O Acre foi o segundo estado da Região Norte com maior número de casos da dengue

Segundo o Ministério da Saúde, os dois anos com mais casos de dengue registrados por aqui foram, respectivamente, 2015 e 2019, com mais de 1,5 milhão de episódios estimados cada um. 

la é um dos tormentos da saúde pública brasileira, se agravou na última década e, apesar de ter aparecido muito menos no noticiário por causa do coronavírus, continuou aprontando pelo país. Segundo o Ministério da Saúde, os dois anos com mais casos de dengue registrados por aqui foram, respectivamente, 2015 e 2019, com mais de 1,5 milhão de episódios estimados cada um. 

Mesmo sendo alvo de campanhas de conscientização todo verão, ainda que a doença dê as caras nos 12 meses, o combate ao Aedes aegypti, mosquito que transmite o vírus entre nós, sofreu um duro baque na pandemia.

Com os esforços destinados à Covid-19, o antigo inimigo ficou em segundo plano, seguiu fazendo vítimas e, agora, com a vacinação freando o coronavírus e as pessoas ensaiando um retorno à normalidade, especialistas temem que a dengue volte com tudo em 2022. 

A fim de evitar que os casos voltem a aumentar no país, o Ministério da Saúde lançou na última terça-feira, 30, a campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. A ação é para informar e mobilizar toda a sociedade sobre a importância de manter as ações de eliminação de focos do mosquito – especialmente neste período que antecede o verão – para evitar surtos e epidemias.

Doze estados brasileiros apresentaram aumento de casos de dengue este ano em relação ao ano passado. A maior variação foi no Amapá, de 354,7%, passando de 53 para 241 casos no período. Alagoas está em segundo lugar, com variação de 187%. Lá, o número de casos de dengue passou de 2.215 no ano passado para 6.357 este ano.

O Acre foi o segundo estado da Região Norte com maior aumento no número de casos da dengue, com 13.893 (147,3%). Em 2020, o Acre registrou mais de 12 mil notificações de casos suspeitos de dengue. Destes, 5.429 foram confirmados para a doença. Com isso, 15 cidades do estavam em alerta de surto da dengue.

O ano de 2021 iniciou tenso. Entre 1º de janeiro e 23 de fevereiro, de acordo com boletim epidemiológico do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre)o Estado registrou mais de 7,5 mil casos suspeitos de dengue e outros 1.683 casos já confirmados da doença. 

No mesmo período em 2020, eram 2.598 notificações, o que representou um aumento de 189% ou quase três vezes mais casos. Ainda segundo os dados, as cidades com mais casos suspeitos nesse período foram Rio Branco, com 3.276 casos representando 43,6% do total; Tarauacá com 1.986; e Cruzeiro do Sul que contabilizou 18% dos casos com 396.

Queda nas notificações no país

Apesar dos números, o Ministério da Saúde confirmou que os casos de dengue no país tiveram queda. Até novembro, foram notificados 494.992 casos, o que representa uma queda de 46,6% em comparação com o mesmo período em 2020, que registrou 927,060 casos. Já o número de óbitos pela doença apresenta uma redução de 62% de óbitos confirmados. Em 20211 foram 212, enquanto 2020 registrou 56 óbitos. 

Chikungunya e zika

Os casos de chikungunya cresceram em 17 estados, com destaque para São Paulo, com uma variação de 3.779% em relação a 2020. No ano passado, São Paulo teve 468 casos de chikungunya; este ano saltou para 18.156 casos.  Em seguida está o estado de Goiás, que passou de 48 casos para 562 de um ano para o outro.

Os casos de zika vírus também tiveram aumento de 2020 para 2021 em 12 estados – com destaque para o Acre, que passou de 21 para 205 casos do ano passado para cá, e Roraima, que aumentou de três para 24 casos.

Entre as principais arboviroses de circulação urbana, dengue, chikungunya e zika, essa última foi a única que não resultou em óbitos em 2021. Ao todo, foram registrados 5.710 casos prováveis da doença, uma queda de 17,6% em comparação com o mesmo período de 2020.

Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, destacou que a campanha irá durar 30 dias. Ele destacou que é preciso combater o mosquito Aedes aegypti para conseguir controlar as doenças ligadas a esse vetor.

“O Brasil tem diminuído, como foi dito, de uma maneira geral no âmbito geral as chamadas arboviroses de 2020 a 2021, mas como foi mostrado alguns estados têm chamado a nossa preocupação. É por isso que precisamos estar atentos, vigilantes para garantir cada vez mais a saúde de qualidade”, ressaltou.

Estratégia favorável

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Brasil tem mostrado uma estratégia favorável de combate ao mosquito Aedes aegypti, com o uso de inseticidas de primeira ponta e tem sido pioneiro em detectar novos arbovírus. Nesse contexto, a coordenadora da unidade de Vigilância da Opas, Maria Almiron, fez um chamado para que, neste cenário de pandemia da Covid-19, o Brasil seja pioneiro no controle de vetores em 2022.

Dengue, Zica e Chikungunya estão de volta, vamos relembrar as principais maneiras de prevenção

Com o inverno se intensificando no Estado, a população deve ficar atenta aos sintomas da Dengue, Zica e Chikungunya. É importante procurar uma unidade básica de saúde quando sentir esses sintomas. Em Rio Branco, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito é referência na assistência desses pacientes.

O Jornal Opinião traz um lembrete sobre os sintomas de cada doença.

Dengue

No Brasil, a dengue foi identificada pela primeira vez em 1986. A principal forma de transmissão é pela picada do mosquito Aedes aegypti. Há registros de transmissão vertical (gestante – bebê) e por transfusão de sangue. A infecção por dengue pode ser assintomática, leve ou causar doença grave, levando à morte. Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele.   

Chikungunya

A Febre Chikungunya é uma doença transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Os principais sintomas são febre alta de início rápido, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer ainda dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Os sintomas iniciam entre dois e doze dias após a picada do mosquito. Cerca de 30% dos casos não apresentam sintomas.  

Zika

O Zika foi identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos.   

E a população pode 

ajudar ao combater os focos do mosquito. O que fazer:

•  Tampar os tonéis e caixas-d’água.

• Manter as calhas sempre limpas.

• Deixar garrafas sempre viradas com a boca para baixo.

• Manter lixeiras bem tampadas.

•  Deixar ralos limpos e com aplicação de tela.

•  Limpar semanalmente ou preencher pratos de vasos de plantas com areia.

•  Limpar com escova ou bucha os potes de água para animais.

• Retirar água acumulada na área de serviço, atrás da máquina de lavar roupa.

MITOS E VERDADES SOBRE AESDES AEGYPTI

O medo de adoecer por causa da dengue leva as pessoas a utilizarem alguns métodos que nem sempre são eficazes para o combate ao mosquito.

Precisamos saber que o melhor remédio para combater a doença é a atitude de cada um de nós. Dengue é um problema real. É uma doença séria que pode causar a morte. É universal e acomete pessoas de todas as classes sociais.

Por isso, somente com a adoção de novos comportamentos em nosso dia-a-dia poderemos contribuir para a prevenção e o controle da ocorrência da doença em nosso meio, rua, bairro, cidade. Ou seja, no lugar onde estivermos. Confira dicas do que é verdade e do que é que mito:

Basta secar os lugares onde tem água parada?

Não adianta só secar os reservatórios de água parada. Tem de limpar também. O ovo do mosquito pode se manter viável por mais de um ano na água.

O mosquito da dengue pica apenas durante o dia?

O mosquito pica principalmente durante o dia, mas se tiver oportunidade também vai picar a noite.

É verdade que apenas a fêmea pica?

Sim. Ela necessita do sangue em seu organismo para amadurecer seus ovos e assim dar sequência no seu ciclo de vida. Ela pode colocar até 500 ovos durante seu tempo de vida, que varia de 30 a 45 dias, tempo suficiente para picar até 300 pessoas.

Velas de citronela ou andiroba ajudam no combate ao mosquito?

Não, pois esses recursos têm efeito temporário e indeterminado.

O inhame e o complexo B ajudam na prevenção da doença?

Não. As pessoas falam que principalmente o complexo B tem um cheiro muito forte e espanta o mosquito, mas não é verdade. Tomar vitamina B para evitar a aproximação do mosquito não se mostra eficaz, uma vez que o efeito varia de acordo com o metabolismo da pessoa, podendo não repelir o mosquito.

É possível distinguir a picada do Aedes aegypti da picada do mosquito comum?

Não. A sensação de eventual coceira ou incômodo é igual a picada de qualquer outro mosquito.

A água de piscinas pode servir de criadouro para o mosquito?

Depende. Se a água estiver bem tratada e com a concentração recomendada de cloro, o mosquito não se desenvolve. Já foi comprovado que a água com cloro e a água salgada funcionam como repelentes. Caso contrário, o mosquito pode se desenvolver sim.

Aplicar borra de café na água das plantas e sobre a terra ajuda a combater o mosquito?

Não. A eficácia da borra de café não foi comprovada (já foi verificado na prática que a água suja de borra de café desenvolve a larva do mosquito) e a sua utilização não simplifica os cuidados recomendados que são: a eliminação de pratos junto ao vasos de plantas, a colocação de areia até as bordas dos pratos para eliminar a água e lavar pratos com buchas e sabão semanalmente.

É verdade que o mosquito se reproduz mais rápido no calor? Quais outros hábitos do mosquito?

Sim. No calor, o período reprodutivo do mosquito fica mais curto e ele se reproduz com maior velocidade. Isso explica o aumento de casos da doença no verão. O mosquito fica onde o homem estiver. Prefere picá-lo a qualquer outra espécie e gosta de água acumulada para colocar seus ovos.

No período de inverno a população está livre da doença?

Isso deve ser considerado um engano. Durante o frio, a larva entra no estado de hibernação e quando as chuvas e as altas temperaturas voltam, as larvas eclodem e há a contaminação novamente. Portanto, o trabalho de vistoria de quintais, terrenos baldios, estabelecimentos e outros locais, bem como, a busca e eliminação de criadouros do mosquito deve ser feito.

O ideal é usar um repelente ou os inseticidas para evitar a picada do mosquito?

Precisamos ter bastante atenção quanto a isso. As duas opções podem ser utilizadas. No entanto, temos de lembrar que o uso desses recursos são soluções momentâneas que não resolvem realmente o problema da doença. Estamos apenas protegidos temporariamente. Quando termina o efeito do repelente, estamos novamente expostos ao mosquito. Portanto, o ideal é atuarmos como vigilantes em nossa casa, no trabalho, na creche e na escola de nossos filhos e em outros locais em que tivermos acesso. Temos de eliminar os criadouros onde o mosquito deposita seus ovos e se prolifera.

É verdade que o mosquito não consegue atingir locais altos?

A fêmea se alimenta de sangue no início da manhã e mais no final da tarde, o que não impede que aconteça em outros horários. Quanto à capacidade de vôo, sabemos que possui possibilidade de acesso a alturas como, por exemplo, chegar à caixa de água de sua casa, às calhas e terraços. Por sua vez, sua potencialidade de vôo não atingiria um prédio de quatro andares. No entanto, ele pode chegar a alturas mais elevadas considerando que o mosquito pode estar alojado em elevadores, embalagem materiais em geral, brinquedos, caixas de ferramentas e uma infinidade de outros recursos que podem conduzi-lo até a cobertura de qualquer edifício. Mas suas preferências ainda são as baixas alturas, tendo em vista que, sem fazer esforço, consegue alimentar-se e proliferar-se.

Ar condicionado e ventilador impedem as picadas do mosquito?

Não. O ar condicionado pode impedir a entrada do mosquito, já que o ambiente está fechado. O que existe de verdadeiro nessa história é que, normalmente, o mosquito se direciona em função da liberação de gás carbônico, feita pelas vias aéreas. Então, pelo fato de o ventilador ou ar condicionado estarem ligados, o gás carbônico fica mais diluído e impediria que o mosquito localizasse a vítima por conta disso.

Colocar água sanitária na água ajuda a evitar as larvas?

Ajuda. É uma das principais medidas. Colocar uma colherzinha de água sanitária na caixa d’água, na piscina, nas poças de água ajuda a evitar as larvas.

Todas as pessoas picadas pelo mosquito transmissor irão desenvolver a doença?

Primeiro é preciso que o mosquito esteja contaminado com o vírus.