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terça-feira, 13 de outubro de 2026
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Onde nascem os sonhos: exposição no TCE-AC transforma o olhar das crianças em arte, afeto e esperança – Tribunal de Contas do Estado do Acre


Mostra “Olhar de Criança” reúne obras de pequenos artistas e celebra a criatividade, a inclusão e o direito de toda criança de sonhar, criar e ser reconhecida por seu talento.

Toda criança carrega dentro de si um universo inteiro de possibilidades. Há sonhos que ainda não sabem ser palavras, sentimentos que encontram abrigo nas cores e histórias que começam com um simples traço sobre o papel. Nas mãos pequenas, um lápis pode se transformar em ponte para a imaginação, em caminho para a descoberta e, sobretudo, em uma bonita maneira de dizer ao mundo: eu sou capaz.

Foi esse universo de sensibilidade, talento e esperança que ganhou espaço no Salão Nobre do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), nesta terça-feira, 13 de outubro, durante a abertura da exposição “Olhar de Criança”. A mostra reuniu obras produzidas por filhos de servidores da instituição, crianças acolhidas pelo Educandário Santa Margarida e alunos do Ateliê Entre Traços.

Mais do que uma exposição de desenhos e pinturas, o encontro foi uma celebração da infância em suas diferentes expressões. Cada obra trouxe consigo uma descoberta, uma conquista e uma maneira única de enxergar o mundo. E cada pequeno artista encontrou, naquele espaço, o reconhecimento de que sua criatividade, sua história e seus sonhos têm valor.

A iniciativa integra a programação especial do Mês das Crianças, promovida pela gestão da presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, com atividades voltadas à valorização da infância, à integração das famílias e à aproximação da instituição com a sociedade.

Dulce Benício destaca a beleza da criação e a importância de cuidar das crianças

Durante a abertura da exposição, a presidente Dulce fez uma reflexão sobre a beleza da natureza, a diversidade da vida e a responsabilidade de acolher e proteger as crianças.

Em uma fala marcada pela sensibilidade e pela espiritualidade, Dulce lembrou que a arte está presente em toda a criação, nas cores das flores, na liberdade dos pássaros e na imensidão do céu.

“O maior artista do universo criou as cores, os pássaros livres para voar, as estrelas, a lua e as flores que nos encantam. Toda essa beleza nos ensina a olhar para a vida com sensibilidade e a reconhecer o valor de cada ser humano”, destacou a presidente, em síntese de sua reflexão.

Para a conselheira, reunir crianças de diferentes realidades em um mesmo espaço de expressão artística representa também uma oportunidade de reafirmar o respeito, a igualdade e o compromisso coletivo com a infância.

“Precisamos olhar com muito zelo, com muito cuidado para essas crianças, para que sejam cuidadas e amadas como o artista maior do universo assim quer”, afirmou.

Dulce também agradeceu às instituições parceiras e às equipes do Tribunal envolvidas na organização da programação, reconhecendo o trabalho de cada servidor que contribuiu para transformar o Salão Nobre em um espaço de acolhimento, alegria e criatividade.

Ao encerrar sua manifestação, a presidente deixou uma mensagem de carinho aos presentes, desejando que todos recebessem o abraço e o sorriso das crianças, protagonistas daquele encontro.

A arte de descobrir que somos capazes

Para a arquiteta e urbanista Daniela Kipper, idealizadora do Ateliê Entre Traços, a parceria com o Tribunal de Contas representa uma oportunidade especial de dar visibilidade à expressão artística das crianças e reconhecer o potencial criativo que existe em cada uma delas.

“No mundo em que vivemos hoje, o espaço da arte está cada vez mais escasso e, ao mesmo tempo, mais necessário. O autoconhecimento por meio do desenho começa muito cedo, desde que aprendemos a segurar um lápis. Ter o TCE como parceiro, acreditando na importância de oferecer às crianças um espaço para mostrar do que são capazes, é bonito, estimulante e esperançoso. Faz a gente acreditar que muitas das soluções para o futuro estão na cabeça delas”, destacou Daniela.

A história do Ateliê Entre Traços começou em 2018, durante as férias de Vida e Theo, filhos de Daniela. O desejo de uma mãe de oferecer às crianças tempo e liberdade para criar transformou-se, ao longo dos anos, em um espaço de aprendizagem, descobertas e fortalecimento da autoestima.

Hoje, o ateliê desenvolve atividades de desenho artístico que vão além do domínio das técnicas. As crianças aprendem a observar, experimentar, errar, recomeçar e reconhecer o valor de suas próprias criações, sem a necessidade de compará-las com as dos colegas.

Essa filosofia está traduzida na apresentação da mostra, intitulada “Quando o Traço Encontra a Coragem”, que convida o público a perceber não apenas a beleza dos desenhos, mas também os processos de aprendizagem e superação que existem por trás de cada obra.

“Cada criança tem um traço. Cada traço carrega uma história. E toda história merece espaço para ser contada”, destaca o texto de apresentação do ateliê.

Quando a arte também é acolhimento e proteção

Entre as obras expostas, estavam produções das crianças acolhidas pelo Educandário Santa Margarida, instituição que há mais de oito décadas desenvolve um trabalho de proteção e cuidado com a infância no Acre.

Representando o Educandário, Dene Eloy ressaltou o significado da participação das crianças na exposição e a importância da arte como instrumento de expressão, reconstrução de vínculos e fortalecimento da confiança.

“As crianças que chegam até nós trazem histórias de vulnerabilidade, mas também uma capacidade extraordinária de recomeçar. Nosso papel vai muito além de oferecer abrigo e alimentação. É garantir proteção, segurança, escuta e dignidade, permitindo que cada criança volte a se sentir amada e respeitada em sua individualidade”, afirmou.

Ela destacou que a arte oferece às crianças uma linguagem própria para expressar sentimentos que, muitas vezes, ainda não conseguem traduzir em palavras.

“A arte é a linguagem mais sincera da infância. Aquilo que muitas vezes a criança não consegue expressar em palavras, ela manifesta nas cores, nos traços, nas formas e na liberdade de criar. Ver as obras das nossas crianças expostas aqui, ao lado das produções dos filhos dos servidores e dos alunos do ateliê, mostra que o olhar de cada criança merece ser valorizado e celebrado”, ressaltou.

Para Dene, a iniciativa também reforça que a responsabilidade pela proteção da infância deve ser compartilhada por toda a sociedade. Ela agradeceu ao TCE-AC e ao Ateliê Entre Traços pela parceria e pela oportunidade de reconhecer as crianças a partir de seus talentos, capacidades e possibilidades.

Um Tribunal que olha para as pessoas

Durante a programação, a conselheira Naluh Gouveia destacou a sensibilidade da presidente Dulce Benício e o envolvimento dos servidores na realização de atividades que aproximam o Tribunal das pessoas e ampliam sua dimensão humana e social.

“O TCE ganhou vida na gestão da Dulce. Ela olha para as pessoas, para o ser humano, para o meio ambiente, como ninguém jamais olhou. Isso tem sido transformador para muita gente aqui”, afirmou Naluh, ao parabenizar a presidente e toda a equipe envolvida na iniciativa.

A exposição também foi resultado de um trabalho que começou antes da abertura da mostra. Nos dias 6 e 9 de outubro, o Tribunal promoveu oficinas de aquarela do projeto “Cores que Transformam”, conduzidas pela professora e artista Rose Nobre.

As atividades, abertas a familiares dos servidores de todas as idades, proporcionaram momentos de convivência, experimentação artística e integração familiar. A iniciativa deu continuidade à primeira oficina realizada na instituição, cuja receptividade incentivou a ampliação do projeto.

Entre pincéis, tintas e folhas em branco, crianças e adultos puderam compartilhar experiências e descobrir que a criatividade não tem idade e que a arte também é uma forma de aproximar gerações.

Cuidar da infância é também cuidar do futuro

A valorização das crianças no ambiente institucional dialoga com uma das responsabilidades fundamentais do Tribunal de Contas: contribuir para que as políticas públicas assegurem direitos e melhores condições de vida à população.

No campo da infância, esse compromisso se traduz no acompanhamento e na fiscalização dos recursos públicos destinados à educação, à saúde, à assistência social e à proteção das crianças.

Está presente na qualidade da merenda escolar, no transporte seguro, na estrutura das creches e escolas, no acesso aos serviços de saúde e no fortalecimento das redes de proteção.

Ao abrir suas portas para receber os pequenos artistas e suas famílias, o TCE-AC reafirma que o cuidado com a infância também passa pela escuta, pelo acolhimento e pela criação de oportunidades para que cada criança desenvolva plenamente suas capacidades.

Porque uma criança não precisa produzir uma obra perfeita para ser reconhecida. Precisa de espaço para experimentar, de liberdade para imaginar e de alguém que acredite em seu potencial.

E talvez tenha sido essa a maior beleza da exposição “Olhar de Criança”: lembrar que, antes de qualquer grande realização, existe sempre um primeiro traço, uma tentativa, uma descoberta e alguém que acredita.

Afinal, quando uma criança descobre que é capaz de criar, começa também a acreditar que é capaz de transformar o mundo.

Texto: Andréia Oliveira
Fotos: Nycolle Damacena



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