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Cotidiano

PCC tenta hegemonia no Acre, diz reportagem da Folha

O Acre é um estado considerado região de conflito intenso e visto como mercado promissor para a expansão dos tentáculos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. A ideia é, se não aniquilar de uma vez por toda, pelo menos reduzir ao máximo a predominância do Comando Vermelho, o CV, em território nacional, incluindo o Acre.

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O Acre é um estado considerado região de conflito intenso e visto como mercado promissor para a expansão dos tentáculos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. A ideia é, se não aniquilar de uma vez por toda, pelo menos reduzir ao máximo a predominância do Comando Vermelho, o CV, em território nacional, incluindo o Acre.

O plano de crescimento do PCC por todo o país, a que se insere aqui, o estado, é tema de reportagem especial do jornal Folha de São Paulo deste domingo, 30.

O material, reunido ao longo de dois meses pelo repórter Rogério Pagnan e intitulado ‘Clube do Crime – Em guerra com outras facções, PCC adota estratégia de expansão por domínio nacional do tráfico’, revela que o Acre está entre os onze estados considerados ‘região de conflito intenso’ por espaços de poder gerado pela facção, que foi fundada em agosto de 1993 a partir de um time de futebol na Casa de Custódia de Taubaté.

O estado do Acre também está no posto de oitavo maior em número de membros ‘batizados’ pela facção paulista, com 768 integrantes. As informações são com base em relatório produzido pelo Ministério Público do Estado do São Paulo, o MPSP, que esquadrinhou totalmente as atividades do PCC e vem acompanhando a evolução da organização ao longo da última década.

O documento do MPSP mostra que em outubro de 2014, o PCC ‘batizou’ 3.231 presos fora de São Paulo, mas dois anos depois, em agosto de 2016 já havia mais que triplicado esse contingente, recrutando ao menos 11.939 indivíduos. Atualmente, ainda segundo os promotores do MP paulista, a facção tem 16.195 bandidos sob seu regimento fora de São Paulo. Esse número é o dobro do que há dentro do estado de origem, que é de 8.534 membros.

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A reportagem da Folha mostra que a escalada das ações do PCC para fora do estado de São Paulo aconteceu num efeito colateral, ainda na década de 90, quando os líderes foram enviados para outros estados, acreditando-se com isso que o grupo organizado seria minado ou enfraquecido.

“Ironicamente, hoje o governo paulista, sob o comando do PSDB desde 1995, briga com o Ministério Público de São Paulo para que os chefes do PCC não sejam enviados para fora do Estado, em linha contrária aos anos 1990 e aos recentes pedidos de promotores que lidam com o sistema prisional”, afirma um trecho da reportagem.

A Folha cita que “a guerra entre facções criminosas que explodiu no início deste ano no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte e deixou um saldo de ao menos 135 mortes em diferentes cadeias do país teve a sua primeira faísca três meses antes”.

Em 16 de outubro de 2016, no presídio de Monte Cristo, em Boa Vista (RR), 12 presos de um bando rival foram mortos por criminosos do PCC com brutalidade atroz: decapitações, esquartejamento e queima de detento vivo.

E tais ocorrências, segundo os promotores paulistas, foram o primeiro movimento prático da facção paulista para a execução de seu plano: enfrentar diretamente bandos rivais para conquistar o domínio de todos os presídios do país e, assim, formar o que chamam internamente de a “República do PCC”.

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