Índio, o homem que abraçou o kickboxing para mudar vidas no Acre

Nesta reportagem, conheça a história de um mestre das artes marciais que aos 16 anos encontrou nos filmes de Chuck Norris, Shaolin e Bruce Lee a inspiração para se aperfeiçoar, e hoje, restaurar vidas por meio do kickboxing e do karatê.

Edvaldo do Nascimento Galdino, o Índio, tem 48 anos e é detentor de uma das mais incríveis histórias de determinação e comprometimento social que se tem notícia no Ace. Hoje no comando do Centro de Treinamento Índio Fight, localizado num prédio ao final da avenida Ceará, no bairro Cadeia Velha, ele é responsável por ensinar jovens em situação de vulnerabilidade social a se tornarem guerreiros do ringue, e, principalmente, de suas próprias vidas.

Índio é parceiro do Projeto Amigos Solidários Teen Fighters, que atende ao menos 50 jovens com aulas gratuitas de kickboxing, incluindo lições como disciplina e respeito pela hierarquia, garantindo-lhes o afastamento das drogas e de outras situações danosas à saúde.

“O nosso maior objetivo é proporcionar uma vida saudável a todos que entendem que o esporte é um dos melhores caminhos para uma convivência feliz, na família e com os amigos, e pleno de muita saúde e harmonia”, afirma Índio.

Nascido no Seringal Califórnia, nas cabeceiras do rio Envira, a seis dias de barco de Feijó (município distante 400 quilômetros de Rio Branco), Edvaldo Galdino, o Índio, chegou à cidade aos 16 anos, movido pela vontade de sua mãe de colocá-lo, com seus outros 4 irmãos, na escola.

“Eu praticava sozinho e fui me empolgando desde que ganhei um livro, quando morava já na cidade, que ensinava artes marciais. Aí, logo em seguida, me interessei também pelos filmes do Bruce Lee, do Shaolin e do Chuck Norris. Aquilo tudo era fantástico para mim”, diz ele, e que hoje é faixa preta em kickboxing e karatê.

Na academia da qual Índio é professor, o movimento de estudantes começa cedo, já a partir das 5 horas da manhã, e se estende às 20 horas. Para os 50 estudantes do projeto Amigos Solidários Teen Fighters, o programa também concede luvas e outros materiais de forma gratuita.

Os recursos para manter o aluguel do prédio e outros gastos vêm de outros 60 estudantes, a maioria adultos. Há ainda uma equipe de competidores de alta performance, como o filho de Índio, Wendel Almeida, de 26 anos, e Breno Roque, de 19 anos, irmão do mestre Índio.

Muito antes disso, ele treinava seus alunos embaixo da 4ª ponte, também no bairro Cadeia Velha. Tudo de forma improvisada.

Esporte é levado às aldeias no período de recesso

As aldeias kaxinawás na região do município de Santa Rosa do Purus e os kampas e os kulinas do rio Envira, entre as cidades de Feijó e Pauiní, no Amazonas, conhecem muito bem Índio e sua equipe de competidores.

É que, geralmente, no período de recesso do Centro de Treinamento Índio Fight, em Rio Branco, o professor viaja para essas aldeias para ministrar aulas de kickboxing e karatê aos jovens indígenas.

Mulheres também fazem a diferença

Entre os estudantes, o destaque é também das mulheres. “Elas lutam de igual para igual com a rapaziada”, diz Liberdade Maia, esposa de Índio e também atleta profissional.

Entre muitas, duas são promessas para o kickboxing acreano: Taína Oliveira e Natália Araújo, sendo que esta última já pratica o esporte há seis anos.

“Tudo isso é muito bom para o corpo e para a mente. Aqui me realizo enquanto pessoa. É no ringue, treinando, que encontramos energia para vencer também na vida. Um esporte que é muito importante para todos que o praticam”, assevera Araújo.

Um celeiro de campeões

Aos 16 anos, a idade com a qual Índio migrou da floresta para a cidade com os pais e irmãos, o filho Wendel Almeida por muito pouco não se perde por caminhos tortuosos. “Eu cheguei para ele e disse: ‘Filho, na vida só há dois caminhos, o da retidão e da justiça ou da desgraça e da morte’. Meu filho foi o maior testemunho na minha vida”, destaca o mestre faixa preta do kickboxing e do karatê.

Embora não quisesse ser um atleta, a insistência do pai foi decisiva para que Wendel Almeida, hoje com 26 anos, se tornasse um dos maiores competidores nacionais e internacionais da atualidade.

“O cara só não tem falta de ar”, brinca Valter Junior, um dos mais aplicados estudantes do Centro de Treinamento Índio Fight. Junior diz que se há um espaço para a cidadania e para a prática de um esporte saudável é o Índio Fight. “Aqui, eles são muito profissionais no que fazem”, acrescenta.

Um emaranhado de medalhas penduradas nos dois braços de Wendel Almeida enche Índio de orgulho.

“Eu quis retribuir oi amor que o meu pai tem por mim e abracei o a luta com o coração. Hoje, sou muito grato pelas conquistas.

Breno Roque, de 19 anos, e irmão de Índio, segue a mesma trajetória do sobrinho Wendel. Apesar da pouca idade, Roque tem motivos de sobre para se considerar um grande lutador. Também é vencedor de torneios nacionais com títulos altamente conceituados entre os lutadores brasileiros.

Atletas participam de duas lutas em Cobija e no Rio de Janeiro

Duas lutas significativas estão marcadas para os dia 7 e 13 de agosto. Na primeira, Wendel Almeida vai defender a sua condição de invicto com 4 lutas e 4 vitórias no Shooto Brasil MMA, no Rio de Janeiro.
A segunda luta, no dia 13, acontece na cidade boliviana de Cobija (a 242 quilômetros de Rio Branco, na fronteira com o município de Brasileia.
A segunda será protagonizada por Breno Roque em clima de revanche com o competidor boliviano, que já perdeu uma luta para Roque. O clima é de uma disputa, não só entre atletas, mas de um país contra o outro.

O que os atletas do Centro Índio Fight já conquistaram

Wendel Almeida

*Campeão brasileiro e paulista de Kickboxing;
*Medalha de prata na Copa do Brasil de Kickboxing;
*Campeão Internacional de Beach Boxe;
*Campeão carioca de Luta Livre;
*Invicto no Shooto Brasil MMA (Foram 4 lutas com 4 vitórias e no dia 7 de agosto próximo, faz a 5ª luta);

Breno Roque

*Campeão paulista de Kickboxing;
*Três vezes campeão de MMA na categoria amador na Arena Global, no Rio de Janeiro;
*Campeão do MMA, categoria profissional;
*Medalha de ouro no Campeonato Sul-Americano de Kickboxing, no Rio de Janeiro;

Quem é o mestre Edvaldo Galdino, o Índio

*Faixa preta de karatê e de kickboxing, é professor de boxe;
*Graduação reconhecia pela maior organização de kickboxing do mundo a Federação Internacional de Kickboxing;
*Filiado ao Conselho Internacional de Arte Marcial;
*Membro da Confederação Brasileira de Kickboxing;