Fim de mais um ciclo

Há pouco mais de dois anos, após deixar o cargo de vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Acre (Acea), eu manifestei para alguns colegas a minha intenção de também deixar a direção da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace), fato esse concretizado no último final de semana, quando ocorreu na cidade de Campinas-SP o processo eleitoral da entidade.

Quero dizer que a minha vida de dirigente associativo da crônica esportiva começou no final da década de 1990, quando, a convite do cronista esportivo Chico Pontes, passei a colaborar com o trabalho de credenciar os nossos cronistas na Abrace. Os anos se passaram e fui provocado a assumir a direção da Acea, provocação essa aceita. O primeiro trabalho foi construir o novo estatuto para a entidade e, posteriormente, a realização das eleições para a nova diretoria e ainda a construção do site da entidade.

Apesar de optar pelo afastamento das entidades classistas, Façanha segue na crônica esportiva. Foto/Sérgio Vale
Apesar de optar pelo afastamento das entidades classistas, Façanha segue na crônica esportiva. Foto/Sérgio Vale

17 congressos 

Na busca de interagir com a crônica esportiva nacional tive então o prazer de participar do meu primeiro congresso da Abrace durante o ano de 2004, na cidade de João Pessoa-PB. Lembro-me que foi o meu primeiro contato pessoal com o saudoso presidente Aderson Maia e outras dezenas de cronistas esportivos do país, alguns já falecidos. A partir daí participei de outros 15 congressos (2004-2018), um deles internacional (Aips América), ocorrido na cidade de Manaus-AM, no mês de setembro de 2012. Também na cidade de Manaus-AM tive o prazer de marcar presença nos Jogos da Aips América, ocorrido no mês de março de 2018. Todas essas experiências tenho guardadas com alegria a sete chave nos meus arquivos pessoais, assim como parte da história esportiva acreana das últimas duas décadas.

Nesta minha participação em 17 congressos (grande parte das despesas de deslocamento foram pagas com o dinheiro do meu próprio bolso), os cronistas esportivos Francisco Dandão e Alberto Casas me acompanharam por 11 oportunidades cada. Também tive o prazer de dividir esses momentos de aprendizado e intercâmbio com outros companheiros da crônica esportiva local: Raimundo Afonso Gomes (3), Gabriel Rotta (2), Zezinho Melo, Deise Leite e Ramiro Marcelo (1). Quero dizer ainda que foram congressos maravilhosos que colaboraram para o fortalecimento da organização da categoria, vínculo de grandes amizades e forte intercâmbio de aprendizado. Também num destes congressos, eu, Francisco Dandão e Alberto Casas, tivemos como companheiro de delegação, em 2011, na cidade de Palmas-TO, o jornalista Augusto Diniz, profissional do sul do país que escreveu por mais de 10 anos crônicas/matérias nos jornais O Rio Branco e Opinião.

Em 2013, o congresso da Abrace ocorreu em Goiânia-GO. Na foto, da esquerda para a direita: Alberto Casas, Manoel Façanha, Aderson Maia, Raimundo Afonso e Gabriel Rotta. Foto/Antônio Assis.
Em 2013, o congresso da Abrace ocorreu em Goiânia-GO. Na foto, da esquerda para a direita: Alberto Casas, Manoel Façanha, Aderson Maia, Raimundo Afonso e Gabriel Rotta. Foto/Antônio Assis.

Trabalho realizado

Neste período de mais de duas décadas atuando como dirigente associativo sempre trabalhei em prol da organização da categoria, do fortalecimento político da entidade e na defesa dos direitos dos associados e, na maioria das vezes, usei recursos do meu próprio bolso para pagamentos de despesas (gasolina, celular, material de escritório…). No entanto, o trabalho, não somente meu, mas de vários companheiros, contribuiu para o fortalecimento da nossa Acea. Neste mesmo período, várias atividades foram desenvolvidas em prol do esporte acreano, entre elas o Torneio da Imprensa, Prêmio Destaque Campos Pereira (2005-2012), publicação de livros, parcerias com entidades esportivas para a realização de eventos, inclusive, alguns deles de nível nacional, entre outras atividades desenvolvidas pela crônica esportiva.

Prêmio Destaque Campos Pereira tinha como objetivo valorizar aqueles que militavam no esporte. Foto/Acervo Manoel Façanha
Prêmio Destaque Campos Pereira tinha como objetivo valorizar aqueles que militavam no esporte. Foto/Acervo Manoel Façanha

Trajetória na Abrace

Lembro-me ainda que o então presidente da Abrace, Aderson Maia, um cronista esportivo/jurista pra lá de carismático, me nomeou no meu primeiro congresso ao cargo de delegado da Abrace (2004-2009) e, posteriormente, satisfeito com o meu trabalho, fui convidado a fazer parte da sua chapa para o cargo de conselheiro fiscal em duas eleições vitoriosas (2009-2013; 2013-2017). Na penúltima eleição da entidade, a convite do ex-presidente Kleiber Beltrão, fui indicado a fazer parte da sua chapa na pasta de vice-presidente Norte da Abrace (2017-2021).

Foro íntimo

No entanto, resolvi, por questões de foro íntimo, cumprir com a promessa estabelecida lá atrás e encerrar a minha trajetória como dirigente associativo de classe e, ao mesmo tempo, aproveitar para comunicar o fato à sociedade. Quero dizer ainda que fecho minha participação neste movimento classista com a consciência tranquila de ter deixado um legado de serviços prestados para as entidades e também para a sociedade, principalmente para aqueles que militam no desporto. Nesse período, foram anos de lutas, de conquistas, de reconhecimento, mas entendo que a minha missão agora é outra, apesar de ainda continuar fazendo parte da crônica esportiva, mas apenas na figura de um simples associado e contribuindo, dentro da minha realidade, com a divulgação das atividades esportivas.

Mesmo à distância, os cronistas esportivos Francisco Dandão e Manoel Façanha seguem a parceria de trabalho. Foto/Acervo Manoel Façanha
Mesmo à distância, os cronistas esportivos Francisco Dandão e Manoel Façanha seguem a parceria de trabalho. Foto/Acervo Manoel Façanha

Boa sorte!

Então, era isso. No mais, quero aproveitar para desejar uma feliz gestão ao cronista esportivo Artur Eugênio (Campinas-SP) e demais integrantes da sua chapa e, ao mesmo tempo, dizer que o fortalecimento da nossa categoria se faz com trabalho árduo, persistência e diálogo, algo nada fácil para os dias atuais.

“O trabalho, não somente meu, mas de vários companheiros, contribuiu para o fortalecimento da nossa Acea”

Manoel Façanha

Manoel Façanha Tavares Neto é jornalista esportivo, historiador, ex-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Acre (Acea) e também ex-vice-presidente regional Norte da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).