Pesquisa diz que bambu foi plantado no Acre há mais de 6.000 anos

Novos estudos nos geoglifos do Acre trazem alguns resultados interessantes, como a confirmação de que a presença do homem no Estado data de pelo menos 4.400 anos atrás. Já a presença de partículas de carvão, elemento que ajuda na datação dos solos, árvores, rochas e outros, indica que principalmente a partir de 4.000 anos antes do presente, houve uma intensificação do desmate (ou manejo florestal) pelos índios da época.

A arqueóloga inglesa Jennifer Watling publicou na última segunda-feira, 6, na revista Fapesp, um artigo trazendo as novidades. Segundo ela, o maior acúmulo de carvão coincide com a época da construção dos geoglifos, entre 2.100 e 2.200 anos atrás. Apesar da relativa facilidade com que se removem bambuzais, quando comparado a mognos e castanheiras, por exemplo, Watling não achou evidências de desmatamentos significativos em qualquer período.

Suas escavações no sítio do agricultor Jacó Sá e na Fazenda Colorada, na Estrada de Boca do Acre, demonstraram que os bambuzais existem no local há pelo menos 6.000 anos, o que sugere que o bambu não foi introduzido pelos índios, mas compunham a paisagem original. Hoje, o Acre tem a segunda maior reserva de bambu do mundo, só perdendo para a China.

O Governo do Acre está implementando um grande projeto de aproveitamento do bambu, madeira com a qual é possível se construir casas e vários tipos de móveis.