Há exatos um ano, Acre iniciava vacinação em adultos contra a Covid-19

O Brasil está entre os países que mais aplicaram doses de vacinas contra Covid. Cerca de 68% da população estão totalmente vacinados, mas o Brasil ainda enfrenta o desafio de alcançar todas as faixas etárias com a imunização.

MARCELA JANSEN

O início da vacinação contra a Covid-19 no Acre completa um ano nesta quarta-feira, 19. O morador do Lar Vicentino desde 2019, José Marcelino de Oliveira, de 85 anos; a enfermeira Maria José Monteiro, de 66 anos; a Técnica em Enfermagem, Raimunda do Nascimento, de 68 anos; e a enfermeira e indígena Elza Manchineri foram a quatro primeiras pessoas vacinadas no Estado.

O primeiro lote de vacinas chegou ao Acre em 19 de janeiro de 2021. Foram 40.460 imunizantes da Coronavac, que incluíam primeira e segunda doses.

Devido à dependência de insumos farmacêuticos importados para a produção de vacinas, o processo de imunização avançou de forma gradual. As pessoas dos grupos de risco, como profissionais de saúde e idosos, foram os primeiros a receber as doses. Posteriormente, a vacinação seguiu por faixa etária.

Posteriormente, o Estado passa a receber imunizantes da Pfizer, Astrazeneca e Janssen.

Passados doze meses, o Acre já recebeu mais de um milhão de doses de vacinas. Segundo informações do portal de transparência do governo, já foram aplicadas 1.021.379 doses. Levando em consideração a última atualização dos dados no portal, ocorrida em nove de dezembro de 2021, o número de imunização é bem maior.

No país, a imunização contra o novo coronavírus teve início em 17 de janeiro de 2021. Horas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial dos imunizantes CoronaVac e AstraZeneca, o governo de São Paulo começou a vacinar profissionais de saúde, indígenas e quilombolas

A primeira a receber a vacina em território nacional foi a enfermeira Mônica Calazans, em evento realizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP).

O Brasil está entre os países que mais aplicaram doses de vacinas contra Covid. Cerca de 68% da população estão totalmente vacinados, mas o Brasil ainda enfrenta o desafio de alcançar todas as faixas etárias com a imunização.

Em fevereiro de 2021, o Plano Nacional de Operacionalização da Covid-19 do Ministério da Saúde estimava que, considerando a transmissibilidade do coronavírus, cerca de 60% a 70% da população precisaria estar imune para “interromper a circulação do vírus”.

Nessa perspectiva, seria necessária a vacinação de 70% ou mais da população para redução considerável da doença. Quase um ano depois, o cenário mudou diante do surgimento de variantes mais transmissíveis, como a Ômicron. Assim, especialistas agora estimam que a cobertura vacinal seja ampliada para chegar o mais rapidamente possível aos 100% da população — ou muito perto disso.

Estado ultrapassa 90 mil infectados pela Covid-19 desde o início da pandemia

O registro de um ano de vacinação contra a Covid-19 é marcado no Acre pelo agravamento nos casos da doença. Vivendo a terceira onda da contaminação, o Estado já registrou desde o início da pandemia quase 91 mil infectados pelo novo coronavírus, sendo que mais de 86 mil já receberam alta médica.

Nos 18 primeiros dias de 2022 foram registrados no Acre 1.866 casos da doença. São 1.695 casos a mais se comparado ao mês de dezembro de 2021, quando foram registrados apenas 171 casos da doença.

Apesar do aumento nos casos da doença, os óbitos reduziram consideravelmente. Até a última segunda-feira, 17, de acordo com o boletim da Secretária de Estado e Saúde (Sesacre), o número de mortes pela Covid em todo o Acre é de 1.854.

A secretária Saúde, Paula Mariano, destaca que o avanço da imunização contra a doença tem contribuído com a redução das internações e mortes. 

“Tivemos um aumento significativo do número de casos nesse início de janeiro, mas, graças a Deus, com a vacinação, nós não temos tido casos com maior gravidade”, disse ela. E acrescentou: “o atendimento de porta de entrada aumentou, mas as internações de UTI têm se mantido nessa média de três a quatro pacientes e dos que estão internados não estão vacinados e alguns que tem a vacina é a primeira dose. E um com as três, mas o paciente tem idade mais avançada”.

O boletim apontou ainda que a taxa de ocupação da UTI nas unidades de saúde é de 25%. Dos 20 leitos existentes, cinco estão ocupados. São dez leitos de UTI em Rio Branco e dez em Cruzeiro do Sul.

Imunização seguem nesta quarta-feira na Capital

A imunização contra a Covid-19 segue em Rio Branco na quarta-feira, 19. As equipes de saúde atendem nas Uraps e também no prédio da Vigilância Epidemiológica Municipal.

A segunda dose do imunizante da CoronaVac é aplicada no prédio da Vigilância Epidemiológica Municipal, que fica na Avenida Ceará, das 08 às 16h. A aplicação é feita por agendamento pelo telefone (68) 3227-3165.

A dose de reforço da Janssen está sendo aplicada na Urap Vila Ivonete e tomar a dose de reforço. Já a dose de reforço da Astrazeneca e Pfizer é aplicada em adultos acima dos 18 anos que tenham completado quatro meses desde a última dose e pessoas com baixa imunidade (imunossuprimidos).

A 1ª e 2ª dose são disponibilizadas para pessoas com mais de doze anos. Adolescentes precisam comparecer acompanhados dos pais ou responsáveis e apresentarem RG e CPF ou o RG e o cartão do SUS na hora da vacinação.

Veja os pontos de vacinação

Reforço para pessoas que tomaram a 1ª dose da Janssen há 2 meses ou mais:

•           Urap Vila Ivonete

Doze anos ou mais 1ª e 2ª dose da Pfizer (antecipação 21 dias) e dose de reforço:

•           Urap Eduardo Assmar

•           Urap Vila Ivonete

•           Urap Rozangela Pimentel

•           Urap São Francisco

•           Urap Hidalgo de Lima

•           Urap Cláudia Vitorino

Governador Gladson Cameli cancela Carnaval Popular e não descarta lockdown no Estado

Em entrevista coletiva na manhã de terça-feira, 18, o governador Gladson confirmou o cancelamento do Carnaval Popular, tradicionalmente organizado pelo Poder Público. Ele reforçou que devido ao agravamento nos casos da Covid, torna-se inviável a realização do evento.

“O Carnaval já pode cancelar e recolher o trem de pouso (…) Não existe a menor possibilidade de realizar Carnaval com esses aumentos de casos da Covid-19 e gripe que estamos presenciando nos últimos dias. Não vou colocar em risco a vida das pessoas. Seria irresponsável da minha parte”, salientou. E acrescentou: “temos que tomar algumas medidas importantes, incluindo o aumento de leitos nas unidades, já que muitas pessoas estão precisando de intervenção médica – sendo a maioria não vacinada, infelizmente”, continuou.

O chefe do Executivo, embora em outra ocasião tenha descartado decretar novamente lockdown no Estado, na manhã de ontem sinalizou a possibilidade da medida. “Tomara que não tenha que tomar medidas mais duras como as que tomei no início da pandemia, como restrições de horários para trafegar nas ruas, por exemplo. Não vou contra o que diz a ciência e os especialistas”, destacou.

Na oportunidade, Gladson, juntamente com a secretária Paulo Mariano, conclamaram a população a procurar uma unidade de saúde para se vacinar contra a Covid. “Fizemos um trabalho de conscientizar a população sobre a importância da vacina para evitar momentos como este. Não sou cientista, mas sei que não podemos aqui mudar o foco se não for de uma vez por todas unirmos força para vencer essa situação”.

Disse mais: “determinei à doutora Paula que usasse toda a estrutura do estado para que nós possamos juntos, mais uma vez, fazer o que a ciência determina. Eu não vou contra a ciência, vou proteger a vida das pessoas e fazer o que tiver que fazer”, frisou Cameli.

Mais leitos – Segundo a secretária de Saúde, mais leitos serão disponibilizados para tratamento da Covid-19. “Vamos, sim, aumentar os leitos. Provavelmente estaremos ofertando mais 20 leitos”, disse ela.

Pico da 3ª onda deve ocorrer em fevereiro, diz secretária de Saúde

Mariano argumentou que o período mais crítico da pandemia, pelo que dizem os estudos já realizados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), será o da segunda quinzena de fevereiro. “Temos que nos preparar para isso, fortalecer o SUS e tomar todos os cuidados necessários”, destacou.

Paula ressaltou que nas últimas 24 horas foram feitos mais de 400 atendimentos apenas no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Acre (Into-AC) e desse total, apenas 16 ocupavam enfermarias e outros cinco internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que é considerado um número baixo, e deve ser relacionado a vacina.

A secretária disse que devido aos profissionais que estão sendo afastados por testar positivo, novas contrações estão em andamento para garantir o atendimento à população. “Graças a Deus, a gente tem tido baixa de profissionais, mas é com sintomas leves. E se for avaliar estes sintomas leves, esse tempo de afastamento são sete dias. A gente está fazendo uma estratégia de contratação, são contratos provisórios porque a gente sabe da importância do atendimento e não podemos deixar a população desassistida”, pontuou.

Auxílio emergencial – Ainda na coletiva de imprensa, o governador falou sobre o Auxílio Emergencial aos servidores da Saúde. Ele disse que o Estado retoma nos próximos dias retoma o pagamento do benefício. “O decreto de emergência é para buscar o auxílio emergencial para os servidores da saúde”, disse Gladson.

Acre inicia vacinação em crianças de cinco a onze anos

A capital acreana iniciou na segunda-feira, 17, a imunização infantil contra a Covid-19. A primeira criança a se vacinar no Estado foi Rafael Miranda, de oitos anos, e portador do espectro autista, na Unidade de Saúde da Família (UBS) Maria Áurea Vilela Santos, no bairro Cadeia Velha.

Kerlly Miranda, mãe de Rafael, comemorou a imunização do filho. Na oportunidade, ela relatou a ansiedade por ver o filho vacinado, tendo em vista a comorbidade. Emocionada, Miranda reforçou a importância de os pais levarem os filhos para se imunizarem.

“Eu estava ansiosa para vacinar, deixar meu filho protegido porque ele tem algumas comorbidades, então a imunidade dele é muito baixa. De segunda a sexta, frequentamos centros de fisioterapia e a gente estava sendo muito expostos”, disse. E acrescentou: “Os pais que pensam no bem-estar dos filhos, tragam (as crianças) para vacinar. É uma vacina bem elaborada, eles não iriam colocar em risco a vida das crianças assim. Ela veio para ajudar”.

O prefeito Tião Bocalom, presente no ato, pediu aos pais paciência ao levar seus filhos para vacinar. “A logística de vacinação das crianças é diferente dos adultos, portanto, peço aos pais que paciência. Da mesma forma com relação ao número de imunizantes. O lote que chegou e o que foi disponibilizado ao município não contempla a todos. Mas na medida que novos vacinas forem chegando vamos dar continuidade a imunização”, frisou.

Vacinação em Rio Branco

De acordo com a secretária de Saúde do Município, Sheila Andrade, em coletiva de imprensa na manhã de ontem, 17, a vacinação ocorre em ordem decrescente de idade (das crianças mais velhas para as mais novas), com ou sem comorbidades.

A criança deve estar acompanhada pelos pais que, no ato da imunização, assinam um Termo de Autorização. Conforme já anunciado pelo governo do Estado, não está sendo exigido receita médica para a vacinação, salvo as crianças com comorbidades.

Cinco unidades de saúde estarão funcionando com atendimento exclusivo ao público infantil, das 8 às 12h e das 14 às 16h. são elas: USF Manoel Bezerra (Cidade do Povo); USF Gentil Perdomo (Bairro Conjunto Esperança); USF Dr. Mário Maia (Em frente à Praça da Juventude); e USF Cadeia Velha; USF Vitória (Bairro Vitória/Regional São Francisco).

O primeiro lote com 7,2 mil doses da vacina da Pfizer chegou ao Estado na última sexta-feira, 14. Desse total, 2.860 doses foram disponibilizadas para a Capital. Segundo a SEMSA, o andamento da vacinação ocorre conforme o envio das vacinas.

Por conta da síndrome gripal e do aumento nos casos da Covid-19 na última semana, a Secretaria de Saúde de Rio Branco decidiu que a imunização infantil ocorrerá de forma diferenciada dos adultos. Dessa forma, após o ato da vacinação, a criança precisa ficar de repouso na sala de vacinação com o responsável por 20 minutos para observar possíveis reações.

“A gente não pode ficar colocando as crianças, que estão saudáveis, em exposição ao risco. Dentro do protocolo do Ministério da Saúde, é determinado que tem que ter uma forma especial de atender esse público de cinco a onze anos. Então nós, enquanto SEMSA, conversando com os técnicos, escolhemos cinco unidades de referência”, disse Sheila ao descartar ainda a realização de mutirões para vacinar as crianças.

Ela reforçou também que o calendário vacinal infantil é alterado devido a imunização da Covid-19. “O calendário vacinal das crianças acaba sendo alterado por conta do imunizante contra covid-19. O intervalo necessário entre ela e outras vacinas é de pelo menos 15 dias”, disse.

Por fim, a secretária ressalta a importância dos pais observarem possíveis reações após a saída a unidade de saúde, que são: dor, vermelhidão no local da vacina, febre, dor de cabeça, fadiga, calafrios, entre outros, e que, principalmente, procurem o médico caso a criança apresente dores no peito, falta de ar ou palpitações.

Novo lote de imunizantes infantis – O segundo lote de imunizantes para a vacinação infantil chegou ao Acre na terça-feira, 18. São mais sete mil doses de vacinas da Pfizer.

Imunização infantil no país – A vacinação infantil contra a Covid-19 no Brasil teve início na última sexta-feira, 14, em São Paulo. O indígena Davi Seremramiwe, da etnia Xavante. Além de São Paulo e do Distrito Federal, mais 14 estados iniciaram a vacinação.

Na paraíba, no município de Lucena, cerca de 60 crianças receberam equivocadamente vacinas vencidas e de adultos. “Por isso, é importante ter cautela na aplicação das doses. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, acompanha o caso e ressalta a importância de se ter cautela na aplicação das doses”, falou.

A Secretaria de Saúde da Paraíba informou que as crianças vacinadas apresentaram reações leves, como febre e dor no local da injeção. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Federal da Paraíba.

O primeiro lote de vacinas da Pfizer, contendo 1,25 milhão de doses, destinado à imunização de crianças de cinco a onze anos chegou ao país na última quinta-feira, 13. No total, o Brasil receberá 4,3 milhões de doses pediátricas da farmacêutica americana ainda em janeiro.

Na ocasião, o ministro Queiroga destacou que, até o final de março, o país deve contar com 20 milhões de doses da vacina infantil.   A previsão é que todas as vacinas sejam entregues no primeiro trimestre. Além das unidades de janeiro, 7,3 milhões devem ser entregues em fevereiro e outras 8,4 milhões em março.

Campanha “Vacinar: a liberdade de viver mais” reforça importância da imunização contra a Covid-19

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da campanha “Vacinar: a liberdade de viver mais”, está reforçando a importância da imunização contra a Covid-19 no estado. A iniciativa ganha força em razão da nova onda de contaminação.

O MPAC lembra que após um longo período de restrições, a chegada da vacina trouxe um cenário diferente, reduzindo os índices de mortes no mundo todo, ao passo que deu uma chance para a economia se reerguer. Os profissionais de saúde que estão na linha de frente, afirmam, inclusive, que a maioria dos pacientes que está internada e em quadro grave, é formada por pessoas que não tomaram a vacina.

A procuradora-geral de Justiça, Kátia Rejane de Araújo Rodrigues, destacou a importância de incentivar a população a procurar os postos de vacinação para tomar o imunizante e reforçar as suas doses, isso porque quando a pandemia avança, todos, indistintamente, são afetados.

“É de suma necessidade que as pessoas compreendam que a vacinação é a nossa única chance e que todo mundo é afetado quando a pandemia avança. Não apenas quem vem a óbito, ou, seus entes que ficam. Não podemos deixar de instigar a conscientização nas pessoas e o MPAC vem fazendo isso em todos os momentos, desde a descoberta da vacina e, principalmente, com a chegada dela ao estado, momento em que lançamos nossa primeira campanha, a Vacinar: a melhor escolha e agora avançamos numa segunda fase. A vacina é a chance de a vida voltar à normalidade, e de vivermos em um ambiente sem tantas restrições”, disse a PGJ.

Na campanha, o MPAC lembra a importância de as pessoas que já se vacinaram a buscarem as doses de reforço e que levem seus filhos aos postos de vacinação.

“Acreditamos fortemente na ciência e a opção que salva vidas é vacinar. O Ministério Público, enquanto Instituição encarregada constitucionalmente de zelar pela cidadania, encoraja e estimula toda população para que se vacine. Se vacinar, mas do que um dever cívico, é um ato de cidadania e um ato de amor ao próximo também. Quanto mais pessoas forem vacinadas, mais a população estará protegida”, afirma o procurador-geral eleito para o biênio 2022-2024, Danilo Lovisaro.

Os rastros da pandemia no Acre

No Acre, já foram registrados mais de 90 mil casos de Covid-19. Desse total, 1.854 pessoas vieram a óbito, entre crianças, jovens e idosos. Um cenário desolador, sobretudo, para aqueles que perderam seus entes para o vírus, antes da chegada da vacina, como é o caso da dona de casa Nágila Junqueira, mãe do pequeno Douglas Emanoel, de apenas quatro anos de idade, falecido em maio de 2020, em decorrência da Covid-19.

“Eu acho que era a única chance que eu tinha de estar com ele, mas naquele tempo eu não tinha chance nenhuma. Nós estamos numa guerra. E numa guerra vale tudo para se salvar. E nós não temos outra saída a não ser a vacina”, afirmou. (Ana Paula Pojo – Agência de Notícias do MPAC)