Na contramão da crise, venda de carnes produzidas na região cresce, diz setor

A operação “Carne Fraca”, da Polícia Federal, causou um prejuízo à economia do Brasil, países como China, Chile e União Europeia (UE) fecharam total ou parcialmente, seus mercados às carnes brasileiras, após a revelação de suspeitas de produtos adulterados.

Ao todo, 21 frigoríficos estão sendo investigados sobre o possível comércio de produtos vencidos ou em mal estado de conservação, em alguns casos com ácido.

No Acre, comerciantes que vendem produtos dos frigoríficos da região garantem que, após o caso sair na mídia a clientela cresceu. “Eles perguntam se as carnes que vendo tem algum problema e explico que meus produtos são da região e frescos que eles podem comer despreocupados”, conta o açougueiro Airton da Costa, que trabalha no ramo há mais de 20 anos.

Airton espera que com o aumento da procura o valor repassado a eles diminua, pois assim venderá mais e todos saem ganhando, principalmente, o consumidor que poderá ter mais alimento na mesa.

Daiane de Souza, afirma que sempre comprou nos açougues vendem produtos daqui. “A carne de fora tem um valor mais caro, então sempre comprei as que são do Acre mesmo. Tenho amigos que passaram a comprar também depois que viram as reportagens sobre o caso”.

Outro comerciante, o senhor Mauro Darube, vende carne de porco e frango há mais de 30 anos. Para ele toda essa repercussão tem agido de forma positiva para quem revende produtos produzidos no Estado.

“Eu nunca tive coragem de comprar dessas carnes para consumir em casa, sempre tive receio em relação ao armazenamento. E no meu comércio sinto que a procura vem aumentando, mas o que acontece é que a população está é sem dinheiro mesmo. Algo que percebo é que após o pagamento as vendas melhoram durante uns dez dias e depois diminuem”, conta Darube.

Recentemente, o governo alegou que apenas 21 das 4.837 plantas que operam no país estão sob suspeita e que somente seis realizaram exportações nos últimos 60 dias.