Quem irá nos defender?

Nos primeiros dias de sua gestão neste quadriênio, o diretor superintendente do Sebrae no Acre, Mâncio Cordeiro, surpreendeu sua equipe de trabalho, cerca de 100 funcionários, a maioria com nível superior, fazendo duas perguntas que fazemos a nós mesmos nos primeiros dias de nossas vidas: o que gostaríamos de ser quando crescermos e quem irá nos defender do perigo iminente?

A segunda pergunta parece ter vindo de uma premonição. Nunca o Sebrae e todo o Sistema S estiveram tão ameaçados, por incongruência, justamente diante de um governo que se declara a favor de um Estado enxuto, com maior presença da iniciativa privada, do empreendedorismo.

O Sebrae e os demais parceiros do Sistema S foram idealizados justamente para preparar a sociedade aos caminhos do empreendedorismo, para que os cidadãos tenham uma alternativa de sobrevivência sem a carteira assinada, sem ser empregado, sem ser dependente da controversa relação empregado e empregador.

Quem não reconhece a importância de instituições como o Sesi, o Senai, o Sesc, o Senac e o Senar? São entidades que fazem o serviço social e disseminam o ensino profissionalizante nas áreas do comércio, serviços, indústria e rural. O Sebrae atua na propagação do empreendedorismo incentivando os micro e pequenos negócios, com mais de 10 mil clientes no Acre.

O futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, em conferência para dirigentes do Sistema S no Rio de Janeiro deixou claro que é daqui que vai retirar mais dinheiro em nome da recuperação do País. Vai retirar até 50% dos recursos que sustentam estas instituições.

Lá atrás, quando um incêndio destruiu o patrimônio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, uma tragédia que entristeceu toda a Nação, o presidente Michel Temer anunciou de imediato a liberação de R$ 400 milhões para ajudar as obras de recuperação, subtraídos dos recursos do Sebrae. Não é preciso ir para a votação no Congresso, é só sacar na hora que quiser.

Este corte orçamentário não atingiu em nada as atividades do Sebrae no Acre até porque as metas traçadas em 2015 já foram dimensionadas para um cenário de crise, segundo Mâncio Cordeiro.  O Sebrae no Acre trabalha com as contas abertas ao público, é só pesquisar na internet, lá tem as receitas e despesas, os salários dos colaboradores e dos diretores.

Para quem não se lembra, na gestão desta diretoria que entrega o mandato em 31 de dezembro, aconteceu a maior cheia do rio Acre nos últimos 30 anos. O comércio na beira do rio foi totalmente destruído tornando crucial a interferência do Sebrae na recuperação dos pequenos negócios.

O artesanato acreano tornou-se o mais vendido do Brasil viajando pelas asas do Sebrae no Acre.  O Sebrae também tem presença forte no fortalecimento da cadeia do leite, da farinha de Cruzeiro do Sul e do bambu entre outras atividades do agronegócio.

A organização em nosso Estado é por demais reconhecida e nesta gestão foi classificada pela Fundação Nacional da Qualidade entre as cinco melhores unidades estaduais do Sebrae no Brasil. Isso tudo graças a um roteiro desenhado numa reunião de planejamento estratégico e posto em prática com liberdade e criatividade.

Agora respondendo à pergunta inicial do diretor superintendente Mâncio Cordeiro, eu saio em defesa do Sebrae no Acre.


PERFILNilda Bernardo é jornalista e ex-assessora de comunicação do Sebrae no Acre