Floresta do Acre tem sofrido com ataques de fenômeno natural

Um estranho fenômeno foi registrado em uma área de floresta do Acre. Uma área da floresta da Embrapa Acre foi atingida pelo blowdown, que deixou mais de 100 hectares afetados na região localizada no município de Rio Branco.

As imagens, capturadas por meio de perfilamento a laser aerotransportado, ou Lidar (Light Detection and Range), mostraram clareiras abertas e várias árvores caídas –os efeitos do blowdown: danos significativos à floresta.

Na Amazônia, segundo os pesquisadores, o evento ocorre no verão e é caracterizado por uma forte corrente de ar descendente que induz uma explosão de ventos fortes em direção ao chão e pode causar esses danos. De acordo com o pesquisador acreano Marcus Vinício Neves d’Oliveira, relatos de produtores rurais confirmam a ocorrência frequente desse fato na região. “O flagrante do blowdown na floresta da Embrapa foi possível a partir do uso do registro da intensidade de luz refletida pelos objetos na superfície, capturados pela plataforma Lidar, em um voo sobre a floresta da Embrapa Acre, em 2015”, comenta.

A Embrapa emitiu nota sobre a ocorrência lembrando que modelo Lidar mostrou o padrão de queda das árvores de forma radial em todas as direções, tendo o ponto de origem no centro da floresta para a sua margem. “Esse padrão é bem diferente do esperado para incêndios florestais, que normalmente progridem das margens das florestas (áreas de pastagem e agricultura) para o seu interior. Isso é uma forte indicação de que o fenômeno observado teria causa natural e não seria resultado da ação humana.” Essa hipótese foi confirmada após visita do técnico do Setor de Campos Experimentais, Airton Nascimento, ao local.

Na literatura, há registro do fenômeno em diversos países com grandes áreas afetadas e queda de milhares de árvores.

Na Amazônia, os blowdowns são maiores e mais frequentes em uma faixa norte-sul que se estende da Venezuela até os estados do Acre e Rondônia. As linhas de instabilidade começam a se formar no litoral atlântico, no período vespertino, transitam pela Amazônia Oriental à noite e aumentam sua atividade convectiva na tarde do segundo dia, quando alcançam as regiões central e ocidental da Amazônia.

“Os blowdowns interferem no crescimento da floresta e são difíceis de estudar pela impossibilidade de prever quando, onde e em que intensidade irão acontecer. Com a imagem gerada pelo Lidar ao menos já somos capazes de detectar e mensurar esse tipo de fenômeno mesmo quando ocorre em pequena escala, como foi o caso aqui no Acre”, acrescenta d’Oliveira.