalhães.

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