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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Indígenas cultivam a tradição da agricultura na Amazônia

Indígenas cultivam a tradição da agricultura na Amazônia

Na margem direita da rodovia BR-364, em Tarauacá, é possível chegar a uma das menores terras indígenas (TI) da Amazônia. A Aldeia Pinuya, da TI Colônia 27, do povo Huni Kuin, mostra força na renovação da terra e cultural. Existindo há apenas 44 anos, em uma área de 305 hectares, a comunidade transformou uma antiga fazenda degradada em uma florescente aldeia, com tradições e uma produção exuberante.

Em um terreno acidentado, característico da região, as 38 famílias trabalham na plantação de banana, milho, abacate, mandioca, criação de abelhas e peixes, bem como na elaboração do artesanato. Cada um desses elementos, além de subsistência da população e uma possibilidade de renda, é símbolo do resgate cultural que os povos indígenas do Acre vivem.

“Só tem uma coisa que faz a gente viver, que é ter coragem e determinação”, declara Maná Huni Kuin, uma das lideranças da Pinuya, professor, ex-vereador da cidade e presidente da Organização dos Povos Indígenas do Rio Tarauacá (Opitar). Ele está há 35 anos na aldeia e conta, enquanto passeia pelos terreiros, um pouco da história do local.

Surgida com a chegada de três famílias Huni Kuin, em 1972, a TI foi demarcada e homologada, em 1991, com 105 hectares de extensão. Com o Plano de Mitigação da BR-364, no ano de 2002, mais 200 hectares foram comprados pelo governo do Estado e incluídas no território.

Com a grande degradação do local, usado apenas para pasto e sem nenhuma cobertura vegetal, o igarapé que cortava o local secou. Maná e outras lideranças percorreram o país e o mundo em busca de alternativas para o problema da água, e conseguiram uma barragem.

Mas a solução, com o tempo, foi sendo descoberta pelos próprios moradores: o reflorestamento. “Nós começamos a morar em um local totalmente degradado, hoje já estamos no meio da floresta. Reconstruímos este local e estamos ajudando o país e o mundo a se desenvolverem”, afirma Maná.

O governo do Acre realiza ainda diversas ações de fortalecimento da produção indígena e, tendo investido mais de R$ 20 milhões desde 2011. Além disso, 13 comunidades indígenas participaram do PAA, movimentando mais de R$ 400 mil em 2016.

A mudança foi grande. Foram plantadas diversas frutíferas, além das plantas medicinais da tradição, e construídos 14 açudes com várias espécies de peixe. Com a evolução positiva do solo e do bem-estar, o cultivo em geral foi se estendendo. Além da mandioca, o milho é produzido anualmente e se torna uma possibilidade de renda, além da subsistência.

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