ONG incentiva protagonismo feminino em Boca do Acre

Para incentivar o protagonismo feminino, o Instituto Numiá, organização da sociedade civil sem fins lucrativos, promove desde 2020 o projeto “Consulado da Mulher Empreendedora”, no município de Boca do Acre, distante a 1.568 quilômetros de Manaus.

Na última sexta-feira, 19 de novembro, foi celebrado o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014 para incentivar mulheres a gerenciarem suas próprias empresas.

No Brasil, o número de mulheres abrindo negócios não para de crescer. Uma pesquisa da Rede Mulher Empreendedora (RME) mostra que 55% das empresárias brasileiras abriram o negócio nos últimos 3 anos. Destas, 26% abriram o negócio atual durante a pandemia.

Muitas delas, porém, empreendem por necessidade e enfrentam dificuldades, como o acesso ao crédito. Segundo a RME, 43% das participantes da pesquisa que solicitaram empréstimo, tiveram seus pedidos negados.

No Amazonas, 160.495 mil mulheres são empreendedoras e, destas, 53% assumem as responsabilidades financeiras como chefes de domicílio, segundo dados analisados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Para incentivar o protagonismo feminino, o Instituto Numiá, organização da sociedade civil sem fins lucrativos, promove desde 2020 o projeto “Consulado da Mulher Empreendedora”, no município de Boca do Acre, distante a 1.568 quilômetros de Manaus.

O projeto consiste em oferecer de forma gratuita cursos profissionalizantes para mulheres, incentivando o empoderamento e o empreendedorismo feminino, ampliando sua atuação no campo de negócios próprios.

“O Consulado da Mulher Empreendedora vem preencher uma lacuna no impulso de novas atrizes na liderança de empreendimentos femininos, que podem funcionar na sua própria casa ou em ponto comercial, de forma individual, ou em coletivo, off-line e on-line, tendo cada negócio sua viabilidade adaptada a cada realidade. A metodologia consiste em ensinar um ofício, abrir a mente, mostrar o caminho e acompanhar o desenvolvimento”, explica Thyziane Souto, 24, vice-presidente do Numiá.

Até dezembro de 2021, cerca de 240 mulheres serão formadas empreendedoras, nas áreas de corte e corte e costura, cozinha e panificação, área dominada pelos homens. De acordo com a gerente de gente e ideias da instituição, Elisane Bitar, 28, o projeto tem sido um sucesso e será expandido para outros municípios do interior e da capital. “O modelo tem feito que instituições e até prefeituras de outros municípios nos procure para mais informações. Assim estamos afinando as parcerias para levar o projeto para ao menos outros três municípios do interior já em 2022. Será um desafio enorme, a começar pela logística da região, mas queremos levar essa proposta ao máximo de mulheres possível”, destaca.

O projeto foi concebido para beneficiar o público feminino do interior do estado, mas a instituição atua para oferecer o projeto na capital Manaus. “Quando criamos o projeto, focamos no interior, pelas poucas oportunidades. Mas, a crise econômica fez com que muitas mulheres de Manaus fossem demitidas e a recolocação no mercado de trabalho tem sido difícil. A saída, então, é o empreendedorismo. E, nós já estamos trabalhando para montar turmas na capital ainda esse ano.”, conclui a gerente.

Os cursos, de acordo com a instituição, são gratuitos e são realizados em parceria com o Governo do Amazonas, por meio de emendas parlamentares dos deputados estaduais Dr. Gomes, Adjuto Afonso e Serafim Correa. As vagas, quando disponíveis, são disponibilizadas pelo site: www.eventosnumia.com.br