Greve geral reúne trabalhadores e centrais sindicais nas ruas da Capital

Trabalhadores de diversas categorias pararam as atividades durante a greve geral realizada durante a sexta-feira, 28, em várias cidades do país. Em Rio Branco, as manifestações ocorreram em frente ao Palácio Rio Branco e no Terminal Urbano.

A greve geral foi convocada pelas centrais sindicais e por trabalhadores de diversas categorias que protestaram contra as reformas trabalhista e da Previdência.

Durante uma hora, o transporte público parou, assim como muitos órgãos públicos também não tiveram atendimentos ao público.

dfarfaA autônoma Angélica Souza mora na Transacreana, esperava o ônibus para poder seguir viagem, no entanto foi impedida pela paralisação. “Olha, não estou na manifestação, mas não me importo. Sei que essa é uma luta por essa geração e pela que está vindo”, disse. Angélica ainda disse que esperaria por mais um dia caso fosse necessário.

Em Rio Branco, segundo informou a presidente da CUT, Rosana Nascimento, cerca de 30 entidades devem fazer parte da mobilização.

“Já temos uma relação grande de vários setores que vão fazer a greve. Porque se os trabalhadores não se organizarem, esse presidente Michel Temer vai tirar todos os nossos direitos”, diz Rosana.

A sindicalista diz que a luta principal é pela manutenção da aposentadoria. “Os critérios que estão aí hoje fazem com que o trabalhador siga trabalhando até morrer e não alcance a aposentadoria integral.”

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As principais mudanças na reforma trabalhista

As férias do trabalhador poderão ser parceladas em três vezes ao longo do ano. O trabalhador poderá fazer até duas horas extras por dia de trabalho, caso haja um acordo com o empregador. A contribuição sindical passa a ser opcional. Jornada de trabalho e criação de banco de horas poderão ser negociadas com o empregador. Haverá multa de R$ 3 mil por trabalhador não registrado. Para micro e pequenas empresas, o valor é de R$ 800. O trabalho em casa agora entra na legislação e terá regras específicas. Entre elas, o reembolso por despesas do empregado.

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Da previdência

A PEC 287 propõe que, mesmo chegando aos 65 anos, o brasileiro não pode se aposentar, caso não tenha contribuído 25 anos. Além disso, ainda existe a porcentagem por esse período de contribuição, caso seja de 25 anos, o valor a ser recebido é de apenas 76% do benefício. Para que possa receber integral será necessário um período de contribuição de 49 anos.

No atual regime, as mulheres podem se aposentar após contribuir por 30 anos, ou aos 60 anos quando não incluídas na primeira opção. Já os homens têm a idade mínima de 65 anos e 35 por tempo de contribuição.

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Carteiros do Acre exigem que entrega de correspondências voltem a ser diárias

Apenas 20% dos trabalhadores dos Correios no Acre estão em greve. A maior parte da força de trabalho está na ativa mas uma paralisação está deflagrada desde às 22h da última quarta-feira, 26, seguindo determinação da federação nacional da categoria. Especificamente no Acre, os carteiros exigem que a entrega das correspondência volte a ser diária. Atualmente, a entrega é alternada, o que, segundo um carteiro, sobrecarrega o trabalhador com a realização de entregas de outras áreas, e a população, que recebe encomendas atrasadas.

Na greve geral desta sexta-feira, 28, a categoria se manifesta contra a privatização, demissões sem reposição de vaga, reforma trabalhista, além de reivindicar mais segurança nas agências e realização de concurso público.

Em assembleia nacional realizada na quarta-feira, o sindicato do Acre votou pela greve que exige melhores salários e condições de trabalho, além de protestar contra as reformas trabalhista e da Previdência. Os trabalhadores também são contra o sucateamento e a privatização da empresa. “O sindicato tem feito todo o possível para a melhoria do serviço prestado a população, mas a empresa está sendo sucateada visando a privatização”, protestou o sindicalista Edson Pinheiro, presidente do sindicato dos carteiros.

Mesmo com a falta de ferramentas indispensáveis para a realização do trabalho, os servidores continuam cumprindo seu papel, segundo Edson. “Faltam veículos, não há manutenção de bicicletas e não existe a reposição de fardamento, por exemplo”, denunciou. Outra reivindicação da categoria é por mais segurança nas agências e a volta das férias suspensas, a partir de maio deste ano.

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Trabalhadores na contra mão da greve

Embora o movimento de greve, no Acre, tenha levado milhares de trabalhadores para as ruas, houve uma parcela deles que não pode manifestar seu descontentamento contra a proposta da reforma da previdência.

4 Senhor ALTEMIR FOTO ALCINETE GADELHAO senhor Altenir Cavalcante é um deles. Para ele, a manifestação é válida e se pudesse estaria nas ruas também. Porém ele sabe que se fizesse isso no outro dia estaria desempregado.

“Já pensou eu ter que trabalhar 49 anos para me aposentar? Nem sei se chego lá. Deveriam ter mudado outras coisas como, por exemplo, o trabalhador ter direito a tirar suas férias com um ano de trabalho completo, mas não fizeram foi parcelar”, lamenta Cavalcante.

Já a vendedora ambulante, Maria do Socorro Castro, diz que é contra a reforma, mas não faz questão de participar de atos assim. “Prefiro está trabalhando, porque se eu não trabalhar não como. Me manifesto nas eleições”.

4 Dona Maria do Socorro FOTO ALCINETE GADELHAUma vendedora de uma loja localizada no calçadão, que não quis se identificar, não sabia nem onde estava acontecendo o ato grevista e diz, ainda, que só faz greve quem é funcionário público.

“A gente que tem patrão sabe que se formos nos manifestar é rua na certa. E em tempos de crise não podemos abusar da sorte, mesmo sabendo das injustiças que acontece com os trabalhadores temos que obedecer ao sistema. É aquele ditado: manda quem pode, obedece quem tem juízo”, afirma.

A vendedora relata que não sabe se realmente conseguirão atingir o objetivo com o manifesto, mas espera que algo seja feito pelos trabalhadores. “Que quem está no poder faça valer o voto que recebeu e não piore a vida do trabalhador”, finaliza.