O Santos Futebol Clube vai continuar utilizando o Centro de Treinamento Rei Pelé, que fica na cidade de Santos, litoral paulista. É o que prevê o acordo entre o governo federal e o clube, assinado nesta quinta-feira (1), em Brasília. 

A cerimônia de assinatura da chamada “concessão onerosa” resolveu um impasse de forma consensual e regularizou a situação do imóvel, que é da União. Com isso, o Santos vai utilizar o CT por 20 anos, e a concessão pode ser renovada por mais 20. Para isso, o clube vai pagar ao governo, todo mês, pouco mais de R$ 145 mil, corrigidos pelo IPCA.
Presente na cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, afirmou que a indefinição existia desde 2017 e trazia incertezas quanto ao trabalho social realizado no espaço.
“Ali também nós desenvolvemos uma série de ações sociais voltadas às escolas municipais e muitas outras atividades que darão sequência para que nós estejamos cada vez mais aprimorando o futebol brasileiro. Nós estamos hoje praticamente oferecendo ao futebol brasileiro a oportunidade do Santos continuar cumprindo com a sua meta e a sua obrigação de revelar meninas e meninos para o futebol brasileiro e futebol mundial”.
Inaugurado em 2005, o CT Rei Pelé foi palco de treinamento de nomes conhecidos do futebol brasileiro, como Neymar, Robinho, Gabigol, Rodrygo e Ganso.
Futebol sem bets
Também durante a assinatura, o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, destacou o papel social do futebol e disse que o esporte não pode estar associado às bets, que passaram a ser proibidas no país na semana passada.
“O futebol pode se fortalecer, pode contribuir para o desenvolvimento social, fortalecer a alegria do povo brasileiro sem a contaminação das bets e a gente não pode fazer com que o esporte e o futebol tenha em sua história essa mácula e essa dificuldade que o Brasil vem enfrentando”.
Na negociação do imóvel da União, a AGU atuou na formalização do acordo. O titular, ministro Jorge Messias, também citou as bets e defendeu o futebol de base.
“Quando nós fomos pentacampeões, nós não precisávamos de bets para financiar o futebol brasileiro. Quando meu Sport foi campeão em 1987 contra o Flamengo, não tinha bet. Nós temos um modelo de futebol em que valorizar as pessoas, preparar a meninada para a base é a coisa mais importante. Esse é o grande compromisso que o Santos faz: investir no futebol de base, que é a esperança do futebol brasileiro”.
Dívida de R$ 20 milhões
No mesmo acordo, o Santos reconheceu a dívida que tem com a União pelo tempo que já usou o CT, e que passa de R$ 20 milhões. Neste caso, ela tem previsão de ser paga em 120 meses.
O documento deixa em aberto a possibilidade de a União “reavaliar futuramente” se vende o imóvel, caso deixe de “existir interesse público, econômico ou social em sua manutenção”. Além disso, o Santos assume a obrigação de atuar na conservação do imóvel e cumprir as exigências administrativas, tributárias, ambientais, urbanísticas e patrimoniais.
O CT Rei Pelé tem área de quase 40 mil metros quadrados – tamanho de 4 a 5 campos de futebol – e está avaliado em quase R$ 80 milhões, se contadas as melhorias que o Santos realizou.


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