Prefeitura de Rio Branco quer combater o racismo dentro das repartições

“E odiei meus cabelos e meus lábios grossos e mirei apenada minha carne e retrocedi. Negra!” A interpretação e leitura do poema “Negra Sou”, da artista e escritora peruana Victória Santa Cruz, em performance da ativista cultural Camila Cabeça, marcou o evento de apresentação do material publicitário do programa municipal de Enfrentamento ao Racismo Institucional realizado na manhã desta terça-feira na filmoteca da Biblioteca Pública Estadual.

O projeto, que se deu por meio de uma parceira da Prefeitura de Rio Branco com o então senador da república Aníbal Diniz, é resultado de um longo processo de realização de reuniões e oficinas, que ocorreram durante todo o ano de 2016 por meio da Secretaria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEADPIR) e tem como objetivos principais combater o racismo dentro das instituições municipais, oferecendo elementos que corroborem com a construção de diagnósticos, planos de ações e indicadores que venham ajudar nesse enfrentamento.

De acordo com Elza Lopes, secretária da SEADPIR, o racismo foi algo [erroneamente] ensinado aos cidadãos e que é necessário educar a população a respeito de questões como essa. “O racismo é histórico, nunca foi tirado da nossa sociedade, as pessoas aprenderam a ser racista, foram educadas para ser racistas, então agora nós temos que ensinar às pessoas a não serem racistas!”, disse.

Elza explica ainda que, por se tratar de um processo difícil, “esse é um tema que tem que estar sempre vindo à tona” para que o preconceito racial diminua cada vez mais.

Socorro Neri, vice-prefeita de Rio Branco, destaca que, mesmo com todo avanço da sociedade, essa prática do preconceito racial ainda persiste. “Infelizmente, tratar do racismo institucional e do racismo em todas as suas formas, ainda é uma necessidade, porque essa prática não deveria, mas ainda persiste. E nós precisamos, de fato, criar uma rede de enfrentamento ao racismo, porque muitas vezes nós não nos damos nem conta de que reproduzimos racismo, e ele precisa ser combatido, precisa ser enfrentado”, discorreu.

O material será distribuído e utilizado por todas as secretarias do município, o que irá proporcionar um maior conhecimento a respeito da prática do racismo, abrindo discussões sobre qual a melhor forma de combate-los dentro das instituições.

“Esse material informativo será utilizado pelas secretarias municipais e quem sabe, a partir daí dar visibilidade ainda maior a esse problema e a necessidade de enfrentá-lo. O primeiro passo foi identificar que o problema existe. Nós identificamos, portanto agora estamos iniciando esse enfrentamento”, completou a vice-prefeita da capital.

Ainda como parte da programação do lançamento das cartilhas educacionais, foi inaugurado na tarde do ontem o primeiro salão de beleza que irá trabalhar exclusivamente com cabelos afro. O salão está localizado no bairro Conquista e tem a SEADPIR como parceira.