Estado perdeu 6% dos leitos de pediatria no SUS

O Acre perdeu 6% dos leitos pediátricos nas unidades de saúde púbicas e privadas entre 2010 e 2016, segundo estudo divulgado nesta terça-feira, 28. Quando se leva em conta os leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) o corte foi de 18% no período. Já os leitos “não SUS” aumentaram 46%, o que mostra a tendência de que o acreano esteja recorrendo cada vez mais à saúde particular em detrimento dos hospitais públicos.

O governo do Estado já se posicionou sobre o assunto dizendo que os investimentos para melhorar o sistema estão sendo feitos. No país, mais de 10 mil leitos de internação em pediatria clínica, aqueles destinados a crianças que precisam permanecer num hospital por mais de 24h horas – foram desativados na rede pública de saúde desde 2010. No fim daquele ano, o país dispunha de 48,3 mil deles para uso exclusivo do SUS.  Em novembro do ano passado (último dado disponível), no entanto, o número baixou para 38,2 mil – uma queda de aproximadamente cinco leitos por dia. A análise é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que também identificou que 40% dos municípios brasileiros não possuem nenhum leito de internação na especialidade.

As informações apuradas junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, preocupam os especialistas, mas não surpreendem quem cotidianamente sente na pele os dilemas das limitações do SUS.

As doenças que prevalecem em crianças são sazonais e nos primeiros semestres de cada ano, geralmente, acentuam-se as viroses gastrointestinais. Estas, em muitos casos, demandam internações. Além disso, a presidente destaca que casos mais sérios de dengue, que afetam crianças e adolescentes, bem como o aumento na recorrência dos casos de alergias, infecções respiratórias e pneumonia também contribuem para o crescimento da demanda por internações.

Das 5.570 cidades do Brasil, 2.169 não possuem nenhum leito. Entre as que possuem pelo menos uma unidade de terapia intensiva infantil, um terço tem menos de cinco leitos em todo o território municipal e 66 deles contam com apenas um leito.

Rio Branco não teve leitos desativados como também não apresentou aumento no período, sendo a única do País onde isso ocorreu.