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quinta-feira, 15 de outubro de 2026
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Lula diz que EUA precisam mais do Brasil e não descarta retaliação comercial contra Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que os Estados Unidos precisam mais do Brasil do que os brasileiros precisam dos americanos. Em entrevista à Globo, o chefe do Executivo defendeu a continuidade das negociações comerciais com o governo de Donald Trump, mas não descartou a adoção de medidas de reciprocidade diante das tarifas impostas a produtos brasileiros.

“Então, quem deve estar preocupado conosco neste momento são os Estados Unidos”, declarou Lula ao comentar as relações entre os dois países.

O presidente classificou como civilizado o diálogo com Trump, apesar das divergências comerciais. Segundo ele, os governos continuam negociando e ainda há expectativa de um acordo que reduza as tensões.

Lula admite medidas de reciprocidade

Durante a entrevista, Lula afirmou que optou por não responder imediatamente às tarifas americanas porque pretende manter as negociações diplomáticas. No entanto, ressaltou que o Brasil poderá adotar medidas equivalentes caso não haja avanço nas conversas.

“Não adotei a linha da reciprocidade imediata porque quero continuar negociando. Mas, se for necessário, faremos isso”, afirmou.

O presidente também mencionou encontros e conversas com Trump como parte da tentativa de aproximação entre os dois governos. Segundo Lula, representantes brasileiros e americanos continuavam em diálogo na semana da entrevista.

Presidente cita comércio com outros países

Para sustentar o argumento de que o Brasil tem alternativas comerciais, Lula citou o crescimento das trocas com outros parceiros internacionais. Segundo os números apresentados por ele, o comércio brasileiro com a China aumentou 20%, enquanto as relações comerciais com Indonésia, Alemanha e Vietnã cresceram 15%, 16% e 13%, respectivamente.

Lula também mencionou uma queda de 9% no comércio com os Estados Unidos e afirmou que houve crescimento médio de 0,5% nas relações comerciais com outros 50 países visitados pelo governo.

Os percentuais foram apresentados pelo presidente durante a entrevista. Ele também afirmou que o Brasil registrou superávit comercial recorde e destacou a importância de produtos brasileiros para o mercado americano.

“Nós temos produtos de que eles precisam mais do que as coisas que nós precisamos deles”, declarou.

Lula critica classificação de facções como terroristas

Outro tema abordado foi a segurança pública e a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

Lula argumentou que esses grupos têm como principal objetivo obter ganhos financeiros e diferenciou suas atividades do terrorismo associado a ataques contra o Estado. Ao mesmo tempo, reconheceu que a violência das facções afeta diretamente comunidades e famílias.

“Temos consciência de que, aqui no Brasil, esses grupos são terroristas para as comunidades, para as famílias e para as cidades, mas não se trata de terrorismo de Estado, como os EUA querem classificar”, afirmou.

O presidente também disse que o governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos uma proposta formal de cooperação no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Segundo ele, a iniciativa prevê colaboração baseada na experiência da Polícia Federal.

Governo quer ampliar atuação federal contra facções

Na área de segurança pública, Lula defendeu uma participação maior do governo federal no enfrentamento às organizações criminosas. Ele citou a proposta de emenda à Constituição enviada pelo Executivo para estabelecer as atribuições da União no combate ao crime organizado.

Segundo o presidente, a proposta busca definir responsabilidades e recursos para instituições como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal.

Lula também afirmou que o governo pretende financiar a construção de 138 presídios de segurança máxima. A proposta, de acordo com ele, é isolar lideranças criminosas e dificultar a continuidade do comando de facções a partir das unidades prisionais.

“Queremos asfixiar o crime organizado e libertar os territórios”, declarou.

O presidente acrescentou que o objetivo é impedir que grupos criminosos controlem atividades cotidianas nas comunidades, incluindo a venda de gás e o acesso da população a benefícios sociais.